Eleições para a Presidência da República 2026 – Estes são os onze candidatos à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa como Chefe de Estado nos próximos cinco anos

Catarina Martins, ex-líder do Bloco de Esquerda e actual deputada no Parlamento Europeu, é a única mulher, entre dez homens, a concorrer ao Palácio de Belém. Com 68 anos de idade, o social-democrata Luís Marques Mendes apresenta-se como o candidato mais velho nesta disputa eleitoral. E Jorge Pinto, fundador do Livre, que tem 38 anos, é o mais novo. Pelo meio, surgem figuras com sentido humor, não faltando promessas extravagantes.

José Manuel Oliveira

Eis os candidatos:

ANDRÉ VENTURA

Deputado na Assembleia da República e presidente do Chega, jurista e professor universitário de Direito, concorre pela segunda vez a Belém, depois de ter deixado o PSD

Nasceu em Algueirão – Mem Martins, no concelho de Sintra, no dia 15 de Janeiro de 1983. Tem 43 anos de idade. André Claro Amaral Ventura foi vereador da Câmara Municipal de Loures, em 2017, pelo PSD, tendo-se desfiliado deste partido no ano seguinte. E em 2019, fundou o CHEGA, partido do qual é presidente. Jurista, professor universitário de Direito, desempenha o cargo de deputado na Assembleia da República, desde 2019, pelo Círculo Eleitoral de Lisboa. É a segunda vez que concorre a Chefe do Estado, depois de, em 2021, ter ficado em terceiro lugar, com mais de meio milhão de votos, numa eleição em que Marcelo Rebelo de Sousa saiu vencedor.

MARQUES MENDES

Antigo deputado e líder parlamentar do PSD, foi ministro e secretário de Estado de governos de Cavaco Silva

Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes é natural de Azurém, freguesia do concelho de Guimarães, e tem 68 anos. Nasceu a 05 de Dezembro de 1957. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Coimbra, foi vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe e Adjunto do Governo Civil de Braga. Entre 1992 e 1995, desempenhou o cargo de Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva. E ocupou outras funções, nomeadamente como secretário de Estado, em três governos, nas décadas de 80 e 90 do século XX, além de ter assumido a liderança do grupo parlamentar do PSD. Antes de se candidatar a Presidente da República, foi comentador televisivo. A nível profissional, foi consultor jurídico na empresa Abreu Advogados.

GOUVEIA E MELO

Almirante na reserva e ex-Chefe de Estado-Maior da Armada, ficou conhecido no processo de vacinação contra a Covid-19

Natural de Quelimane, localidade situada em Moçambique, Henrique Eduardo Passaláquia e Gouveia e Melo tem 65 anos de idade (nasceu no dia 21 de Novembro de 1960), e após uma longa carreira militar, é agora almirante na reserva. Isto, depois de ter desempenhado o cargo de Chefe do Estado- Maior da Armada, desde até Dezembro de 2021 até final de 2024. Submarinista, com 24 anos de idade permaneceu durante 31 dias seguidos submergido, integrando uma esquadrilha de submarinos. E esteve quatro dias no submarino português Arpão, pela primeira vez debaixo de gelo do Ártico. Ao longo de 24 anos, esteve na Escola Naval. Poucos meses depois de ter deixado a chefia do Estado-Maior da Armada, anunciou a sua candidatura à Presidência da República. Durante a sua carreira militar, tornou-se conhecido quando assumiu, a convite do então primeiro-ministro António Costa, a coordenação do processo da vacinação contra a pandemia da Covid-19.

ANDRÉ PESTANA

Sindicalista e professor e Biologia e Geologia, já fez parte da Juventude Comunista Portuguesa, do Bloco de Esquerda e do Movimento Alternativa Socialista

Nasceu a 10 de Janeiro de 1977 na Sé Nova, em Coimbra, e completou há cerca de uma semana 49 anos. É professor de Biologia e Geologia e coordenador nacional a tempo inteiro, desde Setembro de 2022, do S.T.O.P . – Sindicato de Todos os Profissionais de Educação (depois de se ter designado Sindicato de Todos os Professores). A nível partidário fez parte da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), estrutura do Partido Comunista Português, além de ter integrado o Bloco de Esquerda e o Movimento Alternativa Socialista (MAS). “É hora de abrir a Pestana”, eis o ‘slogan’ deste candidato ao Palácio de Belém, que se tem distinguido no seu envolvimento na luta contra as propinas. Quer ser a voz dos que não têm voz.

HUMBERTO CORREIA

Algarvio, ex-emigrante em França e pintor de quadros há mais de vinte anos na baixa de Faro, vestiu-se de Dom Afonso Henriques à conquista de Portugal

Foi emigrante em França, onde trabalhou em fábricas e na construção civil, tendo regressado em 2003 a Portugal. Natural de Olhão (23 de Janeiro de 1961), Humberto Correia tem 65 anos e é autor do livro intitulado «As Pulgas da Minha Infância», o qual descreve a vida de um menino que cresceu no seio de uma família pobre da sociedade portuguesa durante as décadas de 60 e 70 no século XX. É o retrato dele próprio. Residente em Faro, é pintor artístico, podendo ser visto a pintar quadros em ruas da baixa da capital algarvia há mais de vinte anos, nomeadamente junto à doca de recreio. Nestas eleições para Presidente da República, surge como o candidato surpresa, trajando à Dom Afonso Henriques a distribuir panfletos pelo país, na luta contra a crise na habitação e à conquista de Portugal.

JOÃO COTRIM DE FIGUEIREDO

Gestor e empresário, licenciado em Economia, foi o primeiro deputado eleito pela Iniciativa Liberal para a Assembleia da República e desempenha o cargo de eurodeputado desde Junho de 2024

Com 63 anos de idade (nasceu em Lisboa no dia 24 de Junho de 1961), João Fernando Cotrim de Figueiredo, gestor e empresário, desempenha o cargo de deputado no Parlamento Europeu, após ter sido eleito nas eleições europeias realizadas a 09 de Junho de 2024 pelo partido Iniciativa Liberal, o qual é filiado no ‘Renovar a Europa’. Antes, a 06 de Outubro de 2019, foi o primeiro deputado da Iniciativa Liberal eleito para a Assembleia da República e pelo Círculo Eleitoral de Lisboa. Entre Dezembro de 2019 e Janeiro de 2023, assumiu a liderança daquele partido. Estudou na Escola Alemã de Lisboa, tendo seguido a graduação em Economia na universidade inglesa ‘London School of Economics’. Já de regresso a Lisboa, optou por tirar um MBA em Administração, Negócios e Marketing na Faculdade de Economia da Universidade de Lisboa. Desempenhou, entre outros cargos, o de administrador da Compal e da Nutricafés, foi Diretor-Geral da TVI e Presidente do Conselho Directivo do Turismo de Portugal, de 2013 a 2016, a convite do então ministro da Economia, Pires de Lima, no governo de Pedro Passos Coelho.

CATARINA MARTINS

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é eurodeputada, após ter sido actriz ligada ao teatro, coordenadora do Bloco de Esquerda e deputada na Assembleia da República

Natural do Porto, Catarina Soares Martins tem 52 anos. Nasceu no dia 07 de Setembro de 1973. Esteve ligada ao teatro como actriz, é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, mestre em Linguísticas e doutorada em Didática das Línguas. Foi eleita deputada pela primeira vez na Assembleia da República, na condição de independente, em 2009, nas listas do Bloco de Esquerda, partido a que só aderiu no ano de 2010. Permaneceu nessas funções desde 15 de Outubro de 2009 a 14 de Setembro de 2023. Já como coordenadora do Bloco de Esquerda, ocupou o cargo entre 2012 e 2023, inicialmente numa liderança conjunta com João Semedo, sucedendo a Francisco Louça. A partir de 2014, assumiu sozinha a função de líder do Bloco de Esquerda. Nas eleições legislativas em 2015, conseguiu o melhor resultado da história deste partido, com mais de 500.000 votos e 19 deputados, tendo sido, na altura, a terceira força política no país. E nesse ano, assinou com o PS, com o PCP e o Partido Ecologista ‘Os Verdes’, o famoso acordo de incidência parlamentar, na Assembleia da República, conhecido por ‘geringonça’, o qual permitiu ao então secretário-geral socialista, António Costa, chegar a primeiro-ministro, tirando o poder à Aliança Democrática, constituída pelo PSD, na altura liderado por Pedro Passos Coelho, e pelo CDS-PP, de Paulo Portas, que pouco antes tinha vencido as eleições legislativas, sem maioria absoluta. Poucos anos depois, começou a queda do Bloco de Esquerda. A 09 de Junho de 2024, Catarina Martins foi eleita deputada no Parlamento Europeu.

JORGE PINTO

Fundador do Livre e engenheiro do Ambiente, já exerceu funções profissionais na União Europeia, em Bruxelas

Depois de ter passado pelo PS, partido que deixou em 2013 para apoiar na fundação do Livre e ser deputado, Eduardo Jorge Costa Pinto, de 38 anos, é o candidato mais jovem nestas eleições para Presidente da República. Nasceu no dia 20 de Abril de 1987, em Amarante, é licenciado em Engenharia do Ambiente e doutorado em Filosofia Social e Política. Seguiu Erasmus na Lituânia e elaborou uma tese de mestrado na Índia, além de ter passado por França, Itália e Bélgica. Foi na capital belga, Bruxelas, onde permaneceu durante mais tempo, exercendo funções profissionais na União Europeia, ao serviço da Agência de Apoio à Aviação Europeia Eurocontrol. Trabalhou na Comissão Europeia e considera-se um “europeísta convicto”.

MANUEL JOÃO VIEIRA

Músico, artista plástico, professor e empresário, promete vinho canalizado, fontes de bagaço nas ruas e um carro da marca Ferrari para cada português, entre outas propostas irrealistas, mas rejeita ser Presidente da República

Nasceu em Lisboa, no dia 17 de Outubro de 1962, e tem 63 anos de idade. É músico, artista plástico, professor e empresário. Estudou ilustração na Fundação Calouste Gulbenkian e obteve, em 1998, a licenciatura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Conhecida figura de entretenimento, foi líder dos ‘Ena Pá 2000, banda caracterizada pelo humor. Com esse espírito, apresenta-se como candidato a Presidente da República pela quinta vez, depois de ter concorrido em 2001, 2006, 2011 e 2016, com propostas surrealistas para expor o “absurdo da política”, como ele próprio afirma. Desta vez, promete vinho canalizado, um potente e vistoso carro da marca Ferrari para cada português, fontes de bagaço nas ruas, dançarinos cubanos para todas as mulheres e patinadoras russas para todos os homens, o que o leva a se tornar uma figura mediática até a nível internacional. Mas desde cedo garantiu, com ironia à mistura, que “só” irá desistir se for eleito.

ANTÓNIO FILIPE

Aluno de Marcelo Rebelo de Sousa, tornou-se jurista, já foi deputado e vice-presidente da Assembleia da República e é membro do Comité Central do PCP

A pouco mais de uma semana de completar 63 anos de idade, António Filipe Gaião Rodrigues nasceu a 28 de Janeiro de 1963, em São Sebastião da Pedreira, no município de Lisboa. Aderiu ao Partido Comunista Português (PCP), em 1983, e é membro do Comité Central desde 1992. Entre outros cargos autárquicos, foi vereador da Câmara Municipal da Amadora, em 2002. Quando tinha 13 anos, tornou-se associado do Clube de Futebol ‘Os Belenenses’, sendo membro do Conselho Geral. Colega de turma de António Costa, veio a ser aluno de Marcelo Rebelo de Sousa, no curso de Direito na Universidade Clássica de Lisboa. É jurista. Foi professor auxiliar convidado da Universidade Lusófona, de 2001 a 2012; da Universidade Europeia, entre os anos de 2012 e 2024; e do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro. Eleito deputado do PCP, na Assembleia da República, em 1989, manteve-se no Parlamento até 2022. Foi vice-presidente, de 2005 a 2022, daquela instituição.

ANTÓNIO JOSÉ SEGURO

Professor universitário e empresário, foi deputado na Assembleia da República, eurodeputado, membro do governo de António Guterres e líder do PS, entretanto derrotado por António Costa, tendo, na altura, deixado política

Nasceu em Penamacor, localidade do distrito de Castelo Branco, no dia 11 de Março de 1962 e tem 63 anos. Mestre em Ciências Políticas e licenciado em Relações Internacionais, António José Martins Seguro é professor auxiliar convidado na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, na capital portuguesa, além de ser empresário. Em termos políticos, entre outros cargos, foi líder nacional da Juventude Socialista, entre Maio de 1990 e Março de 1994, chefe de gabinete do então secretário-geral do PS António Guterres, e mais tarde secretário de Estado do Desporto. Desempenhou, também, o cargo de deputado na Assembleia da República, a que se seguiu o de eurodeputado, tendo nessa altura integrado em segundo lugar a lista encabeçada por Mário Soares para o Parlamento Europeu, em 1999. Passados dois anos, regressou a Lisboa para exercer funções de ministro-adjunto do primeiro-ministro António Guterres, em 2001 e 2002. Em período de ascensão política, chegou a líder do PS, entre 2011 e 2014. Contudo, acabou por deixar o cargo, na sequência da derrota nas eleições primárias no partido, contra António Costa, após o que se afastou da política, passando a dedicar-se ao ensino e à atividade empresarial. Surge, agora, nesta corrida à Presidência da República.