Entrevista a José Garrancho sobre livro dos 35 anos do Núcleo do Sporting CP de Portimão: “Com mais tempo, reuniria mais informação”

“O meu clube foi sempre o Belenenses. Com a sua queda, não tenho um clube, embora possa preferir um outro, de acordo com o momento. Mas não sou um apaixonado pelo futebol”, confessa, em entrevista ao «Litoralgarve», José Garrancho, que se prepara para apresentar, na noite de 20 de Junho de 2026 (sábado), o livro comemorativo do 35º. aniversário do Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Portimão, no restaurante ‘A Ponte’, situado na zona ribeirinha desta cidade.

Depois do livro ‘História do associativismo de Portimão – Retrato de seis associações’, a pedido da Junta de Freguesia e lançado em 16 de Novembro de 2024, José Garrancho, de 76 anos, aceitou, recentemente, um novo desafio, desta vez do Núcleo do Sporting, recolhendo o material possível no espaço de, apenas, dois meses para elaborar uma obra literária sobre esta estrutura do clube leonino.

 «Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Portimão – 35 anos de História e orgulho», assim se intitula o livro, que conta com cem páginas e 130 fotografias, podendo ver-se na capa a imagem de um olho no rosto de um leão. O preço de cada exemplar é dez euros. «Está o Núcleo a chegar à meia-idade / São trinta e cinco anos de labuta / Esforço, suor e tenacidade / Daqueles que não temem a luta», é uma das expressões poéticas inseridas nas páginas iniciais desta publicação, como o nosso Jornal destacou em recente reportagem efectuada na sede, situada na Rua Infante Dom Henrique, em Portimão.

Nesta entrevista, José Garrancho explica, ao ‘Litoralgarve’, as dificuldades que enfrentou para escrever o livro, sobretudo devido à limitação de tempo, com recolha de material, de forma a poder apresentá-lo nas comemorações do 35º. aniversário do Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Portimão, cidade onde reside. E deixa um lamento, em jeito de recado, sobre um novo livro que está a preparar sobre o associativismo.

José Manuel Oliveira

Litoralgarve – O senhor é o autor de um livro sobre o 35º. aniversário do Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Portimão. Antes de mais, qual é o seu clube preferido e porquê?

José Garrancho – O meu clube foi sempre o Belenenses. Com a sua queda, não tenho um clube, embora possa preferir um outro, de acordo com o momento. Mas não sou um apaixonado pelo futebol. Não ligo muito ao futebol.

“Não passo noites sem dormir. É cair na cama e dormir, porque não tenho problemas, felizmente. Nuns dias, trabalhei mais e noutros, menos, de acordo com a disposição.”

“Para escrever, levanto-me às 6 ou 7 horas da manhã e trabalho durante duas a três horas. O trabalho mais cansativo e demorado foi analisar e organizar ficheiros, mas tive uma ajuda preciosa por parte do presidente da Direção do Núcleo, José Manuel Correia, e do vice-presidente Ricardo Palet.”

“Não escrevo de graça, porque aprendi que, se não cobrarmos, não dão valor ao nosso trabalho.”

Litoralgarve – Como surgiu a oportunidade de escrever este livro? Quem o convidou?

José Garrancho – Fui convidado pela Direção do Núcleo, de quem sou amigo, e aceitei o desafio.

Litoralgarve – E como decorreu a experiência de escrever um livro sobre o Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Portimão, durante apenas dois meses, como foi o caso? Em quantas horas trabalhou por dia? Passou muitas noites sem dormir?

José Garrancho – Foi um desafio, mas foram-me fornecidos dados concretos que me permitiram fazer olivro nesse curto espaço de tempo. Não passo noites sem dormir. É cair na cama edormir, porque não tenho problemas, felizmente. Nuns dias, trabalhei mais e noutros,menos, de acordo com a disposição. Para escrever, levanto-me às 6 ou 7 horas damanhã e trabalho durante duas a três horas. O trabalho mais cansativo e demorado foi analisar eorganizar ficheiros, mas tive uma ajuda preciosa por parte do presidente da Direção do Núcleo, JoséManuel Correia, e do vice-presidente Ricardo Palet.

Litoralgarve – Foi compensado em termos monetários?

José Garrancho – Não escrevo de graça, porque aprendi que, se não cobrarmos, não dão valor ao nosso trabalho.

“O tempo que me foi dado para escrever o livro não permitiu ouvir muitas histórias, nem entrevistar muita gente.”

“Mas encontrei documentação suficiente para cumprir aquilo a que me tinha comprometido. Se tivesse mais tempo, teria conseguido mais informação. Assim, criei um documento base para quem desejar, no futuro, ampliar a história do Núcleo.”

Litoralgarve – Afinal, como surgiu o Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Portimão? Que informações conseguiu recolher?

José Garrancho – O tempo que me foi dado para escrever o livro não permitiu ouvir muitas histórias, nem entrevistar muita gente. Além disso, os sócios fundadores já faleceram ou têm idade avançada. Logo, têm os factos correctos, mas as datas baralham-se com o tempo e a idade. Mas encontrei documentação suficiente para cumprir aquilo a que me tinha comprometido. Se tivesse mais tempo, teria conseguido mais informação. Assim, criei um documento base para quem desejar, no futuro, ampliar a história do Núcleo.

“Quando me contactam, analiso as propostas e aceito ou recuso. E posso dizer que recuso mais do que aceito, porque só faço o que me dá prazer.”

Litoralgarve – Depois desta experiência, admite poder escrever um livro sobre a Casa do Benfica de Portimão? E do Futebol do Porto do Barlavento Algarvio, nesta cidade?

José Garrancho – Eu vivo a minha vida dia-a-dia. Não faço projectos, nem ando a oferecer-me para fazer seja o que for. Quando me contactam, analiso as propostas e aceito ou recuso. E posso dizer que recuso mais do que aceito, porque só faço o que me dá prazer.

Litoralgarve – E para quando um livro sobre a história do Portimonense Sporting Clube?

José Garrancho – O Portimonense editou um livro, há uns anos. E há pessoas que recolhem dados, há anos, estando muito melhor preparados para escrever o livro. Eu não vou ao futebol, nem sei o nome dos jogadores ou do atual treinador do Portimonense. Logo, não serei a pessoa ideal.

Litoralgarve – É autor do livro «História do Associativismo da Freguesia de Portimão», lançado em 2024, por iniciativa da respectiva Junta. Qual o impacto desse trabalho? Quantas edições tem o livro?

José Garrancho – Ao contrário do que é hábito, fazer edições de 100 exemplares para ter várias edições e ganhar projecção, foi feita uma edição de 1.000 exemplares. Penso que teve impacto, mas não me preocupo muito com isso. O meu gozo é fazer coisas. Mal as termino, perco o interesse.

Encontros com alunos em escolas do concelho de Portimão, para falar sobre associações? “Nem fui convidado, nem me ofereci para tal. Se aparecer um convite, vou aceitar, porque penso que é importante transmitir a história local aos jovens.”

“Estou com outro livro entre mãos, sobre o associativismo, mas a falta de documentação é sempre o grande problema e obriga a muita pesquisa”

Litoralgarve – Já foi convidado para participar em encontros com alunos nas escolas do concelho de Portimão, tendo por objectivo falar sobre o associativismo?

José Garrancho – Nem fui convidado, nem me ofereci para tal. Se aparecer um convite, vou aceitar, porque penso que é importante transmitir a história local aos jovens.

Litoralgarve – Depois deste livro sobre o Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Portimão, qual a sua próxima publicação?

José Garrancho – Estou com outro livro entre mãos, sobre o associativismo, mas a falta de documentação é sempre o grande problema e obriga a muita pesquisa. E isso leva muito tempo.