Diversos

COVID-19 – ELIDÉRICO VIEGAS, PRESIDENTE DA AHETA, AO LITORALGARVE: “O QUE SE ESPERA, VIVAMENTE, É QUE AS MEDIDAS AGORA EM VIGOR CONTRIBUAM PARA ESBATER E COMBATER A DOENÇA, DE FORMA A PERMITIR QUE OS PORTUGUESES POSSAM VIAJAR, EM MASSA, PARA O ALGARVE, COMO É HABITUAL, DURANTE O ‘RÉVEILLON’

O presidente da Direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve  (AHETA), Eilidérico Viegas, considera “não só razoável, como aceitável” a decisão do Governo de proibir a presença de público no Moto GP  –   evento mundial que terá lugar de 20 a 22 de Novembro de 2020 no Autódromo Internacional do Algarve, no concelho de Portimão   –   depois dos problemas com espetadores que não respeitaram as regras sanitárias no âmbito da pandemia da Covid-19, durante o recente Grande Prémio Portugal de Fórmula 1. E reconhece prejuízos para unidades hoteleiras e empreendimentos turísticos, além da restauração e comércio, num evento que iria atrair, na sua maioria, milhares de  espetadores portugueses e espanhóis a esta região.

Litoralgarve – Como reage à decisão do governo de não autorizar a presença de público no Moto GP, que terá lugar no Autódromo Internacional do Algarve, no concelho de Portimão, de 20 a 22 de Novembro de 2020, devido a problemas com ajuntamentos  no Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, em que compareceram mais de 27 mil espetadores, muitos deles sem respeitarem as regras sanitárias impostas pela pandemia da Covid-19?? Que impacto poderá ter ao nível do turismo o facto de o Moto GP se realizar sem público?

Elidérico Viegas – Trata-se, em boa verdade, de uma medida já esperada, atendendo aos acontecimentos/incidentes ocorridos aquando da realização do Grande Prémio de Fórmula 1. O impacto traduz-se, em primeira análise, num prejuízo para a organização, mas também para os hotéis e empreendimentos turísticos, comércio e restauração, designadamente na área envolvente do autódromo, (Portimão, Praia da Rocha, Alvor). Sem pretender retirar a devida importância a esta prova, há que reconhecer que o Moto GP não tem a mesma dimensão, grandiosidade e impacto do Grande Prémio de Fórmula 1.

“O   PRINCIPAL    IMPACTO   ECONÓMICO”    DO    MOTO   GP,    NA    REGIÃO    ALGARVIA,   “RESULTA   DA   SUA    ELEVADA    COBERTURA    MEDIÁTICA     INTERNACIONAL” 

Litoralgarve – E qual o prejuízo para a hotelaria e para o turismo em geral? Quantos milhões de euros acabam por perder?

Litoralgarve – Na sua maioria, os espetadores, por força das circunstâncias, seriam nacionais, sendo que a maior parte viria no próprio dia, embora muitos deles, nomeadamente espanhóis, pudessem ficar hospedados em estabelecimentos hoteleiros e turísticos das áreas circundantes.

A falta de experiência na realização de provas deste género no Algarve, não permite ter uma ideia aproximada da real dimensão e impacto na economia regional de eventos desta natureza. Sabemos, contudo, que o principal impacto económico de um evento desta natureza, é o que resulta da sua elevada cobertura mediática internacional, representando, por isso mesmo, um meio privilegiado de promoção e divulgação da região no exterior.

Litoralgarve – É compreensível a decisão do governo, ou existiam alternativas?

Elidérico Viegas – Temos de reconhecer que a decisão é não só razoável como aceitável, sendo mesmo esperada pela generalidade dos agentes envolvidos, incluindo os empresários hoteleiros e turísticos, quer porque a pandemia se agravou substancialmente nos últimos tempos, quer porque é difícil gerir e controlar adequadamente o comportamento de milhares e milhares de espetadores.  Neste contexto, entre o evoluir da doença e a pressão da opinião pública, prevaleceu o politicamente correto.

HOTELEIROS    ESPERAM    TURISTAS   PORTUGUESES,  “EM   MASSA   PARA   O  ALGARVE”,   DURANTE   A   PASSAGEM-DE-ANO

Litoralgarve – Que repercussões poderão ter para o turismo no Algarve as medidas restritivas impostas em vários concelhos do país e o previsto estado de emergência, na sequência do aumento de casos de Covid-19?

Elidérico Viegas – Estamos em plena estação baixa do turismo, pelo que estas medidas terão, pelo menos para já, um impacto meramente residual. A crise profunda e, sem precedentes, que o turismo do Algarve vem enfrentando desde Março último encontra justificação, sobretudo, na paragem quase total dos fluxos turísticos oriundos de países terceiros, nomeadamente do Reino Unido, o nosso maior fornecedor de turistas.

Litoralgarve – E se for decretado o recolher obrigatório? 

Elidérico Viegas – Tal como referi anteriormente, excetuando o final do ano, a procura turística é muito reduzida, quer por parte de nacionais, quer de turistas estrangeiros, confrontados com restrições de vária ordem nos seus países de origem. Assim sendo, o que se espera, vivamente, é que até lá, as medidas agora em vigor contribuam para esbater e combater a doença, de forma a permitir que os portugueses possam viajar em massa para o Algarve, como é habitual, durante o réveillon.

RESCALDO  DO   GRANDE  PRÉMIO   DE   PORTUGAL   DE   FÓRMULA 1 –  SETE   COLABORADORES   EM   ISOLAMENTO    E   14   CASOS   DE   COVID-19   CONFIRMADOS,  TODOS ESTRANGEIROS,   ENTRE    MEMBROS     DE   EQUIPAS    QUE   VIERAM   TRABALHAR    NA   PROVA

Entretanto, ainda no rescaldo  do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, realizado no Autódromo Internacional do Algarve, de 23 a 25 de Outubro de 2020, a Câmara Municipal de Portimão informa que,  “no seguimento do rastreio  preventivo levado a efeito pela organização” da prova e “que permitiu testar todos os colaboradores contratados para o efeito, mantém-se o acompanhamento a sete colaboradores em isolamento. Os restantes casos anteriormente apontados foram considerados negativos”.

Recorde-se que, como referiu a delegada regional de Saúde, Ana Cristina Guerreiro, durante a habitual conferência de imprensa quinzenal nas instalações do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil, em Loulé, no dia 30/10/2020, para balanço da situação epidemiológica no Algarve, houve “14 casos confirmados de Covid-19, todos de estrangeiros, entre  membros de equipas que vieram trabalhar” no Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1.

Autor: José Manuel Oliveira

Deixe uma resposta