Entrevista à Presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Rute Silva: “Neste ano, foi confecionado e consumido um total de 5.300 kg de marisco, sendo que 1.150 kg eram perceves,  quantidade superior” a 2023. Não sobrou marisco e não faltaram perceves” 

Poucos dias após a realização da décima edição do Festival do Perceve de Vila do Bispo, que, neste ano, teve lugar nos dias 07, 08 e 09 de Junho, ao contrário do mês de Setembro, como sempre sucedeu, Rute Silva, presidente do executivo camarário local, apresentou, em entrevista exclusiva ao ‘Litoralgarve, um balanço sobre o evento, no qual, referiu, “o mexilhão foi a espécie mais consumida.” A decisão de manter, no futuro, o mês de Junho, surgida como a principal inovação em 2024, como data do Festival do Perceve, ainda depende de uma avaliação final e será, atempadamente, tomada entre o Município e a Associação dos Marisqueiros de Vila do Bispo. “Mas parece-me que sim”, admite a autarca, numa altura em que foi registada a presença de mais de mais de 11.500 visitantes durante os três dias. Ou seja, houve mais gente do que no ano anterior.

José Manuel Oliveira

Litoralgarve – Qual o balanço que faz sobre este Festival do Perceve de Vila do Bispo, realizado de 07 a 09 de Junho? Quantos visitantes compareceram?

Rute Silva – Claramente positivo, na perspectiva quantitativa e, sobretudo, qualitativa. Quanto aos números, contabilizámos um total de 11.500 visitantes nos tês dias do Festival, mais 3.500 pessoas do que na edição de 2023. A Comunidade Local, como tem sido habitual, compareceu em peso, somando-se uma grande percentagem de público regional e nacional e turistas de diversas nacionalidades que aproveitaram as férias para conhecer Vila do Bispo e explorar o programa do Festival do Perceve.

“Claro que, num evento desta dimensão, nem tudo poderá ser perfeito”

“Além do integral respeito por imposições legais, de destacar a nossa elevada preocupação com a segurança das pessoas durante o evento, situação que levanta necessárias contingências, nem sempre compreendidas pelo público”

“O recinto tinha lotação máxima e no último dia essa capacidade esgotou, o que originou algumas queixas de pessoas que se deslocaram ao evento sem terem previamente adquirido ingresso, que se encontrava disponível para compra ‘online’ ”

Litoralgarve – O que disseram as pessoas?

Rute Silva – O ‘feedback’ foi, geralmente, positivo, destacando- se a qualidade dos produtos gastronómicos servidos, o programa de animação proposto, a feira e os espaços de divulgação e promoção de produtores, sobretudo locais, e, claro, a simpatia dos colaboradores que permitiram a realização do evento. Claro que, num evento desta dimensão, nem tudo poderá ser perfeito. Relativamente à edição anterior, a primeira cuja organização foi assumida pelo Município, sempre em parceria com a Associação dos Marisqueiros de Vila do Bispo, corrigimos diversas falhas e tentámos corresponder às sugestões registadas pelos parceiros e pelo público. Neste ano, continuamos a recolher ‘feedbacks’ no sentido da afinação e melhoria contínua dos serviços prestados no evento, designadamente através da análise de reclamações e de inquéritos disponibilizados ao público e às diferentes entidades parceiras. Além do integral respeito por imposições legais, de destacar a nossa elevada preocupação com a segurança das pessoas durante o evento, situação que levanta necessárias contingências, nem sempre compreendidas pelo público. O recinto tinha lotação máxima e no último dia essa capacidade esgotou, o que originou algumas queixas de pessoas que se deslocaram ao evento sem terem previamente adquirido ingresso, que se encontrava disponível para compra ‘online’.

Litoralgarve – Quantos quilogramas de perceves foram consumidos nos três dias? Esgotaram ou sobraram?

Rute Silva – Neste ano, foi confecionado e consumido um total de 5.300kg de marisco, sendo que 1.150kg eram perceves, uma quantidade superior ao ano passado. Na edição de 2023 foi consumido um total de 4.170kg de marisco e 1.250kg de perceves. Não sobrou marisco e não faltaram os perceves. De referir, ainda, que o mexilhão foi a espécie mais consumida neste ano.

Litoralgarve – E em relação a outras espécies de marisco, o que foi servido?

Rute Silva – Entre as espécies de marisco, foram servidas lapas na chapa, mexilhão à bulhão-pato, papas de mexilhão (xerém), navalheiras e camarão cozidos. Além dos moluscos e crustáceos marinhos, foram servidas outras iguarias típicas, como a moreia e o choco fritos, salada de polvo e feijoada de choco.

“Quem não gosta [de perceves] é porque ainda não provou, sobretudo aqueles que são apanhados e cozidos em Vila do Bispo. Adoro este nosso ‘beijo do mar’ ”

“Ao longo dos três dias, aproveitei para provar um pouco de tudo, com convidados e amigos”

Litoralgarve – Gosta de perceves?

Rute Silva – Claro! Quem não gosta é porque ainda não provou, sobretudo aqueles que são apanhados e cozidos em Vila do Bispo. Adoro este nosso ‘beijo do mar’.

Litoralgarve – E de outras espécies de marisco, o que preferiu neste Festival?

Rute Silva – Ao longo dos três dias, aproveitei para provar um pouco de tudo, com convidados e amigos. Os nossos marisqueiros e cozinheiros estão mais uma vez de parabéns pela qualidade dos petiscos confecionados.

“Nos dois primeiros dias, a atração foi sobretudo o marisco. No último dia [domingo], notámos que houve uma enorme afluência ao início da noite, especificamente para o concerto de Matias Damásio.”

Litoralgarve – Sentiu que o Festival do Perceve atraiu mais visitantes pelo marisco, ou pela animação, com os três concertos?

Rute Silva – Nos dois primeiros dias, a atração foi sobretudo o marisco. No último dia [domingo, dia 09 de Junho], notámos que houve uma enorme afluência ao início da noite, especificamente para o concerto de Matias Damásio.

Gastos ascenderam a 350 mil euros

Litoralgarve – Quais foram as inovações apresentadas nesta edição?

Rute Silva – Estamos continuamente a tentar melhorar e inovar os nossos eventos municipais, indo ao encontro das expectativas dos munícipes e do público. O Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza é um bom exemplo desse sistemático percurso de aperfeiçoamento, que lhe conferiu notoriedade nacional e internacional enquanto maior e melhor evento de Natureza realizado no nosso País. Relativamente ao Festival do Perceve, destacaria a animação itinerante dos ‘Al-Fanfare’, no dia de abertura, o Espaço ‘Kids’, dedicado às crianças e, ainda, as ‘food trucks’, com produtos alternativos, como pizas e bebidas espirituosas.

Litoralgarve – Quanto custou a organização deste festival?

Rute Silva – 350.000 euros.

No segundo dia, “ainda chuviscou durante a Festa M80, mas foram poucos os que arredaram pé, até soube bem, sou testemunha direta!”

“Comparativamente com a edição de 2023, realizada em Setembro, tivemos neste ano, em Junho, mais 3.500 pessoas”

Litoralgarve – A chuva ainda chegou a ameaçar num dos três dias. Temeu o pior em termos de espectáculos musicais?

Rute Silva – São as contingências dos espetáculos ao ar-livre. No sábado ainda chuviscou durante a Festa M80, mas foram poucos os que arredaram pé, até soube bem, sou testemunha direta!

Litoralgarve – Um dos expositores disse-nos que havia mais gente quando o Festival do Perceve tinha lugar em Setembro. Também ficou com essa sensação?

Rute Silva – Na verdade, essa perceção foi contrariada pelos dados. Comparativamente com a edição de 2023, realizada em Setembro, como referi, tivemos, neste ano, em Junho, mais 3.500 pessoas. As alterações e correções realizadas permitiram uma maior circulação e diluição do público.

Mais gente não implica necessariamente maior retorno

financeiro. De resto, a opção de alteração do mês do

Festival do Perceve prendeu-se com a melhor qualidade do marisco apanhado em junho. Nós privilegiamos a qualidade e não a massificada quantidade.

Litoralgarve – Esta data é para continuar em 2025, ou poderá haver alterações?

Rute Silva – Essa decisão ainda depende de uma avaliação final e será atempadamente tomada entre o Município e a Associação dos Marisqueiros de Vila do Bispo, mas parece-me que sim!

“Temos uma oferta programática bastante vasta e diversificada, há sempre qualquer coisa a acontecer no concelho de Vila do Bispo”, desde exposições, jazz, Feira do Mar e Festival de Aves & Atividades da Natureza

Litoralgarve – Quais são os próximos eventos e datas, promovidos pela Câmara Municipal de Vila do Bispo?

Rute Silva – Temos uma oferta programática bastante vasta e diversificada, há sempre qualquer coisa a acontecer no concelho de Vila do Bispo. Destacaria as exposições temporárias no Centro de Interpretação de Vila do Bispo. Por exemplo, entre 25 de junho e 31 de julho temos a exposição “As Modalidades Olímpicas: um olhar (picto)gráfico”, organizada pelo Museu Nacional do

Desporto; em julho, o cénico Forte de Santo António do

Beliche, em Sagres, recebe mais um ciclo “Beliche Jazz”,

com quatro concertos  ao fim da tarde de cada sábado; e, claro, os programas culturais e a exposição do nosso novo Museu de Vila do Bispo – Celeiro da História. Visitem que serão surpreendidos… Destaque, ainda, para a Feira do Mar, a realizar em Sagres, de 6 a 8 de Setembro, e mais uma edição do Festival de Aves & Atividades de

Natureza, que se realiza de 3 a 6 de outubro.

“A nossa Economia Local não se encontra particularmente dependente do Verão. Vila do Bispo afirmou-se, na última década, como um território distinto no que respeita à sua oferta turística.”

“Privilegiamos a qualidade e não a quantidade e contrariámos, com sucesso, os tradicionais fluxos da sazonalidade algarvia e da monocultura do ‘sol e praia’. Oferecemos diferenciados produtos de Turismo de Natureza e de Cultura”


“O Turismo de Caminhada e o Turismo Náutico, com a prática do ‘surf’, ‘bodyboard’, ‘stand-up-paddle’, ‘windsurf’, ‘kayaking’ e mergulho, são possíveis todo o ano, pelo que temos gente e vida ao longo de doze meses”

Litoralgarve – Como perspetiva o Verão de 2024 neste concelho?

Rute Silva – A nossa Economia Local não se encontra particularmente dependente do Verão. Vila do Bispo afirmou-se, na última década, como um território distinto no que respeita à sua oferta turística. Privilegiamos a qualidade e não a quantidade e contrariámos, com sucesso, os tradicionais fluxos da sazonalidade algarvia e da monocultura do ‘sol e praia’. Oferecemos diferenciados produtos de Turismo de Natureza e de Cultura, cuja época ‘alta’ acontece, sobretudo, na Primavera e no Outono. Por exemplo, o Turismo de Caminhada e o Turismo Náutico, com a prática do ‘surf’, ‘bodyboard’, ‘stand-up-paddle’, ‘windsurf’, ‘kayaking’ e mergulho, são possíveis todo o ano, pelo que temos gente e vida ao longo de doze meses.

Recado a pescadores lúdicos e outras pessoas, provenientes de várias zonas do Algarve e do país, para evitar quedas nas arribas

Litoralgarve – E em relação a pescadores lúdicos e outras pessoas, provenientes de várias zonas do Algarve e do país, o que é necessário fazer para evitar acidentes nas falésias?

Rute Silva – Consciencialização individual dos naturais riscos inerentes a frequentar arribas, escarpas e zonas de rebentação marinha. São muito raros os acidentes associados a pessoas locais, experientes e perfeitamente conhecedoras dos riscos que correm.

“Não creio” que o Campeonato da Europa de Futebol, a decorrer na Alemanha, e os Jogos Olímpios, em Paris, retirem turistas ao concelho de Vila do Bispo e ao Algarve, em geral

Litoralgarve – O Campeonato da Europa de Futebol, que decorre na Alemanha, e os Jogos Olímpicos, em Paris, também no ano de 2024, poderão retirar visitantes ao Algarve e, em particular, ao concelho de Vila do Bispo?

Rute Silva – Não creio, são públicos e interesses genericamente diferentes. Por aqui, costumo dizer que são mais os viajantes do que os turistas. São perfis distintos, pessoas que procuram a nossa ímpar geografia, a Natureza e a Cultura do Cabo e da Costa Vicentina.

REPORTAGEM DO ‘LITORALARVE» JUNTO DE EXPOSITORES

“Quando [o Festival do Perceve de Vila do Bispo] era no mês de Setembro, como noutros anos, havia mais movimento”, mas “Junho também está bem…”, diz, ao ‘Litoralgarve’, Ernesto Sabando, comerciante equatoriano, de artesanato e outros produtos

No seu ‘stand’ «Artedit do Equador», instalado num dos amplos espaços cobertos na décima edição do Festival do Perceve de Vila do Bispo, que decorreu perto da Escola Básica de São Vicente, nesta localidade, de 07 de 09 de Junho, o comerciante Ernesto Sabando, vendedor de artesanato, tapetes, capas, blusas, casacos, bonecos, bijuteria e outros artigos, considerou o evento como “bom projeto”, aproveitando, no entanto, para fazer um reparo. “Quando era no mês de Setembro, como noutros anos, havia mais movimento”, observou, ao ‘Litoralgarve’, aquele empresário do Equador e que reside, em Albufeira, há 38 anos. De qualquer modo, “o mês de Junho também está bem…”, admitiu Ernesto Sabando.

Profissionais da «ALMA – Associação Livre – Música e Artes», de Vila do Bispo, deram aulas a crianças e jovens, com familiares e outras pessoas a assistir

Já noutra zona do recinto, várias crianças e jovens experimentavam instrumentos musicais, nomeadamente flautas, nessa altura, com a letra pela frente, no ‘stand’ da «ALMA – Associação Livre – Música e Artes», sedeada em Vila do Bispo. Enquanto isso, familiares desses candidatos a futuros músicos, além de outros populares, assistiam, filmavam e fotografavam as cenas, através de telemóveis. As aulas estavam a ser orientadas por profissionais daquela associação e reinava o entusiasmo e a concentração entre outros.

Clube Recreativo da Praia da Salema vendeu todos os doces no segundo dia do evento

No espaço reservado ao Clube Recreativo da Praia da Salema, também com sede no concelho de Vila do Bispo, onde foi fundado a 12 de Fevereiro de 1981, viam-se doces tradicionais, tortas de ananás, de limão e tartes de alfarroba, amêndoa e limão, entre outras iguarias, com apresentação em português e em inglês. Dois euros era o preço de cada tarte, enquanto bolos caseiros estavam a ser vendidos por 1,50 euros.

“Vendemos, sobretudo, tartes. Mas muitas pessoas só vieram aqui conhecer os nossos produtos”, referiu, ao ‘Litoralgarve’, Ana Paula Cristino, membro da Direção do Clube Recreativo da Praia da Salema. “O sábado [08 de Junho] foi um dia muito bom. Vendemos tudo”, destacou. Pela primeira vez presente no Festival do Perceve de Vila do Bispo, cuja organização enalteceu, Ana Paula Cristino, com um sorriso, ainda nos disse: “Adoro perceves! Mas não posso sair daqui…” Enquanto isso, o espaço destinado ao sector da restauração na tenda gigante, situado a mais de cem metros de distância, no outro lado do amplo recinto do evento, enchia-se de visitantes para comer todo o tipo de marisco ali à venda, com marisqueiros, cozinheiros e mais pessoal, muito atarefados, para os confecionar e servir. E havia filas com dezenas de pessoas para adquirir as senhas com vista à compra dos pratos preferidos.

Crepes, hambúrgueres, pizas, queijos de Monchique e do Alentejo, doces e bebidas espirituosas, entre três dezenas de expositores

A décima edição do Festival do Perceve de Vila do Bispo contou com três dezenas de expositores. Entre os ‘stands’, podiam ver-se, por exemplo, oito de empresas, nomeadamente ligadas ao sector da restauração, bebidas, doçaria, queijos e artesanato; cinco de associações, quatro de associações de municípios e um institucional, como o caso do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, com sede em Odemira. Curiosa foi a presença de expositores de queijaria, de Monchique e de Borba, Rio de Moinhos, do Alentejo, além de espaços reservados à venda de crepes, hambúrgueres, pizas e bebidas espirituosas.

Elemento da organização conta ao nosso Jornal: “Apareceram muitos portugueses e espanhóis. O fim-de-semana prolongado, devido ao feriado nacional de 10 de Junho, Dia de Portugal, foi aproveitado por portugueses residentes em Lisboa e noutras zonas do país para se deslocarem ao Algarve e ao Festival do Perceve de Vila do Bispo”

“Apareceram muitos portugueses e espanhóis. O fim-de-semana prolongado, devido ao feriado nacional de 10 de Junho, Dia de Portugal, foi aproveitado por portugueses residentes em Lisboa e noutras zonas do país para se deslocarem ao Algarve e ao Festival do Perceve de Vila do Bispo”, sublinhou, ao ‘Litoralgarve’, um membro da organização deste evento, que se tornou âncora na zona da Costa Vicentina.

Mais Artigos