Lagos sofre quebras de 50% nos negócios em cafés, snack-bares e restaurantes com eliminação de Portugal no Mundial de Futebol 2026

Mais de três mil pessoas assistiram ao jogo Portugal-Espanha a contar para os oitavos de final, no dia 06 de Julho, na baixa de Lagos, com estabelecimentos completamente cheios e uma multidão, de pé, junto a esplanadas, onde estavam ecrãs gigantes, como constatou o ‘Litoralgarve’. O movimento até parecia o mês de Agosto. Depois do afastamento da selecção das quinas, o negócio no sector da restauração desceu para metade, disse ao nosso Jornal, Ângelo Mariano, dirigente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve.

José Manuel Oliveira

Quando o árbitro inglês Anthony Taylor apitou para o início do jogo Portugal-Espanha, pelas 20h00 (hora de Portugal Continental), na segunda-feira, dia 06 de Julho, a contar para os oitavos de final do Campeonato do Mundo de Futebol 2026, estavam “mais de três mil pessoas” no centro de Lagos, concretamente desde a Praça Gil Eannes, junto à estátua do Rei Dom Sebastião, e uma parte da Rua da Porta de Portugal, a assistir ao duelo ibérico através de ecrãs gigantes, segundo as estimativas apontadas ao ‘Litoralgarve’ por populares no local. Na altura, chegava a ser difícil caminhar entre a multidão, cujo ambiente até se assemelhava ao de um estádio.

“Os cafés, as pastelarias e os snack-bares estão todos cheios. É bom para o negócio”, observou um residente nesta cidade, quando, tanto no interior desses estabelecimentos, como nas esplanadas, era imensa a azáfama dos funcionários a servir os clientes, com bebidas e petiscos, entre outros pedidos.

“Portugal! Portugal! Portugal!”, gritava parte da multidão, com algumas pessoas a desfraldarem bandeiras do nosso país. Outras utilizavam apitos e cornetas para apoiar a selecção. Além das habituais blusas com o nome de Ronaldo, também se viam populares equipados à Sporting Clube de Portugal e estrangeiros envergando vestuário com as cores das selecções dos seus países.

“Ooohhh!”, “Eeeehhh!”, ouvia-se perante lances de ataque de Portugal, sem consequência, e cortes da defesa lusa, ou falhanços dos dianteiros da equipa espanhola.

A certa altura, surgiu, nos ecrãs gigantes, um adepto com a blusa da selecção comanda pelo técnico Roberto Martinez, a acenar para as câmaras, no Estádio de Dallas, nos Estados Unidos da América, onde decorria o jogo. E quem assistia, junto aos CTT, na Rua da Porta de Portugal, à transmissão televisiva correspondeu, de imediato, em jeito de ironia. “Olá!”, gritou um popular entre risos, enquanto outras pessoas viam esta partida do Mundial encostadas a árvores. Um homem até se sentou no chão junto ao quiosque ali existente. Mas foi por pouco tempo.

Enquanto muitos populares vibravam com o futebol, um pedinte conseguiu moedas e até uma nota, sentado perto da esquina de um ‘snack-bar’, no centro de Lagos

Ao intervalo, um carro passou na Avenida dos Descobrimentos, com a bandeira de Portugal, em ambiente festivo, apesar do empate a zero, registado nos primeiros quarenta e cinco minutos. Já noutras zonas de Lagos, como exemplo, na Rua da Barroca, várias pessoas, em esplanadas de restaurantes, mostravam-se indiferentes ao futebol. Alguns metros mais adiante, na Rua da Senhora da Graça, onde se situam vários bares e discotecas, o ambiente estava animado com muitos populares, no meio da via, a aguardar pela segunda parte do jogo Portugal-Espanha. Também na Rua 25 de Abril de 1974, sobretudo nas esplanadas de restaurantes, muitos clientes esperavam em clima de festa o recomeço da partida, enquanto outros populares, de passagem, tentavam ver as imagens dos ecrãs gigantes instalados naqueles estabelecimentos. Perto da esquina do ‘snack-bar’ «Abrigo», um homem, sentado no chão e indiferente ao Mundial de Futebol, pedia esmola, tendo conseguido várias moedas e até uma nota.

Ali próximo, numa cafetaria e gelataria, situada na Rua  Marquês de Pombal, um popular dizia para um amigo: “Esperava mais da Espanha.” A resposta não tardou: “Também eu.” O outro insistiu: “Onde está a fúria espanhola?” E o amigo reagiu: “Isso era noutros tempos, com outras gerações de jogadores. Agora, é diferente, com um futebol mais cauteloso e a tentar surpreender o adversário em contra-ataque”.

No início da segunda parte do jogo, quem estava na esplanada desse estabelecimento tentava incentivar a selecção portuguesa: “Vamos para o ataque!” Mas a bola, na altura, foi, entretanto, recuperada pela defesa espanhola e logo surgiram desabafos: “Oooohhh”. Pouco depois, o guarda-redes português, Diogo Costa, agarrou a bola com segurança e alguém gritou: “Calma, é nossa!”

“Vamos! Vamos!”- ouvia-se sempre que a equipa de Portugal passava ao ataque. A meio do segundo tempo, um popular, funcionário público em Lagos, indignado com a actuação da selecção do técnico Roberto Martínez e as suas opções, protestou para quem o quis ouvir: “E não muda!” Referia-se à permanência de Cristiano Ronaldo em campo e ao facto de Gonçalo Ramos não sair do banco dos suplentes.

No jogo contra a Espanha, “o Ronaldo nem se viu… A idade não perdoa”, comentou António Correia. “A bola também não lhe chegou”, lamentou Carlos Dias, acrescentando: “Alguém tinha de ganhar.”

Numa altura em que já todos aguardavam pelo final da partida e o consequente prolongamento de trinta minutos, o conjunto espanhol, num rápido lance de ataque, após a marcação de um livre, fez o golo por intermédio de Mikel Merino, já nos descontos, que permitiu derrotar Portugal e passar aos quartos-de-final deste Campeonato do Mundo de Futebol. Pouco depois, a desilusão, com serenidade à mistura, estava estampada nos rostos de muitas pessoas. “A jogar assim… para o lado, para trás, é evidente que não se marcam golos”, protestou um cliente do estabelecimento. “O Ronaldo nem se viu… A idade não perdoa” – comentou António Correia, abanando a cabeça. “A bola também não lhe chegou”, observou, por sua vez, Carlos Dias, acrescentando: “Alguém tinha de ganhar.”

Em declarações ao ‘Litoralgarve’, António Correia foi peremptório ao afirmar: “Com a eliminação de Portugal, o negócio a partir de agora vai cair e bastante em Lagos.” Isto, numa altura em que o movimento em cafés, restaurantes, bares, pastelarias e ‘snack-bares’ até fazia lembrar a afluência turística que se regista durante o mês de Agosto todos os anos nesta cidade algarvia.

Numa altura em que muitos populares abandonavam estabelecimentos com ecrãs gigantes, após o duelo ibérico, na Praça Gil Eannes, em Lagos, doze espanhóis pulavam e cantavam: “Viva a Espanha! Viva a Espanha! Viva a Espanha!”

Ao passar próximo desse grupo, em direcção ao edifício da Caixa Geral de Depósitos, duas raparigas lançaram-lhes, discretamente, copos de plástico, com restos de bebidas, e continuaram a andar. Os espanhóis reagiram, atirando garrafas de plásticos. Contudo, não se registaram desacatos.

Pouco depois, um motociclista decidiu circular entre pessoas, na Praça Gil Eannes, em direcção à Rua Garrett e outras artérias da baixa de Lagos. Apesar do intenso movimento durante e após o jogo Portugal-Espanha, não foi visível a presença de agentes da PSP nem da Polícia Municipal, nesta zona da cidade.

Na Praça Gil Eannes, enquanto muitos populares deixavam os estabelecimentos onde se tinham concentrado a ver o jogo, doze espanhóis pulavam e cantavam: “Viva a Espanha! Viva a Espanha! Viva a Espanha!” Ao passar próximo desse grupo, em direcção ao edifício da Caixa Geral de Depósitos, duas raparigas lançaram-lhes, discretamente, copos de plástico, com restos de bebidas, e continuaram a andar. Os espanhóis reagiram, atirando garrafas de plástico. Contudo, não houve problemas.

Pouco depois, um motociclista decidiu circular entre os populares, na Praça Gil Eannes, em direcção à Rua Garrett e outras artérias da baixa de Lagos. Apesar do intenso movimento durante e após o jogo Portugal-Espanha, não foi visível a presença de agentes da Polícia de Segurança Pública, nem da Polícia Municipal, nesta zona da cidade. Lixo é o que não faltava.

“Os ingleses estão por aí… mas a sua presença agora ainda não é significativa”, admitiu, ao ‘Litoralgarve, Ângelo Mariano, dirigente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve. Quebra de “cinquenta por cento” na afluência ao sector da restauração, após o afastamento da selecção das ‘quinas’.

“As selecções do Brasil e de Portugal foram as que mais movimento permitiram a estes estabelecimentos em Lagos”, enquanto estiveram no Mundial de Futebol

“Alguns desacatos entre ingleses e portugueses”, mas não foi necessária a intervenção das forças de segurança

Poucos dias depois, Ângelo Mariano, dirigente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), em Lagos, contou, ao nosso Jornal, que a eliminação da selecção portuguesa “provocou uma quebra de cinquenta por cento” na afluência de pessoas a cafés, pastelarias, snack-bares, restaurantes e bares, entre outros estabelecimentos.

E a continuidade da Inglaterra até às meias-finais deste Mundial não compensa com turistas ingleses? – questionámos. “Os ingleses estão por aí… mas a sua presença agora ainda não é significativa”, respondeu aquele responsável da ACRAL, destacando que, enquanto estiveram em prova, “as selecções do Brasil e de Portugal foram as que mais movimento permitiram a estes estabelecimentos em Lagos.”

Por outro lado, disse-nos que tem havido “alguns desacatos entre ingleses e portugueses”, em jogos deste Campeonato do Mundo de Futebol, mas sem ser necessária a intervenção das forças de segurança.

Manuel Luís, ao ‘Litoralgarve’: “O jogo Portugal-Espanha até fazia lembrar um Benfica-Sporting, em termos de afluência do público a estabelecimentos”, em Faro

Também em Faro, os jogos da selecção de Portugal permitiram encher restaurantes, bares e cafés. “Entre os estabelecimentos mais contemplados, destacam-se o do Ginásio Clube Naval de Faro, situado junto à doca, o São Luís e as Casas do Sporting e do Benfica, sem esquecer o habitual movimento n ‘O Seu Café’, perto da Igreja do Carmo. O jogo Portugal-Espanha até fazia lembrar um Benfica-Sporting, em termos de afluência do público a esses estabelecimentos”, contou, ao ‘Litoralgarve’, Manuel Luís, de 69 anos, jornalista, residente na capital algarvia e antigo director de meios de comunicação social nesta região.

E acrescentou: “Para tal situação contribuiu o facto de não ter sido criada desta vez pela Câmara Municipal de Faro uma zona com ecrã gigante no Jardim Manuel Bivar, na baixa da cidade, para as pessoas poderem assistir livremente aos jogos deste Campeonato do Mundo de Futebol.” Isto, porque, “segundo sei, a autarquia teria de gastar 120 mil euros em equipamentos técnicos, com a abertura de um concurso público”, referiu.

“Mais uma vez tacticamente o senhor Martinez [seleccionador português] teve uma actuação para esquecer. Primeiro: Cristiano Ronaldo jogou durante todo o jogo e já não aguenta uma exigência desta natureza. Segundo: a ligação entre o meio-campo de Portugal com o ataque praticamente não existiu. É evidente que perante essa situação, a defesa abre espaços clamorosos quando a equipa adversária ataca. Foi o que aconteceu. Uma vergonha para Portugal. De resto, o senhor Martínez fez o mesmo quando desempenhou o cargo de seleccionador da Bélgica.”

“O senhor Martínez é um falhado como técnico de futebol. Não soube aproveitar as especificidades dos talentos individuais da selecção portuguesa, as interacções, como por exemplo, a dupla João Félix /Cristiano Ronaldo, a qual acabou por contribuir para o título nacional do Al Nassar, no campeonato da Arábia Saudita, sob o comando técnico de Jorge Jesus. Isto, apesar de Cristiano Ronaldo já estar cansado. Como tal, frente à Espanha, o senhor Martínez devia ter apostado em Gonçalo Ramos e João Félix.”

Sobre o jogo Portugal-Espanha, que ditou a eliminação da selecção das ‘quinas’, Manuel Luís considerou “justíssima” a vitória dos ‘nuestros hermanos’. “Aliás, mais uma vez tacticamente o senhor Martinez [seleccionador português] teve uma actuação para esquecer. Primeiro: Cristiano Ronaldo jogou durante todo o jogo e já não aguenta uma exigência desta natureza. Segundo: a ligação entre o meio-campo de Portugal com o ataque praticamente não existiu. É evidente que perante essa situação, a defesa abre espaços clamorosos quando a equipa adversária ataca. Foi o que aconteceu. Uma vergonha para Portugal. De resto, o senhor Martínez fez o mesmo quando desempenhou o cargo de seleccionador da Bélgica”, lamentou Manuel Luís.

E reforçou as suas críticas: “O senhor Martínez é um falhado como técnico de futebol. Não soube aproveitar as especificidades dos talentos individuais da selecção portuguesa, as interacções, como por exemplo, a dupla João Félix /Cristiano Ronaldo, a qual acabou por contribuir para o título nacional do Al Nassar, no campeonato da Arábia Saudita, sob o comando técnico de Jorge Jesus. Isto, apesar de Cristiano Ronaldo já estar cansado. Como tal, frente à Espanha, o senhor Martínez devia ter apostado em Gonçalo Ramos e João Félix. Por outro lado, tirar o Vitinha, que estava a trabalhar o meio-campo com o João Neves, foi mais uma machadada para a equipa de Portugal. O senhor Martínez não colocou alguém com a capacidade de acompanhar Vitinha, o que é lamentável.”

“O meu netinho, que tem quatro anos, só gritava «Farense!», pois julgava que era o Farense que estava a jogar. Quando lhe disse que era a selecção portuguesa, então começou a gritar «Portugal! Portugal!”

Manuel Luís admitiu que “havia hipótese” de o jogo Portugal-Espanha ir para prolongamento. Contudo, ”mais uma vez por falta de interacção do meio-campo, a nossa equipa abriu espaços, de que resultou o golo da Espanha.” Assistiu à partida, em casa, acompanhado pela mulher, pelos filhos e pelo neto. “Foi tudo isso que tentei explicar-lhes. A minha família vibra com o futebol, mas acabou por ficar desiludida, como é evidente, com a derrota de Portugal. E o meu netinho, que tem quatro anos, só gritava «Farense!», pois julgava que era o Farense que estava a jogar. Quando lhe disse que era a selecção portuguesa, então começou a gritar «Portugal! Portugal!”, descreveu Manuel Luís, entre risos.

Cristiano Ronaldo continua a ser “uma mais-valia, um símbolo para Portugal. E é uma máquina de fazer dinheiro.”

Sobre o futuro de Cristiano Ronaldo, realça o facto de o capitão continuar a ser “uma mais-valia, um símbolo para Portugal. E é uma máquina de fazer dinheiro. Mas no futuro têm de ser dadas muitas, muitas oportunidades a Gonçalo Ramos”.

Jorge Jesus “é boa escolha” para seleccionador nacional. Além de ser português, conhece e treinou a maioria dos jogadores que integram a selecção, tem sido um vencedor por onde passa e foi campeão no Al Nassar, na Arábia Saudita, com João Félix e Cristiano Ronaldo, com os quais poderá voltar a trabalhar. Jorge Jesus é um técnico disciplinador e evitará egos pessoais na selecção”.

E a aposta da Federação Portuguesa de Futebol em Jorge Jesus como novo seleccionador? “É boa escolha. Além de ser português, conhece e treinou a maioria dos jogadores que integram a selecção nacional, tem sido um vencedor por onde passa e foi campeão no Al Nassar, na Arábia Saúda, com João Félix e Cristiano Ronaldo, com os quais poderá voltar a trabalhar. Jorge Jesus é um técnico disciplinador e evitará egos pessoais na selecção”, sublinha Manuel Luís.

Na final, a realizar no próximo domingo, dia 19 de Julho, nos Estados Unidos da América, “esperava ver um duelo entre duas selecções do Velho Continente. Ou seja, Espanha-Inglaterra.”

Admite que, desta vez, os espanhóis sejam campeões do mundo, frente à Argentina, actual detentora do título

Já em relação à final deste Mundial de Futebol, no próximo domingo, dia 19 de Julho, entre Espanha e Argentina, nos Estados Unidos da América, confessa: “Esperava ver um duelo entre duas selecções do Velho Continente. Ou seja, Espanha-Inglaterra.” Com o triunfo da Argentina, nesta quarta-feira, nas meias-finais, frente aos ingleses, Manuel Luís reconhece “a influência de Messi” na selecção sul-americana. Mas admite que, desta vez, “a Espanha poderá vir a sagrar-se campeã do mundo, contando com uma equipa bastante organizada, o que seria, também uma vitória para o Velho Continente.” Se tal acontecer, haverá turistas espanhóis a fazer a festa no Algarve.