Odemira: destruição provocada por temporal ameaça futuro da fileira dos pequenos frutos e da produção agrícola na região

  • Lusomorango alerta para prejuízos provisórios superiores a 10 milhões de euros e perda até 70% da capacidade produtiva provocados pela depressão Kristin.
  • Organização de Produtores apela para que apoios extraordinários anunciados pelo Governo para apoiar as regiões onde foi decretado estado de calamidade sejam alargados ao concelho alentejano e para que seja aberta a linha de apoio, prevista no PEPAC, para o restabelecimento do potencial produtivo.

Odemira, 04 de fevereiro de 2026 – A Lusomorango – Organização de Produtores de Pequenos Frutos alerta para o impacto severo da depressão Kristin nas explorações agrícolas do concelho de Odemira. Entre as quatro dezenas de produtores Associados, contabilizam-se prejuízos diretos provisórios já superiores a 10 milhões de euros.  A destruição de infraestruturas agrícolas, sistemas de rega e outros equipamentos essenciais à produção levou, para já, à perda entre 50% a 70% da capacidade produtiva dos produtores Lusomorango.

Estes números são ainda preliminares, numa altura em que as previsões meteorológicas apontam para o agravamento do estado do tempo nos próximos dias, o que poderá aumentar significativamente os prejuízos e comprometer não apenas a campanha atual, mas também a produção futura.

Perante este cenário devastador para a Lusomorango, para a fileira dos pequenos frutos e para o futuro agrícola de Odemira, a Organização de Produtores apela para que também esta região possa aceder ao conjunto de medidas anunciadas pelo Governo, para apoio às explorações agrícolas localizadas em territórios onde foi decretado o estado de calamidade. Sem esse enquadramento, muitas dezenas de explorações agrícolas e milhares de empregos poderão estar em causa, por estarem impedidos de aceder aos apoios extraordinários previstos para fazer face aos estragos provocados pela tempestade.

“Está em causa a capacidade produtiva imediata e futura de um setor estratégico para o país. A destruição de infraestruturas compromete colheitas, contratos de exportação e postos de trabalho”, afirma Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango. “Manifestamos naturalmente total solidariedade com todas regiões afetadas, mas é fundamental que o Governo considere também a gravidade da situação em Odemira e em outros territórios do país e os inclua no perímetro de ajudas destinadas a responder aos efeitos da depressão Kristin”.

O Perímetro de Rega do Mira gerou, em 2023, 502 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, mais de 16 mil postos de trabalho e 134 milhões de euros em receita fiscal, de acordo com um estudo elaborado pela EY-Parthenon. A Lusomorango representa uma parcela determinante deste contributo, sendo responsável por 17% da produção nacional de pequenos frutos, com forte peso nas exportações e na coesão social e económica do território. Em 2024, esta fileira exportou 348 milhões de euros – com a Lusomorango a responder por praticamente 1/3 deste valor.

O que está hoje em risco não é apenas uma campanha agrícola, mas a continuidade de uma atividade que assegura emprego, fixa população, produz alimentos e gera valor económico para o país”, sublinha Joel Vasconcelos. “Perante perdas já muito significativas e perspetivas meteorológicas adversas, fazemos um forte apelo para que o Governo reforce e alargue as medidas de apoio aos agricultores”.

A Lusomorango apela a uma resposta rápida, eficaz e justa, que inclua todos os produtores afetados pela depressão Kristin nos mecanismos de apoio extraordinário, assegurando simplicidade administrativa e rapidez na execução, de forma a evitar danos irreversíveis na capacidade produtiva, no emprego e no contributo económico e social deste setor estratégico para Portugal.