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ENTREVISTA A JOÃO FERNANDES, PRESIDENTE DA REGIÃO DE TURISMO DO ALGARVE: “O GOVERNO PORTUGUÊS MANTÉM CONVERSAÇÕES COM O GOVERNO BRITÂNICO PARA QUE O ALGARVE POSSA VOLTAR A RECEBER TURISTAS DO REINO UNIDO SEM QUALQUER RESTRIÇÃO”

O presidente da RTA lembra que o Algarve regista “apenas 1,5%  dos  casos  em  território  nacional” no tocante à pandemia da Covid-19, “tendo implementado, de forma pioneira, boas práticas para fazer face à atual realidade”.

No Algarve “existe uma população  composta por cerca de 18 mil britânicos e  a quem o governo” do seu país “poderia ter perguntado se era seguro viver entre nós”. Quem o diz, em jeito de repto, é o presidente da  Comissão Executiva da Região de Turismo do Algarve (RTA), João Fernandes, que, nesta entrevista ao Litoralgarve,  mostra-se confiante de que “o Algarve possa voltar a receber turistas do Reino Unido sem qualquer restrição”, na sequência de conversações em curso entre os responsáveis dos governos de Portugal e daquele país.

“Esta é uma decisão profundamente injusta por não atender aos factos e que terá um impacto significativo no país e em particular na região do Algarve, que não merecia ser incluído nesta medida”, reforça João Fernandes, reagindo, uma vez mais,  à decisão do Reino Unido de excluir Portugal Continental, e em particular o Algarve, como destino seguro para passar férias devido  à pandemia da Covid-19.

“NO   QUADRO   NACIONAL,   O   ALGARVE    REGISTA  APENAS    1,5  POR   CENTO  DOS  CASOS    EM    TERRITÓRIO   NACIONAL,   DESDE    O   INÍCIO   DA   PANDEMIA    DA   DOENÇA   COVID-19,  TENDO   IMPLEMENTADO,   DE   FORMA    PIONEIRA,   BOAS   PRÁTICAS    PARA    FAZER    FACE    À    ATUAL    REALIDADE”

“O sentimento é que fomos penalizados por falar a verdade. Quando comparamos Portugal com outros países, somos dos que mais testamos a população e apresentamos das taxas de letalidade mais baixas.  Mais. No quadro nacional, o Algarve regista apenas 1,5% dos casos em território nacional (639 casos acumulados até dia 2 de julho) desde o início da pandemia da doença Covid-19, tendo implementado, de forma pioneira, boas práticas para fazer face à atual realidade”, sublinha o presidente do Turismo do Algarve.

“Estamos também a falar de uma região onde existe uma população residente composta por cerca de 18 mil britânicos e a quem o governo poderia ter perguntado se era seguro viver entre nós”, lembra João Fernandes, em jeito de recado. E acrescenta: “Portanto, não compreendemos esta posição e, como tal, não podemos baixar os braços. O Governo português mantém as conversações com o Governo britânico no sentido de que a próxima revisão da medida nos seja favorável e o Algarve possa voltar a receber os turistas do Reino Unido sem qualquer restrição. De relembrar também que, apesar da decisão do Governo britânico, o Aeroporto de Faro dispõe de ligações a 20 aeroportos, operadas por cinco companhias aéreas, para este mercado.”

“PARA   JULHO   E   AGOSTO  ESTÃO  DISPONÍVEIS  LIGAÇÕES    PARA   63  CIDADES   EUROPEIAS,  OPERADAS   POR   20   COMPANHIAS   AÉREAS,    O   QUE   ATESTA   QUE   SE   MANTÉM  A   CONFIANÇA   DE   TURISTAS     E   DOS   OPERADORES   AÉREOS    NO   ALGARVE”

Já sobre o impacto económico que a decisão  do governo britânico poderá ter durante os meses de Julho, Agosto e Setembro, João Fernandes é perentório ao reconhecer os efeitos negativos:  “Nesta época, entre julho e setembro, a região regista 68% das dormidas do Reino Unido em hotelaria, em Portugal, o que permite antever o impacto desta medida do Governo britânico no Algarve. E isto já sem considerar as outras atividades que são desenvolvidas em torno do Turismo que também serão fortemente penalizadas. Não podemos ter ilusões.”

“Ainda assim, e sem qualquer comparação possível com os anos anteriores, estamos a assistir a uma procura crescente de outros mercados, desde que em finais de maio reiniciaram as ligações aéreas para Faro. Para julho e agosto estão disponíveis ligações para 63 cidades europeias, operadas por 20 companhias aéreas, o que atesta que se mantém a confiança de turistas e dos operadores aéreos no Algarve”, frisa  aquele responsável da RTA.

“ESPANHA   É   UM   DOS   NOSSOS   PRINCIPAIS   MERCADOS   EMISSORES   TURÍSTICOS,  CONSIDERANDO   A    PROXIMIDADE,   MAS   NÃO   PODERÁ    SUPRIR     UM     MERCADO   COMO   O   REINO   UNIDO.    SÃO   COMPLEMENTARES   E   NÃO   ALTERNATIVOS”

A reabertura da fronteira terrestre, com a consequente vinda de turistas espanhóis, poderá suprir, de algum modo, a falta de turistas britânicos? O presidente da Região de Turismo do Algarve mostra-se prudente e, acima de tudo, realista: “Espanha é um dos nossos principais mercados emissores turísticos, considerando a proximidade, mas não poderá suprir um mercado como o Reino Unido. São complementares e não alternativos.”

“A nossa expectativa com a reabertura das fronteiras terrestres, é que haja um aumento significativo na procura da região do Algarve pelos turistas espanhóis, não apenas para o verão algarvio, mas possam vir noutras épocas do ano, considerando a nossa ampla oferta turística, que inclui desde a prática do golfe, o turismo de Natureza ou o turismo no interior”, antevê, otimista, João Fernandes.

“NÃO   PERSPETIVAMOS   QUE   SEJA   O  TURISMO  INTERNO  A  GARANTIR-NOS  OS  RESULTADOS  DOS  ANOS  ANTERIORES   MESMO   NO   PERÍODO   DO   VERÃO” ,   APESAR   DE   PODER  “ASSISTIR-SE  A  UMA   MAIOR   EXPRESSÃO   DE   PORTUGUESES   NO  ALGARVE”  NESTES  MESES

É o mercado nacional que poderá salvar o turismo algarvio neste Verão? “São milhares de portugueses que todos os anos escolhem passar as suas férias na região do Algarve e estamos em crer que 2020 não será exceção, mesmo perante esta conjuntura tão atípica e pelos sinais positivos que temos vindo a registar”, sublinha o presidente da RTA.

“Aliás, recentemente lançámos uma campanha promocional do destino Algarve no mercado nacional, para motivar os portugueses a desfrutarem do verão algarvio, e que se estende, naturalmente, também aos estrangeiros. Designámo-la de “O Algarve fica-te bem”, recorda. E, de novo, mostrando-se realista, acrescenta: “Contudo, o cenário é ainda muito incerto e mesmo sabendo que o nosso principal mercado na época balnear é o mercado nacional e possa vir a assistir-se a uma maior expressão de portugueses no Algarve, não perspetivamos que seja o turismo interno a garantir-nos os resultados dos anos anteriores mesmo no período do verão. “

Autor: José Manuel Oliveira

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