Incêndio florestal no Algarve poderá ter começado num terreno onde está instalada uma roulote de pizzaria, na zona de Marmelete, no concelho de Monchique, e com o vento alastrou para Portimão

Nesse   local  da   serra   de   Monchique,  juntam-se,  sobretudo, cidadãos  estrangeiros  aos   fins-de-semana  para  petiscar  junto   a  uma   roulote   com   ‘comida   de  rua’.   “O   fogo   foi   visto   a  sair   da   dali”,   contaram   ao   Litoralgarve,  em   Marmelete.  Já perto da meia-noite, encontravam-se no terreno  352  operacionais, com o apoio de 121 veículos.A situação poderá acalmar durante a madrugada com a caída da humidade e uma força musculada no combate às chamas”, admitiram  bombeiros.  Duas frentes de incêndio preocupam o Comandante Richard Marques.

O incêndio rural que deflagrou no sábado, dia 17/07/2021, pelas 13h26m, no sítio do Tojeiro, zona de Marmelete, no concelho de Monchique, está a desenvolver-se em duas frentes – “uma mais direcionada para a serra de Monchique, numa frente que evolui para norte/oeste, não existindo, nas imediações, situações de maior preocupação em termos de habitações e atividade humana.” Já a frente Sul/Este “desenvolve-se em áreas em que há aglomerados populacionais mais vulneráveis” e, como tal, provoca maiores preocupações, sendo nessa direção para onde foram destacados mais meios.

Quem o disse foi o Comandante Operacional Distrital, Richard Marques, ao fazer, ao final da tarde de sábado, o ponto de situação em conferência de imprensa realizada nas instalações do Autódromo Internacional do Algarve, no concelho de Portimão. Este responsável sublinhou que tudo tem sido feito para garantir a proteção das vidas humanas, estando, no terreno, “também instaladas as condições necessárias para dar assistência aos animais de companhia”, acrescentou.

Comandante   Operacional    Distrital     Richard   Marques   diz   que    três  dezenas  de  pessoas   foram     retiradas  das   suas    habitações   e   de   um lar  de   idosos  considerado ilegal   na   zona    da    Pereira,   no    concelho   de Portimão 

No total, como referiu o comandante Richard Marques, foram retiradas das suas habitações e de um lar de idosos considerado ilegal, “cerca de três dezenas de pessoas”, na zona da Pereira (Portimão)  e  encaminhadas para o pavilhão de multiusos Portimão Arena, situado no Parque de Feiras e Exposições, na Caldeira do Moinho, nesta cidade. Recorde-se, uma vez mais, que esta estrutura já serviu (e continua de prevenção) para funcionar como Hospital de Campanha destinado a receber doentes com Covid-19, em caso de sobrecarga, a este nível, de outras unidades de saúde do Algarve.

Na altura em que o comandante Richard Marques fez o ponto de situação aos jornalistas, sobre o incêndio, estavam “317 operacionais no terreno, 97 veículos e ainda a operar 7 meios aéreos – 4 aviões e 3 helicópteros”, além de “6 máquinas de rasto, mas já com a mobilização de máquinas de reforço”, como assinalou aquele responsável.

“O   vento   forte   e   sem    direção   constante   que   se    faz    sentir   tem    dificultado   o combate   ao   incêndio”,   lamentou   a   presidente   da   Câmara    Municipal   de    Portimão,   Isilda    Gomes

Entretanto, a presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, deixou um recado: “O vento forte e sem direção constante que se faz sentir tem dificultado o combate ao incêndio”.

Edil   de   Monchique,   Rui   André,   admite   que    o   incêndio   “possa    ser    dominado  durante   a  noite”   

Por outro lado, em declarações ao Litoralgarve, o presidente da Câmara Municipal de Monchique, Rui André, reconheceu que a situação “não é favorável” nesta zona “com área florestal, sobretudo eucalipto e algum pinheiro”, admitindo, no entanto, que o fogo “durante a noite possa ser dominado”.

Contudo, “há mais área a arder que exige grandes esforços já no concelho de Portimão, mais concretamente na zona da freguesia de Mexilhoeira-Grande”, acrescentou o autarca monchiquense. Rui André garantiu que desconhece o que terá provocado as chamas. “Não tenho informações, não sei o que esteve na origem concreta do fogo. A informação que tenho é que começou no sítio do Tojeiro, na freguesia de Marmelete, numa zona com algum pinheiro e eucalipto, tendo progredido em direção ao concelho de Portimão”.

Já perto da meia-noite, encontravam-se no teatro das operações 352 operacionais, com o apoio de 121 veículos. Isto, numa altura em que, como o Litoralgarve já noticiou, bombeiros de corporações dos distritos de Lisboa, Setúbal e Portalegre estavam a caminho do Algarve para reforçar o dispositivo envolvido no combate a este violento incêndio que atinge parte dos concelhos de Monchique e de Portimão. “A situação poderá acalmar durante a madrugada com a caída da humidade e uma força musculada no combate às chamas”, admitiram, ao Litoralgarve, bombeiros no local.

“Há   18  anos    é    que    houve    um    grande    incêndio    nesta   zona,   que   se    prolongou   por três / quatro   dias.    Por   enquanto,  não,   mas   também   não   sei   o   que   a    situação  vai  dar.   É  esperar  para  ver  como   evoluiu,  depende  do   vento”,   afirma,   ao   Litoralgarve,   Afonso    Torrinha,    empresário    em   Marmelete

“Estamos sempre com o coração nas mãos nesta zona, onde existe muita vegetação dispersa”, observou, ao Litoralgarve, a presidente da Junta de Freguesia de Marmelete, Marta Martins.

Já Afonso Torrinha, empresário de comércio alimentar para animais também em Marmelete, recordou: “Há 18 anos é que houve um grande incêndio nesta zona, que se prolongou por três / quatro dias”. Agora, notou, “por enquanto, não, mas também não sei o que a situação vai dar. É esperar para ver como evoluiu, depende do vento que está em direção a sul para o concelho de Portimão, onde há preocupação, mas não existe floresta. Contudo, continuamos a aguardar. Aqui em Marmelete, há eucaliptos, medronheiros e sobreiros. E se o vento mudar de direção poderá vir nesta direção”.

Origem  do   incêndio?   “O   que    se    ouve   dizer   é   que   foi   num   terreno  onde  há  uma    pizzaria   e   se   juntam estrangeiros   aos   fins-de-semana.  O   fogo   foi    visto   a    sair    dali    e    depois,    com   o   vento    forte,    acabou   por   não   ser   dominado,   indo    de   norte   para    sul”

Sobre a origem do fogo que começou no sítio do Tojeiro, Afonso Torrinha contou à reportagem do Litoralgarve: “O que se ouve dizer é que foi num terreno onde há uma pizzaria e se juntam estrangeiros aos fins-de-semana. O fogo foi visto a sair dali e depois, com o vento forte, acabou por não ser dominado, indo de norte para sul”.

Um outro popular, em Marmelete, reforçou esta ideia: “Conta-se por aqui que isto teve início numa roulote pizaria, tipo comida de rua, numa zona de acesso complicado, com falta de limpeza dos terrenos, a que se juntou o vento no local a empurrar o fogo, deixando-o fora de controlo”.

(Em continuação)

José Manuel Oliveira

Paulo Silva

PUBLICIDADE