Foi esta a sensação do pescador Marcolino Serpa, em declarações ao ‘Litoralgarve’, no final da procissão marítima durante a tarde do primeiro dia da festa da Salema, a 01 de Agosto, com o padre José Chula e o comandante do porto de Lagos, Hugo da Guia, a bordo de uma das doze embarcações participantes neste evento. Além das celebrações religiosas, momentos simbólicos, com sentimento de fé, a gastronomia, os concertos e bailes, junto à avenida da praia, além de jogos tradicionais no areal, animaram os dois dias de festejos a cargo do Clube Recreativo da Salema.
José Manuel Oliveira
Sábado, dia 01 de Agosto de 2026, povoação da Salema, no concelho de Vila do Bispo. Junto a uma parede da Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, na qual se pode ler «A vossa palavra, Senhor, é a luz dos meus caminhos», o padre José Chula orientou acólitos, o staff do Clube Recreativo da Praia da Salema e voluntários para o transporte do andor com a imagem da padroeira e o Menino, repleta de flores, num cortejo a percorrer várias ruas até à antiga lota, a fim de celebrar a missa, dando início à tradicional festa desta localidade turística.
Pelas 15h.26m., numa tarde de sol e vento, teve início a procissão, a que se juntaram, em duas filas, duas dezenas de populares. O comandante do porto de Lagos, Hugo da Guia, foi um dos presentes. Enquanto um veículo da Guarda Nacional Republicana (GNR) circulou na retaguarda para controlar o trânsito, numa zona de sentido único e inicialmente em descida, o padre José Chula, segurando um microfone, iniciou orações, rezando o «Pai Nosso» e a «Avé Maria». Alguns metros mais à frente, um homem ergueu um equipamento com dois altifalantes. As pessoas acompanharam as orações, num sentimento de fé patente nos rostos.
Durante a celebração da eucaristia, houve quem preferisse o sol na praia, bronzeando-se, e banhos no mar. Isto, numa altura em que um tractor começou a rebocar algumas embarcações, que estavam no areal, para junto da água, preparando a tradicional procissão marítima.
À medida que o cortejo se aproximou do centro da localidade da Salema, viam-se populares, curiosos, às portas de moradias e alguns turistas sentados na esplanada de um dos restaurantes. Um deles até acenou com um copo de cerveja aos participantes da procissão. O calor obrigou uma das fiéis a abrir um chapéu-de-chuva para se proteger do sol. Depois de passar numa pequena ponte, a procissão seguiu em direcção à antiga lota, junto à avenida da praia da Salema, onde o andor de Nossa Senhora dos Navegantes chegou pelas 15h.38m., tendo sido colocado perto de uma parede, na qual se podia ver uma ampla rede de pescadores, com flores, alusiva ao evento. Algumas horas antes da missa, várias senhoras procederam à limpeza e ao embelezamento do local.
Inicialmente, como o ‘Litoralgarve’ constatou, pouco mais de cinquenta pessoas, na sua maioria portugueses, a que se juntaram turistas, assistiram à eucaristia, que teve início pelas 15h42m., a cargo do padre José Chula. Enquanto isso, houve quem preferisse o sol na praia, bronzeando-se, e banhos no mar. Isto numa altura em que um tractor começou a levar algumas embarcações, que estavam no areal, para junto da água, preparando a tradicional procissão marítima.
No final, estavam mais de oitenta pessoas na missa na antiga lota da Salema
Junto ao muro da praia da Salema, tal como outras pessoas, o Comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia também assistiu à missa, durante a qual o sacerdote José Chula pediu aos fiéis para rezarem à Nossa Senhora dos Navegantes “por esta terra e habitantes, que lutam pelas suas vidas.” Seguiram-se cânticos de «Aleluia».
Pouco depois, já estavam a ver esta cerimónia religiosa mais de oitenta pessoas, como contou a nossa reportagem. Ou seja, menos do que em 2025. Durante a homilia, o padre recordou o relato do evangelho, segundo o qual Jesus Cristo alimentou uma multidão de cerca de cinco mil homens com cinco pães e dois peixes num lugar deserto, abençoando e partindo o alimento que foi distribuído pelos seus discípulos. Foi o famoso milagre da multiplicação dos pães. Curiosamente, o sacerdote falou em “cinco peixes e dois pães.” E até repetiu os números.
Padre José Chula durante a homilia: “Jesus convida a uma atitude de partilha para alimentar uma multidão”. E notou que “dois pães e cinco peixes”, como referiu, “o que parecia muito pouco no final ainda sobrou, tendo alimentado toda a gente.”

“É esta capacidade de partilhar que devemos seguir na nossa vida. Sejamos generosos na partilha para abrir os nossos corações aos outros. Vamos partilhar como o Evangelho nos pede.”
“Jesus convida a uma atitude de partilha para alimentar uma multidão”, sublinhou o pároco José Chula, notando que, no final, “o que parecia muito pouco, ainda sobrou, tendo alimentado toda a gente.” “É esta capacidade de partilhar que devemos seguir na nossa vida. Sejamos generosos na partilha para abrir os nossos corações aos outros. Vamos partilhar como o Evangelho nos pede”, apelou.
Embora o padre não tenha feito qualquer alusão ao tema, a homilia fez um popular lembrar-nos a atual crise migratória em Ceuta, território de Espanha, onde milhares de marroquinos e outros cidadãos provenientes de África chegaram a nado à praia (muitos morreram no mar), para fugir à fome, à miséria e guerra nos seus países, em busca de melhores condições de vida na Europa.
“Quem quiser pode levar um, dois cravos para casa”, numa alusão às flores que estavam junto ao andor da Nossa Senhora dos Navegantes. “Não tem de ser um para a vizinha, outro para a irmã, outro para a mãe, outro para a prima.”
Antes do final da missa, pelas 16h.21m., o sacerdote disse que “quem quiser pode levar um, dois cravos para casa”, referindo-se às flores que estavam junto ao andor da Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da Salema. E não mais do que isso. “Não tem de ser um para a vizinha, outro para a irmã, outro para a mãe, outro para a prima”, avisou, com alguma ironia à mistura.
Pouco depois, o andor acabou por ser levado aos ombros de quatro elementos pertencentes ao Clube Recreativo da Praia da Salema para a embarcação «Paralápis», a qual se encontrava à beira-mar, enquanto muitos populares, nomeadamente turistas estrangeiros, filmavam e fotografavam, através dos seus telemóveis, a imagem da santa. Foi nesse barco, do pescador profissional Marcolino Serpa, que seguiram o padre José Chula, o comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia, o ‘Litoralgarve’ e mais algumas pessoas, entre as quais uma criança, para a procissão marítima.
Depois da azáfama entre populares que entravam ou tentavam entrar noutras embarcações, nomeadamente o ‘Novo Nascimento’, ‘Ulisses’, ‘Nascimento’, ‘Marés do Sul’, ‘Oceano’, ‘O Barlavento’ e ‘Valdez’, com o apoio de voluntários, a procissão teve início pelas 16h.36m., após o apito, através de um búzio, do pescador Marcolino Serpa, que conduziu a embarcação com a Nossa Senhora dos Navegantes e o Menino. No total, foram 12 barcos da Salema e de Sagres. Cinco pertencem à pesca profissional, como nos explicaram. Outros dedicam-se ao turismo. No meio do mar, estava a embarcação Salva-Vidas, com a sua tripulação, da Estação de Sagres do Instituto de Socorros a Náufragos. Também se viam pequenas embarcações e motos de água.
“Essas cornetas estão fracas!?” – gritou, a certa altura, durante a procissão marítima o pescador da embarcação ‘Paralápis, Marcolino Serpa, em jeito de desafio para quem conduzia os outros barcos e após fazer ecoar mais um «puuuhuuuuu» através do seu búzio. Pouco depois, outros seguiram-lhe o exemplo, o que animou o ambiente.
No percurso marítimo, efectuado de uma ponta à outra da praia da Salema, sob vento norte e de noroeste, muitas pessoas que estavam no areal, algumas com chapéus-de-sol, e outras a banhos, acenavam e aplaudiam quem seguia na procissão. E também não faltou a captação de imagens através de telemóveis. Numa das arribas é visível o aviso de risco de derrocada.
“Essas cornetas estão fracas!?” – gritou, a certa altura, o pescador da embarcação ‘Paralápis, Marcolino Serpa, em jeito de desafio para quem conduzia os outros barcos e após fazer ecoar mais um «puuuhuuuuu» através do seu búzio. Pouco depois, outros seguiram-lhe o exemplo.
Na anterior procissão marítima, com oito embarcações, na praia da Salema, em 2024 – um regresso após cinco anos de ausência devido à pandemia da Covid-19 (em 2025 não houve por causa da falta de condições do mar, dada a ondulação registada) – o barco em que seguia a Nossa Senhora dos Navegantes teve, então, a presença de duas senhoras do Grupo Coral de Bensafrim, que cantavam canções religiosas, como «Nossa Senhora do Sim / Maravilha: Virgem Mãe! / Cuida, Maria, de mim / E que eu diga Sim Também». Desta vez, não houve orações, nem cânticos a bordo.
A certa altura, o padre José Chula e o comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia, aceitaram posar para uma foto, juntamente com o mestre e pescador Marcolino Serpa, a pedido de uma das pessoas que estavam no barco. “É para o museu”, disse alguém.
Eram 17h.15m., quando as embarcações, devidamente ornamentadas e algumas com a bandeira de Portugal, começaram a chegar à praia. Como já tinha anunciado na missa, após a procissão marítima, que decorreu durante cerca de 45 minutos, o padre José Chula teve de se ausentar, de imediato, para participar numa homilia na Igreja de Barão de São Miguel, povoação rural do concelho de Vila do Bispo. O andor de Nossa Senhora dos Navegantes foi levado para uma carrinha que o transportou de regresso à capela, situada no alto de uma zona na localidade da Salema.
Os alertas do comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia
Em declarações ao ‘Litoralgarve’, o comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia, que participou pela primeira vez nesta procissão marítima, elogiou o evento: “Correu tudo bem. É uma tradição louvável e para continuar.” Questionado sobre os conselhos que deixa aos banhistas e outros utentes das praias e orla marítima, apelou à tomada de medidas de segurança em desportos náuticos, “como por exemplo o paddle”, lembrando, a propósito, o recente acidente mortal de um surfista britânico, de 28 anos, a 27 de Julho, na zona da Praia da Arrifana, no concelho de Aljezur, “sem colete” e a uma distância de trezentos metros da praia. “É necessário respeitar a linha de segurança, a distância limite de trezentos metros neste tipo de actividades. Com colete, teria sido possível a sua recuperação”, sublinhou o comandante Hugo da Guia.
Por outro lado, e numa altura em que as praias do Algarve e do país se enchem de habitantes locais e turistas, aquele responsável insistiu “no cumprimento das regras de segurança, com respeito pela sinalética e pelos avisos dos nadadores-salvadores, de forma a evitar problemas”, admitindo que, durante as férias de Verão, por vezes “haverá pessoas mais descuidadas.”
Maria Costa, moradora em Lagos: “Gostava muito de ter ir ido na embarcação com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, mas disseram-me que tinha de ir para outra. Mesmo assim, não consegui entrar noutros barcos porque, segundo me responderam, não havia lugar. Fiquei desanimada.”
Quem sentiu pena por não ter participado na procissão pelo mar na Salema foi Maria Costa, que se deslocou a propósito de Lagos para esta cerimónia religiosa. “Gostava muito de ter ido na embarcação com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, mas disseram-me que tinha de ir para outra. Mesmo assim, não consegui entrar noutros barcos porque, segundo me responderam, não havia lugar. Fiquei desanimada”, lamentou, ao ‘Litoralgarve’, a senhora, junto ao mar.
Depois de tal, como outros populares, ter notado a presença de “menos gente” no início da Festa da Salema, Maria Costa considerou serem “necessárias mais iniciativas” neste evento. Nesse sentido, sugeriu, para 2027, “mais animação durante o dia, com música” no areal.
Presidente da Junta de Freguesia de Budens, Ana Custódio: “Correu bem. Foi um passeio marítimo mais longo, de uma ponta à outra em frente à praia, com mais tempo no mar. Gostei imenso.”

“Sábado e domingo, ou seja, dois dias de festa chegam, para já” na Salema
Já Ana Custódio, presidente da Junta de Freguesia de Budens, que abrange a localidade da Salema, viajou na embarcação ‘Marés de Portugal’, tendo-se mostrado encantada com a procissão. “Correu bem. Foi um passeio marítimo mais longo, de uma ponta à outra em frente à praia, com mais tempo no mar. Gostei imenso”, destacou, ao ‘Litoralgarve’, a autarca, que ficou surpreendida com a ausência da presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Paula Freitas, neste evento, apesar de a própria o ter anunciado através de um vídeo.
Sobre a possibilidade de a Festa da Salema, em 2027, passar a decorrer durante mais dias, por exemplo de sexta-feira a domingo, Ana Custódio, após enaltecer o “bom trabalho do clube” organizador, respondeu-nos: “Sábado e domingo, ou seja, dois dias de festa chegam, para já.” Gostava era de ver mais jogos tradicionais na praia. Mas reconhece que “não há animadores” de modo a criar mais iniciativas nesse sentido.
Lurdes Sebastião: “Há mais de 50 anos, havia mais pessoas, barcos e pescadores na Salema. Agora é diferente. Só se vêem aqui estrangeiros”
Sentada na antiga lota da Salema, onde assistiu à missa, Lurdes Sebastião, de 79 anos, desta vez não participou na procissão marítima. O problema, segundo admitiu, ficou a dever-se a problemas de locomoção. “Nunca enjoei”, garantiu a senhora, lembrando que “há mais de 50 anos, havia 13/14 barcos, ou até mais, de pesca na procissão.” “Nesse tempo, também havia mais pessoas, mais barcos e pescadores na Salema. Agora é diferente. Só se vêem aqui estrangeiros”, observou Lurdes Sebastião.
O que também não esquece é o facto de o seu marido, hoje com 82 anos, ter feito “parte da Comissão que ajudou a construir a igreja da Salema”. E sente natural orgulho por isso. A Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, como se designa o templo, foi inaugurada no dia 21 de Novembro de 2015 pelo então presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Adelino Soares, e pelo Bispo do Algarve, na altura, Dom Manuel Quintas.
ENTREVISTA AO PESCADOR MARCOLINO SERPA
Em entrevista ao ‘Litoralgarve’, junto ao mar, na praia da Salema, Marcolino Serpa, de 61 anos, pescador profissional, disse que “foi um sorteio” a lhe permitir levar o andor com a Nossa Senhora dos Navegantes na sua embarcação, durante a procissão ao longo de uma milha marítima, o equivalente a 1.852 metros.
“Foi a primeira vez que tal aconteceu e não tem explicação. Sou católico e senti um imenso orgulho conduzir o barco com o andor de Nossa Senhora dos Navegantes. Correu tudo bem”, contou, com alguma emoção à mistura. E só espera “que não seja a última vez.”
Litoralgarve – Qual foi a sensação que lhe deu conduzir a embarcação com o andor de Nossa Senhora dos Navegantes, na procissão marítima junto à praia da Salema?
Marcolino Serpa – Qual a sensação? Foi a primeira vez que tal aconteceu e não tem explicação. Sou católico e senti um imenso orgulho conduzir o barco com o andor de Nossa Senhora dos Navegantes. Correu tudo bem.
“Nasci aqui, na Salema, fui criado e vivo aqui. Mas sou pescador em Sagres, onde existem outras condições para os profissionais desta actividade, com o porto de pesca e a lota da Docapesca. Pesco robalos, sargos e douradas. Só peixe fino…”
Litoralgarve – E como surgiu esta possibilidade?
Marcolino Serpa – Foi um sorteio. Para o ano não quer dizer que seja eu novamente. Mas espero que não seja a última vez. Nasci aqui, na Salema, fui criado e vivo aqui. Mas sou pescador em Sagres, onde existem outras condições para os profissionais desta actividade, com o porto de pesca e a lota da Docapesca. Pesco robalos, sargos, robalos e douradas. Só peixe fino…
“Aqui, a pesca artesanal não tem futuro e também está acabar em todos os sítios.”
Litoralgarve – A pesca acabou na Salema?
Marcolino Serpa – Não acabou, mas está em vias de extinção, infelizmente.
Litoralgarve – Quantos barcos existem aqui?
Marcolino Serpa – Cinco. Já não há muitos.
Litoralgarve – Lembra-se da sua actividade na Salema, quando funcionava a lota?
Marcolino Serpa – Lembro-me de carregar os polvos, que apanhava, para a lota da Salema. Eram outros tempos.
Litoralgarve – O que é necessário na Salema para haver mais pescadores?
Marcolino Serpa (com ironia) – É fazer mais crianças… Aqui, a pesca artesanal não tem futuro e também está acabar em todos os sítios.
“A procissão contou com cerca de 60 pessoas nos vários barcos. Estiveram turistas, que vêm todos os anos, e portugueses daqui.”
Litoralgarve – Quantas pessoas participaram nesta procissão marítima?
Marcolino Serpa – A procissão contou com cerca de 60 pessoas nos vários barcos. Estiveram turistas, que vêm todos os anos, e portugueses daqui.
Litoralgarve – No ano passado, não houve procissão pelo mar por falta de condições de segurança, devido à ondulação. Desta vez, foi diferente…
Marcolino Serpa – Agora houve todas as condições de segurança e só assim podia haver procissão ao longo de uma milha marítima, equivalente a 1.852 metros, com vento norte e noroeste. Correu tudo bem. Foi impecável.
Litoralgarve – O que lhe disse o padre José Chula, que esteve ao seu lado na embarcação?
Marcolino Serpa – Conheço o senhor padre há anos. Ele estava à pressa porque tinha de celebrar uma missa em Barão de São Miguel e por isso, após a procissão pelo mar, teve de se ir embora. Mas penso que gostou.
Para entrar na procissão pelo mar, “as pessoas têm de perguntar qual é a lotação do barco e saber se já está cheio. Ou, então, procurar outros barcos.”

“Há pessoas que não são daqui e procuram directamente embarcar. Não é bem assim que as coisas funcionam.”
Litoralgarve – Há quem se queixe de ter tentado entrar em qualquer das embarcações e não lhe ter sido permitido. Porquê é que isso aconteceu? Admite alguma falha ao nível de organização?
Marcolino Serpa – Não. As pessoas têm de perguntar qual é a lotação do barco e saber se já está cheio. Ou, então, procurar outros barcos. Há pessoas que não são daqui e procuram directamente embarcar. Não é bem assim que as coisas funcionam. Têm de perguntar.
A Festa da Salema “precisa de mais apoio, de ter condições, por exemplo, para iniciativas destinadas às crianças.”
“Convém manter as tradições dos nossos antepassados. Nesse tempo, tínhamos outras condições.”
Litoralgarve – O que é necessário melhorar na Festa da Salema?
Marcolino Serpa – Precisa de mais apoio, de ter condições, por exemplo, para iniciativas destinadas às crianças. Falta a parte lúdica para crianças. Convém manter as tradições dos nossos antepassados. Nesse tempo, tínhamos outras condições. Esta festa chama toda a gente que está de férias e isso é bom. Damos todo o apoio para não acabar.
“Há menos turistas, principalmente portugueses”, porque “há falta de euros…”
“Agora, só vêm uma semana, ou duas semanas. Noutros anos, vinham três a quatro semanas” em Agosto.
Litoralgarve – Em Agosto de 2026, há quem aponte para menos turistas na Salema. A que se deve essa situação?
Marcolino Serpa (de novo, irónico) – Porque há falta de euros… Sim, há menos turistas, principalmente portugueses. Agora, só vêm uma semana, ou duas semanas. Noutros anos, vinham três a quatro semanas.
Popular diz ao ‘Litoralgarve»: “Notei muito menos gente, neste ano, na Festa em honra de Nossa Senhora dos Navegantes, na Salema, até nos concertos, inclusive de Xico Barata, um artista que aprecio imenso. E achei as refeições caras, como frango assado a 12,00 euros.”
“Ao mesmo tempo, muitos outros espectáculos musicais tiveram lugar, também à noite, em localidades como Almádena, Figueira, Raposeira e Espiche, aqui perto.”
Na procissão pelo mar, “antigamente, sim! Havia trinta barcos de pesca, muitos pescadores na Salema e era tudo diferente.”
“Os jovens jogavam futebol e outras modalidades desportivas. Hoje, querem é Internet, ‘Facebook’ e redes sociais.”
“Os turistas que vêm para a Salema, nomeadamente muitos holandeses, nesta altura do ano, têm imenso poder de compra. Querem é silêncio e ouvir o mar, pois outro tipo de barulho e problemas já têm onde vivem.”
Por outro lado, um popular, residente no concelho de Vila do Bispo, disse ao nosso Jornal: “Notei muito menos gente, neste ano, na Festa em honra de Nossa Senhora dos Navegantes, na Salema, nossa padroeira, até nos concertos, inclusive de Xico Barata, um artista que aprecio imenso. E achei as refeições caras, como frango assado a 12,00 euros. Ao mesmo tempo, muitos outros espectáculos musicais tiveram lugar, também à noite, em localidades como Almádena, Figueira, Raposeira e Espiche, aqui perto, o que poderá ter retirado populares à Salema.”
Por outro lado, observou, “os turistas que vêm para a Salema, nomeadamente muitos holandeses, nesta altura do ano, têm imenso poder de compra. Querem é silêncio e ouvir o mar, pois outro tipo de barulho e problemas já têm onde vivem.”
Em relação à procissão pelo mar, recordou com saudade: “Antigamente, sim! Havia trinta barcos de pesca, muitos pescadores na Salema e era tudo diferente. Os jovens jogavam futebol e outras modalidades desportivas.”
“Hoje, querem é Internet, ‘Facebook’ e redes sociais”, lamentou o mesmo popular, pedindo para o identificarmos nesta reportagem. Mas destacou a importância da Festa da Salema para a imagem turística e social do Algarve.










