Lagos – Homem assalta, restaurante ‘Chefe Artur’, provocando prejuízo superior a 170 euros com vidro partido, é detido no local por agentes da PSP e libertado pelo tribunal

“Estive durante duas horas no tribunal, mas para nada. A doutora juíza, uma senhora jovem, disse-me que não valia a pena eu apresentar queixa, porque o homem não levou nada do meu restaurante, apesar dos prejuízos causados. Assim, o processo iria dar em nada e apenas seria perda de tempo, eu só gastaria dinheiro e nada receberia”, contou, ao ‘Litoralgarve’, Artur Craveiro, de 57 anos, proprietário do estabelecimento. “É esta a justiça que temos!”, lamentou, revoltado com a situação.

José Manuel Oliveira

Continua a vaga de assaltos durante a madrugada na cidade de Lagos, o que está a contribuir para aumentar um sentimento de insegurança e indignação ao nível de proprietários de estabelecimentos, os principais visados, e da população em geral. Desta vez, o alvo foi o conhecido restaurante ‘Chefe Artur’, situado na Travessa Dom Vasco da Gama, onde um homem, de nacionalidade portuguesa e com idade compreendida entre a 20 e 30 anos, utilizou uma pedra para partir o vidro da cozinha, na parte lateral do edifício, por volta das 02h00 da madrugada de quinta-feira, 26 de Junho de 2025.

“Estava a dormir quando acordei ao ser contactado por telemóvel pela Central da Polícia de Segurança Pública, em Faro, comunicando-me o sucedido. Desloquei-me, de imediato, ao restaurante, onde estavam dois agentes da PSP com o assaltante detido e encostado a uma parede”

“Ele disse aos polícias que o vidro estava partido e não o partiu, o que é falso. Foi detido quando saiu do meu estabelecimento, onde abriu a caixa registadora à procura de dinheiro, mas só ali estavam cartões do próprio restaurante, os quais ele atirou para o chão. Nunca deixo dinheiro no restaurante”

O indivíduo terá lançado a pedra duas vezes para conseguir partir o vidro e entrar naquele estabelecimento. O barulho acabou por despertar os vizinhos, tendo um popular alertado as autoridades. “Estava a dormir quando acordei ao ser contactado por telemóvel pela Central da Polícia de Segurança Pública, em Faro, comunicando-me o sucedido. Desloquei-me, de imediato, ao restaurante, onde estavam dois agentes da PSP com o assaltante detido e encostado a uma parede. Ele disse aos polícias que o vidro estava partido e não o partiu, o que é falso. Foi detido quando saiu do meu estabelecimento, onde abriu a caixa registadora à procura de dinheiro, mas só ali estavam cartões do próprio restaurante, os quais ele atirou para o chão. Nunca deixo dinheiro no restaurante. Por isso, nada levou, mas os prejuízos resultantes do vidro partido obrigam-me a despender mais de 170 euros”, contou, ‘Litoralgarve’, Artur Craveiro, de 57 anos, proprietário do restaurante, sem esconder a sua revolta.

É “magro e com um sinal no lábio de cima”, supostamente devido a “um corte”, mas não resultante do vidro que, agora, partiu. “Conheço-o de vista em Lagos”

“Havia pedaços de vidros espalhados por todo o lado”

Descreveu o assaltante como um homem “magro e com um sinal no lábio de cima”, supostamente devido a “um corte”, mas não resultante do vidro que, agora, partiu. “Conheço-o de vista em Lagos”, notou Artur Craveiro, que teve e fazer limpezas “até às 04h00” da madrugada no seu estabelecimento, onde “havia pedaços de vidros espalhados por todo o lado.” “Mas já não vi a pedra que ele utilizou para partir o vidro da cozinha do restaurante e entrar.” Enquanto isso, o assaltante foi levado para a esquadra de Lagos da PSP, onde ficou detido até ser presente, na tarde de quinta-feira, ao Tribunal de Lagos.

“Depois, estive durante duas horas no tribunal, mas para nada. A doutora juíza, uma senhora jovem, disse-me que não valia a pena eu apresentar queixa, porque o homem não levou nada do meu restaurante, apesar dos prejuízos causados. Assim, o processo iria dar em nada, apenas seria perda de tempo, eu só gastaria dinheiro e nada receberia”, lamentou, ao nosso Jornal, Artur Craveiro. E acrescentou: “Disse, então, à senhora juíza: é esta a justiça que temos! E a doutora respondeu que não é assim…”

“A insegurança em Lagos, com assaltos, devido ao tráfico de droga, vai complicar-se ainda mais durante o Verão. A situação só se tende a agravar”

O lesado, que, dessa forma, desistiu do processo judicial contra o homem que assaltou à pedrada o restaurante ‘Chefe Artur’, não pretende instalar sistema de videovigilância no seu estabelecimento, nem colocar gradeamento para reforçar a segurança. “Para quê? Só iria gastar dinheiro…”, observou. Na perspectiva deste empresário, “a insegurança em Lagos, com assaltos, devido ao tráfico de droga, vai complicar-se ainda mais durante o Verão”. “A situação só se tende a agravar”, admitiu Artur Craveiro.

PSP associa esta nova vaga de assaltos em Lagos ao mesmo homem, que o tribunal libertou, agora, após ter sido detido no restaurante ‘Chefe Artur’

Já a PSP de Lagos associa o autor do assalto ao restaurante ‘Chefe Artur’, em Lagos, a outros assaltos, também com recurso a uma pedra, ocorridos nesta cidade, nomeadamente à ‘Charrusqueira Marques’, curiosamente situado a poucos metros de distância e de onde foram levados, durante uma madrugada, após um vidro partido, duas latas contendo moedas (uma com gorjetas e a outra destinada a um peditório para uma menina, a Constância, portadora de deficiência); ao Restaurante ‘Prato Cheio’, na Rua Francisco Sá Carneiro, ao Restaurante ‘Asinhas’, na Rua José Afonso, a um estabelecimento de venda de ferragens (drogaria), na Rua 1º. de Maio, e a uma pastelaria, localizada junto à agência do Millennium BCP, na Avenida da República, perto da rotunda de acesso de supermercado ‘Lidl’. Nessa pastelaria, o assaltante não levou dinheiro, porque não havia, mas deixou um rasto de destruição, desde vidros partidos até farinha e outros produtos espalhados pelo chão, que se destinavam ao fabrico de bolos, entre outras especialidades.

Chama-se Daniel, é um sem-abrigo a viver em Lagos e tem sido visto num parque de estacionamento junto às muralhas a orientar automobilistas e a tentar dinheiro para adquirir estupefacientes

Segundo apurou o ‘Litoralgarve’, o suspeito é um indivíduo de nome Daniel, referenciado pelas autoridades policiais como toxicodependente, tem proveniência de Odiáxere, concelho de Lagos, e é um dos sem-abrigo a viver nesta cidade, onde passa as noites numa casa degradada que ocupou. Tem sido visto no parque de estacionamento junto às muralhas, numa zona na qual, há anos, se situava a conhecida empresa ‘Raminhos’, de venda de ferragens e tintas, em Lagos, a orientar automobilistas, que procuram um lugar para as suas viaturas. Tal como outros indivíduos ligados ao consumo de estupefacientes, luta diariamente para conseguir dinheiro para comprar droga.