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SECRETÁRIO DE ESTADO TESTEMUNHA BOAS PRÁTICAS NO ÂMBITO DA POLÍTICA MUNICIPAL PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA EM LOULÉ

João Galamba, secretário de Estado Adjunto e da Energia, visitou ontem o concelho de Loulé para conhecer as boas práticas que aqui estão a ser desenvolvidas ao nível da transição energética. Numa altura em que o país se prepara para atingir o desiderato da neutralidade carbónica em 2050, foi com alegria que este responsável viu de perto algumas ações desenvolvidas no âmbito da política para a transição energética deste Município, desde a serra às zonas do litoral, e que mereceram rasgados elogios da parte do governante detentor da tutela.

À receção nos Paços do Concelho onde o autarca Vítor Aleixo apresentou os principais eixos deste trabalho, seguiu-se uma passagem pelo Mercado Municipal de Loulé, um dos edifícios municipais onde foram introduzidas energias renováveis para garantir a eficiência energética do local, nomeadamente 234 módulos fotovoltaicos (60 KW) que garantem uma redução anual de emissões de 23 toneladas de CO2.

Em Salir, na Escola Básica Integrada Professor Sebastião Teixeira, onde está a ser criada a primeira comunidade energética escolar do país, João Galamba deparou-se com uma realidade em que um estabelecimento de ensino inserido numa zona rural do interior está a dar cartas no panorama nacional no que toca à transição energética. A par da instalação de uma central fotovoltaica com venda de excedente à rede, com 140 módulos, com uma potência de ligação de 40 kW, e que permite ganhos visíveis não só na diminuição do valor da fatura mas também na redução anual de emissões de CO2 (cerca de 30 toneladas/ano), este é, sem dúvida, um projeto mais vasto, com uma clara componente pedagógica já que irão decorrer diversas ações com o envolvimento de toda a comunidade escolar.

 O secretário de Estado sublinhou que “o objetivo do país é mesmo que a transição energética seja uma oportunidade para todo o território e para diferentes agentes. Loulé é um excelente exemplo de um concelho fortemente mobilizado para fazer o seu papel na transição energética, ao aproveitar os imensos recursos endógenos que este território tem e, não menos importante, ao envolver as pessoas.” João Galamba destacou o projeto da Escola de Salir que, segundo o governante “é particularmente feliz por envolver a comunidade escolar, os alunos, os pais, e por perceberem que a sua escola produz hoje eletricidade que satisfaz uma parte significativa das suas necessidades, que pode injetar na rede, e que recebe receita por isso, criando um fundo em que depois é a própria comunidade que discute onde quer aplicar”.

No auditório do NERA, foi apresentada a Plataforma SERES – Solução Eficiente para os Recursos Energéticos Sustentáveis, uma solução tecnológica que nasce da articulação do Município com o Grupo Algardata. Trata-se de uma ferramenta de apoio à gestão de energia em edifícios, instalações e iluminação pública. Este projeto surgiu da necessidade de se efetuar uma análise quantitativa de custos e consumos de energia elétrica e respetivo cálculo das emissões de CO2. A plataforma também analisa a produção de energia e autoconsumo. Tem a mais-valia de poder detetar eventuais anomalias que surjam, atuando e corrigindo de forma mais rápida. No futuro, prevê-se que esta plataforma seja extensível a outros consumos de energia, como gás, gasolina e gasóleo

No encerramento desta visita, o secretário de Estado da Energia esteve na sede da Inframoura para presidir à cerimónia de atribuição, por parte da SGS, da certificação internacional ao nível dos sistemas de gestão de energia (Norma ISO 50 001) a esta empresa municipal, a única do setor certificada para o conjunto total das suas atividades. Trata-se do culminar do trabalho realizado neste território com vista à redução do consumo de energia e melhoria da eficiência energética e produtividade dos processos. Estes passos têm sido seguidos também em Vale do Lobo e Quinta do Lago, onde atuam as outras empresas municipais que gerem os espaços públicos destes empreendimentos.

Nesta passagem por este concelho algarvio, João Galamba deixou ainda uma nota quanto ao próximo quadro financeiro em que “a produção descentralizada e a eficiência energética para particulares, empresas e autarquias será uma prioridade”.

Já Vítor Aleixo assumiu o grande objetivo  nesta matéria de produção descentralizada de energia: “a instalação, até ao final do mandato, de 2 MegaWatt em unidades de produção e consumo”, nomeadamente em escolas, edifícios municipais, piscinas e pavilhões municipais, empresas municipais, IPSS, instalações de elevação de água ou novas obras como o futuro Mercado de Quarteira. Em alguns casos esta é já uma realidade como é o caso do edifício da Fundação António Aleixo, em Quarteira, ou da Casa da Primeira Infância, em Loulé, duas instituições que veem assim uma forma de redução da fatura de energia, através de um financiamento da Autarquia para a execução dos projetos. Também as Piscinas de Loulé encontram-se em obras e irão agregar equipamentos fotovoltaicos de produção de energia solar, enquanto que para os estabelecimentos de ensino, a Autarquia lançou um concurso no valor de 330 mil euros para que mais 6 escolas venham também a ser equipadas com painéis fotovoltaicos.

Ainda neste contexto, um dos projetos mais inovadores e promissores será a criação de uma comunidade de produção e consumo de energia na aldeia de Alte, ficando todo este território mais eficiente em termos energéticos.

Como explicou o edil louletano, a par da transição energética, a promoção da mobilidade elétrica e a informação e capacitação são eixos que norteiam esta linha de atuação do Município de Loulé.

A mobilidade elétrica tem sido, de resto, uma das grandes apostas do Município, introduzindo na frota municipal veículos elétricos e criando uma Rede Municipal de Postos de Carregamento com um total de 30 postos durante o presente ano.

Nesta matéria da mobilidade, Vítor Aleixo anunciou ainda o desenvolvimento do Regulamento Municipal para a Mobilidade Elétrica, a implementação em Vilamoura de um sistema inovador de Hub de carregamento de veículos elétricos (um dos únicos pontos do país a receber esta iniciativa) e a criação de um Sistema Municipal Partilhado de Bicicletas Elétricas, com 560 unidades distribuídas por Loulé, Vilamoura, Quarteira, Almancil, Quinta do Lago e Vale do Lobo. Este será um projeto com um investimento avultado, a rondar os 6,5 milhões de euros, cujo concurso não foi ainda aberto dada a incerteza da conjuntura macroeconómica da atualidade”.

Autor: Câmara Municipal de Loulé

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