COVID-19 – MAIS DE TRÊS DEZENAS DE PESSOAS SEM MÁSCARA EM RUAS DE LAGOS, ENQUANTO AUMENTAM CASOS DE INFEÇÃO E MORTES NESTE CONCELHO

“Estamos num momento complicado e de exigência, tal e qual como todas as regiões do país”, reconhece a Delegada de Saúde Regional do Algarve, Ana Cristina Guerreiro, apontando os lares de idosos e os cuidados continuados como “as nossas principais preocupações”. Segundo apurou o nosso Jornal, os hospitais do Algarve já receberam 45 doentes com Covid-19 para internamento, provenientes de Lisboa, Setúbal e Beja.

Numa altura em que o concelho de Lagos tem mais sete pessoas  com Covid-19, elevando para 1.066 o total de infetados desde o início da pandemia, e regista 275 casos ativos, além de 15 óbitos como valor cumulativo (houve mais três mortes nos últimos quatro dias), segundo o relatório divulgado a 25/01/2021 pela Câmara Municipal através da sua página na rede social ‘Facebook’, o Litoralgarve contou, na segunda-feira, dia 26 de Janeiro, à tarde, em pouco tempo, mais de três dezenas de pessoas sem máscara em vários pontos da cidade. Isto, apesar do confinamento e do aumento do valor das multas, até 1.000 euros e a pagar na hora às autoridades policiais, por decisão no recente despacho do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, nesta fase do estado de emergência, com dever de recolhimento.

Perto do Supermercado Spar, situado no Edifício Trindade, na Estrada Ponta da Piedade, em Lagos, cerca das 15h00, cinco pessoas sem máscara e algumas delas com cães pela trela, até se cruzavam com outras, passeando descontraidamente. Já no centro da cidade, nomeadamente na Rua Cândido dos Reis, na Rua 25 de Abril (onde se situa a Farmácia Silva) e na Praça Gil Eanes, o Litoralgarve contou, em pouco mais de trinta minutos, vinte e duas pessoas sem máscara, além de outras também nessa situação próximas destes locais. Algumas dessas pessoas passeavam tranquilamente, enquanto que um homem circulava de bicicleta, também sem máscara e em zona interdita ao trânsito. 

Delegada de Saúde Regional, Ana Cristina Guerreiro: “nunca tivemos tantos doentes internados no Algarve”

Como sublinhou durante a habitual conferência de imprensa quinzenal realizada a 22/01/2021 nas instalações do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil, em Loulé, a Delegada de Saúde Regional do Algarve, Ana Cristina Guerreiro,

“nunca tivemos tantos doentes internados no Algarve”. Tal sucedeu nesse dia em que a região contava com  233  hospitalizados (mais 93 do que na passada anterior, a 15/01/2021), 33 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos e 17 ventilados, como o Litoralgarve então noticiou. 

“Estamos num momento complicado e de exigência, tal e qual como todas as regiões do país. Temos uma média à volta de 350 / 400 casos diários nos últimos dias. As nossas principais preocupações relacionam-se com os lares de idosos e os cuidados continuados. Já nas escolas, ao longo das últimas semanas, desde o início da época escolar, foram surgindo muitos casos de infeção por Covid, casos que vinham de transmissão familiar. Temos um número elevado de casos neste grupo etário, que até aqui não se tinha apercebido. Não tinha existido na realidade um número tão grande de crianças em idade escolar com teste positivo”, disse, na altura, a Delegada de Saúde Regional do Algarve, sem revelar o número exato.

Lares em sete concelhos foram atingidos por surtos

Os surtos de Covid-19 já atingiram utentes e funcionários de 12 lares em sete concelhos da região algarvia. São os seguintes:

ALBUFEIRA

Lar de São Vicente  (já provocou 40 casos de infeção)

Lar do Roseiral  (57 infetados)

FARO

Lar da Santa Casa da Misericórdia   (3  casos)

Casa dos Rapazes, na valência de lar para a infância e juventude  (31 casos)

Cantinho do Avô, em Santa Bárbara de Nexe  (40 casos)

LOULÉ

Lar em Tôr  (27  casos)

Lar da Santa Casa da Misericórdia   (6 casos)

SILVES

Lar da Santa Casa da Misericórdia de Armação de Pera  (14 casos)

Lar da Santa Casa da Misericórdia de Algoz, na Unidade de Cuidados Continuados  (69  casos)

LAGOS

Lar Rainha Dona Leonor  (35  casos)

OLHÃO

Lar para deficientes da ACASO   (16  casos)

TAVIRA

Lar de Santa Maria   (contabiliza 14  casos desde o início do surto)

Refira-se que os surtos são considerados encerrados 28 dias após o surgimento do último caso nesse local. 

Para Paulo Morgado, presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve, a capacidade hospitalar “neste momento está aberta, ainda poderá ser expandida, caso exista necessidade e esperamos que não seja necessário”

Por outro lado, conforme referiu aos jornalistas o presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, Paulo Morgado, a capacidade hospitalar “neste momento está aberta, ainda poderá ser expandida, caso exista necessidade e esperamos que não seja necessário”. Isto, numa altura em que foram contratualizados os serviços de duas unidades de saúde privadas – o Hospital de Santa Maria, em Faro, com 24 camas de internamento, e o Hospital de São Gonçalo, em Lagos, com 26 camas e duas salas de bloco operatório, para doentes não Covid.

Caso tal não seja suficiente, “temos um meio-acordo, uma pré-adesão com os privados, no sentido de ser disponibilizado ao Serviço Nacional de Saúde um total de  57 camas para doentes não Covid”, salientou o presidente da ARS Algarve.

“Todas as entidades da região demonstraram disponibilidade. Essa capacidade existe e está disponível e poderá ser utilizada caso seja necessária. Também temos essa margem de manobra que nos permite ter algum conforto, se é que podemos ter algum conforto numa fase tão difícil como a que estamos a passar”, acrescentou Paulo Morgado.

“Espero, também, quando isto acalmar, que o país se lembre e seja também solidário com o Algarve e, de uma vez por todas, defina e assuma a construção do Hospital Central”, apela António Miguel Pina, presidente da AMAL, como recado ao Governo, após lembrar que esta região tem “até recebido doentes de outras partes” para tratar infetados

Segundo apurou o nosso Jornal, nos hospitais públicos da região algarvia estavam internados pelo menos 45 doentes com Covid-19, provenientes dos distritos de Lisboa, Setúbal e Beja. António Miguel Pina, presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve e da Comissão Distrital de Proteção Civil de Faro, em declarações ao Litoralagarve, destacou essa situação, aproveitando para deixar um recado ao Governo: “O Algarve, neste momento, tem-se conseguido desdobrar e dar resposta aos algarvios. Parabéns à estrutura de saúde – CHUA (Centro Hospitalar Universitário do Algarve), ARS (Administração Regional de Saúde), delegados de saúde. E temos até recebido doentes de outras partes. Mas espero, também, quando isto acalmar, que o país se lembre e seja também solidário com o Algarve e, de uma vez por todas, defina e assuma a construção do Hospital Central”.

“Preocupa-nos a todos” o facto de “alguma coisa” ter de ficar “para trás nas outras patologias”, devido à resposta médica aos doentes Covid

Sobre o estado atual da pandemia nesta região, António Miguel Pina observou: “Ao nível da situação, do ponto de vista da resposta médica, temos ainda capacidade naquilo que são os doentes Covid. Com certeza, porém, que alguma coisa fica para trás nas outras patologias e isso preocupa-nos a todos”.

Paulo Silva

José Manuel Oliveira

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