INCÊNDIO QUE DEFLAGROU NO CONCELHO DE ALJEZUR TEM 10 QUILÓMETROS DE EXTENSÃO DA CAUDA ATÉ À CABEÇA

“Grande parte do perímetro deste incêndio está já num processo final de consolidação”, sublinhou o comandante Richard Marques, em conferência de imprensa, realizada ao final da tarde de sábado, dia 20 de Junho, no Centro Escolar de Budens, concelho de Vila do Bispo. “A noite vai ser difícil, os próximos dias vão ser difíceis se se confirmarem as condições metrológicas previstas”, alertou, por sua vez, Vítor Vaz Pinto, Comandante Operacional Distrital, de Faro. Houve várias reativações que acabaram por  ser debeladas pelos operacionais no terreno.

“O vento não deu tréguas e houve um conjunto de reativações que foram debeladas com maior ou menor dificuldade. A noite vai ser difícil, os próximos dias vão ser difíceis se se confirmarem as condições metrológicas previstas”, afirmou o Comandante Operacional Distrital, de Faro, Vítor Vaz Pinto, durante a conferência de imprensa realizada ao final da tarde de sábado, dia 20 de Junho, nas instalações do Centro Escolar de Budens (Vila do Bispo) para fazer o novo ponto da situação sobre o incêndio que teve início na sexta-feira em Vilarinha, zona rural do concelho de Aljezur, e que já se estendeu aos concelhos de Vila do Bispo e de Lagos.

“A intensidade do vento é forte, com rajadas que rondam os 90 kms/hora”

“Temos meios em todo o perímetro do incêndio e neste momento oito máquinas de arrasto a tentar consolidar a extinção”, referiu Vítor Vaz Pinto, destacando que “a intensidade do vento é forte, com rajadas que rondam os 90 kms/hora”. “Há fatores que não conseguimos controlar”, observou aquele responsável, assegurando que “está a ser feito tudo o que é possível fazer”  por todos os operacionais envolvidos no combate às chamas.

470 bombeiros de várias corporações  do  país, 150 veículos, oito máquinas de arrasto e 11 meios aéreos, num “ataque ampliado e musculado”

No teatro das operações estão envolvidos, neste momento, 470 bombeiros de várias corporações do país, 150 veículos e oito máquinas de arrasto. Ao longo do dia de sábado, foram mobilizados onze meios aéreos, entre os quais, segundo apurou o Litoralgarve, aviões ‘Canadair’, provenientes da Guarda.

Por sua vez, o comandante Richard Marques, destacou o facto de este incêndio ter obrigado a um “ataque ampliado e musculado e, portanto, a projeção de meios acompanhou aquilo que foram as necessidades.” “Hoje (sábado), às 09.10 horas, ficou dominado. O incêndio está dominado, quer dizer que não ultrapassa aquilo que são as barreiras criadas, quer seja pela colocação de meios, quer seja pela colocação de barreiras físicas, e estão criadas as condições para se iniciar um processo de consolidação”, garantiu Richard Marques. E acrescentou: “As reativações num incêndio desta dimensão, com 25 quilómetros de perímetro, uma extensão, desde a cauda até à cabeça, de cerca de 10 quilómetros, são uma realidade à qual estamos habituados”. Como tal, não existe qualquer plano de desmobilização de meios no terreno.

“Um dia complexo do ponto de vista das reativações”, num incêndio que “está já num processo final de consolidação”

“Sábado foi um dia complexo do ponto de vista das reativações. Tivemos várias reativações em pontos que, de alguma forma, já estavam devidamente identificados como ‘pontos quentes’ e que mereciam e merecem um investimento mais significativo de meios e recursos. Estas reativações merecem, de facto, uma resposta adequada a cada momento. Neste momento, estamos no processo tão ou mais importante do que aquilo que foi chegar ao domínio, e que é o processo de consolidação, do rescaldo. De facto, grande parte do perímetro deste incêndio está já num processo final de consolidação”, sublinhou o comandante Richard Marques.

“Não é um trabalho que vá terminar nesta noite, com certeza”

Em resposta a perguntas dos jornalistas, aquele responsável reconheceu que “há muito trabalho ainda a realizar”. “Não é um trabalho que vá terminar nesta noite, com certeza. Vamos ter de manter um dispositivo ao longo de vários dias, como de resto é normal numa operação desta natureza. E, portanto, a noite vai ser de muito trabalho, até porque tivemos algumas reativações que nos estão a dar alguma preocupação”, alertou.

“Pontos quentes” na localidade de Pedralva, no concelho de Aljezur, e no perímetro da Mata Nacional de Barão de  São João, cuja defesa é “uma das grandes preocupações” dos  operacionais  no terreno, segundo o comandante Richard Marques

Sobre os “pontos quentes” a que fez referência, o comandante Richard Marques destacou, “nomeadamente a localidade de Pedralva”, no concelho de Aljezur, “e mais a norte no alinhamento de Vinha Velha”, apontando como “uma das grandes preocupações a defesa do perímetro da Mata Nacional de Barão de João”, já no concelho de Lagos, além da “proteção de pessoas e bens.”

34  pessoas  deslocadas  por  motivos  de  segurança

Recorde-se que 34 pessoas, que vivem em auto-caravanas e estruturas de madeira, foram deslocadas por motivos de segurança. E apesar da cedência de instalações por parte da Junta de Freguesia de Budens, muitos deles optaram por ficar, nomeadamente em casas de amigos.

Estradas cortadas na zona de Barão de São Miguel, no concelho de Vila do Bispo

Já a responsável pelo Comando Territorial de Portimão da Guarda Nacional Republicana (GNR), capitão Marta Santos, em declarações ao Litoralgarve, disse que “está cortado o acesso da Estrada Nacional 125 a Barão de São Miguel e o acesso de Barão de São Miguel a Vinha Velha, para permitir a circulação dos veículos de emergência e impedir, também, o acesso das pessoas à frente do fogo.” “Até ao momento, não” existe conhecimento de habitações em perigo, assegurou Marta Santos.

Autor: José Manuel Oliveira

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