A Direção do Sindicato da Hotelaria do Algarve reuniu-se esta segunda-feira, dia 2, para analisar a situação social na região, com particular enfoque nas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores do setor do Turismo, bem como os resultados da primeira volta das eleições para a Presidência da República. No final do encontro, o sindicato lançou um apelo à participação cívica e ao voto, defendendo que este deve ser usado como instrumento para derrotar projetos políticos que considera “reacionários e anti-democráticos”.
Segundo o sindicato, o setor do Turismo vive uma profunda contradição: enquanto a atividade económica regista um crescimento expressivo, as condições de vida dos trabalhadores deterioram-se. Dados oficiais citados indicam que, entre 2014 e 2024, as receitas do Turismo aumentaram 192%, enquanto os salários cresceram apenas 52%. No mesmo período, os preços dos bens essenciais subiram em percentagens superiores, empurrando milhares de trabalhadores para o Salário Mínimo Nacional e para situações de pobreza.
O ano de 2025 terá encerrado com novos recordes no setor, com um aumento da receita de 6,1%, mas também com maior exploração laboral, afirma o sindicato. Entre dezembro de 2021 e dezembro de 2025, os preços dos produtos alimentares subiram 31%, com aumentos particularmente acentuados na carne (39%), nos laticínios (34%) e no pão e cereais (30%). As rendas aumentaram 22% e as prestações do crédito à habitação subiram 56%, num contexto em que os preços das casas aumentaram mais de 50%.
Em contraste, o sindicato sublinha os “lucros astronómicos” dos grandes grupos económicos, que no primeiro semestre de 2025 terão atingido quase 30 milhões de euros por dia, já após impostos. Para 2026, estão anunciados novos aumentos de preços em áreas como a alimentação, transportes, correios, portagens, seguros e habitação.
Para além da perda de poder de compra, os trabalhadores enfrentam, segundo o sindicato, horários mais longos e desregulados, crescente precariedade laboral e substituição de trabalhadores qualificados por mão de obra menos qualificada, dificultando a conciliação entre vida profissional, pessoal e familiar.
Este contexto tem contribuído para um crescente descontentamento social no Algarve, região fortemente dependente do Turismo. O sindicato considera que é precisamente nos concelhos onde esta atividade tem maior peso que a direita e a extrema-direita registam maior expressão eleitoral, resultado da falta de resposta aos problemas dos trabalhadores ao longo de décadas.
Relativamente às eleições presidenciais, o Sindicato da Hotelaria do Algarve manifesta preocupação com os resultados da primeira volta, embora destaque a derrota do candidato apoiado pelos partidos do Governo. A passagem de António José Seguro e André Ventura à segunda volta é enquadrada num contexto marcado por sondagens e por uma campanha centrada em temas considerados laterais.
Face à segunda volta, marcada para 8 de fevereiro, o sindicato apela aos trabalhadores para rejeitarem, através do voto, a candidatura de André Ventura, considerando-a portadora de um projeto de ataque aos direitos individuais e coletivos. Sem alimentar “falsas expectativas” quanto ao percurso político de António José Seguro, a estrutura sindical defende que o voto neste candidato constitui o instrumento disponível para derrotar a candidatura de Ventura.
Paralelamente, o sindicato reafirma o compromisso de intensificar a luta reivindicativa, nomeadamente contra o Pacote Laboral que o Governo PSD/CDS pretende aprovar com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal. É igualmente feito um apelo à participação nas ações convocadas pela CGTP-IN, incluindo a Ação de Mobilização Geral a partir de 9 de fevereiro e a Manifestação Nacional de 28 de fevereiro, em Lisboa e no Porto, em defesa de melhores salários, direitos, serviços públicos e condições de vida dignas.










