Tragédia em Sagres – Pescador português morre e outro, de nacionalidade espanhola, salva-se, com onda traiçoeira a virar embarcação em zona rochosa junto à praia do Tonel

Nuno Rocha, de 57 anos, casado, pai de dois filhos e com residência em Sagres, é a vítima mortal e proprietário da embarcação semirrígida, que estava na faina, com um amigo de nacionalidade espanhola. Este conseguiu nadar para terra. Ambos envergavam coletes de salvação, segundo nos contaram. População desta localidade do concelho de Vila do Bispo está consternada com o sucedido.

José Manuel Oliveira

Paulo Silva

Um pescador, de 57 anos, nacionalidade portuguesa e residente em Sagres, morreu na tarde de quinta-feira, dia 23 de Abril, quando a embarcação semirrígida de fibra (um borracheiro, como lhe chamam) da qual era proprietário, segundo contaram ao ‘Litoralgarve’ vários populares, se ter virado, provavelmente, com a força de uma onda a lançá-la contra rochas junto à Praia do Tonel, naquela localidade do concelho de Vila do Bispo.

Um outro pescador, de 50 anos e nacionalidade espanhola, que o acompanhava e também morador em Sagres, salvou-se após ter conseguido nadar para terra.

Manobras de reanimação junto à Fortaleza de Sagres, tornaram-se infrutíferas

Apesar das manobras de reanimação, junto à Fortaleza de Sagres, para onde se deslocou um helicóptero do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Nuno Rocha, de 57 anos, casado e pai de dois filhos (um homem e uma mulher) acabou por falecer. De acordo com informações recolhidas pelo nosso Jornal, ambos os pescadores lúdicos envergavam coletes de salvação.

Robalos e anchovas entre as espécies que abundam nesta zona de Sagres, onde ocorreu o naufrágio

Naquela zona da ponta de Sagres, onde ocorreu o naufrágio, abundam diversas espécies de peixe, nomeadamente robalos e anchovas, muito procuradas por pescadores. O corpo da vítima mortal seguiu para o Gabinete do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, no Hospital do Barlavento, em Portimão, onde será autopsiado. Só aí será possível saber quais as verdadeiras causas do falecimento de Nuno Rocha, que deixou a população de Sagres bastante consternada.

Fernando Santana, presidente da Junta de Freguesia de Sagres, ao ‘Litoralgarve’: “Ele conhecia bem aquela zona onde estava a pescar e o que poderá ter sucedido é alguma ondulação junto às rochas ter virado a embarcação e provocado o acidente. Infelizmente, são situações que acontecem a quem anda no mar e arrisca na pesca”

“Ele conhecia bem aquela zona onde estava a pescar e o que poderá ter sucedido é alguma ondulação junto às rochas ter virado a embarcação e provocado o acidente. Mas não se sabe ao certo o que foi. Infelizmente, são situações que acontecem a quem anda no mar e arrisca na pesca”, disse, ao ‘Litoralgarve’, já ao início da noite de quinta-feira, o presidente da Junta de Freguesia de Sagres, Fernando Santana.

“Era uma pessoa que se dava com toda a gente, frequentava a sede do Clube Recreativo Infante de Sagres, onde era muito estimado”. Também o seu companheiro de faina, espanhol, que acabou por se salvar, “era bastante conhecido em Sagres.”

Nuno Rocha, a vítima mortal, “era uma pessoa que se dava com toda a gente, frequentava a sede do Clube Recreativo Infante de Sagres, onde era muito estimado”, recordou o autarca. Também o seu companheiro de faina, espanhol, que acabou por se salvar, “era bastante conhecido em Sagres.” “Quando estava a prestar declarações à Polícia Marítima, não se encontrava nada bem em termos psicólogos, como é natural”, acrescentou Fernando Santana.

“Como presidente da Junta de Freguesia de Sagres apelo aos pescadores para que tenham o máximo cuidado quando vão para a faina. Vejam as condições do mar e não arrisquem tanto junto às rochas. É que pode surgir uma onda que acabe por ser fatal.”

A concluir, e questionado nesse sentido pelo ‘Litoralgarve’, Fernando Santana deixou um apelo: “Como presidente da Junta de Freguesia de Sagres apelo aos pescadores para que tenham o máximo cuidado quando vão para a faina. Vejam as condições do mar e não arrisquem tanto junto às rochas. É que pode surgir uma onda que acabe por ser fatal.”

“Estive a surfar, o mar estava calmo, embora com alguma ondulação, mas nada fora do normal e que fizesse prever o que sucedeu com a embarcação, a qual acabou por ser atingida pela força de alguma onda que, entretanto, surgiu e a atirou contra as rochas”, observou um jovem surfista, residente em Sagres

Este naufrágio surpreendeu um dos muitos surfistas, em Sagres, que, em declarações à nossa reportagem, afirmou: “Estive a surfar, o mar estava calmo, embora com alguma ondulação, mas nada fora do normal e que fizesse prever o que sucedeu com a embarcação, a qual acabou por ser atingida pela força de alguma onda que, entretanto, surgiu e a atirou contra as rochas”, observou um jovem surfista, residente em Sagres, ainda incrédulo com a tragédia. Na altura, procurava junto de outros populares obter mais informações.

“O alerta foi recebido pelas 17h10, tendo sido de imediato ativados tripulantes das Estações Salva-Vidas de Sagres, elementos da Capitania do Porto e do Comando Local da Polícia Marítima de Lagos, dos Bombeiros Voluntários de Vila do Bispo e uma aeronave do INEM”, informa, em comunicado, o Gabinete de Imagem e Relações Públicas da Autoridade Marítima Nacional

“À chegada ao local, os tripulantes da Estação Salva-vidas retiraram a vítima da água, com o apoio de um surfista que se encontrava nas proximidades, tendo realizado manobras de suporte básico de vida (SBV), sem que fosse possível reverter a situação. O médico do INEM efetuou o auto de verificação do óbito”

Em comunicado, o Gabinete de Imagem e Relações Públicas da Autoridade Marítima Nacional refere que “o alerta foi recebido pelas 17h10, tendo sido de imediato ativados tripulantes das Estações Salva-Vidas de Sagres [do Instituto de Socorros a Náufragos – n.d.r], elementos da Capitania do Porto e do Comando Local da Polícia Marítima de Lagos, dos Bombeiros Voluntários de Vila do Bispo e uma aeronave do INEM” – Instituto Nacional de Emergência Médica.

“À chegada ao local, os tripulantes da Estação Salva-vidas retiraram a vítima da água, com o apoio de um surfista que se encontrava nas proximidades, tendo realizado manobras de suporte básico de vida (SBV), sem que fosse possível reverter a situação. O médico do INEM efetuou o auto de verificação do óbito e, após contacto com o Ministério Público, a vítima” foi “transportada para o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses de Portimão.”

Por outro lado, acrescenta o comunicado, “uma segunda vítima, um homem com cerca de 50 anos e nacionalidade espanhola, terá conseguido sair da água pelos próprios meios, sem necessidade de assistência médica. O Gabinete de Psicologia da Polícia Marítima foi ativado.” 

“O proprietário da embarcação foi notificado para a necessidade de proceder à retirada da mesma. O Comando Local da Polícia Marítima de Lagos tomou conta da ocorrência”, conclui a Autoridade Marítima Nacional. Em atualização