FRAP Algarve pede suspensão dos exames digitais até estarem garantidas todas as condições

A Federação Regional das Associações de Pais do Algarve (FRAP Algarve) manifestou preocupação com os problemas registados na atual época de exames nacionais e defendeu que a proteção dos alunos deve prevalecer sobre a implementação dos novos modelos digitais de avaliação externa.

Em comunicado, a federação sublinha que não está contra a modernização da escola pública nem contra a utilização da tecnologia no ensino, mas considera que a inovação “só serve a Educação quando é bem preparada, testada, segura e justa”. A organização alerta que os constrangimentos verificados durante a realização das provas e no processo de classificação, em particular relacionados com a plataforma EduQA, revelaram fragilidades que não podem ser encaradas como simples incidentes técnicos.

A FRAP Algarve entende que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação deve assumir a responsabilidade política e técnica pelo processo, garantindo que nenhum aluno seja prejudicado por falhas alheias ao seu controlo.

Entre as medidas propostas, a federação defende um regresso temporário ao modelo de exames em papel, enquanto não estiverem plenamente asseguradas as condições técnicas, logísticas, humanas e de segurança para a realização das provas em formato digital. Solicita ainda a realização de uma auditoria técnica, independente e transparente à implementação da plataforma EduQA e aos novos modelos de classificação, bem como a suspensão de novas fases da digitalização até existir uma avaliação rigorosa e validação por parte das escolas.

A organização considera igualmente que futuras decisões devem envolver professores, diretores, especialistas, associações de pais, alunos e restantes parceiros educativos, defendendo ainda a garantia expressa de que nenhum estudante será prejudicado por problemas técnicos, organizacionais ou de classificação.

Face aos constrangimentos registados, a FRAP Algarve propõe também que, a título excecional neste ano letivo, sejam gratuitos os pedidos de consulta, visualização e reapreciação das provas de exame, argumentando que o exercício destes direitos não deve depender da capacidade económica das famílias quando a confiança no processo foi afetada.

A federação conclui reafirmando a disponibilidade para colaborar na construção de soluções, defendendo uma escola pública “mais justa, mais preparada e mais respeitada”, e sublinhando que “a tecnologia é um instrumento” e que “os alunos têm de estar sempre primeiro”.