Entrevista ao Presidente da Direção da Associação dos Marisqueiros de Vila do Bispo, Paulo Lourenço: “Em termos políticos, estamos completamente abandonados. Iremos apresentar reivindicações ao Parlamento Europeu. Na Assembleia da República, nunca fomos ouvidos”

“A apanha do perceve durante o mês de Maio é prejudicial para o recurso. Como é o nosso meio de subsistência, nós entendemos que é preciso parar no mês de Maio. Os cientistas assim o entendem também, mas não são eles, que estão do nosso lado, que podem tomar medidas. Quem pode tomar medidas, são os políticos.” Este foi um dos recados de Paulo Loureço, presidente da Direção da Associação dos Marisqueiros de Vila do Bispo, em entrevista exclusiva, concedida ao ‘Litoralgarve’, já perto do final da tarde do último dia (domingo, 09 de Junho de 2024) da décima edição do Festival do Perceve e a poucas do seu encerramento.

Revoltado com a atuação dos vários governos, das forças políticas e instituições do nosso país, em que deixou de acreditar, devido a problemas legislativos, aquele dirigente associativo avisa que mariscadores irão tomar, em breve, medidas junto dos eurodeputados, em Bruxelas, já que em Portugal “somos ignorados.” E deixa, ainda, alertas para os riscos e problemas provocados por imigrantes, nomeadamente paquistaneses e indianos, na costa alentejana, onde poderá ocorrer uma tragédia devido à falta de conhecimento destes indivíduos sobre as condições do mar.

José Manuel Oliveira

Litoralgarve – Que balanço faz sobre a décima edição do Festival do Perceve de Vila do Bispo?

Paulo Lourenço – O balanço é extremamente positivo, uma vez que, neste ano, arriscámos na alteração da data e foi um sucesso. No primeiro dia do Festival, dia 07 de Junho, sexta-feira, tivemos quatro mil visitantes, enquanto no sábado, dia 07, foram cerca seis mil. Já no domingo, a afluência do público acabou por superar as nossas expectativas.

Litoralgarve  – Sente que as pessoas vieram a este evento mais pelos perceves, ou devido aos espectáculos musicais, pela animação?

Paulo Lourenço – Pelas duas coisas. Mas penso que oitenta por cento das pessoas vieram pelo perceve, pois Vila do Bispo continua a ser a capital do perceve.

“Neste ano, arriscámos, a Associação de Marisqueiros e a Câmara Municipal de Vila do Bispo, a fazer algo diferente, apostando no mês de Junho. Se corresse bem, como decorreu, seria para manter. A partir de agora, a data será sempre esta até para uma autoproteção do recurso.”

Litoralgarve – Há quem diga que, mesmo assim, neste ano houve menos gente pelo facto de o Festival se ter realizado em Junho e não em Setembro, como era habitual. O que lhe parece?

Paulo Lourenço – O que acontece é que, como já referi, neste ano arriscámos, a Associação de Marisqueiros e a Câmara Municipal de Vila do Bispo, a fazer algo diferente, apostando no mês de Junho. Se corresse bem, como decorreu, seria para manter. A partir de agora, a data será sempre esta até para uma autoprotecção do recurso. A afluência, com os artistas cabeças de cartaz de grande nível, foi superior a outros anos.

Litoralgarve  –  Quantos quilogramas de perceves foram consumidos?

Paulo Lourenço – No dia da abertura do Festival, tínhamos 1.400 quilogramas. No domingo (à tarde, a poucas horas do encerramento), só havia 400 quilogramas, pelo que atingimos mais de uma tonelada.

“Tivemos a bênção do mar. O mar teve umas condições sublimes e isso permitiu perceves muito, muito melhores. A qualidade proporcionada a quem nos visitou foi muito superior à do ano passado.”

“Gostaria muito de agradecer aos nossos associados, que durante quatro dias deixaram de vender perceves aos compradores deles e canalizaram todos os perceves para a Associação de Marisqueiros de Vila do Bispo, pois só foi possível estarmos presentes neste grande evento”

Litoralgarve – Foi mais do que em 2023?

Paulo Lourenço – É igual. Para autoproteção [do perceve] não pudemos ter uma captura maior. Neste ano, tivemos a bênção do mar. O mar teve umas condições sublimes e isso permitiu perceves muito, muito melhores. A qualidade proporcionada a quem nos visitou foi muito, muito superior à do ano passado. Gostaria muito de agradecer aos nossos associados, que durante quatro dias deixaram de vender perceves aos compradores deles e canalizaram todos os perceves para a Associação de Marisqueiros de Vila do Bispo, pois só assim foi possível estarmos presentes neste grande evento.

Litoralgarve – Destacou as condições sublimes do mar. O que aconteceu em concreto?

Paulo Lourenço – Menos de um metro [de altura] na costa. O vento, por acaso, esteve sueste. Mas na quinta-feira, véspera do Festival, foi nordeste. Tal fez com que o mar fosse raso e conseguíssemos ir a determinadas pedras ter uma captura completamente diferente, com outras condições e com uma qualidade muito, muito boa na apanha dos perceves.

“A nossa principal preocupação é a alteração do defeso. Nós entendemos e acreditamos que o defeso da maneira como está a ser feita, é completamente deficiente. É necessário fazer uma reativação em termos de co-gestão de Comissão de Acompanhamento, que já existiu”

Litoralgarve – Quais são os problemas que enfrentam nesta atividade?

Paulo Lourenço – Em termos de associação, enfrentamos algumas dificuldades, algumas preocupações ao nível de legislações. A nossa principal preocupação é a alteração do defeso. Nós entendemos e acreditamos que o defeso da maneira como está a ser feita, é completamente deficiente. É necessário fazer uma reactivação em termos de co-gestão de Comissão de Acompanhamento, que foi uma coisa que já existiu em tempos e que, entretanto, deixou de existir. Já em termos políticos, estamos ao sabor do vento, completamente abandonados.

Litoralgarve  – O que quer dizer com isso?

Paulo Lourenço – Esta associação de marisqueiros está completamente desacreditada com qualquer força política. São eles, os seus responsáveis, que fazem as leis e são eles que pedem aos cientistas para fazerem algo completamente diferente. Insisto: estamos abandonados e desacreditados.

“Desde 2016, elaborámos um documento juntamente com as cinco associações do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. E este documento bateu onde tinha de bater nas diferentes entidades, nos diferentes ministérios. Chegou lá, foi visto, foi olhado, toda a gente sabe o que se passa, toda a gente sabe as dificuldades, mas somos ignorados.”

Litoralgarve- Que medidas têm de ser tomadas? O que pede ao governo?

Paulo Lourenço – Desde 2016, elaborámos um documento juntamente com as cinco associações do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. E este documento bateu onde tinha de bater nas diferentes entidades, nos diferentes ministérios. Chegou lá, foi visto, foi olhado, toda a gente sabe o que se passa, toda a gente sabe as dificuldades, mas somos ignorados.

“É uma profissão de risco e tem de ser reconhecida como tal. E não o é. Na Segurança Social, teríamos de ter um outro estatuto, nomeadamente um CAE [Classificação de Atividade Económica – n.d.r.]. O nosso CAE é de amador. E nunca pode ser com CAE de amador. Tinha de ser um CAE de mariscador. Nós não podemos ser considerados como apanhadores de amêijoas.”

“Esta associação existe desde 2005 e desde essa altura, tocamos só tocamos no ‘dó’. O ‘ré’ e o ‘mi’ nunca chegam. É isso que nos leva a estar tristes e desacreditados com as diferentes instituições.”

Litoralgarve – Mas o que é necessário mudar?

Paulo Lourenço – Um dos aspetos é que esta profissão é uma profissão de risco e tem de ser reconhecida como tal. E não o é. Na Segurança Social, teríamos de ter um outro estatuto, nomeadamente um CAE [Classificação de Atividade Económica – n.d.r.]. O nosso CAE é de amador. E nunca pode ser com CAE de amador. Tinha de ser um CAE de mariscador. Nós não podemos ser considerados como apanhadores de amêijoas. Atenção! Com isto não quero dizer que um apanhador de amêijoa não tenha o seu mérito, não tenha o seu valor. Mas como os senhores podem comprovar, as imagens desta edição ‘Mãos da Maré’ [as quais estiveram em exibição através de um vídeo na ampla tenda do Festival, onde funcionou o restaurante, no qual foram servidos perceves e outros tipos de marisco – n.d.r.], são bastante fortes, bastante chocantes, uma realidade nua a crua da nossa profissão, a qual sentimos com extrema paixão. Simplesmente, as pessoas que nos visitam, nomeadamente a parte governamental, ou instituições, dão-nos os parabéns, mas não passa disso. E como deve imaginar, nós estamos completamente revoltados. Esta associação existe desde 2005 e desde essa altura, tocamos só tocamos no ‘dó’. O ‘ré’ e o ‘mi’ nunca chegam. É isso que nos leva a estar tristes e desacreditados com as diferentes instituições.

“Assim, como está a nossa situação, já chega! Nós não podemos continuar como estamos. Só somos consultados quando é para fazer algum estudo. E nós, com o nosso conhecimento, damos sempre o nosso parecer positivo. Depois, esses estudos, entendemos nós, são, única e exclusivamente, para mais subsídios e servem de mais uma fonte de rendimento para quem os elabora. Estamos fartos disso!”

Litoralgarve – Admite ações com impacto para resolver os problemas?

Paulo Lourenço (de pronto) – Sim, sim! Em breve, iremos tomar medidas e partir para a comunicação social. Assim, como está a nossa situação, já chega! Nós não podemos continuar como estamos. Só somos consultados quando é para fazer algum estudo. E nós, com o nosso conhecimento, damos sempre o nosso parecer positivo. Depois, esses estudos, entendemos nós, são, única e exclusivamente, para mais subsídios e servem de mais uma fonte de rendimento para quem os elabora. Estamos fartos disso!

Litoralgarve – Afinal, que medidas poderão vir a desenvolver os marisqueiros?

Paulo Lourenço – A seu tempo se saberá…

Litoralgarve – Pensa parar a atividade para chamar a atenção do poder político?

Paulo Lourenço – Não. Obviamente que não, porque a nossa atividade representa a subsistência das nossas famílias. E se não formos ao mar, não trabalhamos. Mas iremos tomar medidas, inclusivamente iremos ao Parlamento Europeu.

Litoralgarve – Apresentar queixa?

Paulo Lourenço – Não se trata de queixa. Serão reivindicações a apresentar no Parlamento Europeu. Já reivindicámos no nosso Parlamento [Assembleia da República], mas nunca fomos ouvidos. Fomos ignorados e, neste momento, volto a insistir, estamos extremamente desapontados. E, por isso, iremos para a frente. Somos um grupo de jovens, um grupo de amantes desta atividade e vamos defender os que estão na nossa associação, os que querem entrar e os que já estão quase a sair. Porque esses, que estão a sair, lutaram tanto ou mais do que nós.

“No concelho de Vila do Bispo estão entre 60 e 70 profissionais, com idades diversificadas, dos 30 até aos 60 anos”

Litoralgarve – Quantos mariscadores estão em atividade no concelho de Vila do Bispo?

Paulo Lourenço – Neste momento, no concelho de Vila do Bispo estão entre 60 e 70 profissionais, com idades diversificadas, dos 30 até aos 60 anos.

Litoralgarve  – E o senhor há quantos anos é profissional?

Paulo Lourenço – Há 24 anos.

Litoralgarve – Quais são as melhores zonas para a apanha de perceves?

Paulo Lourenço – A melhor qualidade de perceves encontra-se desde a ponta da Fortaleza de Sagres [no concelho de Vila do Bispo] até à zona da Carrapateira [já no concelho de Aljezur].

“Não concordamos com esta discriminação do dia 15 de Setembro ao último dia do mês de Março só podermos apanhar dez quilogramas [de perceves]. Somos os únicos no país que o pode fazer. No resto do país, de 01 de Março a 15 de Setembro, são 15 quilogramas.”

“Concordamos que o defeso também seja durante mais tempo. Mas defendemos que tem de ser avaliado e tem de nos ser perguntado qual a melhor forma.”

“A apanha durante o mês de Maio é prejudicial para o recurso. Como é o nosso meio de subsistência, nós entendemos que é preciso parar no mês de Maio.”

Litoralgarve – E qual é o melhor período do ano neste concelho?

Paulo Lourenço – Estamos condicionados. Somos a única zona do país condicionada a noventa dias de defesa, que começa a 15 de Setembro. Já o defeso nacional vai de 15 de Setembro a 15 de Outubro.

Litoralgarve – Reduzir o período de defeso será solução?

Paulo Lourenço – Não propriamente. Fazer o defeso, sim. Pensamos, na nossa modesta opinião e do nosso conhecimento dos factos, que o mês de Maio, desde o dia 01, é crucial para a defesa do perceves. A apanha durante o mês de Maio é prejudicial para o recurso. Como é o nosso meio de subsistência, nós entendemos que é preciso parar no mês de Maio. Os cientistas assim o entendem, também, mas não são eles, que estão do nosso lado, que podem tomar medidas. Quem pode tomar medidas, são os políticos.

Litoralgarve – Quando alerta os políticos para essa e outras situações, o que dizem eles?

Paulo Lourenço – Muito honestamente, e às vezes sou radical nas minhas declarações, prefiro não falar sobre isso. Porque estamos – eu e os cerca de 70 associados que represento – cem por cento desacreditados de qualquer força política. Tem de vir um político para nos provar o contrário.

Litoralgarve – Em média, quantos quilogramas de perceves capturam de cada vez que vão trabalhar?

Paulo Lourenço – Isso é muito relativo.

Litoralgarve  – Trabalham todos os dias, ou todas as noites?

Paulo Lourenço – Não, não trabalhamos. Nós, aqui, estamos dependentes do fator mar. No tempo em que as condições do mar e as marés estão boas, podemos trabalhar. Pode ser com marés mortas desde que o mar esteja bom. Nessas condições apanha-se uma qualidade boa de perceves. Ou, então, nas marés vivas, em que o mar esteja um pouco mais forte. Temos uma condicionante em relação ao resto do país, em que não concordamos com esta discriminação do dia 15 de Setembro ao último dia do mês de Março só podermos apanhar dez quilogramas. Somos os únicos no país que o pode fazer.

Litoralgarve – E no resto do país, como funciona?

Paulo Lourenço – No resto do país, de 01 de Março a 15 de Setembro, são 15 quilogramas. Depois de Março até 15 de Setembro, também nós já podemos apanhar 15 quilogramas. Concordamos com esta medida. Não podemos concordar é com 10 kgs. de perceves numa altura em que viemos de 90 dias de defeso e durante a qual nós próprios temos de fazer uma autogestão, tal como as nossas famílias. Concordamos que o defeso também seja durante mais tempo. Mas defendemos que tem de ser avaliado e tem de nos ser perguntado qual a melhor forma. As pessoas interessadas têm de vir à nossa procura, porque já referi, só nos procuram quando querem algum parecer para efeituar algum estudo. Estamos tristes com esta situação.

Litoralgarve – Por quanto vendem um quilograma de perceves?

Paulo Lourenço – É relativo. Neste momento, na nossa associação os perceves nunca saem a menos de 25 euros por quilograma. Temos associados que fazem a apanha através de mergulho e essa apanha não vale menos de 25 euros.

A apanha do perceve “por incrível que pareça remonta à Pré-História e era, na altura, um suplemento dos agricultores para a sua subsistência”

“Há cerca de 60, 70 anos, havia pessoas, no concelho de Vila do Bispo, que, simplesmente, iam com sapatilhas ao mar. Hoje, temos fato de mergulho, um burnel, que se usava há mais de cem anos, e as botas são de borracha. Antigamente, havia pessoas que se deslocavam no mar com colchão insuflável. Hoje, utilizamos prancha de ‘bodyboard’ e há quem tenha barco. Houve coisas que mudaram. Mas não muita coisa.”

Litoralgarve – Há equipamentos próprios que têm de utilizar?

Paulo Lourenço – A apanha do perceve é uma atividade que tem, no concelho de Vila do Bispo, muitos, muitos anos. Não é recente. Por incrível que pareça, remonta à Pré-História e era, na altura, um suplemento dos agricultores. E era feito, como hoje em dia, com uma arrilhada [utensílio de madeira e ferro para capturar marisco nas rochas – n.d.r.]. Na altura, servia para tirar a terra das charruas e quando o mar estava bom, as pessoas iam apanhar perceves para a sua subsistência. O meio de apanhar é igual. Não posso precisar há quantos anos, temos fato de mergulho. Mas há cerca de 60, 70 anos, havia pessoas, no concelho de Vila do Bispo, que, simplesmente, iam com sapatilhas ao mar. Hoje, temos fato de mergulho, um burnel [uma rede em volta da cintura para colocar os perceves – n.d.r.], que se usava há mais de cem anos, e as botas são de borracha. Antigamente, havia pessoas que se deslocavam no mar com colchão insuflável. Hoje, utilizamos prancha de ‘bodyboard’ e há quem tenha barco. Houve coisas que mudaram. Mas não muita coisa.

“No nosso território (Vila do Bispo), felizmente, ainda não temos essas pessoas vindas do Paquistão, da Índia. Mas os nossos colegas de Odeceixe (concelho de Aljezur) e do Cabo Sardão, Zambujeira do Mar (concelho de Odemira, no Alentejo) já estão a sofrer com esta situação.”

Litoralgarve  – Os imigrantes são concorrência neste tipo de atividade?

Paulo Lourenço – No concelho de Vila do Bispo, não. No concelho de Odemira, já há alguns imigrantes, sem condições, a apanhar perceves.

Litoralgarve – Há fiscalização?

Paulo Lourenço – Mais uma vez estou a castigar o poder político, os responsáveis pelo nosso país, pois é para isso que os elegemos. Tenho de elogiar qualquer força fiscalizadora, como a Polícia Marítima e a UCC (Unidade de Controlo Costeiro) da GNR (Guarda Nacional Republicana), as quais estão sempre em plena colaboração com a nossa associação. No entanto, a verdade nua e crua é que essas forças não têm efectivos [suficientes] e, como tal, não podem fazer a devida fiscalização. É que estão a vir pessoas de todo o lado para Portugal. Neste caso, no nosso território (Vila do Bispo), felizmente, ainda não temos essas pessoas vindas do Paquistão, da Índia. Mas os nossos colegas de Odeceixe (concelho de Aljezur) e do Cabo Sardão, Zambujeira do Mar (concelho de Odemira, no Alentejo) já estão a sofrer com esta situação. É uma realidade. E acho que isso é inadmissível, porque este tipo de trabalho é nosso e nós temos de defender o que é nosso com unhas e dentes.

Os imigrantes “vêm e jogam-se ao mar completamente desamparados. Não têm o mínimo de conhecimento do mar. E o conhecimento do mar não é uma coisa que se possa aprender na escola, como quem escreve o abecedário.”

“Essas pessoas caem aqui de paraquedas, como se costuma dizer. E qualquer dia poderá haver uma tragédia” no mar

Litoralgarve  – Esses imigrantes têm condições para apanhar perceves e outro tipo de marisco? Conhecem o mar, a costa portuguesa?

Paulo Lourenço (sem hesitação) – Claro que não! Claro que não! Vêm e jogam-se ao mar, completamente desamparados. Não têm o mínimo de conhecimento do mar. E o conhecimento do mar não é uma coisa que se possa aprender na escola, como quem escreve o abecedário. Não. Isto é uma coisa que vamos aprendendo, adquirindo conhecimentos, com a experiência ao longo dos anos, com os nossos avós, com os nossos pais, com os nossos colegas mais velhos.

Essas pessoas que para cá vêm [imigrantes] caem aqui de paraquedas, como se costuma dizer, sem o mínimo do conhecimento, como já referi. E qualquer dia poderá haver uma tragédia.

Para esses imigrantes, sem licença de mariscadores, “venderem perceves, que não prestam, por 10 / 12 euros cada quilograma, como já está a acontecer, está tudo bem.”  (…) Não há fiscalização, porque não há meios” por parte da Polícia Marítima e da Unidade de Controlo Costeiro da Guarda Nacional Republicana

Litoralgarve – Esses imigrantes têm licença para apanha do marisco?

Paulo Lourenço – De maneira nenhuma! E para eles venderem perceves, que não prestam, por 10 / 12 euros cada quilograma, como já está a acontecer, está tudo bem. Alguns deles vêm para cá ganhar menos de 400 euros por mês e depois podem ganhar dez euros a apanhar meia dúzia de perceves, de lapas, o que é extremamente fácil. Não há fiscalização, porque não há meios.

“Nós vendemos em todo o Algarve, bem como em Lisboa. E temos alguns compradores que vendem os nossos perceves na Galiza”

Litoralgarve – Onde é que os marisqueiros do concelho de Vila de Bispo vendem perceves? Em que zonas do país?

Paulo Lourenço – Nós vendemos em todo o Algarve, bem como em Lisboa. E temos alguns compradores que vendem os nossos perceves na Galiza, em Espanha.

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