AUTÁRQUICAS 2021 – Entrevista a João Graça, candidato do Chega à presidência da Câmara Municipal de Vila do Bispo

 

“A  construção  de   uma   marina, ou  de um  porto  de   recreio  [em  Sagres]  será  um  dos   primeiros   assuntos   que   irei   pôr   em  cima   da   mesa”

“Não se compreende como é que a nível nacional Vila do Bispo é dos poucos concelhos, onde não existem piscinas municipais. Portanto, também será esse grande projeto em que eu irei apostar e pôr em cima da mesa, como é lógico.”

“É uma vergonha a Via do Infante não chegar ao concelho onde o Infante é mais conhecido e isso foi um erro crasso do passado.”

“É uma câmara com pouco orçamento, como sabemos, mas esperemos que esta ‘bazuca’ [de verbas da União Europeia para Portugal] também venha revitalizar toda a economia no Algarve.”

“Penso que vamos, e tenho fé nisso, ter uma, duas ou três boas surpresas no Algarve” nas próximas eleições autárquicas.

“A minha vontade é que, no final de junho, tivéssemos, digamos, 85  por cento das listas preenchidas”.

Nesta entrevista ao Litoralgarve, João Paulo da Silva Graça, de 47 anos de idade, recém-eleito presidente da Comissão Política Distrital de Faro do  Chega e que encabeçará a lista do partido candidata à presidência da Câmara Municipal de Vila do Bispo, concelho onde reside e é funcionário do Registo Civil, aponta vários projetos no programa em preparação para as eleições autárquicas, a realizar em Setembro ou Outubro de 2021. Reconhece dificuldades do Chega nalguns concelhos do Algarve, com menos eleitores, e conta que há pessoas que até dizem: «eu vou votar, mas dar a cara não posso».

Litoralgarve – Qual é o grande objetivo do Chega no Algarve, nas eleições autárquicas que terão lugar em Outubro de 2021? O partido vai concorrer em todos os concelhos?

João Graça – Sim. Esse será o nosso grande e principal objetivo. A pedido e por vontade da Direção, do nosso presidente, André Ventura, e como é lógico, vamos tentar satisfazer essa vontade e também a nossa. Neste momento, só não temos representação em Monchique, mas estamos à espera de formar a concelhia, ou pelo menos arranjar um coordenador nesta primeira fase e convidá-lo, também, a formar uma equipa.

“(…)   será    uma    batalha    muito    dura, principalmente    em    concelhos     como    Vila   do    Bispo,     Aljezur,    Castro   Marim, Monchique,    Alcoutim,    São Brás de Alportel. São   concelhos    com     muito    poucas    pessoas.  Quem    se     interessa    pela    política, normalmente   já    está    lá    inserido.”

Litoralgarve – Na tomada de posse da nova Comissão Política Distrital, o senhor disse que vai dar total liberdade às concelhias para escolher os candidatos às autarquias. Como perspetiva esse processo?

João Graça – Tal como o presidente André Ventura comunicou aos presidentes das Distritais, seguiremos, então, essa estratégia para as concelhias. Como disse, o doutor André Ventura e a sua Direção Nacional não conhecem, digamos, os hábitos, os costumes, as dificuldades, as gentes da terra. Nas grandes cidades, como é lógico, o partido disse que teria uma palavra a dizer. Mas no nosso caso, a autonomia é total, porque se as concelhias estão no terreno e se trabalham lá, melhor do que ninguém sabem escolher um candidato. Têm mais conhecimento de causa do que um presidente da Distrital.

Litoralgarve – Quando espera ter esse processo concluído?

João Graça – A minha vontade é que, no final de Junho, tivéssemos, digamos, 85  por cento das listas preenchidas. Mas será uma batalha muito dura, principalmente em concelhos como Vila do Bispo, Aljezur, Castro Marim, Monchique, Alcoutim, São Brás de Alportel. São concelhos com muito poucas pessoas. Quem se interessa pela política, normalmente já está lá inserido. Mesmo todos estes votos que o doutor André [Ventura – nas eleições para a Presidência da Republica] teve, digamos, alguns são de militantes, mas a maior parte é de simpatizantes. Pessoas que até dizem: «eu vou votar, mas dar a cara não posso».

Litoralgarve – Está a ser difícil formar listas?

João Graça – Nestes sítios mais pequenos, que referi. Nos grandes, felizmente, é diferente. Temos equipas nas grandes cidades. A de Faro, [a situação] está mais avançada, a de Lagos também já estamos, digamos, nos ‘finalmentes’. Portanto, as grandes cidades têm equipas e eu penso que [nesta reunião da Assembleia Distrital, realizada no dia 13 de Março de 2021] já sairão daqui mais um ou dois nomes, se calhar aos que nós já temos na lista. E no próximo mês, esperamos ir fazer reuniões a todas as concelhias para reforçar a situação e para eles continuarem a trabalhar. Isto, para terminar o mais rápido possível pelo menos os candidatos a presidentes de câmara.

“Não    tenho    é     dúvidas    de     que     vamos   eleger     vereadores”    nas     câmaras    municipais    do     Algarve.  “E   se   calhar,    esse    vereador   poderá,    às     vezes,     ser     o     pêndulo     da    decisão     em      muitos     concelhos.”

Litoralgarve – O Chega pensa conquistar a presidência de alguma câmara municipal no Algarve? Isso é possível?

João Graça – Bem, como é lógico, dizer, de início, que é possível é um bocado complicado. Como sabemos, é um partido recente, não podemos ter muitas referências com os votos que o doutor André teve [nas presidenciais], quer agora para as autárquicas, quer para as legislativas  [em  2023], porque são coisas completamente diferentes. A gente sabe que, às vezes, para as câmaras os partidos contam muito, mas as pessoas que dão a cara também são muito importantes. Penso que nós vamos, e tenho fé nisso, ter uma, duas ou três boas surpresas. Penso nisso. Não tenho é dúvidas de

que vamos eleger vereadores. E se calhar esse vereador poderá, às vezes, ser o pêndulo da decisão em muitos concelhos do Algarve.

Litoralgarve – Quais são as suas perspetivas para o concelho de Vila do Bispo, como candidato do Chega à presidência da Câmara Municipal?

João Graça – Sou voluntário (risos). Primeiro, a minha comissão  [política concelhia), como é lógico, penso que irá aceitar [a candidatura]. Depois, lá em cima [em Lisboa], dos nomes que a gente mandar, dificilmente irão chumbar algum nome. Portanto, sou voluntário a ser candidato. Tenho um programa que venho a desenvolver há muito tempo, tal como algumas concelhias [do Algarve] já têm. Em todos os programas, o Chega vai tentar ter um, dois, três pontos de marca de referência, problemas transversais à sociedade e ao Algarve.

“Há   doze    anos    que    não    existe     no concelho    de    Vila    do    Bispo    um    plano   de habitação”

Litoralgarve – E quais são esses pontos de referência no concelho de Vila do Bispo? 

João Graça – Tenho dois grandes projetos. É uma vergonha nunca ter sido pensado numa terra conhecida por navegadores. Quem anda em alto mar, gostava um dia de poder entrar no porto de Sagres. Portanto, será não uma promessa de campanha, digamos, mas será um dos primeiros assuntos que eu irei pôr em cima da mesa a construção de uma marina, ou de um porto de recreio. Para Sagres só vêm barcos de pesca. E qualquer marinheiro, que navega em alto mar e passa por Sagres e sabendo da fama que tem Sagres, gostava de dizer: «estive na terra do Infante Dom Henrique, ou de onde o Infante saiu». Porque a fama está lá. Agora, se saiu, ou não saiu, deixaremos isso para outra discussão.

 

Porto de Sagres

Por outro lado, não se compreende como é que a nível nacional Vila do Bispo é dos poucos concelhos, onde não existem piscinas municipais. Portanto, também será esse grande projeto em que eu irei apostar e pôr em cima da mesa, como é lógico. É uma câmara com pouco orçamento, como sabemos, mas esperemos que esta ‘bazuca’ [de verbas da União Europeia para Portugal] também venha revitalizar toda a economia no Algarve.

Esperemos bem, e vou lutar com todas as minhas forças para, ou o comboio, que eu sei que é mais difícil, ou a A22 [Via do Infante] chegar à Vila do Bispo. É uma vergonha a Via do Infante não chegar ao concelho onde o Infante é mais conhecido e isso foi um erro crasso do passado.

Por outro lado, há doze anos que não existe no concelho de Vila do Bispo um plano de habitação. Tivemos muitos problemas nas escolas, com falta de condições, falta de manutenção. Não se pode deixar as coisas caírem até ao fim, porque depois tudo fica caro. Tem de haver um planeamento de ‘x’ em ‘x’ anos na Câmara Municipal, do tipo, num ano vamos consertar, conservar todas as escolas, ou incidir a ação em todos os estabelecimentos de ensino no concelho. Daqui por dois ou três anos, seriam todos os mercados, por exemplo. Tem-se deixado tudo ir até ao limite.

Houve   “uma    situação   que    foi    uma  vergonha,   em    que    as    crianças   da    Escola C+S   de   Vila   do    Bispo   (e   eu   tenho   lá sobrinhas)   para    irem     à  casa  de    banho,   uma   tinha   de   ficar   à    porta,   porque   as portas    estavam    partidas.   Já   o   papel higiénico,   os    miúdos    tinham   de    levar    de casa”.

Litoralgarve – Há mais problemas? Como, por exemplo?

Escola C+S de Vila do Bispo - Vila do Bispo

João Graça – Tivemos uma situação que foi uma vergonha, em que as crianças da Escola C+S de Vila do Bispo (e eu tenho lá sobrinhas) para irem à casa de banho, uma tinha de ficar à porta, porque as portas estavam partidas. Já o papel higiénico, os miúdos tinham de levar de casa. Os cacifos estiveram partidos durante anos, o que obrigava os miúdos a andar com as mochilas com cinco, seis, sete quilos às costas durante todo o dia na escola. São estas situações que irei tentar resolver, com muito respeito por quem está na Câmara, pois são todos meus amigos. É um sítio pequeno e somos amigos de infância.

O    atual     presidente,    o    Adelino    Soares,   é meu    amigo    de    infância,    a    quem    eu  prezo  muito   e  à  família.  A   Rute   [Silva],   que   penso que   será   candidata    do    PS,   é    uma   pessoa que   eu    estimo  e    ela    também   tem   muita estima    por   mim  (…) mas   está   na   hora   de Vila   do    Bispo   ter    uma    nova   cor    política   e   um    novo    rumo”   nas   próximas  eleições autárquicas.

Litoralgarve – Conhecem-se  há tantos anos?

João Graça – O atual presidente, o Adelino Soares, é meu amigo de infância, a quem eu prezo muito e à família. A Rute [Silva], que penso que será candidata pelo PS, é uma pessoa que eu estimo e ela também tem muita estima por mim. Também nos conhecemos desde os 10, 14 anos de idade. Os vereadores, o  [Fernando] Santana, são pessoas com que tenho uma excelente relação. Mas penso que estão, digamos, num fim de ciclo. Fizeram o seu trabalho de forma honesta, o melhor que conseguiram, com os meios que tinham, mas penso que está na hora de Vila do Bispo ter uma nova cor política e um novo rumo. 

José Manuel Oliveira

 

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