A higiene do sono no idoso

A higiene do sono também é muito importante para pessoas que estão em recuperação ou internadas em contexto hospitalar ou mesmo em unidades de recuperação ou em acolhimento.

Com o aumento da esperança média de vida, os idosos adquirem cada vez mais relevo na prática clínica e os nossos cuidados devem focar-se cada vez mais na melhoria da sua qualidade de vida. Uma das questões que muito a incómoda é a questão do sono. Raro é o idoso que afirma que dorme bem ou que não tem problemas em adormecer. A insónia é a dificuldade em iniciar ou manter o sono.

É essencial colher um bom relato clínico e explicar ao cliente quantas horas de sono são expectáveis na sua idade. As necessidades de horas de sono variam ao longo da idade, sendo entre 12 e 18 horas nos recém-nascidos, diminuindo, à medida que a idade do ser humano vai avançando, para aproximadamente sete a oito horas por dia nos adultos e idosos. Apesar desta média, há ainda variabilidade interpessoal, tendo em conta se o utente ainda é ou não muito ativo, influenciando o seu metabolismo e, consequentemente, as suas necessidades de sono.

Mas nos idosos é essencial questionar sobre as sestas, que os próprios não contabilizam como horas de sono diárias, nem identificam como possível causa da dificuldade de adormecer à noite ou acordar ainda de madrugada. Nós profissionais de saúde devemos averiguar esta questão, assim como questionar acerca de dor que possa impedir o adormecer e que deve ser estudada e tratada, ou de queixas do humor, ansiedade e depressão que podem estar a interferir com o sono e devem também ser avaliadas e tratadas, de entre outras possíveis causas.

Caso não haja um fator aparente da insónia, deve sempre iniciar-se pela higiene do sono: tentar ter um horário fixo para acordar e dormir; atividades relaxantes antes de dormir (banho quente, leitura); evitar atividades estimulantes antes de dormir (ver filmes de ação, exercício físico nas três horas antes – o exercício é muito importante, mas deve ser realizado ao longo do dia); evitar iluminação forte no quarto o mais suave possível; evitar refeições pesadas à noite ou muito próximo da hora de dormir; não fumar nem consumir estimulantes (café, refrigerantes, alguns chás) à noite; apenas ir para a cama com sono; evitar as sestas.

É importante ter em atenção que os medicamentos utilizados para induzir o sono têm riscos associados que adquirem ainda maior relevância na população idosa, nomeadamente o aumento de quedas e fraturas pelo efeito sedativo da medicação com indicação médica assistente e pela diminuição dos reflexos nos idosos, alterações da memória, dificuldade de concentração, interações com outros medicamentos que estejam a cumprir, tolerância e dependência se utilizados a longo prazo.

Jorge M. Silva

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