“VI MUITA CONFUSÃO, NINGUÉM RESPEITAVA AS DISTÂNCIAS E TODOS ESTAVAM SEM MÁSCARAS”

Cidadã brasileira, convidada para a festa no salão do Clube Desportivo de Odiáxere, que acabou por provocar um foco de contágio de Covid-19 no concelho de Lagos, decidiu sair do local “antes que houvesse problemas”. “Estavam lá cerca de cem pessoas, umas em cima das outras”, descreve, indignada, a senhora.

“Vi muita confusão, ninguém respeitava as distâncias e todos estavam sem máscaras. Antes que houvesse problemas, sai do salão. Estavam lá cerca de cem pessoas,  umas em cima das outras.” Quem o diz, bastante indignada, é uma cidadã de nacionalidade brasileira que, segundo contaram ao Litoralgarve, esteve presente como convidada na festa no dia 07 de Junho (domingo), à noite, no Clube Desportivo de Odiáxere, a qual acabou por ser encerrada por militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Lagos. Esta força de segurança foi alertada para o facto de ali se ter juntado uma multidão, quando inicialmente estava previsto um convívio para duas dezenas de pessoas.

“Eram, na sua maioria, cabo-verdianos e havia algumas pessoas vindas da margem sul” do país

Aquela senhora, residente em Lagos e ligada ao sector da restauração, afirmou que se tratava de “uma festa de aniversário” de uma pessoa a celebrar “29 anos” de idade. “Eram, na sua maioria, cabo-verdianos e havia algumas pessoas vindas da margem sul” do país, referiu a imigrante brasileira, acrescentando  ter tido conhecimento de que quando saíram do salão do Clube Desportivo de Odiáxere, “foram para outro local com um dj”.

Dois internados no Hospital de Faro, entre 16 infetados

Numa conferência de imprensa realizada nesta terça-feira, dia 16 de Junho, em Faro, a Delegada de Saúde Regional, Ana Cristina Guerreiro, revelou que “16 pessoas estão infetadas”, na sequência daquela festa em Odiáxere, no concelho de Lagos, encontrando-se internados dois indivíduos, de 27 e 29 anos, no Hospital de Faro. Entre os contaminados estão duas crianças de sete e onze anos.  

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, campo de basquetebol, mesa e interiores

Entretanto, os proprietários de vários estabelecimentos, entre os quais o restaurante Adega da Marina em Lagos decidiram encerrar por precaução as suas instalações, na sequência deste surto de pandemia surgido no concelho de Lagos.

Por outro lado os responsáveis da Santa Casa da Misericórdia de Lagos, determinaram “como medida cautelar a Restrição Total de Visitas nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI). Esta medida aplica-se até 30 de junho de 2020”

“A GNR chegou, as pessoas foram pacíficas e saíram do salão, sem problemas. Eram 21h40”, conta ao Litoralgarve a  presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, Sofia Santos

“Aluguei o espaço para uma festa familiar para vinte pessoas, em que ponderei a situação. Estava no bar do clube, pois podia ser necessário dar algum apoio, e quando vi que estavam a chegar mais pessoas, além das vinte que o organizador  da festa me tinha garantido que eram as que vinham e não iria, depois, ter mão no controlo da situação, decidi chamar as autoridades. A GNR chegou, as pessoas foram pacíficas e saíram do salão, sem  problemas. Eram 21h40”, contou ao Litoralgarve a presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, Sofia Santos, que não conhece quem alugou o espaço.

“Não estive no interior do salão, não conheço as pessoas, nem quem organizou a festa e alugou as instalações”

 “Não estive no interior do salão, não conheço as pessoas,   nem quem organizou a festa e alugou as instalações”, garantiu  Sofia Santos, confessando sentir-se “muito mal” perante toda a situação, resultante deste novo foco de contaminação da Covid, entretanto provocado na sequência daquele encontro em Odiáxere. “Sinto-me muito mal com tudo isto. Jamais queria que acontecesse uma situação desta natureza, com esta dimensão. É uma catástrofe!”, lamentou, desolada, ao Litoralgarve Sofia Santos, insistindo ter “alugado o salão do clube só para para vinte pessoas”. As instalações desta coletividade  estão agora encerradas e vão ser alvo de uma operação de  descontaminação.

José Manuel Oliveira e Paulo Silva

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