Tribunal de Lagos ordena liberdade para traficante de droga detido por agentes da PSP, com 24 doses individuais de haxixe e 11 de cocaína, quando tentava a venda a turistas no centro da cidade

O suspeito, de 41 anos de idade e “com antecedentes na prática deste tipo de crime, foi presente no Tribunal de Lagos, tendo sido sujeito à medida de coação de Termo de Identidade e Residência”, enquanto aguarda julgamento, indica comunicado policial.

Uma ação de patrulhamento preventivo a cargo de agentes da Esquadra de Lagos da Polícia de Segurança Pública (PSP), no centro desta cidade, levou à detenção, no dia 18 de Outubro de 2023 (quarta-feira da passada semana), de um homem, de 41 anos de idade, por suspeita de tráfico de produtos estupefacientes.

Indivíduo “a abordar turistas, que por ali passavam, a tentar vender algo, que pela sua postura e movimentação, seria potencialmente substâncias ilícitas (…) foi prontamente abordado e revistado” por elementos da PSP, “constatando-se estar na posse” de estupefacientes

Um comunicado divulgado pelo Comando Distrital de Faro da PSP informou que “os polícias intervenientes encontravam-se numa ação de patrulhamento preventivo no centro da cidade de Lagos, quando constataram a presença do suspeito a abordar turistas, que por ali passavam, a tentar vender algo, que pela sua postura e movimentação, seria potencialmente substâncias ilícitas.” Como tal, “o suspeito foi prontamente abordado e revistado, constatando-se estar na posse de 24 doses individuais de haxixe e 11 doses individuais de cocaína, motivo pelo qual foi detido”, referiu a PSP.

“Este suspeito, com antecedentes na prática deste tipo de crime, foi presente no Tribunal de Lagos, tendo sido sujeito à medida de coação de Termo de Identidade e Residência”, acrescentou.

Recorde-se que o Termo de Identidade e Residência é a medida de coacção considerada menos gravosa para um arguido, enquanto aguarda julgamento.

“Ciente dos efeitos negativos que esta atividade criminosa provoca no sentimento de segurança das comunidades locais e turistas que nos visitam, o Comando Distrital de Faro reitera o seu compromisso no seu combate de forma permanente, nas cidades da sua área de jurisdição”, concluiu a PSP neste seu comunicado.

Casais de turistas, mesmo com crianças, chegam a ser importunados por indivíduos de etnia cigana, provenientes do concelho de Portimão, para comprar cocaína e haxixe. “Isto é uma vergonha! Ao que Lagos chegou…” – desabaram, ao nosso Jornal, taxistas e populares, que já assistiram a estes episódios

Por outro lado, como o ‘Litoralgarve’ já descreveu em várias reportagens e entrevistas, o centro da cidade de Lagos tem sido fustigado, há meses, por tráfico de droga. Vários taxistas lamentaram o facto de muitos turistas, alguns deles casais, seus clientes, mesmo com crianças, serem “importunados” por indivíduos, nomeadamente de etnia cigana, ao que se sabe provenientes do concelho de Portimão, para comprar “cocaína e haxixe.” “Isto é uma vergonha! Ao que Lagos chegou…”, desabafaram, ao nosso Jornal, taxistas e alguns populares, que já presenciaram essas cenas.

E apesar de esses turistas rejeitarem, de pronto, a compra do suposto produto estupefaciente, já que, em muitos casos, não passará de louro prensado, como apurámos, os traficantes “insistem e perseguem-nos, perante a passividade das autoridades policiais, que se limitam a dizer que «nada podemos fazer», contou, recentemente, um residente em Lagos.

Há meses, uma conhecida senhora, com responsabilidades políticas no Partido Socialista, em Lagos, foi abordada, quando se encontrava numa pastelaria situada no centro da cidade, por um homem que lhe perguntou se queria comprar cocaína. Ficou, naturalmente, estupefacta.

Cinquenta euros em troca de produto na Rua 25 de Abril

No Verão deste ano, junto a uma residencial na Rua 25 de Abril, em Lagos, um turista estrangeiro foi visto a entregar uma nota de cinquenta euros a um indivíduo, pela compra de droga, que até poderia tratar-se de outro tipo de produto. “Isto acontece muitas vezes nesta zona”, lamentou, ao nosso Jornal, uma funcionária de um estabelecimento, incrédula com o sucedido.

Carlos Tendeiro, guarda-nocturno: “Essa situação ocorre no centro da cidade de Lagos e muito do produto é louro prensado ou cera, por exemplo. Os turistas são enganados, e bem; o problema é o sentimento de insegurança que tal origina junto da população e dos turistas em geral. Mas só com alteração legislativa se poderia ir mais além.”

Já o presidente da Direção Nacional da Associação Sócio-Profissional dos Guardas-Nocturnos, Carlos Tendeiro, em recentes declarações ao ‘Litoralgarve’, sublinhou que não é um problema apenas de Lagos, pois o mesmo “existe nas grandes cidades e cidades turísticas.”

“Essa situação ocorre no centro da cidade de Lagos e muito do produto é louro prensado ou cera, por exemplo. Os turistas são enganados, e bem; o problema é o sentimento de insegurança que tal origina junto da população e dos turistas em geral. Mas só com alteração legislativa se poderia ir mais além”, alertou Carlos Tendeiro.

Há que “criminalizar o aliciamento à compra de produto estupefaciente, ou outro, como se deste se tratasse”

Na opinião daquele responsável da Associação Sócio-Profissional dos Guardas-Nocturnos e que exerce a sua actividade em Lagos, é necessário “alterar a legislação e punir a tentativa de venda de produtos estupefacientes, ou de outro produto, mesmo que não seja estupefaciente, mas como se desse se tratasse.” “Se não é crime, nem ilícito, o que podem as autoridades fazer?” – questionou, a propósito.

Em termos legislativos, torna-se, como tal, urgente “criminalizar o aliciamento à compra de produto estupefaciente, ou outro, como se deste se tratasse, por exemplo”, insistiu este guarda-nocturno.