Tribunal da Relação de Évora decide, hoje, extradição para Espanha dos traficantes de droga daquele país, que invadiram escola de Lagos em fuga à polícia

Depois de terem sido libertados pelo Tribunal de Silves, no sábado, após primeiro interrogatório, os quatro homens, de nacionalidade espanhola, foram novamente detidos, em cumprimento de um mandato captura, e são presentes, nesta segunda-feira, dia 10 de Fevereiro, ao Tribunal da Relação de Évora, a fim de serem extraditados para Espanha. Estavam a ser procurados pelas autoridades do país vizinho, por crimes de tráfico de droga, contrabando de armas e furtos em residências, entre outros. Em Lagos, após uma abordagem a cargo de agentes da PSP, acabaram por provocar um ambiente de pânico na Escola do ensino básico do Bairro Operário, onde saltaram um gradeamento para se refugiarem da perseguição policial, com tiros pelo meio.

José Manuel Oliveira

São presentes, nesta segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2025, ao Tribunal da Relação de Évora, os suspeitos de um gangue, de nacionalidade espanhola, que foram novamente detidos, em cumprimento de um mandato de captura, logo após terem sido libertados por um juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Silves, no sábado, dia 08. Tal sucedeu na sequência da detenção levada a efeito em Lagos, na tarde de sexta-feira, dia 07, por parte de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), com tiros na Escola do ensino básico do Bairro Operário, nesta cidade. Foi ali onde tentaram refugiar-se da perseguição das autoridades, provocando um ambiente de pânico entre professores, auxiliares, alunos, pais e encarregados de educação, como o ‘Litoralgarve’ noticiou na altura.

Os quatro detidos deverão ser extraditados para Espanha, onde eram procurados pelas autoridades daquele país, devido a tráfico de droga, contrabando de armas e furtos no interior de residências, entre outros crimes. Fazem parte de um gangue considerado perigoso e, como já referimos, existia sobre eles um mandado de captura emitido pelas autoridades judiciais espanholas.

“Perseguição apeada aos suspeitos, tendo sido efectuados disparos de advertência para o ar pelos polícias intervenientes”, refere, em comunicado, a PSP

Recorde-se que, na passada sexta-feira, agentes do sector de investigação criminal da PSP de Lagos abordaram os quatro elementos daquele gangue, que se encontravam numa viatura com matrícula espanhola. Após terem fugido às autoridades, primeiro de carro e depois a pé, os agentes policiais, que, entretanto, pediram reforços à esquadra, moveram “perseguição apeada aos suspeitos, tendo sido efectuados disparos de advertência para o ar pelos polícias intervenientes.” Os quatro homens, “no sentido de se eximirem à abordagem policial, terão saltado o muro e o gradeamento de uma escola”, referiu a PSP, em comunicado.

“Atingido por um disparo de arma de fogo num pé”, um dos suspeitos espanhóis em fuga às autoridades. Foi transportado para o hospital e já recebeu alta

Foi no “seguimento desta fuga” que um dos suspeitos “terá sido atingido por um disparo de arma de fogo num pé”, detalhou aquela força de segurança. Já a Escola do Bairro Operário foi utilizada “inopinadamente pelos suspeitos”, sem causar feridos entre alunos, professores e auxiliares.

De acordo com a PSP, o suspeito ferido recebeu assistência médica de emergência no local, tendo sido, pouco depois, transportado numa ambulância para uma unidade hospitalar. Recebeu tratamento e já obteve alta.

Saíram em liberdade do Tribunal de Silves, que considerou não ter indícios suficientes para mantê-los detidos. Logo em seguida, foram, de novo, detidos, em cumprimento de um mandato de captura emitido pelas autoridades espanholas

Como já referimos, no sábado, três dos quatro detidos foram presentes ao Tribunal de Silves para primeiro interrogatório a cargo de um juiz de instrução criminal. Pouco depois, saíram em liberdade pelo facto de o Tribunal de Silves considerar que não tinha indícios suficientes para mantê-los detidos. Contudo, logo em seguida, foram, de novo, detidos, em cumprimento do já referido mandato de captura emitido pelas autoridades espanholas. Nesta segunda-feira, os quatro suspeitos são presentes ao Tribunal da Relação de Évora, a fim de serem extraditados para o país vizinho.

“Fujam para dentro da sala de aula e escondam-se!”, gritaram auxiliares e professores para os alunos, que estavam no recreio

“Fujam para dentro da sala de aula e escondam-se!”, gritaram auxiliares e professores, contou, ao ‘Litoralgarve’, um aluno, acrescentando que, “depois, ficámos agachados”, como  forma de proteção. Na altura, estavam no recreio várias crianças, com uma média de idades entre seis e nove anos, a aguardar uma aula de educação física, a qual deveria decorrer durante a tarde ao ar livre.

Na sexta-feira, em declarações ao ‘Litoralgarve, frente ao edifício da Escola do Bairro Operário, Cláudia Vieira, mãe da criança, não escondeu a sua revolta pelo “ambiente de insegurança que se vive, não só em Lisboa e no Porto, como também no Algarve.”

“O que pretendiam os homens que saltaram o muro e a vedação, e entraram na escola? Fugirem só da polícia? E se houvesse um sequestro, um rapto de crianças, professores e auxiliares?”, questiona Cláudia Viera, mãe de um aluno

“O que se passa ao nível de segurança em Lagos? O problema da insegurança em Portugal não é, apenas, em Lisboa e no Porto, como pretendem fazer crer. No Algarve, este problema está muito camuflado, abafado! Quem pode andar tranquilo nesta cidade, com situações deste tipo?”

“Telefonaram-me às 16h03m. para vir buscar o meu filho à escola, dizendo que tinha havido um assalto. Entrei em desespero, vim a correr para salvar o meu filho, que, felizmente, está bem saúde. Nada lhe aconteceu, nem às outras crianças”, disse-nos Cláudia Vieira, sem esconder um natural nervosismo e a emoção estampada no rosto.

E prosseguiu: “Vi auxiliares da escola muito assustadas, como é normal. Havia pessoas a chorar. E agora pergunto: Qual é a segurança para os nossos filhos na escola, enquanto os pais e encarregados de educação vão trabalhar? O que se passa ao nível de segurança em Lagos? O problema da insegurança em Portugal não é, apenas, em Lisboa e no Porto, como pretendem fazer crer. No Algarve, este problema está muito camuflado, abafado! Quem pode andar tranquilo nesta cidade, com situações deste tipo? O que pretendiam os homens que saltaram o muro e vedação, e entraram na escola? Fugirem só da polícia? E se houvesse um sequestro, um rapto de crianças, professores e auxiliares? Quem nos acode?“

Um “caso isolado e único” na perspetiva de vários populares, enquanto para outros “cresce um sentimento de insegurança” nesta cidade, com o surgimento de “gangues à solta”, em que “não se sabe o que poderá acontecer, de dia e noite, em plena via pública”

Esta situação insólita está a ser encarada como um “caso isolado e único” em Lagos, como notaram, ao ‘Litoralgarve’, vários populares, embora admitindo que os fugitivos deveriam conhecer bem o local para onde fugiram. Já outros residentes alertam: “há um sentimento de insegurança” nesta cidade, “com gangues à solta”, em que “não se sabe o que poderá acontecer, de dia e de noite, em plena via pública.” E lembram que o mesmo sucede noutras cidades do país.

Escola do Bairro Operário situa-se junto a um amplo parque de estacionamento, controlado por traficantes de droga e toxicodependentes em Lagos

Refira-se que a Escola do Bairro Operário, invadida na sexta-feira à tarde pelos já referidos quatro indivíduos espanhóis, suspeitos de tráfico de droga, contrabando de armas e furtos em residências, entre outros crimes, no seu país, e na altura em fuga a agentes policiais na cidade de Lagos, situa-se em frente a um amplo parque de estacionamento gratuito e em terra batida, junto às muralhas. Este local é utilizado por toxicodependentes e traficantes de droga, o que tem provocado alarme na população. Há meses, um fogo, que deflagrou numa numa viatura abandonada, supostamente devido a uma vela acesa e onde dormia um conhecido traficante de estupefacientes, de nacionalidade espanhola, acabou por destruir três carros, um dos quais pertencente a pessoas que tinham ali estacionado, enquanto foram jantar a um restaurante. A intervenção dos Bombeiros Voluntários de Lagos impediu que o incêndio s assume maiores proporções no local.