Entrevista a João Graça, novo deputado do CHEGA: “Luís Montenegro não mostra créditos para ser primeiro-ministro” e “o Presidente da República ‘matou’ o governo antes da nascença”

“Espero estar enganado, mas é um governo a prazo por culpa de Luís Montenegro e se a ‘coisa’ correr mal vai-se vitimizar”

No Círculo Eleitoral de Faro “ficámos muito perto de eleger mais um deputado. Era o que queríamos, infelizmente não aconteceu agora, mas irá acontecer no futuro, porque para quem anda nas ruas nos últimos 2 anos, como nós, é mais que evidente a crescente confiança que os algarvios depositam no partido CHEGA.”

“A justiça está a ser um dos grandes, senão o maior problema de tudo o que se está a passar em Portugal. Só há corrupção porque não há justiça. Existe uma justiça para o pobre e outra para o rico e isso tem levado a que o país não saia do buraco de desgraça e de miséria.”

“Quanto mais depressa chegarem as eleições Presidenciais [em 2026] melhor, melhor para o Velho do Restelo (Marcelo Rebelo de Sousa) e melhor para Portugal”

Em entrevista exclusiva e concedida por escrito ao ‘Litoralgarve’, a anteceder o início da XVI legislatura, o presidente da Comissão Política Distrital de Faro do partido Chega e novo deputado na Assembleia da República, João Graça, de 50 anos de idade, natural de Esposende e residente em Sagres, no concelho de Vila do Bispo, desde 1991, dispara em várias direcções, não poupando críticas ao líder do PSD e agora primeiro-ministro, Luís Montenegro, ao principal responsável do governo cessante, socialista António Costa, ao Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, a Mário Centeno, Governador do Banco de Portugal, e até à Procuradora-Geral da República, Luciana Gago.

“Este tipo de falsos alarmes ou de grandes alaridos e, afinal, depois não é nada, pode traduzir-se  em  incompetência  e  trazer  estragos irreparáveis, que para a vida dos visados, quer para todo um país que já de si é débil”, lamenta, no seu estilo polémico, o novo deputado do Chega, a propósito das operações policiais que conduziram à demissão do primeiro-ministro, António Costa, e  de Miguel Albuquerque, presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira, por suspeitas de corrupção.

Por outro lado, considera que “a Aliança Democrática é, no fundo, o PSD, porque nada acrescentou a aliança feita entre os três partidos.” “A única coisa que esta aliança permitiu foi que o CDS não desaparecesse do panorama político nacional. O PSD mostra toda a sua falta de maturidade e prova porque é que o PS governou mais anos que o PSD”, sublinha João Graça, sem rodeios.

Já em relação ao Algarve, o deputado do Chega, que agora toma posse na Assembleia da República, em representação do Círculo Eleitoral de Faro, reconhece que nem todos os problemas, nomeadamente no sector da saúde e do ensino, podem ser resolvidos “num dia”. “Urgente e que se pode fazer já, é lutar para acabar com as portagens na Via do Infante”, avisa João Graça, como recado prioritário para o próximo executivo governamental, a cargo da Aliança Democrática.

José Manuel Oliveira

Litoralgarve – Que avaliação faz aos resultados, a nível nacional, das eleições legislativas antecipadas no dia 10 de Março de 2024? E em relação ao Círculo Eleitoral de Faro, onde o Chega foi o partido com maior número de votos, tendo conseguido eleger três deputados, tal como o PS e o PSD?

João Graça – A avaliação, numa primeira análise, é que a tendência do voto mudou. A direita ganhou o seu espaço, sendo que o CHEGA foi o grande vencedor destas eleições.

Em relação ao Círculo Eleitoral de Faro, o partido CHEGA elegeu 3 deputados, o que, como sabemos, foi uma grande conquista. Contudo, ficámos muito perto de eleger mais um deputado. Era o que queríamos, infelizmente não aconteceu agora, mas irá acontecer no futuro, porque para quem anda nas ruas nos últimos 2 anos, como nós, é mais que evidente a crescente confiança que os algarvios depositam no partido CHEGA.

“O que mais me sensibilizou (com lágrima no canto do olho) foram as chamadas da família e dos amigos mais chegados, mas também quando diziam «tu mereces porque o teu trabalho é digno de ser premiado». Devo confessar- vos que, também, me sensibilizou o facto de ter recebido telefonemas e mensagens dos 4 cantos do mundo, porque tive contactos da Europa, dos Estados Unidos, da América do Sul e África.”

Litoralgarve – Como festejou a vitória? Recebeu muitas chamadas e mensagens no telemóvel? E no ‘email? O que lhe diziam? Qual a que mais o sensibilizou e porquê?

João Graça – Festejámos em família (CHEGA), na nossa sede em Faro, com muita alegria, abraços, lágrimas e fogo- de-artifício. As chamadas e mensagens foram muitas e de tal forma que ainda hoje ando a responder e a agradecer. Via ‘email’ penso que já respondi a todos.

Tanto nos telefonemas, como nas mensagens, as palavras foram de apoio e parabéns, quer pelo resultado, quer pelo meu/nosso trabalho.

O que mais me sensibilizou (com lágrima no canto do olho) foram as chamadas da família e dos amigos mais chegados, mas também quando diziam “tu mereces porque o teu trabalho é digno de ser premiado”. Devo confessar- vos que, também, me sensibilizou o facto de ter recebido telefonemas e mensagens dos 4 cantos do mundo, porque tive contactos da Europa, dos Estados Unidos, da América do Sul e África. Quero sublinhar que não me posso esquecer das felicitações que tive de várias pessoas, algumas com cargos políticos, de outros partidos que fizeram questão de me dar uma palavra. Portanto, não posso estar mais feliz porque olho para estes resultados e vejo o reconhecimento, alegria e a democracia a funcionar.

Litoralgarve  – Na sua opinião, a que se deve o facto de o Chega ter alcançado 64.228 votos no Algarve? Foi, como muitos consideram, o efeito André Ventura, o seu discurso, ou existem outros factores?

 João Graça – Na minha opinião foram 3 os factores:

Em primeiro lugar, André Ventura / CHEGA, a forma como o nosso Presidente comunica (fala a linguagem do povo) e o trabalho feito pelo grupo parlamentar.

Em segundo lugar, a conjuntura do desespero e as dificuldades das famílias, bem como o abandono em que o PS e o PSD governaram e deixaram o Algarve. As falsas promessas e incompetência de quem nos governou nos últimos 50 anos.

Em terceiro lugar, o trabalho feito no terreno pelos simpatizantes, militantes, eleitos, concelhias e Órgãos Distritais do Partido. A título de exemplo, o contacto directo na distribuição do nosso jornal e acima de tudo com o nosso Deputado juntamente com a Distrital teve os seus frutos e os algarvios mostraram que reconhecem trabalho e valores no nosso partido para defender a nossa região.

“A campanha correu de forma magnífica. A demonstração de apoio das pessoas quando passava uma caravana e/ou uma arruada era mais que notório, o que fazia prever os resultados obtidos. Os carros apitavam à nossa passagem, as pessoas gritavam ‘CHEGA’ nas ruas e nos mercados e o que dantes não faziam por medo, agora fazem-no com o peito cheio.”

Litoralgarve – Como decorreu a campanha eleitoral? Que meios foram envolvidos e quanto custou a campanha? O que disseram, concretamente, os eleitores durante as acções levadas a efeito pelo partido?

João Graça – A campanha correu de forma magnífica. A demonstração de apoio das pessoas quando passava uma caravana e/ou uma arruada era mais que notório, o que fazia prever os resultados obtidos. Vou relatar-vos, de forma sucinta, para que possam perceber melhor: os carros apitavam à nossa passagem, as pessoas gritavam ‘CHEGA’ nas ruas e nos mercados e o que dantes não faziam por medo, agora fazem-no com o peito cheio.

Há alguns pontos altos nesta campanha: os mercados de Portimão, Olhão e Faro e, obviamente, o jantar comício em Olhão, o almoço-comício e arruada em Portimão, com a presença do nosso Presidente, Dr. André Ventura.

Os meios em termos materiais foram os habituais. Tivemos os nossos ‘flyers’, alguns brindes, como canetas e pins, depois os carros com o som e as bandeiras. Em termos de valores não lhe sei indicar um valor exacto. Mas o que fica desta campanha, além da enorme união, dedicação e companheirismo de 16 concelhias e uma Distrital, não esquecendo todas as especificidades atrás descritas, são os eleitores a aproveitar e dar uso ao nome do partido, pois todos diziam “já CHEGA” e que só nós temos coragem e que só nós podemos olhar pelo Algarve, porque o PS e o PSD é tudo farinha do mesmo saco, que os enganou e os esqueceu nestes anos todos. É esta a verdade que se retira desta campanha, destas eleições.

“Os governos dos últimos 50 anos esqueceram o Algarve. Prioridades! As prioridades, neste momento, seriam os problemas da água, da saúde e da habitação, sem descurar todos os outros já enumerados. O algarvio tem deveres, mas também tem direitos e o CHEGA não vai esquecer isso.”

Litoralgarve – Quais os principais problemas que sente nesta região? O que falta ao Algarve? E quais são as prioridades do Chega para o próximo mandato?

João Graça – Os principais problemas!?… Deixe dizer-lhe que se colocasse a mesma pergunta ao PS, teria como resposta que não existem, se fosse colocada ao PSD responderia que era um problema ou outro, mas dado que a coloca ao CHEGA e ao cidadão comum, ao Algarvio esquecido e maltratado, a resposta é a saúde, a habitação, os transportes e vias de comunicação, a escassez de recursos hídricos, a segurança, a educação, o turismo, a pesca, a agricultura, a pecuária, etc, etc. Os governos dos últimos 50 anos esqueceram o Algarve.

Prioridades! As prioridades, neste momento, seriam os problemas da água, da saúde e da habitação, sem descurar todos os outros já enumerados, o algarvio tem deveres, mas também tem direitos e o CHEGA não vai esquecer isso.

“A primeira [medida] é difícil de definir, porque não se constrói um hospital, ou casas num dia, não se arranjam médicos, enfermeiros e professores num dia, não se dão condições à pesca, agricultura e pecuária num dia, nem se soluciona os problemas do turismo num dia. Urgente e que se pode fazer já, é lutar para acabar com as portagens na Via do Infante”

Litoralgarve – Qual será a primeira medida que o Chega irá tomar em prol do Algarve? E no seu caso particular, o que pensa fazer?

João Graça – A primeira é difícil de definir, porque não se constrói um hospital, ou casas num dia, não se arranjam médicos, enfermeiros e professores num dia, não se dão condições à pesca, agricultura e pecuária num dia, nem se soluciona os problemas do turismo num dia. Urgente e que se pode fazer já, é lutar para acabar com as portagens na Via do Infante, baixar os impostos para incentivar a economia, promover uma maior sensibilidade de consumos da água, quer aos locais, quer aos turistas, enquanto se concretizam outras soluções para termos água e no seu tempo recuperar e solucionar todos os outros problemas.

“Pela experiência da minha profissão (Oficial de Registos – Conservatórias) e como director nacional do Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado, gostava de integrar a comissão na área da justiça”

Litoralgarve – Quais as comissões parlamentares que gostaria de integrar e qual o motivo?

João Graça – Pela experiência da minha profissão (Oficial de Registos – Conservatórias) e como director nacional do sindicato STRN – Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado, gostava de integrar a comissão na área da justiça.

Litoralgarve – O que pensa dos deputados do PS eleitos pelo Círculo Eleitoral de Faro – Jamila Madeira, Jorge Botelho e Luís Graça? E sobre os deputados do PSD, Miguel Pinto Luz, Cristóvão Norte e Ofélia Ramos?

João Graça – Não vou fazer grandes considerações, dizer que acima de tudo tenho o máximo respeito por todos e que espero que defendam a nossa região, até porque foi pelo Algarve que fomos democraticamente eleitos.

“A formação deste governo irá ser uma geringonça completa e feita por convites e mais convites, os convidados quer dos partidos da aliança, quer independentes irão pensar duas vezes, porque sabem que o cargo será a prazo e que a sua própria reputação estará em causa”

Litoralgarve  – Sem maioria absoluta da Aliança Democrática, como encara a formação do próximo Governo? Poderá ser uma legislatura de curta duração? Um governo em desgaste a assumir o papel de vítima do sistema?

 João Graça – A Aliança Democrática é, no fundo, o PSD, porque nada acrescentou a aliança feita entre os três partidos. A única coisa que esta aliança permitiu foi que o CDS não desaparecesse do panorama político nacional. O PSD mostra toda a sua falta de maturidade e prova porque é que o PS governou mais anos que o PSD. A formação deste governo irá ser uma geringonça completa e feita por convites e mais convites, os convidados quer dos partidos da aliança, quer independentes irão pensar duas vezes, porque sabem que o cargo será a prazo e que a sua própria reputação estará em causa, apenas porque o “não é não” em vez de aproveitar a oportunidade de estabilidade política e seguir a vontade do voto do povo para a direita governar. Luís Montenegro não mostra créditos para ser Primeiro- ministro e se analisarmos como chega aqui é fácil perceber que chega porque venceu os outros (dentro do PSD) por cansaço.

Portanto, espero estar enganado, mas é um governo a prazo, por culpa de Luís Montenegro e se a ‘coisa’ correr mal, vai-se vitimizar.

“O PS já assumiu que será o partido da oposição, os restantes partidos de esquerda irão estar na sua sombra e aproveitar a boleia para dentro do seu extremismo, tentando mostrar que estão ‘vivos’”

Litoralgarve – Como perspetiva o papel do PS? E de outros partidos situados à esquerda, como o Bloco de Esquerda, o PCP (CDU), o Livre e o PAN?

João Graça – O PS já assumiu que será o partido da oposição, os restantes partidos de esquerda irão estar na sua sombra e aproveitar a boleia para dentro do seu extremismo, tentando mostrar que estão ‘vivos’.

“André Ventura não está a implorar coligações ou alianças; está a mostrar maturidade e abertura para o diálogo e a procurar entendimento para uma estabilidade política, com base na vontade explanada nos votos dos portugueses”

Litoralgarve – Qual será a estratégia do Chega? Vai deixar passar orçamentos? E que medidas poderá apoiar ou não apoiar?

João Graça – Penso que a resposta a essa pergunta já foi dada pelo nosso Presidente. Somos um partido com responsabilidade e estamos abertos e à espera de conversar à mesa, coisa que o Sr. Luís Montenegro já colocou de lado. Ressalvo que André Ventura não está a implorar coligações ou alianças; está a mostrar maturidade e abertura para o diálogo e a procurar entendimento para uma estabilidade política, com base na vontade explanada nos votos dos portugueses.

Quanto aos orçamentos e às medidas, teremos que aguardar pelas conversações/acordos que poderão surgir, pela constituição do governo e pelos primeiros desenvolvimentos dentro do parlamento.

“O Senhor Presidente da República “matou” o próximo governo antes da nascença, por vezes esquece-se que é Presidente da República e não o comentador, mas como ainda deve achar que não fez asneiras a mais, vem agora dizer que espera que este governo dure pelo menos 2 anos.”

Litoralgarve – E como deverá o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, gerir a situação de um governo minoritário?

 João Graça – Na minha opinião, o Senhor Presidente da República deveria recordar-se à semelhança de quando era comentador e voltar a  ser  moderado,  racional,  ponderado  e,  muitas vezes, acertado nas suas ideias. Deveria, na sua conversa com Luís Montenegro, ter sensibilizado este a fim de, a bem de Portugal e dos portugueses, mudar o “não é não” da campanha para um sim pelo interesse nacional, o voto foi claro: maioria à direita para governar.

Litoralgarve – Nas vésperas destas eleições legislativas antecipadas, o Chefe de Estado passou a mensagem de que não queria o Chega no Governo. Como reage a isso?

 João Graça – O Senhor Presidente da República “matou” o próximo governo antes da nascença, por vezes esquece-se de que é Presidente da República e não o comentador, mas como ainda deve achar que não fez asneiras a mais, vem agora dizer que espera que este governo dure pelo menos 2 anos. Portanto, em termos de gestão, penso que está tudo dito, quanto mais depressa chegarem as eleições Presidenciais melhor, melhor para o Velho do Restelo (Marcelo Rebelo de Sousa) e melhor para Portugal.

Luís Montenegro, presidente do PSD, revela “imaturidade, incompetência e o princípio do seu próprio fim”

Litoralgarve – O presidente do PSD, Luís Montenegro, continua a insistir que, enquanto primeiro-ministro, não quer governar com o Chega. Como encara essa situação?

 João Graça – Imaturidade, incompetência e o princípio do seu próprio fim.

“O Senhor Miguel Pinto Luz [eleito deputado do PSD pelo Círculo Eleitoral de Faro] pareceu-me uma pessoa ponderada e racional”

Litoralgarve – Miguel Pinto Luz, vice-presidente do PSD e agora eleito deputado pelo Círculo Eleitoral de Faro, diz: “Temos de acarinhar esse eleitorado” do Chega, que ultrapassa um milhão de pessoas. Como interpreta essa frase?

João Graça – Não conhecia o Sr. Miguel Pinto Luz, estive há poucas semanas num debate onde o mesmo esteve presente e pareceu-me uma pessoa ponderada e racional, quando diz acarinhar talvez queira dizer respeitar. Vamos respeitar e honrar o voto na direita, o voto que pretende que a direita governe e endireite Portugal.

Conselhos ao próximo governo: “olhe para os casos mais fracturantes e urgentes, a miséria muitas vezes silenciosa, a falta de serviços de saúde, a corrupção e que Portugal não é só Lisboa e Porto”

E ao Presidente da República, “que já não vai a tempo de emendar ou fazer esquecer todos os erros e trapalhadas, quer ter sido o padrinho da corrupção do governo PS, quer ter sido o padrinho do caso das gémeas ou mesmo, num ato de loucura, ter proferido as infelizes declarações que proferiu ao Chefe da Missão Diplomática da Palestina sobre a ocupação de Israel”

Litoralgarve – Que conselhos deixa ao próximo primeiro-ministro? E ao governo? E ao Presidente da República?

João Graça – Dar conselhos agora é dar cartas ao adversário, mas faço-o sem    problema    algum.    Sr.    Primeiro-Ministro,   Luís Montenegro, o meu conselho é que governe para o bem e para o futuro de Portugal e não para as próximas eleições. Ao governo, que olhe para os casos mais fracturantes e urgentes, a miséria muitas vezes silenciosa, a falta de serviços de saúde, a corrupção e que Portugal não é só Lisboa e Porto.

Ao Sr. Presidente da República, dizer que já não vai a tempo de emendar ou fazer esquecer todos os erros e trapalhadas, quer ter sido o padrinho da corrupção do governo PS, quer ter sido o padrinho do caso das gémeas ou mesmo, num ato de loucura, ter proferido as infelizes declarações que proferiu ao Chefe da Missão Diplomática da Palestina sobre a ocupação de Israel. O meu conselho é que não deseje um governo para 2 anos, mas sim que faça de tudo para um governo estável para cumprir a legislatura.

Litoralgarve – Qual deverá ser o papel dos partidos da oposição? Deixar governar, ou apresentar moções de censura?

João Graça – O papel deverá ser dar um voto de confiança, o país precisa e os portugueses merecem, mas tudo irá depender de como o próximo governo vai defender as suas linhas mestras.

Litoralgarve – O Chega está mesmo preparado para integrar o próximo governo em Portugal? Em que ministérios gostaria de ter essa experiência política?

João Graça – É uma das perguntas que mais aguardava que me colocasse. As pressões colocadas sobre o Dr. André Ventura acerca dos quadros do partido foram do mais baixo que vi por parte dos meios de comunicação social. O CHEGA tem dentro do partido quadros qualificados em todas as áreas e está mais que pronto para integrar um governo e mesmo para ser governo em Portugal. Se acham que a experiência política é importante para governar, então não façam mais eleições, deixem os autarcas corruptos do PS e do PSD e governantes como o Sócrates sempre a governar Portugal, porque eles, sim, têm experiência em como governar um país a caminho da miséria e da tirania.

Neste momento, não aspiro a ter experiência em nenhum ministério, mas penso que poderei ser muito útil na área da Justiça.

“A sociedade evoluiu muito, tudo gira à volta da economia e uma aliança de uma direita forte e com um bom trabalho poderia de vez acabar ou tornar insignificante o socialismo em Portugal e preparar o país para uma sociedade mais equilibrada e mais justa, quer para as empresas, quer para os trabalhadores. O povo com o socialismo habitua-se a viver de miséria e esmolas e isso leva a que Portugal cada vez esteja mais na cauda de uma Europa”

Litoralgarve – O que poderia mudar em Portugal com um governo AD e Chega?

João Graça – Muita coisa, a política de direita é uma política mais progressista, uma política mais apropriada  ao  mundo moderno, ao mundo dos negócios. A sociedade evoluiu muito, tudo gira à volta da economia e uma aliança de uma direita forte e com um bom trabalho poderia, de vez, acabar ou tornar insignificante o socialismo em Portugal e preparar o país para uma sociedade mais equilibrada e mais justa, quer para as empresas, quer para os trabalhadores. O povo com o socialismo habitua-se a viver de miséria e esmolas e isso leva a que Portugal cada vez esteja mais na cauda de uma Europa que se quer afirmar forte contra as grandes economias mundiais.

“O CHEGA não deixou cair a prisão perpétua. O nosso Presidente ao saber que é uma medida fraturante, disse que se preciso for, deixa-a cair por agora de modo a mostrar que tem maturidade e que o CHEGA é um partido aberto a negociações”

Litoralgarve – Porque é que o Chega deixou cair a ideia da prisão perpétua a introduzir na Constituição da República Portuguesa, como tinha sido aprovada, em Julho de 2021, no VII Conselho Nacional realizado em Sagres?

João Graça – O CHEGA não deixou cair a prisão perpétua. O nosso Presidente ao saber que é uma medida fraturante, disse que, se preciso for, deixa-a cair por agora de modo a mostrar que tem maturidade e que o CHEGA é um partido aberto a negociações. Não é uma incoerência, é um ato de extremo bom senso e de um elevado sentido de Estado para quem quer ser governo ou fazer parte dele.

“Populista… populista é quem diz que vai aumentar o IUC [Imposto Único de Circulação] e depois como viu a reacção do povo, recuou; populista é o PS vir agora dizer que vai abolir as portagens na A22; populista é vir o PS dizer que, agora, é que o Algarve vai ter um hospital central; populista é dizer que iam construir uma linha de metro entre Loulé e o aeroporto de Faro e uma semana depois já era um metrobus; populista é a cara de pau do PS, que ao fim de governar tantos anos com a corrupção que se vê, vir agora dizer em campanha que vai fazer mais.”

Litoralgarve – O Chega é encarado como um partido populista, que diz o que as pessoas gostam de ouvir? Como reage a este sentimento?

João Graça – Eu disse algo, que acredito, que um dia ficará registado na memória de muitos: “O CHEGA não é um partido de extrema direita, mas sim um partido de extrema necessidade para Portugal”. Populista…populista é quem diz que vai aumentar o IUC [Imposto Único de Circulação] e depois como viu a reacção do povo, recuou; populista é o PS vir agora dizer que vai abolir as portagens na A22; populista é vir o PS dizer que agora é que o Algarve vai ter um hospital central; populista é dizer que iam construir uma linha de metro entre Loulé e o aeroporto de Faro e uma semana depois já era um metrobus; populista é a cara de pau do PS, que ao fim de governar tantos anos com a corrupção que se vê, vir agora dizer em campanha que vai fazer mais.

Depois desta ditadura e de tantas falsas promessas, o populista é o CHEGA!?

“Justiça, Administração Interna, Segurança Social e Agricultura” são os ministérios que mais se adequam ao Chega

Litoralgarve – Com os resultados obtidos nestas eleições legislativas antecipadas, aumentam também as responsabilidades do Chega. Como vai o partido gerir esta situação? O que vai fazer? Quais os cargos que o partido pretende ocupar na hierarquia do Estado?

João Graça – O partido, ao contrário do que muitos dizem, tem um programa político, linhas mestras e orientações em todas as áreas. Vamos gerir mediante o que permitirem ao CHEGA fazer, valorizando e aproveitando o nosso trabalho, ou vamos continuar a lutar e a crescer para, nas próximas eleições, ser governo de Portugal.

Quanto a cargos, o Dr. André Ventura sempre disse que seriam a Justiça, Administração Interna, Segurança Social e Agricultura.

Litoralgarve – Como encara o futuro de Portugal?

João Graça – Esta pergunta é difícil e complicada de responder, porque se esta legislatura não chegar ao fim ou for de curta duração, Portugal poderá perder o ‘comboio’ da Europa. e

“As eleições para o Parlamento Europeu, serão mais um momento de afirmação do CHEGA. Ainda não conversei com o nosso Presidente sobre a possibilidade de algum candidato ser do Algarve”

Litoralgarve – E como perspectiva as eleições para o Parlamento Europeu, a realizar no dia 09 de Junho de 2024? Haverá algum candidato do Algarve na lista do Chega?

João Graça – As eleições para o Parlamento Europeu, serão mais um momento de afirmação do CHEGA. Ainda não conversei com o nosso Presidente sobre a possibilidade de algum candidato ser do Algarve. As atenções e forças foram desviadas para as legislativas, mas penso que em breve irão acontecer conversas.

Eleições autárquicas em Setembro/Outubro de 2025 – “Vamos conseguir concorrer a praticamente todos os lugares” no Algarve. “Quanto a conquistar a presidência de alguma ou algumas câmaras, também acredito que irá acontecer.”

Litoralgarve – As próximas eleições autárquicas deverão ter lugar em Setembro ou Outubro de 2025, ou seja dentro de cerca de um ano e meio. O Chega está preparado para concorrer em todas as freguesias dos 16 concelhos do Algarve? Será possível conquistar a presidência de câmaras municipais numa região, onde o PS é, há muitos anos, maioritário?

João Graça – Se há três anos, ainda com uma estrutura muito embrionária, concorremos a 52 freguesias, 14 Assembleias Municipais e às 16 Câmaras Municipais, acredito que, se a estrutura se mantiver como está hoje e, claro que, com o impulso dos resultados recentes destas legislativas, vamos conseguir concorrer a praticamente todos os lugares.

Quanto a conquistar a presidência de alguma ou algumas câmaras, também acredito que irá acontecer.

Litoralgarve – Como vai ser a estratégia?

João Graça – Em primeiro lugar, vamos aproveitar a maioria dos nossos eleitos, vamos reforçar com novos militantes e simpatizantes que apareceram. Entretanto, principalmente agora, acredito que muitos mais vão surgir, porque agora o tabu de dizer que era do CHEGA já se rompeu praticamente por completo no Algarve, mas também vamos e estamos a estudar convidar independentes que nos parecem ser uma mais-valia para serem candidatos pelo partido.

“Desejo que quem ocupe o cargo [de Presidente da República, nas eleições em 2026], não seja um ‘padrinho’; seja antes alguém isento, ponderado e honesto”

Litoralgarve  – No início de 2026, haverá eleições para a Presidência da República. A menos de dois anos de distância, como encara a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa?

João Graça – Neste momento, não estou a ver ninguém com perfil para tal cargo, isto partindo da premissa de excluir o Dr. André Ventura, porque penso que a sua prioridade é ser Primeiro- Ministro. No entanto, desejo que quem ocupe o cargo não seja um ‘padrinho’; seja antes alguém isento, ponderado e honesto.

“O meu entendimento é que António Costa tardou pela demissão, os casos de corrupção, de trafulhice e de incompetência foram tantos para um governo com maioria, que deve envergonhar a cada um que votou no PS.”

“Querem ver que a polícia tem uma bola de cristal mágica!? Acredito que foi denúncia e que muito provavelmente partiu de dentro do próprio partido. Já havia vozes que se levantavam contra António Costa. Ao mesmo tempo era importante desviar as atenções que recaiam sobre o Presidente da República com o caso das gémeas e com as declarações sobre a guerra entre Israel e a Palestina.”

Litoralgarve – O ainda primeiro-ministro, António Costa, fez bem em demitir-se do cargo quando soube que estava a ser investigado na Operação ‘Influencier´, sobre suspeitas de corrupção? E se não o fizesse, alegando que não tinha cometido qualquer irregularidade e que sentia condições políticas para permanecer em funções, como poderia funcionar o governo? E a oposição?

João Graça – Tenho uma opinião pessoal formada sobre este assunto. O meu entendimento é que António Costa tardou pela demissão, os casos de corrupção, de trafulhice e de incompetência foram tantos para um governo com maioria, que deve envergonhar a cada um que votou no PS. Foi caso atrás de caso, mentira atrás de mentira, promessa atrás de promessa e o país a cair em queda livre, o povo a deixar grande parte dos rendimentos em impostos, a miséria, a fome a falta de saúde e habitação, a degradação dos serviços públicos, etc, etc, factos alarmantes e, por isso, tardou muito a demissão do Primeiro-Ministro. Agora denoto pela peculiaridade a forma como aconteceu, quer dizer um dia acordaram e foram à residência do próprio e descobrem milhares de euros escondidos no gabinete do seu homem de confiança. Querem ver que a polícia tem uma bola de cristal mágica!? Acredito que foi denúncia e que muito provavelmente partiu de dentro do próprio partido. Já havia vozes que se levantavam contra António Costa. Ao mesmo tempo era importante desviar as atenções que recaiam sobre o Presidente da República com o caso das gémeas e com as declarações sobre a guerra entre Israel e a Palestina.

Portanto, mesmo que António Costa não se tivesse demitido, só ia acumular mais ainda o descontentamento dos socialistas, o governo iria ter cada vez mais greves e descontentamento à porta e a oposição ia ganhar mais força.

“Mário Centeno fez parte de toda a máquina que levou Portugal para a desgraça, nunca deveria ter sido nomeado para o cargo que ocupa” [Governador do Banco de Portugal]

Litoralgarve – O nome de Mário Centeno para primeiro-ministro poderia ter sido uma solução?

João Graça – Não, de forma alguma! Mário Centeno fez parte de toda a máquina que levou Portugal para a desgraça, nunca deveria ter sido nomeado para o cargo que ocupa [Governador do Banco de Portugal].

Marcelo Rebelo de Sousa “foi padrinho de tudo o que o PS fez, assistiu de bancada à decadência, viu diariamente a corrupção dos políticos na sua maioria PS, viu o nome de Portugal a ser jogado na lama nos noticiários no estrangeiro e não teve a coragem de ser ele a tomar a decisão, por isso nada mais lhe restava”

Litoralgarve – Como viu o papel do Presidente da República neste processo de aceitar a demissão de António Costa e convocar eleições legislativas antecipadas?

João Graça – É simples. Foi padrinho de tudo o que o PS fez, assistiu de bancada à decadência, viu diariamente a corrupção dos políticos na sua maioria PS, viu o nome de Portugal a ser jogado na lama nos noticiários no estrangeiro e não teve a coragem de ser ele a tomar a decisão, por isso nada mais lhe restava. Aliás, até se sentiu aliviado e agradecido, do género de ‘a culpa não foi minha’, num ato de irresponsabilidade.

“A mim, custa-me acreditar que a Procuradora Geral da República tenha tido tal acção [que acabou por provocar a queda do governo de António Costa] sem que tivesse fortes indícios ou denúncias, partindo eu do princípio que a mesma estava nas suas plenas faculdades mentais.”

“Este tipo de falsos alarmes ou de grandes alaridos e, afinal, depois não é nada, pode traduzir-se  em  incompetência  e  trazer  estragos irreparáveis, quer para a vida dos visados, quer para todo um país que já de si é débil”

Litoralgarve – O que lhe parece a acção da Procuradora Geral da República, que acabou por levar à queda do governo de António Costa? E do outro caso na Região Autónoma da Madeira?

João Graça – A justiça está a ser um dos grandes, senão o maior problema de tudo o que se está a passar em Portugal. há corrupção porque não há justiça. Existe uma justiça para o pobre e outra para o rico e isso tem levado a que o país não saia do buraco de desgraça e de miséria.

A mim, custa-me acreditar que a Procuradora Geral da República tenha tido tal ação sem que tivesse fortes indícios ou denúncias, partindo eu do princípio que a mesma estava nas suas plenas faculdades mentais. O mesmo no caso da Madeira porque temos que fazer jus à presunção de inocência e, porque sei e acredito, que existe gente séria no PS, como em todos os partidos, a justiça tem que encontrar outra forma de atuar. Este tipo de falsos alarmes ou de grandes alaridos e, afinal, depois não é nada, pode  traduzir-se  em  incompetência  e  trazer  estragos irreparáveis, quer para a vida dos visados, quer para todo um país que já de si é débil.

Litoralgarve – Com várias eleições até 2026, como pensa que irá reagir o eleitorado?

João Graça – Tudo vai depender da resposta a estas eleições, ou seja, quem vai ser o governo e como vai governar. Pessoas que nunca tinham votado, votaram. Os jovens votaram em massa, se nada mudar, temo que a abstenção possa voltar a valores indesejáveis ou até subir a picos bem mais expressivos.

“Muitos querem esconder e fazer passar despercebido este resultado do CHEGA no Algarve, querem tirar mérito ao partido, mas até mais grave, desvalorizar o voto de cada um, que deu a vitória com 27,19% (64.228 votos) dos votos. É uma falta de respeito dizerem que foram votos de protesto”

“Os jovens não vão atrás de protesto pelos votos, aqueles que nunca votaram não vão às urnas por protesto, os que de outros partidos votaram, não votaram no CHEGA por protesto, as pessoas votaram no CHEGA porque o PS e o PSD foram incompetentes, porque enganaram, porque desiludiram as pessoas”

Nesta entrevista por escrito ao ‘Litoralgarve’, João Graça, presidente da Comissão Política Distrital de Faro do Chega e agora deputado na Assembleia da República, deixou, a concluir, outros recados a nível regional e nacional:

 “Aproveito para deixar umas notas: muitos querem esconder e fazer passar despercebido este resultado do CHEGA no Algarve, querem tirar mérito ao partido, mas até mais grave, desvalorizar o voto de cada um, que deu a vitória com 27,19% (64.228 votos) dos votos. É uma falta de respeito dizerem que foram votos de protesto. Os jovens não vão atrás de protesto pelos votos, aqueles que nunca votaram não vão às urnas por protesto, os que de outros partidos votaram, não votaram no CHEGA por protesto, as pessoas votaram no CHEGA porque o PS e o PSD foram incompetentes, porque enganaram, porque desiludiram as pessoas. Votaram no CHEGA para mostrar que acreditam que alguém lhes vai dar ouvidos e vai defender os seus deveres, mas também vai defender os seus direitos.”

E acrescentou:

“Este resultado foi o trabalho de André Ventura e do grupo parlamentar. A conjuntura dos desgovernos e do abandono do Algarve dos partidos que nos governaram e, por outro lado, a proximidade que a estrutura local do partido teve com as populações de todos os cantos da nossa região, permitiram-nos este resultado.

Ao contrário do que mentirosos apregoam, o CHEGA tem um programa bem delineado, quer para a região, quer para o país, o CHEGA tem um programa para “LIMPAR PORTUGAL E PARA CUMPRIR PORTUGAL.

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