Na segunda volta marcada para o dia 08 de Fevereiro de 2026, António José Seguro “terá toda a esquerda unida para impedir a vitória de André Ventura”, perspectiva Hélder Costa, comerciante. Outros eleitores queixaram-se de “falta de informação”. E até houve quem desabafasse: “que se lixem os políticos. Eles não me dão nada.”
José Manuel Oliveira

A dois dias das eleições para a Presidência da República, um trabalhador de limpeza no concelho de Lagos, que, há anos, votou no Chega, dizia-nos: “desta vez, não vou votar. Que se lixem os políticos. Eles não me dão nada.” Já uma senhora queixava-se de “não haver informação, panfletos” sobre os candidatos, “como havia noutros tempos, em que até se viam carros com aparelhagem sonora a fazer propaganda” nas ruas, durante as campanhas eleitorais.
Sobre os três candidatos excluídos, à partida, pela Comissão Nacional de Eleições, e que constaram nos boletins de voto: “Se não contam, porque é que têm lá os nomes e as fotografias? Isso provoca confusão nos eleitores. Só mesmo em Portugal é que isto acontece…” – critica um popular
Um outro indivíduo até se ria ao saber que nos boletins de voto figuravam o nome de três candidatos rejeitados (Luís Ricardo Moreira de Sousa, José António de Jesus Cardoso e a conhecida psicóloga Joana Beatriz Nunes Vicente Amaral Dias Terrinca), os quais tinham sido excluídos nesta corrida eleitoral, pela Comissão Nacional de Eleições, nomeadamente devido à falta de assinaturas em número suficiente, entre outras irregularidades no processo de candidatura. “Se não contam, porque é que têm lá os nomes e as fotografias? Isso provoca confusão nos eleitores. Só mesmo em Portugal é que isto acontece…” – criticou.
Afluência de 52 por cento às 18h00 na Escola Secundária Júlio Dantas, em Lagos, provoca surpresa
Na Escola Secundária Júlio Dantas, em Lagos, segundo apurou o ‘Litoralgarve’ junto de um elemento de uma das Mesas de Voto, que não escondeu a sua surpresa, “às 18h00, a afluência era de 52 por cento, muito mais do que noutras eleições e, em particular, nas autárquicas” realizadas em Outubro de 2025. “De manhã, votaram, sobretudo, pessoas mais idosas. Durante a tarde, foram as mais novas”, acrescentou.
Já em Portimão, o comerciante Hélder Costa, de 60 anos, assumiu, em declarações ao nosso jornal, ter votado em António José Seguro. “Votei na escola situada na zona da Pedra Mourinha e na altura estava muita gente a votar”. Na segunda volta destas eleições presidenciais, marcadas para o dia 08 de Fevereiro de 2026, entre o socialista António José Seguro e o líder e deputado do Chega, André Ventura, Hélder Costa não tem dúvidas de que o antigo secretário-geral do PS será o vencedor e, por conseguinte, o próximo Presidente da República. “Terá toda a esquerda unida para impedir a vitória de André Ventura. E agora o PSD, como já assumiu, não irá indicar o voto em qualquer destes dois candidatos. A escolha pertencerá, livremente, aos militantes e simpatizantes do partido”, perspectivou.
“Se Marques Mendes, como candidato, se ‘colou’ ao governo, evitando falar sobre os problemas na área da saúde, então como seria se fosse eleito Presidente da República?”
Por outro lado, atribuiu a derrota de Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD, ao facto de se ter “colado ao governo”, liderado por Luís Montenegro, “na área da saúde, numa altura em que continuam a morrer doentes nas urgências dos hospitais por falta de assistência atempada, enquanto bebés nascem em ambulâncias, com os serviços de pediatria encerrados em vários hospitais, devido à negligência governamental, em particular da ministra da Saúde.”
“Se Marques Mendes, como candidato, se ‘colou’ ao governo, evitando falar sobre os problemas na área da saúde, então como seria se fosse eleito Presidente da República?” – questionou aquele cidadão, residente em Portimão. E acrescentou: “e também numa altura em que a economia em Portugal está a atravessar uma fase favorável, com baixa taxa de desemprego e oferta de numerosos postos de trabalho, porque é que o governo decidiu alterar leis laborais, que só prejudicam os trabalhadores? Essa situação levou à maior greve geral registada nos últimos anos e o candidato presidencial Marques Mendes não reagiu como devia só para defender o governo, o que acabou por se reflectir nestas eleições.”
“Tenho amigos no concelho de Portimão e em Lagos, que são do PSD, mas que votaram em António José Seguro, por discordarem de Marques Mendes”
A concluir, Hélder Costa recordou: “tenho amigos no concelho de Portimão e em Lagos, que são do PSD, mas que votaram em António José Seguro, por discordarem de Marques Mendes”. “A derrota dele começou no próprio partido, o PSD”, considerou este eleitor.










