Eleições legislativas 2024 – Entrevista a Catarina Marques (PCP): “A nossa solução é um governo com uma política patriótica e de esquerda. O que exige que a CDU tenha mais força, mais votos, mais deputados”

“Aquilo que chamam de “geringonça” foi um Governo do PS, minoritário e condicionado pela força da CDU na Assembleia da República, que o obrigou a fazer coisas positivas e a não concretizar projectos negativos”, lembrou, nesta entrevista concedida, por escrito ao ‘Litoralgarve’, Catarina Marques, de 46 anos de idade, que encabeça, pelo Círculo Eleitoral de Faro ao Parlamento, a lista de candidatos a deputados da CDU- Coligação Democrática, a qual integra o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista «Os Verdes».

Aponta o que está mal no país e, em particular, no Algarve, e aquilo que terá de mudar nesta região já a partir do dia 10 de Março, com a intervenção da CDU, em tempo de crise. “Aumentar a nossa votação em mais votos, mais percentagem, que dê para eleger um deputado, neste caso uma deputada”, constitui, para já, a grande aposta de Catarina Marques no Algarve.

José Manuel Oliveira

“Tivemos este exemplo agora de uma maioria absoluta que caiu por causa de problemas internos e a questão judicial, mas sobretudo foi pela ausência de respostas ao agravamento do quadro económico e social.”

“Propomos criar um operador público rodoviário regional, mais investimento na linha ferroviária do Algarve e fixar a progressiva gratuitidade dos transportes públicos até aos 18 anos (para estudantes até aos 23 anos) e para os maiores de 65 anos. É necessário requalificar a EN 125 e a EN 124. Impõe-se pôr fim às portagens e resgatar a ruinosa PPP [Parceria Público Privada] da Via do Infante o quanto antes.”



“É preciso tomar medidas urgentes de combate à falta de água, entre outras com: investimentos na modernização e construção de mais estações de tratamentos de águas residuais, com o maior aproveitamento dessas águas; a expansão das redes e condutas, a sua maior eficiência e redução de perdas; o aumento do armazenamento (a construção da Barragem da Foupana, açudes e pequenas charcas) e de outras soluções que potenciem a água existente.”


“Para a saúde era preciso defender e investir no SNS, combatendo o ataque dos privados, recuperando serviços e valorizando os seus profissionais, fixar profissionais de saúde no SNS e investir nos cuidados de saúde primários e na construção do novo Hospital Central do Algarve.”




Litoralgarve – Como surgiu a sua candidatura como cabeça de lista a deputada da Coligação Democrática Unitária (CDU) pelo Círculo Eleitoral de Faro a estas eleições legislativas antecipadas no dia 10 de Março de 2024?


Catarina Marques -. Foi a convite do meu Partido, o PCP. A preparação de qualquer acto eleitoral tem por base uma discussão colectiva, a escolha de cabeças de lista, também assim é. Portanto, foi fruto dessa discussão e reflexão nos organismos responsáveis, que surgiu o meu nome e esse convite, o qual aceitei com grande sentido de honra e responsabilidade.



Litoralgarve – Quantos deputados espera eleger no Algarve?

Catarina Marques -. O nosso objectivo está estabelecido. Aumentar a nossa votação em mais votos, mais percentagem, que dê para eleger um deputado, neste caso uma deputada.

“Aumento geral dos salários de 15% ou no mínimo em 150€, fixando o Salário Mínimo Nacional em 1000€ já em 2024 (no mês de Maio) e com o aumento extraordinário de todas as reformas e pensões em 7,5% ou de 70€ (no mês de Abril)”



Litoralgarve – Quais os principais problemas que sente nesta região? E quais são as prioridades da coligação liderada pelo PCP para o próximo mandato?


Catarina Marques -. São vários os problemas que apontamos como questões principais, muito à base da situação nacional, são: salários e pensões; habitação; serviços públicos, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde; transportes; seca e falta de água (este claramente um problema regional.

A maneira para responder a estas questões seria com uma outra política, que valorizasse os salários e pensões, com aumento geral dos salários de 15% ou no mínimo em 150€, fixando o Salário Mínimo Nacional em 1000€ já em 2024 (no mês de Maio) e com o aumento extraordinário de todas as reformas e pensões em 7,5% ou de 70€ (no mês de Abril).


Para a saúde era preciso defender e investir no SNS, combatendo o ataque dos privados, recuperando serviços e valorizando os seus profissionais, fixar profissionais de saúde no SNS e investir nos cuidados de saúde primários e na construção do novo Hospital Central do Algarve.


Já sobre habitação é preciso combater o agravamento das taxas de juro, com os lucros dos bancos a suportar os aumentos, travar o valor do aumento das rendas, investir em mais oferta pública de habitação. Combater a especulação imobiliária e dinamizar o movimento cooperativo e a auto-construção também seria necessário.


Nos transportes é preciso alargar a oferta de transportes públicos. Propomos criar um operador público rodoviário regional, mais investimento na linha ferroviária do Algarve e fixar a progressiva gratuitidade dos transportes públicos até aos 18 anos (para estudantes até aos 23 anos) e para os maiores de 65 anos. É necessário requalificar a EN 125 e a EN 124. Impõe-se pôr fim às portagens e resgatar a ruinosa PPP [Parceria Público Privada] da Via do Infante o quanto antes.


Sobre as questões da seca, defendemos uma posição que é de defesa da água enquanto bem público e da sua gestão pública.

É preciso tomar medidas urgentes de combate à falta de água, entre outras com: investimentos na modernização e construção de mais estações de tratamentos de águas residuais, com o maior aproveitamento dessas águas; a expansão das redes e condutas, a sua maior eficiência e redução de perdas; o aumento do armazenamento (a construção da Barragem da Foupana, açudes e pequenas charcas) e de outras soluções que potenciem a água existente.

“Para a CDU a questão dos salários, os direitos dos trabalhadores e os serviços públicos são sem dúvida a prioridade, podendo incidir sobre estes temas as primeiras iniciativas parlamentares”



Litoralgarve – Qual será a sua primeira medida se for eleita no dia 10 de Março?

Catarina Marques  – . Os eleitos da CDU estão integrados num grupo parlamentar, com as prioridades bem definidas. Para a CDU a questão dos salários, os direitos dos trabalhadores e os serviços públicos são sem dúvida a prioridade, podendo incidir sobre estes temas as primeiras iniciativas parlamentares. São estas características que nos diferenciam perante os trabalhadores e as populações em termos de coerência de posição e defesa dos seus interesses.

“As eleições legislativas, ao contrário do que se apregoa, não são para eleger 1ºs ministros, são para eleger 230 deputados, que vão compor a Assembleia da República. A sua composição é que determinará depois a formação de um governo.”



Litoralgarve – Se não houver maioria absoluta do Partido Socialista, nem da Aliança Democrática, como encara a formação do próximo Governo? Poderá ser uma legislatura de curta duração?

Catarina Marques – As eleições legislativas, ao contrário do que se apregoa, não são para eleger 1ºs ministros, são para eleger 230 deputados, que vão compor a Assembleia da República. A sua composição é que determinará depois a formação de um governo. Para a CDU o importante neste momento é responder aos graves problemas dos trabalhadores e das populações e isso, como até aqui, é que determinará a duração de um governo. Tivemos este exemplo agora de uma maioria absoluta que caiu por causa de problemas internos e a questão judicial, mas sobretudo foi pela ausência de respostas ao agravamento do quadro económico e social.

“O que o País precisa não é de mais do mesmo, ou seja, governos do PS ou do PSD. A nossa solução é um governo com uma política patriótica e de esquerda. O que exige que a CDU tenha mais força, mais votos, mais deputados. E aí a CDU não só não faltará como tomará a iniciativa de promover políticas positivas.
O mesmo é válido para a aceitação de responsabilidades governativas.”


Litoralgarve – Num eventual acordo de incidência parlamentar com outros partidos, a CDU estará disponível para voltar à chamada ‘geringonça’ para constituir governo? Que ministério aceitaria integrar?

Catarina Marques – A nossa posição sempre foi clara e continua a ser a mesma: seremos a favor de tudo o que seja em benefício dos trabalhadores, do povo e do país e rejeitaremos tudo o que assim não seja.

Aquilo que chamam de “geringonça” foi um Governo do PS, minoritário e condicionado pela força da CDU na AR, que o obrigou a fazer coisas positivas que não queria e a não concretizar projectos negativos que tinha como objectivo. O que o País precisa não é de mais do mesmo, ou seja, governos do PS ou do PSD.

A nossa solução é um governo com uma política patriótica e de esquerda. O que exige que a CDU tenha mais força, mais votos, mais deputados. E aí a CDU não só não faltará como tomará a iniciativa de promover políticas positivas.

O mesmo é válido para a aceitação de responsabilidades governativas.

Encarar  o  futuro de Portugal “com  confiança”  e  “a  CDU será determinante para atingir esse objectivo”


Litoralgarve – Como encara o futuro de Portugal?

Catarina Marques -.Com confiança. Tendo por base os valores de Abril e da Constituição da República Portuguesa, com a força dos trabalhadores e das populações, que serão capazes de defender os seus direitos e exigir a melhoria das condições de vida e de um país melhor, mais justo, democrático e soberano.
Acreditamos que para isso acontecer a CDU será determinante para atingir esse objetivo, que estará tão mais perto quanto mais força tivermos, a nível eleitoral e social.

QUEM É CATARINA MARQUES

Professora de educação especial, reside em Faro, é adepta do Clube Desportivo de Montenegro, gosta de cozido de grão e aponta a sinceridade como a sua principal virtude. Álvaro Cunhal, a nível nacional, e Fidel de Castro, no plano internacional, são as figuras que mais aprecia

Nome completo

Catarina Alexandra Matos Marques

Data do nascimento

23/04/1977

Estado Civil

Solteira

Filhos (e idades)

1, c/ 23 anos.

Naturalidade

Lisboa

Residência:

Faro

Filiação partidária

PCP

Cargos políticos que já desempenhou

Eleita na Assembleia Municipal de Faro e na Assembleia de Freguesia do Montenegro

Profissão

Professora de educação especial

Habilitações literárias

Licenciatura em Educação de Infância e Pós-Graduação em Educação Especial

Clube desportivo da sua preferência

C. D. Montenegro

Como ocupa os tempos livres

Lazer e convívio com amigos

Gastronomia/qual é o prato preferido

Cozido de grão

Onde costuma passar férias e porquê

No Algarve, por questões económicas.

Filmes que mais aprecia e porquê

“The old Oak pub” de Ken Loach, porque aborda a questão dos emigrantes, pela actualidade do tema.

E livros. E porquê

“Capitães da areia” de Jorge Amado, paixão à primeira leitura.

Religião

 Sem.

Qual a sua principal virtude?

Sinceridade e intransigência com a política que prejudica os trabalhadores.

E qual o seu principal defeito?

O melhor é perguntar à minha mãe…

O que mais aprecia nas pessoas?

A sinceridade.

E o que mais detesta?

A falta de sinceridade.

Qual a figura nacional que mais aprecia e porquê?

Álvaro Cunhal, pelo papel que desempenhou na luta pela liberdade e que continuou a desempenhar em defesa da democracia.

E a nível internacional e porquê?

Fidel Castro, pela coragem e luta demonstrada na libertação do povo Cubano.