Entrevistas

COVID-19 – JORGE BOTELHO, COORDENADOR NO ALGARVE DA EXECUÇÃO DA DECLARAÇÃO DA SITUAÇÃO DO ESTADO DE CONTINGÊNCIA, AO LITORALGARVE: “HÁ PESSOAS QUE ACHAM QUE O MAL SÓ ACONTECE AOS OUTROS

“Nós temos de ter comportamentos defensivos. Se as pessoas ficarem doentes, têm de sinalizar à saúde que se sentem doentes, para saber se têm, ou não, Covid-19”. É este o apelo do novo coordenador na Região do Algarve da Execução da Declaração de Situação do Estado de Contingência, Jorge Botelho, atual secretário de Estado da Descentralização e Administração Local, que, em declarações ao nosso Jornal, defende o uso da máscara em sítios com muita gente, diz que “as pessoas devem ter confiança nos serviços regionais” e insiste no cumprimento das regras de segurança para enfrentar a pandemia.

Litoralgarve – Como têm sido estas primeiras semanas nas funções de coordenador na Região do Algarve da Execução da Situação de Declaração do Estado de Contingência, no âmbito da pandemia da Covid-19? O que mais o preocupa?

Jorge Botelho – As pessoas do Algarve devem ter confiança nos seus serviços regionais, tanto ao nível da saúde pública, tanto ao nível da segurança social, como ao nível da Proteção Civil, e obviamente nas câmaras municipais. Porque todas estas entidades estão a trabalhar muito próximo para que possa haver respostas no caso de haver uma ocorrência como tem, agora, acontecido de forma crescente. Quero salientar que considero que, apesar dos números  [de contágio] estarem a aumentar, as escolas já começaram as aulas há mais de 15 dias, mas os números não têm aumentado muito, não temos nenhuma escola fechada. Temos uma ou outra sala fechada. Mas, obviamente, é muito importante que a gente passe para as pessoas uma mensagem: temos de apertar os nossos procedimentos. Nós temos de nos defender. Nós temos de utilizar as normas que são recomendadas, como a distância, o uso da máscara em sítios movimentados e nos sítios cobertos. Temos de adotar medidas, porque os números que estamos a ter agora resultaram de alguma largueza, ou flexibilidade, que tivemos no fim do Verão, os comportamentos. As pessoas são assim. Isto provoca um certo desgaste. Nós somos todos próximos uns dos outros, somos pessoas de afetos. Mas, obviamente, temos de pôr os nossos afetos e a nossa cabeça também a funcionar. Às vezes, as emoções são importantes – ninguém vive sem emoção – mas, insisto, temos de tomar atitudes defensivas. Por isso, o apelo que eu faço às pessoas é que tomem os comportamentos que têm de ter, como o uso da máscara, o afastamento social, a etiqueta respiratória, que é muito importante, para que possamos passar esta fase, baixar os números [de novos casos de contágio] e o Algarve continuar.

“AS    PESSOAS    APANHAM    [COVID]    PORQUE    SE    RELACIONAM   (…)    NÓS    TEMOS    DE    TER    COMPORTAMENTOS     DEFENSIVOS”

Litoralgarve – Quem se está a relaxar mais nesta altura?

Jorge Botelho – Não sei quem se está a relaxar. A gente quando fala, fala para todos. Os resultados que temos são números a crescer. E as pessoas não apanham Covid porque estão sozinhas em casa, isoladas. As pessoas apanham porque se relacionam. E às vezes, num sítio ou noutro, num café, na proximidade, dos jovens para os avós. Nós temos de ter comportamentos defensivos. Se as pessoas ficarem doentes, têm de sinalizar à saúde que se sentem doentes, para saber se têm, ou não, Covid-19.

“SE    BAIXAREM    OS    NÚMEROS    [DE    INFEÇÕES],   NÓS    CONSEGUIMOS    TER     A    ECONOMIA    SEMPRE    ABERTA” 

Litoralgarve – E há muita gente que não o faz?

Jorge Botelho – Há pessoas que acham que o mal só acontece aos outros. Por isso, está na altura, sem alarmismos, sem drama, fazer aquilo que nos compete. O sistema está a responder às necessidades neste momento, o sistema de saúde, o Hospital de Faro, os centros de saúde, todos os lares. Mas, obviamente, o que queremos é que não aumentem os números [de infeções]. Porque se baixarem os números, nós conseguimos ter a economia sempre aberta, as coisas a fluir, as pessoas ganham confiança e toda a gente consegue fazer a vida mais ou menos normal para os tempos de hoje. Porque nós queremos ter vida normal.

Litoralgarve – O período de Outono/Inverno poderá agravar a situação no Algarve?

Jorge Botelho – Preocupa-me isso e claro que deve preocupar toda a gente. Por isso, o apelo às pessoas. Vamos entrar numa fase mais difícil e como tal volto a insistir  para as  pessoas tomarem estes comportamentos defensivos, que é aquilo que eu faço, todos fazem.

“ISTO    NÃO   É    UM   CASO    DE   POLÍCIA.   ISTO     É     UM     CASO   DE    COMPORTAMENTOS     DAS     PESSOAS”

Litoralgarve – E se as pessoas não seguirem os comportamentos recomendados pela Direção-Geral da Saúde, as autoridades devem andar mais vigilantes?

Jorge Botelho – Eu diria que isto não é um caso de polícia. Isto é um caso de comportamentos das pessoas. As autoridades funcionam para os horários e os distanciamentos quando tiverem de intervir. Mas não é por aí que a gente tem de entrar. Nós temos de ser cidadãos e temos de nos defender uns aos outros. E é esse o ponto de vista que a gente tem de defender.

Litoralgarve – Se as pessoas não seguirem essa mensagem e se relaxarem, com os casos a aumentar, até onde isto pode ir parar?

Jorge Botelho – Não sei, porque não faço futurologia. Agora, obviamente, nós continuaremos a ter casos assim e vamos ver qual é o limite.

Litoralgarve – Deve haver o uso da máscara obrigatório na rua e em qualquer espaço?

Jorge Botelho – Não. O Governo não recomenda isso, não é por aí. O que eu defendo é que a máscara deve ser recomendada em sítios com muita gente.

José Manuel Oliveira

Deixe uma resposta