Entrevista ao presidente da Direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Hélder Martins: Turismo nesta Páscoa está “ligeiramente acima do ano passado. Entre 80 a 85 por cento” e “encaro com optimismo moderado” o Verão, devido à guerra no Médio Oriente

“Há muitas reservas de última hora, designadamente de turistas espanhóis a passar o Domingo de Páscoa no Algarve, uma vez que segunda-feira, dia 06 de Abril, é feriado em Espanha”, conta, nesta entrevista exclusiva ao ‘Litoralgarve’, o empresário Hélder Martins, presidente da Direção dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). E numa altura em que se aproxima o Verão, encara esta época “com optimismo moderado”.

“Acho que vamos ter um bom Verão em termos turísticos”, perspectiva, cauteloso, Hélder Martins, garantindo que, “neste momento, não estamos a sentir um grande impacto” perante a guerra no Médio Oriente, entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. “Mas se a guerra continuar poderemos sentir esse impacto”, admite, apontando, nomeadamente, para o aumento dos preços, entre os quais, dos combustíveis. Contudo, lembra que, há anos, a guerra no Golfo Pérsico, que atingiu o Iraque, acabou por contribuir para mais turistas no Algarve. Para já, o presidente da Direção da AHETA prefere aguardar pela evolução internacional. E aproveita para deixar recados a vários níveis no Algarve e no país.

José Manuel Oliveira

Litoralgarve – Onde e com quem passa a Páscoa?

Hélder Martins – Em casa, com a família. Não poderei faltar à Festa da Mãe Soberana, no domingo de Páscoa (Festa Pequena), dia 05 de Abril, em Loulé, participando na procissão, desde a colina até ao centro da cidade. Quinze dias depois, no dia 19 de Abril, será a Festa Grande, com o regresso, a subida da imagem, ao santuário.

[A Festa da Mãe Soberana, em Loulé, é considerada a maior manifestação de fé no sul de Portugal – n.d.r.]

Litoralgarve – E as férias no Verão?

Hélder Martins – No melhor destino de férias do Mundo! O Algarve.

Litoralgarve – Como está o Algarve em termos de ocupação hoteleira e de empreendimentos turísticos nesta Semana da Páscoa? 

Hélder Martins – Ligeiramente acima do ano passado. Entre 80 a 85 por cento.

“Os turistas vêm essencialmente de Portugal e Espanha, complementados pelos habituais destinos de origem que procuram o Algarve, nomeadamente da Alemanha, França e Itália, em voos directos.”

“Há muitas reservas de última hora, designadamente de turistas espanhóis a passar o Domingo de Páscoa no Algarve, uma vez que segunda-feira, dia 06 de Abril, é feriado em Espanha.”

Litoralgarve- De onde vêm os turistas?

Hélder Martins – Os turistas vêm essencialmente de Portugal e Espanha, complementados pelos habituais destinos de origem que procuram o Algarve, nomeadamente da Alemanha, França e Itália, em voos directos.

Há muitas reservas de última hora, designadamente de turistas espanhóis a passar o Domingo de Páscoa no Algarve, uma vez que segunda-feira, dia 06 de Abril, é feriado em Espanha.

“No ano passado, a Páscoa foi praticamente no final de Abril e neste ano é no início. Mas, em contrapartida, neste ano temos bom tempo e no ano passado não tivemos.”

Litoralgarve – E em comparação com o ano passado?

Hélder Martins – Ligeiramente acima, embora seja difícil de comparar. No ano passado, a Páscoa foi praticamente no final de Abril e neste ano é no início. Mas, em contrapartida, neste ano temos bom tempo e no ano passado não tivemos.

“Em geral, todas as zonas do Algarve são beneficiadas durante a Páscoa. Em relação aos preços, é muito variável.”

“Se um hotel de cinco estrelas estiver cheio, o preço de uma diária pode subir até 500 euros. Num hotel de três estrelas, o preço pode atingir os cem euros. Se estiverem cheios, podem subir; se não estiverem cheios de clientes, o preço pode descer”

Litoralgarve – E quais as zonas do Algarve mais beneficiadas? Os preços foram aumentados? Qual pode ser, em média, o custo de uma diária numa unidade hoteleira?

Hélder Martins – Em geral, todas as zonas do Algarve são beneficiadas durante a Páscoa. Em relação aos preços, é muito variável. Se um hotel de cinco estrelas estiver cheio, o preço de uma diária pode subir até 500 euros. Num hotel de três estrelas, o preço pode atingir cem euros. Se estiverem cheios, pode subir; se não estiverem cheios de clientes, o preço pode descer. É muito variável, como referi.

Litoralgarve – Há portugueses que escolhem outros países nesta altura do ano?

Hélder Martins – Há sempre portugueses a escolher outros destinos, mas, normalmente, dividem as férias entre outro destino e o Algarve.

Conflito no Médio Oriente? “Neste momento, não estamos a sentir um grande impacto, mas se a guerra continuar poderemos sentir esse impacto.”

“Quando houve a guerra no Golfo Pérsico, no Iraque, o turismo aumentou no Algarve. Houve mais reservas.”

Litoralgarve – Qual é o impacto para o Algarve, do conflito no Médio Oriente, entre Estados Unidos da América, Israel e o Irão, que já atinge outros países árabes? Há mais turistas a optar pelo sul da Europa e, em particular, por Portugal e o Algarve?

Hélder Martins – Neste momento, não estamos a sentir um grande impacto, mas se a guerra continuar poderemos sentir esse impacto. Neste momento, não consigo dizer. Quando houve a guerra no Golfo Pérsico, no Iraque, o turismo aumentou no Algarve. Houve mais reservas.

“O problema está, essencialmente, nos custos da operação turística que crescem muito. Por enquanto, as empresas estão a absorver esses aumentos.”

Litoralgarve – E quais são as repercussões desta guerra no Médio Oriente, em custos, na economia portuguesa e, em particular, no turismo?

Hélder Martins – O problema está, essencialmente, nos custos da operação turística, que crescem muito. Por enquanto, as empresas estão a absorver esses aumentos. Veremos se o conseguimos continuar a fazer, sem impactar os preços que os nossos clientes pagam e que foram definidos há praticamente um ano.

Se a guerra no Médio Oriente, entre EUA, Israel e Irão continuar, o turismo algarvio “pode sofrer um abrandamento pela dificuldade de clientes estrangeiros viajarem e pelo consequente aumento de preços, e os portugueses ficarem em casa. Há o aumento dos custos do combustível.”

Litoralgarve – Se a guerra continuar, o que poderá acontecer ao turismo algarvio durante o Verão?

Hélder Martins – Pode sofrer um abrandamento pela dificuldade de clientes estrangeiros viajarem e pelo consequente aumento de preços, e os portugueses ficarem em casa. Há o aumento dos custos do combustível. Por isso, temos um otimismo moderado em relação à época alta do turismo.

Até agora, temos aguentado a situação, com contratos assinados há meses. Mas não podemos prever o futuro.

Um atentado terrorista “é algo para o qual é difícil alguém se preparar.”

No Algarve, “não conheço esses receios”

Litoralgarve – Numa altura em que já existem receios de atentados terroristas na Europa, como deve o Algarve preparar-se para uma situação desse tipo?

Hélder Martins – Não conheço esses receios e é algo para o qual é difícil alguém se preparar.

Apagão? “Já o vivemos e espero que tenhamos aprendido a lição. Para já, não temos problemas em termos de energia.”

“Se ocorrer um novo apagão, as unidades hoteleiras e os empreendimentos turísticos têm geradores. Mas essa situação não resolve tudo.”

Litoralgarve – E de um apagão?

Hélder Martins – Já o vivemos e espero que tenhamos aprendido a lição. Para já não temos problemas em termos de energia. Se ocorrer um novo apagão, as unidades hoteleiras e os empreendimentos turísticos têm geradores. Mas essa situação não resolve tudo.

“Acho que vamos ter um bom Verão em termos turísticos”

Litoralgarve – Como encara o próximo Verão no Algarve?

Hélder Martins – Com otimismo moderado. Acho que vamos ter um bom Verão em termos turísticos.

“Temos de apresentar um destino limpo, preparado e seguro”

“E na área da saúde creio que entre públicos e privados estamos preparados para receber quem nos visita e precise de cuidados”

Litoralgarve – A região está preparada para uma enchente durante os meses de Julho e Agosto? 

Hélder Martins – Estamos sempre preparados para receber todos os que nos quiserem visitar.

Litoralgarve – O que deve ser feito ao nível de praias, limpeza, trânsito, segurança e saúde para garantir a qualidade necessária?

Hélder Martins – Para o turismo, esses são sectores vitais. Temos de apresentar um destino limpo, preparado e seguro, e na área da saúde creio que entre públicos e privados estamos preparados para receber quem nos visita e precise de cuidados nessas áreas.

“Que as pessoas façam as reservas com antecedência e que, nós algarvios, tenhamos a consciência de que o turismo é a nossa principal atividade económica e que saibamos receber quem nos visita.”

“Todos os algarvios são agentes turísticos”

Litoralgarve – Que alertas deixa?

Hélder Martins – Que as pessoas façam as reservas com antecedência e que, nós algarvios, tenhamos a consciência de que o turismo é a nossa principal atividade económica e que saibamos receber quem nos visita. Todos os algarvios são agentes turísticos.



O Campeonato do Mundo de Futebol 2026, a realizar nos EUA, no México e no Canadá, “não deve ter muita repercussão” para o turismo no Algarve

“Toda a gente que venha de férias poderá assistir aos diferentes jogos. E não creio que haja muita gente a viajar para ver os jogos ao vivo.”

Litoralgarve – Quais as repercussões que poderá ter o Campeonato do Mundo de Futebol 2026, a realizar nos EUA, no México e no Canadá, para o turismo na região algarvia?

Hélder Martins – Não deve ter muita repercussão. Ainda por cima disputa-se em horários muito diferentes do nosso. Toda a gente que venha de férias poderá assistir aos diferentes jogos. E não creio que haja muita gente a viajar para ver os jogos ao vivo.

[Encaro] “com muita precaução” a próxima época de incêndios florestais. É uma área vital para o turismo.”

É necessário “proceder à limpeza das florestas”

Litoralgarve – E como encara a próxima época de incêndios florestais?

Hélder Martins – Com muita precaução. É uma área vital para o turismo.

Litoralgarve – Que medidas devem ser tomadas para evitar problemas?

Hélder Martins – Proceder à limpeza das florestas. Os proprietários dos terrenos agrícolas são obrigados a limpar, mas ninguém limpa.

No aeroporto de Faro, há que “aligeirar” o sistema de controlo “para evitar filas maiores.”

“O governo diz-nos que reforçou efetivos e está preparado para receber os milhões de turistas. Estamos curiosos para ver como se vai desenrolar o processo.”

Litoralgarve – O senhor tem alertado para a necessidade de terminar com o sistema de controlo de fronteiras no aeroporto de Faro, de forma a evitar filas de turistas europeus. Que medidas foram tomadas pelo governo?

Hélder Martins – Não se trata de terminar o sistema de controlo, mas aligeirar para evitar filas maiores. O governo diz-nos que reforçou efetivos e está preparado para receber os milhões de turistas. Estamos curiosos para ver como se vai desenrolar o processo.

“Os portugueses recusam determinadas profissões, não apenas pela questão salarial, nomeadamente copa e limpeza, serviços mais básicos.”

“Nós vivemos o pleno emprego e temos um problema do alojamento que retira a possibilidade de muita gente vir trabalhar para o Algarve.Mas neste ano temos vindo a conseguir completar as equipas necessárias.”

Litoralgarve – Diariamente, o Instituto do Emprego e Formação Profissional divulga ofertas de trabalho, desde a restauração e hotelaria, ao comércio, serviços diversos e limpezas, entre outros sectores no Algarve. A que se deve a dificuldade em encontrar mão-de-obra – são os baixos salários, a emigração de portugueses para outros países, ou muitas pessoas não querem trabalhar, preferindo o subsídio de desemprego e outros apoios sociais? Que medidas devem ser tomadas?

Hélder Martins – Os portugueses recusam determinadas profissões, não apenas pela questão salarial, nomeadamente copa e limpeza, serviços mais básicos.

Nós vivemos o pleno emprego e temos um problema do alojamento que retira a possibilidade de muita gente vir trabalhar para o Algarve. Mas neste ano temos vindo a conseguir completar as equipas necessárias. As maiores falhas registam-se em áreas mais especializadas. Mas temos resolvido.

Litoralgarve – E que áreas mais especializadas são essas?

Hélder Martins – Sobretudo na cozinha e em áreas tecnológicas mais especializadas.

Litoralgarve – A falta de mão-de-obra pode condicionar a actividade nos hotéis, empreendimentos turísticos, na restauração e noutros serviços?

Hélder Martins – Não creio.

“Os imigrantes, aqui e em muitos países do sul da Europa, completam as equipas necessárias. No Algarve, pensamos que os imigrantes serão 33% das pessoas que trabalham no turismo. Nos outros países não é muito diferente.”

“Em primeiro lugar, vêm do Brasil. Em segundo, do Nepal e da Índia.”

Litoralgarve – São os imigrantes que acabam por garantir o funcionamento das unidades turísticas e de outros estabelecimentos?

Hélder Martins – Os imigrantes, aqui e em muitos países do sul da Europa, completam as equipas necessárias. No Algarve, pensamos que os imigrantes serão 33% das pessoas que trabalham no turismo. Nos outros países não é muito diferente.

Litoralgarve – E de onde vêm?

Hélder Martins – Em primeiro lugar, vêm do Brasil. Em segundo, do Nepal e da Índia.

Os clientes “reagem mal” perante trabalhadores muitas vezes sem qualificações.“Por isso, temos incentivado a formação profissional para melhorar a qualidade do serviço.”

Litoralgarve – Como reagem os clientes perante trabalhadores muitas vezes sem qualificações?

Hélder Martins – Reagem mal. Por isso, temos incentivado a formação profissional para melhorar a qualidade do serviço.

Litoralgarve – Em termos percentuais, o que representam os portugueses e os estrangeiros no mercado de trabalho no Algarve?

Hélder Martins – O Algarve deverá ter 33% da mão-de-obra, que são estrangeiros. O mundo hoje é global.

Pacote laboral?“É preciso agilizar os processos na área laboral. Acredito que em breve será alcançado um acordo nessa área. Algumas dessas manifestações têm um pendor meramente político-partidário!”

Litoralgarve – O que pensa do pacote laboral em discussão, que tanta contestação tem vindo a provocar por parte dos sindicatos e trabalhadores, com manifestações nas ruas? O que está em causa? E o que tem de fazer o governo?

Hélder Martins – É preciso agilizar os processos na área laboral. Acredito que em breve será alcançado um acordo nessa área. Algumas dessas manifestações têm um pendor meramente político-partidário!

A AHETA quer mais autonomia na promoção e mais verbas para o Algarve. “Aguardamos que o governo implemente a legislação que combata a burocracia, o que tem vindo a ser anunciado.”

“Não podemos esperar, em média, 7 anos para aprovar o projeto de um hotel. Sete anos depois, o produto turístico mudou!”

Litoralgarve – Que reformas defende a AHETA para o turismo em Portugal e porquê?

Hélder Martins – Mais autonomia na promoção e mais verbas. Aguardamos que o governo implemente a legislação que combata a burocracia, o que tem vindo a ser anunciado. Não podemos esperar, em média, 7 anos para aprovar o projeto de um hotel. Sete anos depois, o produto turístico mudou!

Efeitos da Bolsa de Turismo de Lisboa? “Hoje já não é nas feiras que se faz negócio. As feiras servem para encontro dos profissionais e as regiões e as empresas pretendem dar a conhecer os seus produtos, mas com pouco impacto direto.”

Litoralgarve – Quais os efeitos resultantes da recente Bolsa de Turismo de Lisboa, para o Algarve? O que mais atrai os visitantes?

Hélder Martins – Hoje já não é nas feiras que se faz negócio. As feiras servem para encontro dos profissionais e as regiões e as empresas pretendem dar a conhecer os seus produtos, mas com pouco impacto direto.

Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1 no Autódromo Internacional do Algarve, no concelho de Portimão, em 2027 e 2028, terá “muito impacto” para a região

“O Algarve precisa de fidelizar um conjunto de eventos internacionais que, na época baixa, possam trazer pessoas à região e dar a conhecer quem somos. Na última vez que a Fórmula Um cá esteve, algumas das unidades de prestígio fizeram o melhor negócio de sempre!”

Litoralgarve – E que impacto poderá ter para a região algarvia o Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, competição mundial de automobilismo, previsto nos anos de 2027 e 2028, no Autódromo Internacional do Algarve, no concelho de Portimão? Como deve a região preparar-se para um evento desta natureza?

Hélder Martins – Muito impacto. O Algarve precisa de fidelizar um conjunto de eventos internacionais que, na época baixa, possam trazer pessoas à região e dar a conhecer quem somos. Na última vez que a Fórmula Um cá esteve, algumas das unidades de prestígio fizeram o melhor negócio de sempre!

“Do que necessitamos, essencialmente, é de renovar muitasdas unidades que temos, com mais de 50 anos e que precisam de um “restyling” [remodelação do estilo] total. As exigências, hoje, de um ‘resort’ ou hotel são muito diferentes e só se consegue mudar, fazendo alterações profundas na estrutura da unidade.”

“Algumas das novas ofertas que estão a ser implementadas ou em vias de serem, vêm complementar a oferta que se encontrava localizada apenas na beira- mar e no centro do Algarve.”

Litoralgarve – São necessárias mais unidades hoteleiras e empreendimentos turísticos, nomeadamente ‘resorts’ com campos de golfe?

Hélder Martins – Do que necessitamos, essencialmente, é de renovar muitas das unidades que temos, com mais de 50 anos e que precisam de um “restyling” [remodelação do estilo] total. As exigências, hoje, de um ‘resort’ ou hotel são muito diferentes e só se consegue mudar, fazendo alterações profundas na estrutura da unidade.

Algumas das novas ofertas que estão a ser implementadas ou em vias de serem, vêm complementar a oferta que se encontrava localizada apenas na beira- mar e no centro do Algarve. Hoje já temos unidades de alta qualidade em todo o Algarve.

Na esmagadora maioria, os restaurantes no Algarve “ainda são geridos por portugueses e com gastronomia da região. Há que incentivar esses projetos regionais e promovê-los nacional e internacionalmente.”

Litoralgarve – Como avalia o crescente aumento, por exemplo, de restaurantes de empresários asiáticos, nomeadamente indianos e do Nepal? O Algarve está a ficar descaracterizado? Porque é que os empresários portugueses não investem no turismo?

Hélder Martins – Investem, mas o mercado é global e o interesse da região desperta outros empresários para cá virem investir. No entanto, na esmagadora maioria, esses espaços ainda são geridos por portugueses e com gastronomia da região. Há que incentivar esses projetos regionais e promovê-los nacional e internacionalmente. O estômago é uma boa fonte de decisão sobre o local onde passarei as próximas férias!

Sol, praia, golfe, congressos e caminhadas são as principais atracções turísticas

Litoralgarve – Além do sol e praia, o que atrai, hoje, turistas ao Algarve?

Hélder Martins – Muitos turistas procuram a nossa região pelo golfe, já que o Algarve é o melhor destino do mundo a esse nível. Os congressos e as caminhadas também são motivo de procura.

“As praias deviam ter vigilância durante todo o ano, mas não é fácil. É difícil conseguir recursos humanos, devido aos custos, numa altura em que as praias ainda não têm concessões a funcionar”.

Litoralgarve – Há muitas praias ainda sem vigilância ao nível de nadadores-salvadores, e nesta Semana da Páscoa as temperaturas têm subido, o que leva muita gente a banhos no mar. É uma situação de risco? Como prevenir?

Hélder Martins – Tem algum risco. As praias deviam ter vigilância durante todo o ano, mas não é fácil. É difícil conseguir recursos humanos, devido aos custos, numa altura em que as praias ainda não têm concessões a funcionar.