Só lamentou a não eleição de José Gusmão, número dois da lista do Bloco de Esquerda e que, agora, cessa funções como eurodeputado. “Realizou, durante este seu mandato, um dos melhores trabalhos no Parlamento Europeu, com a apresentação de relatórios.”
José Manuel Oliveira
O ex-deputado do Bloco de Esquerda, pelo Círculo Eleitoral de Faro, na Assembleia da República, João Vasconcelos, que também já foi vereador do partido na Câmara Municipal de Portimão, congratulou-se com a eleição de Catarina Martins como eurodeputada no Parlamento Europeu, considerando-a ser a figura “melhor preparada” entre os 21 portugueses que ali terão assento nos próximos cinco anos.
Em declarações ao ‘Litoralgarve’, por telemóvel, partir das 23h.24m. de domingo, 09 de Junho, numa altura em que, até pouco antes, já tinha tido conhecimento através do próprio partido da eleição de Catarina Martins e de João Oliveira, da CDU – Coligação Democrática Unitária (Partido Comunista Português e Partido Ecologista ‘Os Verdes), para o Parlamento Europeu, João Vasconcelos só lamentou o facto de o Bloco de Esquerda ter perdido um eurodeputado, neste caso José Gusmão, que figurou em segundo lugar na lista. “José Gusmão realizou, durante este seu mandato, um dos melhores trabalhos no Parlamento Europeu, com a apresentação de relatórios. O Bloco de Esquerda nunca desistiu do seu trabalho”, enalteceu João Vasconcelos.
“Sabíamos que a eleição de Catarina Martins seria muito difícil, devido aos ventos da extrema-direita na Europa e que, felizmente, ficou aquém das suas próprias expectativas em Portugal. Já chega dos saudosistas de Salazar que esteve durante 48 anos no poder”
Nos próximos cinco anos, “Catarina Martins não vai desiludir. É quem está melhor preparada entre os eurodeputados portugueses eleitos, como, de resto, foi notório nos debates televisivos durante a campanha eleitoral”, sublinhou João Vasconcelos, destacando a ação da ex-coordenadora nacional do Bloco de Esquerda. E prosseguiu: “sabíamos que a eleição de Catarina Martins seria muito difícil, devido aos ventos da extrema-direita na Europa e que, felizmente, ficou aquém das suas próprias expectativas em Portugal. Já chega dos saudosistas de Salazar, que esteve durante 48 anos no poder. Os resultados nestas eleições são um manifesto de que continuamos a lutar pela liberdade, pois também João Oliveira, da CDU, foi eleito.”
A necessidade de o Bloco de Esquerda corrigir “corrigir erros”, numa altura de “dificuldades económicas”, com menos deputados na Assembleia da República. “Temos de estar mais junto das populações e de ter mais visibilidade”
Apesar de o Bloco de Esquerda ter conseguido manter representação no Parlamento Europeu, João Vasconcelos assumiu que é necessário o partido “corrigir erros”, numa altura em que, apenas, conta com cinco deputados na Assembleia da República, na sequência das eleições legislativas realizadas no dia 10 de Março de 2024. Tal situação, observou, reflete-se “em termos financeiros e dificuldades de trabalho.” Mesmo assim, “temos de estar mais junto das populações e de ter mais visibilidade”, reconheceu João Vasconcelos, para quem “a comunicação social só dá cobertura à direita” no nosso país.
“Vamos deixar passar o Verão, os meses de Junho, Julho e Agosto, um período especial no Algarve, e a partir de Setembro começar a preparar em força as próximas eleições autárquicas”
Por outro lado, apontou para a necessidade de o Bloco de Esquerda apostar “já na batalha das eleições autárquicas”, que terão lugar em Setembro ou Outubro de 2025. “Vamos deixar passar o Verão, os meses de Junho, Julho e Agosto, um período especial no Algarve, e a partir de Setembro começar a preparar em força as próximas eleições autárquicas”, prometeu João Vasconcelos, com convicção.
“O Bloco de Esquerda pode continuar a contar comigo em Portimão”
Questionado pelo ‘Litoralgarve’ sobre a sua disponibilidade para voltar a ser candidato à presidência da Câmara Municipal de Portimão, onde o Bloco de Esquerda deixou de ter qualquer representante, João Vasconcelos não fechou as portas a um eventual regresso. “Ainda é cedo para falar sobre essa situação, mas cá estarei. Nunca deixei a política. O Bloco de Esquerda pode continuar a contar comigo em Portimão”, concluiu João Vasconcelos, de 68 anos, residente em Portimão, professor de História de Portugal e mestre em História Contemporânea. Como deputado na Assembleia da República, desempenhou o cargo de vice-presidente da Comissão da Defesa Nacional. É, recorde-se, um conhecido activista e porta-voz do movimento de utentes contra as portagens na A22/Via do Infante.










