Lagos – Hugo Pereira critica governo e promete habitação, “mesmo quando o apoio do Estado não acompanha a dimensão das necessidades e sem oprimir quem luta pelos seus direitos”

“Não podemos continuar a aceitar como inevitável que alguém que trabalha em Lagos, contribua para a sua economia e ainda assim não encontre aqui uma casa que possa pagar”, sublinhou o autarca. No Dia do Município de Lagos, 27 de Outubro, em honra do seu padroeiro, São Gonçalo, o presidente Hugo Pereira deixou promessas, apontou soluções para o concelho, nomeadamente ao nível da economia, e aproveitou para lançar recados políticos.

José Manuel Oliveira

“O município revela-se, acima de tudo e tantas vezes, na forma como cuida dos mais frágeis. É, também, essa dimensão humana que importa preservar na memória de São Gonçalo, não apenas como figura da nossa História, símbolo da nossa tradição, mas como inspiração para os valores que queremos ver reflectidos na comunidade que construímos todos os dias. Porque honrar o passado não é, apenas, recordar aqueles que nos antecederam; é procurar no seu exemplo razões para sermos melhores no presente e mais responsáveis perante o futuro.”

Foi deste modo que o presidente da Câmara de Lagos, socialista Hugo Pereira, iniciou o seu discurso na sessão solene do Dia do Município, na manhã do dia 27 de Outubro, com sol, na Praça Gil Eannes, pouco depois do hastear de três bandeiras (a de Lagos, a de Portugal e da União Europeia) por agentes da Polícia Municipal no antigo dos Paços do Concelho. Tal sucedeu ao som do Hino Nacional, com a banda da Sociedade Filarmónica Lacobrigense 1º. de Maio e do Grupo Coral de Lagos, e após a largada de mais uma centena de pombos de uma viatura do Clube Columbófilo de Odiáxere, deste concelho, como verificou o ‘Litoralgarve’ no local.

“Governar vai mais além do que administrar o presente; governar é ter a coragem de preparar o futuro, mesmo quando os resultados não chegam de um dia para o outro.”

“E há problemas que não podem esperar, há necessidades que não podem ser adiadas e há compromissos que têm de passar das palavras aos actos. Um deles chama-se habitação.”

“A História não é, apenas, aquilo que recebemos de quem nos antecedeu”, prosseguiu o autarca. “É, também, responsabilidade de decidir o que deixaremos a quem vem depois de nós. E é precisamente essa responsabilidade que deve orientar a nossa acção, enquanto responsáveis políticos. E no nosso caso temos uma ambição clara: construir o município de Lagos mais justo, mais coeso, mais sustentável e com mais oportunidades para tudo. Porque governar vai mais além do que administrar o presente; governar é ter a coragem de preparar o futuro, mesmo quando os resultados não chegam de um dia para o outro.” “E há problemas que não podem esperar, há necessidades que não podem ser adiadas e há compromissos que têm de passar das palavras aos actos. Um deles chama-se habitação”, alertou.

“Não podemos pedir aos nossos jovens que assumam o futuro do concelho se não lhes dermos condições para nele permanecerem.”

“E não podemos falar de desenvolvimento se muitos daqueles que fazem o concelho funcionar são empurrados para longe.”

“O município não se mede, apenas, pelo valor dos imóveis construídos no seu território, mas pela possibilidade de as pessoas que nele vivem poderem continuar a chamar-lhe casa.”

“Por isso, dando a cara, continuaremos a investir na habitação pública, a concretizar os fogos previstos e a preparar novos projectos com planeamento, rigor e responsabilidade financeira. E fá-lo-emos mesmo quando o apoio do Estado Central não acompanha a dimensão das necessidades e sem oprimir, nem reprimir quem luta pelos seus direitos.”

“Uma casa é mais do que quatro paredes; é estabilidade, é segurança, é família e é a possibilidade de partilhar planos para amanhã.”

“Não podemos continuar a aceitar como inevitável que alguém que trabalha em Lagos, contribua para a sua economia e ainda assim não encontre aqui uma casa que possa pagar. Não podemos pedir aos nossos jovens que assumam o futuro do concelho se não lhes dermos condições para nele permanecerem. E não podemos falar de desenvolvimento se muitos daqueles que fazem o concelho funcionar são empurrados para longe”, reforçou Hugo Pereira perante uma plateia constituída por autarcas, bombeiros, representantes das forças de segurança, escuteiros, membros do Núcleo de Lagos da Liga dos Combatentes, da Associação de Paraquedistas das Terras do Infante e elementos de associações culturais, desportivas e recreativas. A estes juntaram-se populares, parte dos quais não chegaram a ocupar a maioria das cadeiras colocadas ao seu dispor perto da estátua do Rei Dom Sebastião.

“O município não se mede, apenas, pelo valor dos imóveis construídos no seu território, mas pela possibilidade de as pessoas que nele vivem poderem continuar a chamar-lhe casa”, defendeu Hugo Pereira. “Por isso, dando a cara, continuaremos a investir na habitação pública, a concretizar os fogos previstos e a preparar novos projectos com planeamento, rigor e responsabilidade financeira. E fá-lo-emos mesmo quando o apoio do Estado Central não acompanha a dimensão das necessidades e sem oprimir, nem reprimir quem luta pelos seus direitos”, garantiu o edil lacobrigense, numa alusão ao sucedido em Lisboa e no Porto, durante a madrugada de 25 de Outubro, com a intervenção de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), com cães e bastões, para dispersar manifestantes acampados na via pública, situação de que resultou dezenas de feridos e detidos.

Apesar da promessa de “concretizar os fogos previstos”, o presidente da Câmara Municipal de Lagos não indicou prazos, valor dos investimentos, nem os locais de construção.

“Não confundimos autonomia com isolamento, nem responsabilidade com resignação. Queremos cooperação institucional, mas não aceitaremos que alguém que seja resposta dos outros, seja uma razão para desistirmos das nossas”, notou.

E acrescentou: “Quando está em causa o direito a uma casa, a falta de apoio não pode transformar-se em falta de ambição. Essa é uma prioridade social, económica e humana. Porque uma casa é mais do que quatro paredes; é estabilidade, é segurança, é família e é a possibilidade de partilhar planos para amanhã.”

“A entrada em funcionamento do novo edifício da Escola das Naus, no final do ano lectivo de 2026/27, representa um facto importante. Mas a recuperação e reabilitação da escola tem de prosseguir, tal como perspectivar a ampliação da Escola Tecnopolis, acompanhando a evolução de Lagos.”

“Investir numa escola é investir em oportunidades, é assegurar ferramentas às novas gerações, preparar uma comunidade mais capaz de enfrentar as mudanças do mundo. E esse investimento não termina quando se inaugura um edifício para todos os dias termos condições de aprendizagem.”

Para Hugo Pereira, no mesmo sentido se deve orientar a educação. “A entrada em funcionamento do novo edifício da Escola das Naus, no final do ano lectivo de 2026/27, representa um facto importante. Mas a recuperação e reabilitação da escola tem de prosseguir, tal como perspectivar a ampliação da Escola Tecnopolis, acompanhando a evolução de Lagos. Investir numa escola é investir em oportunidades, é assegurar ferramentas às novas gerações, preparar uma comunidade mais capaz de enfrentar as mudanças do mundo. E esse investimento não termina quando se inaugura um edifício para todos os dias termos condições de aprendizagem, apoio às famílias e a valorização de quem necessita”, sublinhou.

“Não investimos, apenas, em infra-estruturas. Investimos nas condições para que as empresas cresçam, para que surjam novos projectos empresariais e empreendedores. E para que o emprego e talento encontrem espaço em Lagos.”

“O turismo continuará a ter um papel importante na nossa economia. Mas o futuro exige mais do que nunca inovação empresarial e capacidade para criar [emprego] ao longo de todo o ano.”

“No caso presente – preconizou – Lagos precisa, também, de uma economia capaz de criar riqueza, emprego e oportunidades para quem trabalha e investir o trabalho desenvolvido nas áreas do desenvolvimento empresarial, com um investimento superior a cinco milhões de euros, o que representa uma aposta na capacidade económica do concelho.”

E aproveitou para deixar outras promessas, em jeito de desafio: “Não investimos, apenas, em infra-estruturas. Investimos nas condições para que as empresas cresçam, para que surjam novos projectos empresariais e empreendedores. E para que o emprego e talento encontrem espaço em Lagos. O turismo continuará a ter um papel importante na nossa economia. Mas o futuro exige mais do que nunca inovação empresarial e capacidade para criar [emprego] ao longo de todo o ano. O desenvolvimento deve obrigar a representar melhor, melhor para quem cá vive, melhor para quem cá trabalha, melhor para o território que tem obrigação de entregar às próximas gerações.”

“A democracia não se fortalece, apenas, com a capacidade de dizer não. Fortalece-se, também, com capacidade de apresentar alternativas, fundamentar críticas e assumir responsabilidades.”

“A crítica é um instrumento da democracia. E a crítica gratuita não resolve o problema de ninguém. Temos de ser responsáveis e construtivos, confrontar ideias com ideias, factos com factos, propostas com propostas.”

“Quem foi eleito e governa não pode abdicar de executar e responder os compromissos assumidos perante os seus eleitores.”

No Dia do Município de Lagos, Hugo Pereira também aproveitou para lançar recados políticos a quem o escutava: “Em democracia, devemos avaliar as nossas decisões não apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos. Mas a democracia não se fortalece, apenas, com capacidade de dizer não. Fortalece-se, também, com capacidade de apresentar alternativas, fundamentar críticas e assumir responsabilidades. A crítica é um instrumento em democracia; a crítica gratuita não resolve os problemas de ninguém. Temos de ser responsáveis e construtivos, confrontar ideias com ideias, factos com factos, e propostas com propostas. Só assim contribuímos para o futuro do concelho, que é uma responsabilidade, obviamente, de todos. Quem foi eleito e governa não pode abdicar de executar e responder os compromissos assumidos perante os seus eleitores. Quem recusar o debate crítico construtivo, tem de fundamentar.”

“A cultura e o desporto não são despesa; são investimentos.”

“O vosso trabalho é muito maior do que aquilo que cabe no orçamento ou relatório de actividades.”

“Uma comunidade que investe na cultura não perde a sua memória. Uma comunidade que investe no desporto não cuida apenas do corpo; aprende disciplina, respeito e solidariedade. E uma comunidade que apoia as suas associações fortalece os laços que a mantém unida.”

“O município de Lagos continuará a reconhecer o valor do movimento associativo, sem se refugiar em desculpas para não o fazer e procurando criar todas condições para continuar a servir Lagos.”

Em seguida, Hugo Pereira dirigiu a sua intervenção para a área da cultura, do desporto e das actividades recreativas: “Quero, agora, dirigir-me às associações culturais, desportivas e recreativas do nosso concelho; aos dirigentes que fazem contas para que as actividades possam continuar; aos treinadores que acompanham os nossos jovens; aos artistas que mantêm a criatividade; aos voluntários que oferecem tempo e dedicação sem esperar reconhecimento. O vosso trabalho é muito maior do que aquilo que cabe no orçamento ou no relatório de actividades. Nas associações aprende-se a pertencer, aprende-se a respeitar os outros, aprende-se a que ninguém chegue longe sozinho. É ali que muitas crianças descobrem o talento, muitos jovens encontram o caminho e muitas pessoas encontram uma comunidade que as acolhe.”

“Por isso, o município de Lagos continuará a reconhecer o valor do movimento associativo e a apoiá-lo, sem se refugiar em desculpas para não o fazer e procurando criar todas condições para continuar a servir Lagos”, assegurou.

E adiantou: “A cultura e o desporto não são despesa; são investimentos. Uma comunidade que investe na cultura não perde a sua memória. Uma comunidade que investe no desporto não cuida apenas do corpo; aprende disciplina, respeito e solidariedade. E uma comunidade que apoia as suas associações, fortalece os laços que a mantém unida.”

“O actual mandato exige-nos continuidade e qualidade, capacidade de execução e responsabilidades no presente perante as gerações futuras.”

“O verdadeiro sucesso de uma política não está, apenas, na decisão; está na diferença que essa decisão faz na vida das pessoas.”

“O futuro de Lagos não pertence a quem governa; pertence a todos nós.”

“Queremos serviços públicos mais próximos, uma governação aberta e cidadãos com voz nas decisões que afectam as nossas vidas.”

“Queremos proteger o nosso território, valorizar a nossa cultura e preparar o território para os desafios ambientais e climáticos. E queremos fazê-lo com rigor, ambição e sentido de responsabilidade.”

O autarca Hugo Pereira apontou, ainda, para a necessidade de “investir na saúde, na assistência, na inclusão, na educação e na qualidade da nossa democracia.”

“Minhas senhoras e meus senhores: O actual mandato exige-nos continuidade e qualidade, capacidade de execução e responsabilidades no presente perante as gerações futuras”, observou. “Na habitação, educação, no desenvolvimento económico, na protecção social, na mobilidade, nos recursos hídricos e a valorização do território não são prioridades isoladas. Fazem parte de uma mesma visão numa Lagos que cresce sem perder a sua identidade, que acolhe sem excluir e criar oportunidades, sem comprometer o futuro”, frisou.

E indicou outros objectivos: “Queremos serviços públicos mais próximos, uma governação aberta e cidadãos com voz nas decisões que afectam as nossas vidas. Queremos proteger o nosso território, valorizar a nossa cultura e preparar o território para os desafios ambientais e climáticos. E queremos fazê-lo com rigor, ambição e sentido de responsabilidade. O verdadeiro sucesso de uma política pública não está, apenas, na decisão; está na diferença que essa decisão faz na vida das pessoas.”

“O futuro de Lagos não pertence a quem governa; pertence a todos nós; pertence às famílias que criam os seus filhos todos os dias, aos trabalhadores que fazem o concelho avançar, aos empresários que investem, aos professores que ensinam, aos atletas que nos representam, aos artistas que nos inspiram, aos dirigentes associativos que mobilizam a comunidade, e aos cidadãos que tantas vezes sem reconhecimento fazem a diferença na vida colectiva”, acentuou Hugo Pereira.

“Reafirmamos o compromisso de trabalhar por uma terra onde os jovens possam ficar, as famílias possam viver com dignidade, as crianças tenham boas escolas e todos encontrem oportunidades para ter o seu futuro.”

“Que a memória de São Gonçalo continue a fazer parte da identidade que nos une, que saibamos ter orgulho de ser lacobrigenses e em trabalhar, solidariedade e responsabilidade colectiva. E que daqui a muitos anos, as gerações futuras que nos sucederem possam dizer que soubemos estar à altura deste tempo.”

Já na parte final do seu discurso, o autarca deixou mais promessas: “Neste Dia do Município, reafirmamos o compromisso de trabalhar por uma terra onde os jovens possam ficar, as famílias possam viver com dignidade, as crianças tenham boas escolas e todos encontrem oportunidades para ter o seu futuro, manter Lagos a respeitar a sua História, enfrentar os seus problemas e não ter medo de fazer escolhas. Numa Lagos que não se limita a recordar o passado, mas que trabalhe para merecer o futuro.”

E a concluir: “Que a memória de São Gonçalo continue a fazer parte da identidade que nos une, que saibamos ter orgulho de ser lacobrigenses e em trabalhar, solidariedade e responsabilidade colectiva. E que daqui a muitos anos, as gerações futuras que nos sucederem possam dizer que soubemos estar à altura deste tempo”. Hugo Pereira despediu-se, tentando incentivar os presentes. “Viva Lagos! Viva as suas freguesias! Viva os lacobrigenses!” Contudo, ouviram-se, apenas, algumas palmas.

Pouco depois, a presidente da Assembleia Municipal de Lagos, socialista Paula Couto, destacou a importância da “cidadania e do sentimento de pertença à comunidade”. Na sua curta intervenção, sublinhou o papel da “solidariedade, do pensamento crítico e da educação”, bem como o contributo das “novas gerações” para o futuro colectivo.