Lagos: Salvar a Arte Xávega Tradicional da Meia Praia

No final de 2025 chegava a triste notícia do falecimento de José da Glória Santos, mais conhecido como Zé Bala, figura ímpar da Arte Xávega da Meia Praia, considerada património vivo da comunidade lacobrigense. Para que tal prática não morra com o guardião desta tradição, a Câmara Municipal de Lagos aprovou, ontem, a minuta do protocolo de colaboração, a estabelecer com a Associação de Moradores 1.º de Maio, para a dinamização da atividade da Arte Xávega Tradicional, agora já não como atividade económica privada, mas como manifestação cultural.

Empenhados em preservar este saber tradicional, município e Associação 1.º de Maio – com a orientação da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) e o apoio da Autoridade Marítima Nacional – decidiram avançar com um modelo de parceria que passa a enquadrar a faina como manifestação cultural episódica. A Associação, que tem no seu seio arrais de pesca marítima, entre os quais familiares de Zé Bala, fica responsável por organizar as atividades de recriação da faina piscatória, realizando, anualmente, pelo menos nove lances de pesca com a Arte Xávega, preferencialmente aos sábados de manhã, condicionados à autorização da DGRM, às condições meteorológicas e ao estado do mar. Por seu turno, o município garante o apoio financeiro necessário para cobrir as despesas relativas à operacionalidade da arte e o espaço de praia necessário à logística da atividade.

O objetivo, partilhado por todas as entidades envolvidas, é preservar e valorizar a Arte Xávega Tradicional como manifestação do património cultural marítimo e comunitário lacobrigense. Uma prática que acaba por promover a coesão social, o sentimento de pertença coletiva, a identidade local e, simultaneamente, contribuir para o enriquecimento da oferta histórica e cultural do concelho num território com forte vocação turística, como é Lagos.