“A Batalha de Alcácer Quibir não foi uma vitória. Foi a derrota devastadora que matou D. Sebastião, destruiu uma geração e abriu caminho à perda da independência. Depois da morte de D. Sebastião, Portugal caiu numa crise de sucessão, empurrando Portugal para uma província de Espanha”, lamenta o Chega, numa Declaração Política, apresentada por Sandra Oliveira, deputada municipal de Lagos. E deixa várias perguntas ao executivo socialista, presidido por Hugo Pereira.
José Manuel Oliveira
Pouco mais de duas semanas depois de ter sido inaugurada, no dia 10 de Abril, em Lagos, a ‘Avenida Alcácer Quibir (cidade geminada)’ já está envolvida em polémica.
Uma Declaração Política “pela defesa da identidade histórica e dignidade nacional no espaço público de Lagos”, apresentada na noite da passada segunda-feira, 27 de Abril, na Assembleia Municipal, por iniciativa da líder do grupo de deputados do Chega, Sandra Oliveira, não poupa críticas à atribuição dessa placa toponímica àquela artéria da cidade, recordando que “a Batalha de Alcácer Quibir não foi uma vitória”, mas sim “a derrota devastadora que matou D. Sebastião, destruiu uma geração e abriu caminho à perda da independência” de Portugal.
Quando no dia 10 de Abril de 2018, a Câmara Municipal de Lagos formalizou a geminação entre Lagos e a cidade Alcácer Quibir (Marrocos), o acordo foi assinado por Mohammed Simou, Presidente do Conselho Municipal de Ksar El Kebir e a Presidente da Câmara, Joaquina Matos. “Disseram-nos que era, apenas, cooperação em termos culturais e económicos, que era, apenas, um gesto simbólico.”
“Mas, hoje, percebemos que foi muito mais do que isso.Hoje temos uma avenida com a atribuição do topónimo Avenida Alcácer Quibir (cidade geminada), a uma artéria de entrada da cidade de Lagos, temos uma escultura evocativa da geminação e temos uma Câmara que decidiu avançar com essa obra por ajuste direto simplificado, sem ouvir os lacobrigenses, sem debate público e sem perguntar ao povo de Lagos se queria ver celebrado, na entrada de Lagos, um dos episódios mais trágicos da História de Portugal. ”
“Em 10 de Abril de 2018, a Câmara Municipal de Lagos formalizou a geminação entre Lagos e a cidade Alcácer Quibir (Marrocos), o acordo foi assinado por Mohammed Simou, Presidente do Conselho Municipal de Ksar El Kebir e a Presidente da Câmara, Joaquina Matos. Disseram-nos que era, apenas, cooperação em termos culturais e económicos, que era, apenas, um gesto simbólico”, começa por lembrar a Declaração Política do Chega, a que o ‘Litoralgarve’ teve acesso.
“Mas, hoje – prossegue o texto – percebemos que foi muito mais do que isso. Hoje temos uma avenida com a atribuição do topónimo Avenida Alcácer Quibir (cidade geminada), a uma artéria de entrada da cidade de Lagos, temos uma escultura evocativa da geminação e temos uma Câmara que decidiu avançar com essa obra por ajuste direto simplificado, sem ouvir os lacobrigenses, sem debate público e sem perguntar ao povo de Lagos se queria ver celebrado, na entrada de Lagos, um dos episódios mais trágicos da História de Portugal. ”
“A Batalha de Alcácer Quibir não foi uma vitória. Foi a derrota devastadora que matou D. Sebastião, destruiu uma geração e abriu caminho à perda da independência. Depois da morte de D. Sebastião, Portugal caiu numa crise de sucessão, empurrando Portugal para uma província de Espanha”, lamenta o documento.
“Este episódio simboliza não uma vitória, nem um orgulho coletivo, mas antes um trauma nacional, associado à perda de rumo, de liderança e de identidade. Não se compreende, por isso, que, num tempo em que tanto se fala de valorização da História e da identidade nacional, se escolha celebrar, no espaço público, um episódio que representa derrota, desorientação estratégica e perda de independência”

Ao recordar a História, o Chega refere que, “em 1580, o trono passou para Filipe II de Espanha e Portugal perdeu a sua nacionalidade não só na Europa, como nas colónias, abrindo a porta a uma crise sem precedentes que durou 60 anos, sob domínio Espanhol (união Ibérica ou domínio Filipino)”. Como tal, “este episódio simboliza não uma vitória, nem um orgulho coletivo, mas antes um trauma nacional, associado à perda de rumo, de liderança e de identidade. Não se compreende, por isso, que, num tempo em que tanto se fala de valorização da História e da identidade nacional, se escolha celebrar, no espaço público, um episódio que representa derrota, desorientação estratégica e perda de independência”, sublinha a Declaração Política, entregue na Assembleia Municipal de Lagos por Sandra Oliveira.
“Lagos, cidade com um papel central nos Descobrimentos e na construção da identidade portuguesa, deve honrar figuras e momentos que elevem o espírito nacional, que inspirem as novas gerações e que reforcem o orgulho de ser português.”
“Seria muito mais digno e adequado que essa avenida fosse denominada em homenagem a D. Sebastião, figura histórica incontornável, ainda que trágica, mas que permanece profundamente enraizada na memória e identidade nacional, continuando vivo na nossa identidade coletiva.”
Para aquela deputada local do Chega, “Lagos, cidade com um papel central nos Descobrimentos e na construção da identidade portuguesa, deve honrar figuras e momentos que elevem o espírito nacional, que inspirem as novas gerações e que reforcem o orgulho de ser português.”
E aproveitou para deixar uma nota, em jeito de recado: ”Neste sentido, considera-se que seria muito mais digno e adequado que essa avenida fosse denominada em homenagem a D. Sebastião, figura histórica incontornável, ainda que trágica, mas que permanece profundamente enraizada na memória e identidade nacional, continuando vivo na nossa identidade coletiva.”
“Os Membros do Grupo Municipal do CHEGA não aceitam isto. Não aceitam que se celebre uma derrota nacional.”
“Lagos baluarte dos Descobrimentos Portugueses não deve celebrar Alcácer Quibir. Lagos deve afirmar Portugal”.
“Os Membros do Grupo Municipal do CHEGA não aceitam isto. Não aceitam que se celebre uma derrota nacional. E muito menos aceitam que isso seja imposto aos lacobrigenses sem transparência, sem discussão e sem respeito pela vontade popular. Lagos baluarte dos Descobrimentos Portugueses não deve celebrar Alcácer Quibir. Lagos deve afirmar Portugal”, reforçou a Declaração Política, lida por Sandra Oliveira.
Insistindo que “manifestamos a nossa censura política e social à decisão de atribuição do nome “Alcácer Quibir (cidade geminada)” a uma avenida da cidade, além de propor “que seja substituída para a designação de “Avenida D. Sebastião” ”, o documento do Chega observa: “Os símbolos importam. Os nomes que damos às nossas ruas importam. Porque dizem quem somos — e o que queremos ser.”
Depois de apelar “a que futuras decisões toponímicas respeitem e valorizem a História Nacional, promovendo referências que dignifiquem Portugal e a sua identidade colectiva”, a deputada municipal de Lagos do Chega, ainda sobre a trágica batalha de Alcácer Quibir, em Marrocos, deixou, a concluir, três questões ao executivo socialista:
“É isso que querem homenagear? É isso que querem gravar na memória das próximas gerações? Será que os Lacobrigenses estavam informados desta Situação?”
“Lagos e Alcácer Quibir Visita oficial reaviva laços de amizade entre os dois municípios”, destaca a Câmara
Como referiu a edilidade lacobrigense, na sua nota de imprensa nº. 24, datada de 10 de Abril de 2026 e intitulada «Lagos e Alcácer Quibir – Visita oficial reaviva laços de amizade entre os dois municípios», uma comitiva “liderada por Mohamed Simou, presidente do Conselho Municipal de Ksar El Kebir (Alcácer Quibir)”, com “representantes dos órgãos do município de Alcácer Quibir e da província de Larache, assim como dos setores da Cultura, Património, Artes, Educação, Atividades Económicas e Turismo”, esteve, pela segunda vez, nesta cidade algarvia, em visita oficial a convite da Câmara Municipal de Lagos, “para reavivar os laços de amizade que ligam as duas comunidades.”
O autor da obra, Pedro Correia,“explicou o significado desta peça abstrata, a qual simboliza os dois exércitos que se defrontaram na batalha e, simultaneamente, as duas cidades agora unidas, sendo que as duas partes da escultura de mármore, aplicada em base de pedra calcária, embora semelhantes, não são totalmente iguais, complementando-se, tal como acontece com os povos, cuja diferença cultural importa reconhecer e respeitar.”
Depois de descrever várias situações relacionadas com esta visita, a nota de imprensa indica que “o dia terminou com o descerramento da placa toponímia “Avenida de Alcácer Quibir”, atribuída a uma das principais artérias de acesso à cidade de Lagos e, no mesmo local, com a inauguração do monumento comemorativo da geminação entre os dois municípios.” “Presente na cerimónia, Pedro Correia, autor da obra, explicou o significado desta peça abstrata, a qual simboliza os dois exércitos que se defrontaram na batalha e, simultaneamente, as duas cidades agora unidas, sendo que as duas partes da escultura de mármore, aplicada em base de pedra calcária, embora semelhantes, não são totalmente iguais, complementando-se, tal como acontece com os povos, cuja diferença cultural importa reconhecer e respeitar”, sublinha a nota de imprensa da autarquia.
A comitiva marroquina permaneceu em Lagos até dia 11 de Abril, tendo cumprido um programa com visitas à cidade e a museus, de acordo com a informação transmitida pela Câmara Municipal.
Popular também critica autarquia, em declarações ao ‘Litoralgarve’: “É inacreditável e uma ofensa à população de Lagos criar um monumento e uma avenida a simbolizarem uma das maiores tragédias da História de Portugal, com uma batalha mal planeada e desorganizada.”
“Se fosse erguido um monumento e criada uma artéria na cidade de Lagos, em homenagem aos que, após uma emboscada das tropas marroquinas e perante o cansaço dos militares de Portugal, tombaram na batalha de Alcácer Quibir, e em particular a Dom Sebastião, que até se despediu do povo de Lagos, através da célebre Janela Manuelina, no antigo Castelo dos Governadores, e não mais apareceu, isso sim, faria todo o sentido.”
Além do Chega, não faltam críticas de populares de Lagos à inauguração de uma avenida com o nome da cidade marroquina de Alcácer Quibir, nesta localidade do barlavento algarvio, bem como de uma obra de arte a representar a batalha perdida pelos portugueses.
“É inacreditável e uma ofensa à população de Lagos criar um monumento e uma avenida a simbolizarem uma das maiores tragédias da História de Portugal, com uma batalha mal planeada e desorganizada, em que morreram milhares de portugueses e muitos outros ficaram prisioneiros das tropas marroquinas, obrigando mais tarde a resgates com compensações financeiras. Se fosse erguido um monumento e criada uma artéria na cidade de Lagos, em homenagem aos que, após uma emboscada das tropas de Marrocos e perante o cansaço dos militares de Portugal, tombaram na batalha de Alcácer Quibir, e em particular a Dom Sebastião, que até se despediu do povo de Lagos, através da célebre Janela Manuelina, no antigo Castelo dos Governadores, e não mais apareceu, isso sim, faria todo o sentido”, sublinhou, ao ‘Litoralgarve’, um popular, preferindo o anonimato.
E acrescentou: “tenho falado com muitas pessoas em Lagos, nomeadamente professores de História, que também se mostram incrédulos com a inauguração da Avenida Alcácer Quibir (cidade geminada) e com a obra de arte ali instalada.”
O exemplo a destacar ao monumento dedicado aos mortos da Primeira Grande Guerra Mundial, erguido na Praça Luís de Camões, em Lagos, a 15 de Junho de 1940
Comungando o sentimento de outros cidadãos de Lagos, apontou para a Praça Luís de Camões, onde foi inaugurado, no dia 15 de Junho de 1940, o monumento dedicado aos mortos da Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918), como um exemplo que devia ter sido seguido nesta cidade.
“Já tive oportunidade de expressar o meu repúdio pela criação da Avenida Alcácer Quibir (cidade geminada), durante o período destinado ao público, em recente reunião da Câmara de Lagos, pelo facto de o nome daquela cidade marroquina estar associado ao período mais trágico da nossa História, em que faleceram milhares de militares portugueses (e também de Marrocos), numa batalha mal planeada. O presidente da Câmara, doutor Hugo Pereira, ouviu e até se riu, como habitualmente, ao responder-me, dizendo que se trata, apenas, de uma geminação entre Lagos e Alcácer Quibir” – afirmou, ao nosso Jornal, António Santos, indignado com o executivo municipal
Quem não teve receio de manifestar publicamente o seu desagrado foi António Santos, conhecido cidadão pelas suas polémicas intervenções em sessões da Câmara e da Assembleia Municipal de Lagos. “Já tive oportunidade de expressar o meu repúdio pela criação da Avenida Alcácer Quibir (cidade geminada), durante o período destinado ao público, em recente reunião da Câmara de Lagos, pelo facto de o nome daquela cidade marroquina estar associado ao período mais trágico da nossa História, em que faleceram milhares de militares portugueses (e também de Marrocos), numa batalha mal planeada. O presidente da Câmara, doutor Hugo Pereira, ouviu e até se riu, como habitualmente, ao responder-me, dizendo que se trata, apenas, de uma geminação entre Lagos e Alcácer Quibir”, lamentou, indignado, ao ‘Litoralgarve’, António Santos.










