Podem ser visitadas de terça-feira a sábado, das 10h00 às 18h00. Estão apresentadas em português e inglês. As pessoas têm ao seu dispor um livro para seguir as obras de Rui Sanches.
José Manuel Oliveira
«Geometria das Cores». É este o título de uma exposição da autoria da arquiteta lacobrigense Carmelita Falé, inaugurada na tarde do passado sábado, dia 24 de Janeiro de 2026 (há uma semana), na sala 1, situada no rés-chão do Centro Cultural de Lagos, na Rua Lançarote de Freitas, nº. 7. Já nas salas 2 e 3 do primeiro andar do edifício, o artista lisboeta Rui Sanches apresenta uma exposição designada «Linha e mancha, corpo e máquina», da Coleção Serralves. As duas exposições podem ser visitadas de terça-feira a sábado, das 10h00 às 18h00, até 04 de Abril de 2026.
Cinquenta e oito quadros de Carmelita Falé, pintados a óleo sobre tela, com vários temas, diversas cores e tamanhos. E18 desenhos executados com caneta de feltro preta
Organizada pela Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Lagos, com o apoio da Direção da Direção-Geralde Artes, a exposição conta com Vera Feu, na Direção Artística, Ana Sofia Botelho Moniz, na Produção Executiva, e Pedro Conceição, na montagem, enquanto Carlos Barradinha é responsável pela luminotécnica. A autarquia lacobrigense também teve a seu cargo o apoio logístico.
No total podem ser apreciados 58 quadros pintados a óleo sobre tela, com vários temas, diversas cores e tamanhos, como o ‘Litoralgarve’ teve oportunidade de verificar. Caminho, Escolha, Noite I, Noite II, Noite III, Mulher, Os Meus Circuitos, Veraneio, Dissonâncias, Adolescência, Gaivotas, Papoilas, Outro Fado, Férias, Amigas, Lagos, Teatro, Sono e Paisagem são alguns dos quadros expostos por Carmelita Falé. Silêncio 1, Silêncio 2, em que se podem ver duas pessoas de costas voltadas, Memórias, Verão, Descoberta, Expansão, Ideal, Recolhimento, Saudade e Ela são outros dos temas patentes nestes quadros.A exposição inclui, também, 18 desenhos executados com caneta de feltro preta.
«As obras reunidas nesta exposição atravessam diferentes momentos de influência interior e exterior, revelando uma prática artística marcada pela escuta atenta do que se move no corpo, nas pessoas e na paisagem natural”, descreve Carmelita Falé

«Executadas a óleo sobre tela, as pinturas desenvolvem-se sem estudos prévios, num processo aberto em que as linhas e cores emergem de forma espontânea”
Numa das paredes, pode ler-se, em português e inglês: «A pintura e o desenho e Carmelita Falé constroem-se num território onde a intuição antecede a forma e o gesto precede o significado. As obras reunidas nesta exposição atravessam diferentes momentos de influência interior e exterior, revelando uma prática artística marcada pela escuta atenta do que se move no corpo, nas pessoas e na paisagem natural.»E prossegue: «Executadas a óleo sobre tela, as pinturas desenvolvem-se sem estudos prévios, num processo aberto em que as linhas e cores emergem de forma espontânea, organizando-se progressivamente numa geometria cromática própria.”
Carmelita Falé explica que «a composição não se impõe: acontece.» «Cada superfície torna-se um campo de negociação entre controlo e liberdade, estrutura e fluxo», nota. Por seu turno, acrescenta, «o desenho assume um caracter mais imediato e essencial”. E, na sua perspectiva, “o lugar de uma ligação directa ao instante, uma prática contínua e fundadora presente desde a infância, onde o pensamento se manifesta quase sem mediação.”
«EmGeometria das Cores, a noção de geometria não remete para o rigor matemático, mas para um equilíbrio sensível da arquitectura interior, que é feita de ritmos, tensões e ressonâncias. O tempo da obra permanece em suspenso: concluir é sempre provisório, aberto à possibilidade de novos ajustes como se cada imagem continuasse a respirar para além do seu limite físico”, sublinha, na parte final do texto, numa parede, Carmelita Falé.
Arquitecta e pintora artística, Carmelita Falé, de 74 anos, vive em Lagos, onde nasceu. Integra exposições privadas em vários países europeus e no continente americano
Também tem participado em eventos locais, como o LocalARTE, destinado a artistas naturais ou residentes em Lagos
Com 74 anos de idade, Carmelita Falé, arquitecta e pintora artística, é natural de Lagos, onde vive. Nasceu no dia 02 de Março de 1951. Licenciada em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, foi, durante dois anos, professora de Educação Visual em escolas públicas de Lagos. E exerceu Arquitetura em serviço do Estado durante trinta anos, como indica o seu currículo.
Em 2020, recomeçou a pintar a óleo, passando a fazê-lo de forma sistemática. Expõe com regularidade, desde 2002, tendo realizado a sua primeira exposição na cidadede Lagos. Integra coleções privadas em Portugal, França, Espanha, Bélgica, Suécia, Inglaterra, Canadá e nos Estados Unidos da América.
Por outro lado, Carmelita Falé tem participado em eventos locais, como o LocalARTE, destinado a artistas naturais ou residentes em Lagos. A exposição «Geometria das Flores», agora patente no Centro Cultural de Lagos, é mais uma obra desta pintora artística, que está a atrair bastante público, o qual não lhe tem dispensando elogios tanto no local, como através das redes sociais.
“Para ver esta exposição de Carmelita Falé, pessoa que conheço há muitos anos, tenho de tirar um dia. Com calma. Tem de ser devidamente apreciada”, observou, ao ‘Litoralgarve’, um residente em Lagos.
Quinze quadros e catorze aglomerados de madeira. «A morte de Sócrates, segundo David, datado de 1987, com uma escultura em madeira, contraplacado, instalação eléctrica, numa dimensão de 200 x 300 x 280 cm., é um dos trabalhos mais vistosos
Como já referimos, nas salas de exposições 2 e 3,situadas no primeiro andar do Centro Cultural de Lagos, está patente ao público a exposição Coleção Serralves «Linha e Mancha, Corpo e Máquina», da autoria de Rui Sanches, nascido em Lisboa, no ano de 1954.
Organizada pela Câmara Municipal de Lagos e pela Fundação Serralves, a exposição conta com 15 quadros e 14 aglomerados de madeira. «A morte de Sócrates, segundo David», de 1987, com uma escultura em madeira, contraplacado e instalação eléctrica, numa dimensão de 200 x 300 x 280 cm., é um dos trabalhos mais vistosos, como constatou o ‘Litoralgarve’ no dia da inauguração da exposição. «Natureza-morta», de 1984, em madeira de pinho, contraplacado de pinho e aglomerado de madeira pintado com esmalte celuloso (173,7 x 112 x 134 cm.) é outro que desperta as atenções. Tal como «Corpos e Móveis II», 1993, um aglomerado, madeira pintada. As suas dimensões são as seguintes: 74 x 120 x 104 cm.
Tal como outros desses trabalhos, muitos dos quadros pintados por Rui Sanches, nomeadamente a guache, tinta-da-China e carvão sobre papel, são apresentados sem título.
Integra o programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves, com o objectivo de tornar o acervo da Fundação acessível a públicos diversificados de todas as regiões de Portugal
Sob coordenação de Carlos Magalhães, este conjunto de obras da autoria de Rui Sanches integra o programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves, que “tem por objetivo tornar o acervo da Fundação acessível a públicos diversificados de todas as regiões do país”, explica esta instituição.
Sara Coelho, vereadora do executivo municipal lacobrigense: “Acolher no Centro Cultural de Lagos a exposição Rui Sanches – Linha e mancha, corpo e máquina permite-nos oferecer ao público a possibilidade de conhecer um percurso artístico de três décadas que é único, pertencente a uma das figuras centrais da escultura contemporânea portuguesa.”
“Acolher no Centro Cultural de Lagos a exposição Rui Sanches – Linha e mancha, corpo e máquina permite-nos oferecer ao público a possibilidade de conhecer um percurso artístico de três décadas que é único, pertencente a uma das figuras centrais da escultura contemporânea portuguesa. Pelas mãos e olhos do artista, somos levados a conhecer um trabalho de reflexão rigorosa sobre os fundamentos das formas e da sua construção, bem como a relação entre estas e o corpo humano, entre o espaço no qual nos movemos e o horizonte e os limites do nosso olhar, um aspecto que encontra em Lagos um eco natural, reflectido na relação estabelecida entre a cidade, o mar e a luz”, começa por referir a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lagos, Sara Coelho, num livro sobre esta exposição, escrito em português e inglês, e oferecido ao público.
“Conhecer o percurso do artista é entrar num mundo onde estão presentes o tempo, a atenção, o equilíbrio e a tensão, sempre cuidadosamente medidos, entre materiais com os quais convivemos diariamente, tais como a madeira, o contraplacado, o ferro ou o espelho.”

“Estes materiais, organizados em estruturas que nos convocam num todo – olhar, corpo e mente – exigem a nossa presença e disponibilidade, facto que encontra também eco num território como o de Lagos, no qual a memória e o tempo desenharam o espaço urbano”
Para a autarca, “conhecer o percurso do artista é entrar num mundo onde estão presentes o tempo, a atenção, o equilíbrio e a tensão, sempre cuidadosamente medidos, entre materiais com os quais convivemos diariamente, tais como a madeira, o contraplacado, o ferro ou o espelho.” “Estes materiais, organizados em estruturas que nos convocam num todo – olhar, corpo e mente – exigem a nossa presença e disponibilidade, facto que encontra também eco num território como o de Lagos, no qual a memória e o tempo desenharam o espaço urbano, fazendo-nos vivenciar formas que nos convidam à observação lenta e à reflexão”, sublinha Sara Coelho.
“Há um diálogo entre o corpo do espectador e a escultura, que tem o efeito de espelho e nos dá a noção da nossa própria escala – sentimos o nosso próprio corpo”, nota o artista Rui Sanches
Por sua vez, Rui Sanches, autor da exposição «Linha e mancha, corpo e máquina», deixa, neste livro, a seguinte mensagem: “A escultura passa a ser uma espécie de interlocutor do espectador, que tem o seu próprio corpo, a sua própria fisicalidade. Há um diálogo entre o corpo do espectador e a escultura, que tem o efeito de espelho e nos dá a noção da nossa própria escala – sentimos o nosso próprio corpo.”
“Rui Sanches desenvolve desde o início dos anos 1980 uma obra inconfundível no panorama da escultura portuguesa”, enaltece a Fundação Serralves
Já a Fundação Serralves destaca: “Rui Sanches desenvolve desde o iniciados anos 1980 uma obra inconfundível no panorama da escultura portuguesa. A sua prática artística, ancorada em diálogos cruzados com a história de arte, com a arquitetura e com o corpo humano, questiona os pressupostos da pintura clássica e da escultura contemporânea e investiga fenómenos de perceção que desafiam o olhar e incitam o movimento do espectador.”
A exposição “Rui Sanches – Linha e mancha, corpo e máquina examina momentos de continuidade e rutura ao longo de quatro décadas do percurso do artista e estabelece pontos de contacto entre o seu trabalho em escultura e em desenho”, conclui a Fundação Serralves – Museu de Arte Contemporânea, com sede no Porto, sobre esta exposição agora patente ao público no Centro Cultural de Lagos.










