Entrevista a Hélder Martins, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve: “Com tempo de chuva, podemos esperar por cancelamentos, entre Portugal e Espanha” nestas miniférias da Páscoa

“As expetativas andavam na ordem dos 80% de ocupação, número que poderia subir, caso as condições climatéricas fossem de calor”, admitiu o presidente da Direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Hélder Martins, nesta entrevista ao ‘site’ «Litoralgarve», durante a qual abordou várias questões sobre o passado, o presente e o futuro. Em relação a 2023, não teve dúvidas de que “foi um bom ano turístico para a região, conseguindo fidelizar os mercados tradicionais e consolidar novos”. “Apenas o mercado nacional não reagiu dentro dessas normas, com ligeira redução de turistas, nalguns meses, fruto da situação económica das famílias”, ressalvou aquele empresário.

Hélder Martins espera que, em 2024, “a época alta possa superar a do ano transacto” ao nível turístico, reconhece problemas na falta de trabalhadores, mas aponta soluções. E em tempos de mudança governamental, deixa fortes críticas ao primeiro-ministro, que agora cessa funções, o socialista António Costa, e recados ao novo chefe do executivo, o social-democrata Luís Montenegro. À espera de medidas eficazes em prol do turismo no Algarve.

José Manuel Oliveira 

Litoralgarve – Qual o seu balanço sobre a actividade turística no Algarve durante o ano de 2023? Quais os principais mercados? Correspondeu às expectativas?

Hélder Martins – Foi um bom ano turístico para a região, conseguindo fidelizar os mercados tradicionais e consolidar novos.  Apenas o mercado nacional não reagiu dentro dessas normas, com ligeira redução de turistas, nalguns meses, fruto da situação económica das famílias.

“Num destino onde o produto principal é o sol e praia, a sazonalidade continuará a ser um problema, embora a mesma tenha vindo a ser atenuada, mas longe daquilo que seria o ideal”

Litoralgarve – E como têm sido os primeiros meses de 2024? Ainda se sente, como há anos, o problema da sazonalidade no turismo algarvio, com seis meses em intensa actividade e os restantes seis meses quase sem visitantes? A que se deve essa situação?

Hélder Martins – Num destino onde o produto principal é o sol e praia, a sazonalidade continuará a ser um problema, embora a mesma tenha vindo a ser atenuada, mas longe daquilo que seria o ideal. Há produtos que muito contribuem para a redução, como o turismo de natureza, golfe e congressos e incentivos. No entanto, ainda temos que trabalhar muito nessa área.

“A quebra de produção nas empresas e nas famílias, durante o Covid, deixou marcas profundas que demorarão mais algum tempo a recuperar”

Litoralgarve – O turismo no Algarve já conseguiu recuperar dos efeitos do período da pandemia da Covid-19?

Helder Martins – Nos dois últimos anos, a reação da atividade turística foi a que motivou a recuperação da situação económica do país. No entanto, a quebra de produção nas empresas e nas famílias, durante o Covid, deixou marcas profundas que demorarão mais algum tempo a recuperar.

“Há uma semana, as expetativas andavam na ordem dos 80% de ocupação, número que poderia subir, caso as condições climatéricas fossem de calor”

Litoralgarve – Como perspectiva esta Semana da Páscoa em termos turísticos no Algarve? Como vai ser a ocupação hoteleira? E de onde vêm os clientes? A tendência é para ficar quantos dias?

Hélder Martins – Numa sondagem de associados, concluímos, há uma semana, que as expetativas andavam na ordem dos 80% de ocupação, número que poderia subir, caso as condições climatéricas fossem de calor. No entanto, com o tempo de chuva podemos esperar por cancelamentos. Os principais mercados turísticos para o Algarve são responsáveis pela ocupação neste período, com o Reino Unido e Portugal entre os primeiros. Neste período, a estadia média andará na ordem dos 4 a 5 dias.

Litoralgarve – O mau tempo, com chuva e vento, que, entretanto, se faz sentir devido à depressão ‘Nelson’, proveniente da Finlândia, poderá, então, condicionar as habituais miniférias nesta altura do ano no Algarve…

Hélder Martins – Com certeza que condiciona, especialmente entre os mercados de proximidade, Portugal e Espanha.

Litoralgarve – Comparativamente a 2023, como poderia ser?

Hélder Martins – Prevíamos um aumento na ordem dos 5%, coincidente com os dados do aeroporto de Faro.

Litoralgarve – Mesmo com condições meteorológicas adversas, numa altura em que a maioria das praias do Algarve ainda não tem concessões a funcionar, faltando, como tal, vigilância nos areais, sem nadadores-salvadores, existem perigos acrescidos para turistas nesta Semana da Páscoa, quando a tendência é passear junto à costa?

Hélder Martins – Se o mar estiver agitado, decerto que será perigoso, sendo de esperar que as pessoas respeitem os conselhos das autoridades nessa área.

Litoralgarve – Que alertas, conselhos deixa às pessoas nesse sentido?

Hélder Martins – Que façam os seus passeios e atividades, mas sempre em segurança.

“Neste momento, esperamos que a época alta possa superar a do ano transacto”

Litoralgarve – A época alta do turismo no Algarve está a chegar. Como perspectiva o próximo Verão?

Hélder Martins – Neste momento, esperamos que a época alta possa superar a do ano transacto.

“Esperamos que o mercado americano tenha uma subida significativa, com o aparecimento de um voo directo”

“O mercado nacional é de extrema importância para o Algarve e esperamos que assim continue”

Litoralgarve – Quais os principais mercados? Que novos mercados estão a privilegiar o Algarve? E o que representa o mercado nacional?

Hélder Martins – Esperamos que o mercado americano tenha uma subida significativa, com o aparecimento de um voo directo. O mercado nacional é de extrema importância para o Algarve e esperemos que assim continue. No entanto, as condições económicas das famílias teimam em não recuperar, o que não ajudará muitas famílias a fazer férias na região.

“Questões como o alojamento são das que mais dificultam a vida das pessoas, tendo a AHETA tentado sugerir aos governantes a possibilidade de criação de um subsídio de alojamento, nas condições do subsídio de almoço, em termos fiscais, e a possibilidade de construir alojamento social para os nossos funcionários que venham de fora da região, mas até hoje sem sucesso”

Litoralgarve – Os empresários da hotelaria, da restauração e do comércio, áreas mais ligadas à actividade turística, continuam a queixar-se da falta de mão-de-obra. A que se deve o problema: aos baixos salários, comparando com o que se paga noutros países, à falta de habitação a custos controlados, ou, em Portugal e, em particular, no Algarve, muitas pessoas não querem trabalhar, preferindo receber o subsídio de desemprego e outros apoio do Estado?

Hélder Martins – Continuamos todos a ter alguma dificuldade em captar talentos e fixá-los nas empresas. Temos feito um esforço no sentido de melhorar as condições dos nossos colaboradores, no entanto o aumento do custo de vida não tem colaborado. Questões como o alojamento são das que mais dificultam a vida das pessoas, tendo a AHETA tentado sugerir aos governantes a possibilidade de criação de um subsídio de alojamento, nas condições do subsídio de almoço, em termos fiscais, e a possibilidade de construir alojamento social para os nossos funcionários que venham de fora da região, mas até hoje sem sucesso.

“Precisamos de mais qualificação nos colaboradores a contratar”

Litoralgarve – Que queixas costuma ouvir a esse nível nas unidades hoteleiras, nos restaurantes e ‘snacks’- bares, por parte dos respectivos proprietários?

Hélder Martins – Que não se consegue contratar, que, de um dia para o outro, os colaboradores mudam de empresa e que precisamos de mais qualificação nos colaboradores a contratar.

“Não havendo outra solução, os imigrantes têm sido a única forma de encontrar colaboradores”

Litoralgarve – O recurso a imigrantes, nomeadamente de países asiáticos, africanos e sul-americanos, é mesmo a solução? Como será possível preencher lacunas ao nível de formação num sector tão específico como o turismo, com o atendimento e outros aspectos?

Hélder Martins – Não havendo outra solução, os imigrantes têm sido a única forma de encontrar colaboradores. No entanto, se  essa pessoa não falar português torna-se difícil a sua colocação em ‘front office.’

Litoralgarve – Receia um Verão complicado a esse nível?

Hélder Martins – Penso que, nesse aspecto, o Verão será ao nível do de 2023.

“O Algarve precisa de fixar mais cem mil pessoas para superar as carências laborais. No entanto, com a revisão dos PDM’s [Planos Directores Municipais] cada vez mais restritiva, onde irão morar essas pessoas? Isto terá relação direta com o número de casas clandestinas que dia a dia proliferam”

Litoralgarve – No ano passado, houve empresários que tiveram de fechar restaurantes mais cedo por falta de pessoal, enquanto várias unidades hoteleiras também sentiram problemas, e neste momento já se ouvem alertas para a mesma situação. O que poderá fazer para resolver, ou pelo menos, ajudar a minorar o problema a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve?

Hélder Martins – O que temos tentado fazer é sensibilizar quem manda na região e no país para o problema e para as suas consequências futuras. Existe o problema, não é só no turismo e penso que o Algarve precisa de fixar mais cem mil pessoas  para superar as carências laborais. No entanto, com a revisão dos PDM’s [Planos Directores Municipais] cada vez mais restritiva, onde irão morar essas pessoas? Isto terá relação direta com o número de casas clandestinas que dia a dia proliferam no Algarve e que virá a constituir um grave problema urbanístico no futuro.

Para fixar jovens e adultos no Algarve, “já lhes dissemos várias vezes [aos responsáveis governamentais], que reduzam os impostos nas famílias e nas empresas e repercutiremos esses valores nos salários”

Litoralgarve – E que problemas sente, em particular, ao nível do atendimento quando se desloca a um restaurante, ou a um hotel?

Hélder Martins – A questão da falta de conhecimento da língua portuguesa e da região, mas esse problema não é geral, pois há muitos estabelecimentos onde isso não acontece.

Litoralgarve – Como será possível fixar, no Algarve, jovens e adultos portugueses na hotelaria, restauração e noutras áreas com ligação ao turismo?

Hélder Martins – Dando melhores condições remuneratórias e fiscais, mas para isso o governo tem de fazer a sua parte. Já lhes dissemos várias vezes que reduzam os impostos nas famílias e nas empresas e repercutiremos esses valores nos salários. O Estado é um “sócio” que todos temos, que nos leva a fatia de “leão” e nos dá muito pouco.

“Com excepção do Moto GP, da Volta ao Algarve [em Bicicleta], das provas de corridas na areia, pouco mais nos resta. O Algarve tem de ter um plano de animação ao longo de todo o ano, que incentive as pessoas a vir ao Algarve ver esses eventos e ficar mais uns dias.”

Litoralgarve – Em termos de animação, como deverá ser o Verão de 2024?

Hélder Martins – Ao nível de anos anteriores.

Litoralgarve – Os grandes concertos em zonas turísticas devem continuar a ser a aposta?

Hélder Martins – Sim, essencialmente na época média e baixa. No entanto, tal não tem acontecido.

Com excepção do Moto GP, da Volta ao Algarve [em Bicicleta], das provas de corridas na areia, pouco mais nos resta. O Algarve tem de ter um plano de animação ao longo de todo o ano, que incentive as pessoas a vir ao Algarve, ver esses eventos e ficar mais uns dias.

Litoralgarve – Há quem considere que os espectáculos musicais, por arrastarem multidões, acabam por provocar problemas nas cidades, em termos de trânsito, e podem contribuir, também, para o consumo de tráfico de estupefacientes e outro tipo de criminalidade. Como encara tudo isso?

Hélder Martins – Cada evento de dimensão média ou alta traz congestionamentos de trânsito, mas tudo isso é superável e de menor importância comparado com o impacto que tem na região.

“O Algarve, sendo uma região com uma costa fabulosa, não tem um evento de impacto internacional na área da vela, não temos um grande evento na área do golfe, do atletismo e de muitas outras áreas”

Litoralgarve – Que eventos gostaria de ver no Algarve para atrair turistas durante todo o ano?

Hélder Martins – O Algarve, sendo uma região com uma costa fabulosa, não tem um evento de impacto internacional na área da vela, não temos um grande evento na área do golfe, do atletismo e de muitas outras áreas que permitiriam, além do impacto direto, que o Algarve entre na mente das pessoas como destino para essas atividades. O problema é o financiamento dessas atividades, em que a taxa turística poderia ser a solução.

“Faltam condições financeiras e falarmos a uma só voz na região” para dinamizar a animação durante a época baixa do turismo

Litoralgarve – Há condições para animação, mesmo durante a denominada época baixa do turismo, de forma a ajudar a dinamizar o centro das cidades? O que falta?

Hélder Martins – O que falta? Faltam condições financeiras e falarmos a uma só voz na região.

Litoralgarve- Qual o impacto financeiro e a outros níveis provocado pelo recente Grande Prémio de Portugal Moto GP, disputado no Autódromo Internacional do Algarve?

Hélder Martins – Enorme, não só direto, como indireto, devido ao valor da imagem que entra na casa das pessoas, pelo mundo e os negócios que atrai, ao longo do ano, com equipas a deslocarem-se ao Algarve para testes e treinos.

“De momento, pela falta de condições financeiras, não creio” ser possível o regresso, a Portimão, do Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1

Litoralgarve – Será possível recuperar o Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1, no concelho de Portimão?

Hélder Martins – De momento, pela falta de condições financeiras, não creio, embora tenhamos uma das melhores pistas do mundo.

Litoralgarve – E que repercussões poderão ter para o sector do turismo o Campeonato do Mundo de Futebol, em 2030, nomeadamente ao nível de estágios de selecções?

Hélder Martins – Pode ser importante. No entanto, tenho dúvidas de que venha a acontecer.

“Imagine a promoção, nacional e internacional, que poderíamos fazer se a RTA [Região de Turismo do Algarve], por exemplo, gerisse os quarenta milhões de euros que são esperados arrecadar com a taxa turística?”

Litoralgarve – O que devem fazer os municípios que aplicam a taxa turística? É uma medida justa? Há quem não a aplique…

Hélder Martins – Em primeiro lugar, essa é uma diferença, a diversidade de situações. Se eu estiver de um lado, pago, se estiver do outro lado, não pago. Nuns lados, pago de verão, noutros pago de inverno e verão. Não creio que seja a taxa turística que faça desviar turistas para outros destinos, até porque hoje já se paga em todo o lado. O problema é que ao contrário de Lisboa, Cascais e muitas outras zonas, o valor arrecadado é gerido por associações de turismo e aplicado diretamente na promoção e animação e outras áreas. No Algarve, tal não vai acontecer e entrará como receita direta em cada Câmara Municipal. Imagine a promoção, nacional e internacional, que poderíamos fazer se a RTA, por exemplo, gerisse os quarenta milhões de euros que são esperados arrecadar com a taxa turística?

Litoralgarve – Como avalia o estado dos hotéis no Algarve? Faltam melhorias, renovação?

Hélder Martins – Tem havido uma melhoria constante. No entanto, para unidades mais antigas a única hipótese é uma remodelação profunda, o que nem sempre as empresas conseguem fazer.

Alojamento Local? “Alguns “iluminados” do governo anterior decidiram dar uma “facada” na atividade”

Litoralgarve – E como lhe parecem as unidades de Alojamento Local?

Hélder Martins – Um produto perfeitamente implantado na região, com milhares de camas, legais, em contraste com o que acontecia há uns anos, em que essas camas entravam no mercado paralelo. No entanto, alguns “iluminados” do governo anterior decidiram dar uma “facada” na atividade. Espero que haja bom senso e que o AL [Alojamento Local] não morra e essas camas voltem a entrar no paralelo.

Litoralgarve – Quantas unidades hoteleiras serão necessárias construir no Algarve e em que concelhos?

Hélder Martins – Há várias intenções de investir no Algarve, mas com as dificuldades de aprovação, muitos desses casos acabam por adquirir unidades em funcionamento e reconvertê-las.

Executivo de António Costa provocou “instabilidade governativa, com reflexo para as empresas, indecisão em áreas fundamentais, por exemplo, na decisão do aeroporto de Lisboa, elevada carga fiscal”

Litoralgarve – Quais são os aspectos positivos e negativos que destaca no governo socialista, que agora cessa funções, sob a responsabilidade do primeiro-ministro, António Costa?

Hélder Martins – Instabilidade governativa, com reflexo para as empresas, indecisão em áreas fundamentais, por exemplo, na decisão do aeroporto de Lisboa, elevada carga fiscal, etc.

É necessária “uma presença de alguém que sente o turismo, no Conselho de Ministros. Isso daria muita importância ao setor. Neste momento, até o Secretário de Estado temos de “partilhar” com o comércio e serviços”

Litoralgarve – Que reflexos teve para o turismo a demissão do governo a meio da legislatura? Houve atrasos nalgumas medidas?

Hélder Martins – Tem sempre reflexos, pois estávamos a meio de uma legislatura e, de repente, tudo por mudar e especialmente porque durante vários meses não há decisão.

Litoralgarve – E o que espera do próximo governo, liderado pelo PSD?

Hélder Martins – O que apresentámos em carta aberta, que resolva problemas como a habitação, as acessibilidades, a questão fiscal, construção do novo hospital, entre outras.

Litoralgarve – O que vai pedir, em concreto, ao novo primeiro-ministro, Luís Montenegro? Falta um Ministério do Turismo, como os empresários do sector há tanto tempo pedem?

Helder Martins – É necessária uma presença de alguém que sente o turismo, no Conselho de Ministros. Isso daria muita importância ao setor. Repare que, neste momento, até o Secretário de Estado temos de “partilhar” com o comércio e serviços.

Litoralgarve – Ainda acredita na abolição das portagens na A22/Via do Infante? Quais as vantagens dessa situação para a actividade turística no Algarve?

Hélder Martins – Uma maior facilidade de deslocação e um aliviar da pressão na EN 125. Tenho dúvidas de que possam abolir as portagens, pois se o fizerem irão aumentar impostos noutro lado. Pagaremos de uma ou de outra maneira!!!

Há que “rezar” para que não aconteça nada de extraordinário que possa afetar a imagem da região!!!”, durante o Verão, perante a falta de profissionais de saúde, encerramento de serviços e sobrecarga das urgências hospitalares

Litoralgarve – Como sente o problema da saúde no Algarve, a sobrecarga das urgências, o encerramento de serviços, numa altura em que continuam a faltar médicos, enfermeiros e auxiliares, e o Verão se aproxima?

Hélder Martins – Sinto que cada vez mais se recorre à iniciativa provada e a construção do Hospital Central do Algarve, prometido há dezenas de anos, é uma emergência nacional.

Litoralgarve – Que soluções para enfrentar essa situação, num período com milhares de pessoas no Algarve?

Hélder Martins – “Rezar” para que não aconteça nada de extraordinário que possa afetar a imagem da região!!!  E que os políticos cumpram as suas promessas de melhorias nessa área.

“Desde 2005 que tivemos uma grande seca, em que praticamente nada foi feito, e acordámos agora para o problema com soluções de difícil resolução e que não serão a resolução do problema. A única hipótese viável será a ligação direta [da barragem] do Alqueva a Odeleite”

Litoralgarve – Como encara o Verão de 2024 em face do problema da seca?

Hélder Martins – Muito complicado e é mais uma razão para a revolta dos algarvios. Desde 2005 que tivemos uma grande seca, em que praticamente nada foi feito, e acordámos agora para o problema com soluções de difícil resolução e que não serão a resolução do problema. A única hipótese viável será a ligação direta [da barragem] do Alqueva a Odeleite.

Litoralgarve – Essa situação, falta de água, poderá contribuir para agravar o risco de incêndios florestais?

Hélder Martins – De certo modo tornará mais difícil o seu combate.

“O Algarve necessita de um reforço de todas as forças de segurança, ao longo de todo o ano”

Litoralgarve – O Algarve é uma região segura no que respeita à criminalidade? São necessários reforços por parte das forças de segurança durante todo o ano, policiamento de proximidade?

Hélder Martins – A presença das forças de segurança ajuda sempre a minorar esse problema. No entanto, o Algarve não é uma zona de grande impacto na criminalidade. O Algarve necessita de um reforço de todas as forças de segurança, ao longo de todo o ano.