PJ, GNR E BOMBEIROS DE LAGOS PASSARAM A PENTE FINO, EM MAIO DE 2007, ZONA RURAL ONDE VIVEU O ALEMÃO AGORA SUSPEITO DO RAPTO DE MADDIE

Poços, noras, buracos, casas abandonadas, roupas de criança e brinquedos eram os principais alvos da investigação que então se estendeu à zona entre Portelas e Barão de São João, no interior do concelho de Lagos.

Inspetores da Polícia Judiciária (PJ), militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e operacionais da corporação dos Bombeiros Voluntários de Lagos passaram a pente fino, em Maio de 2007, logo após o desaparecimento de Madeleine McCann, na Praia da Luz, a zona entre as localidades de Portelas e Barão de São João, no interior do concelho de Lagos, onde está situada uma das moradias onde viveu o cidadão alemão, agora com 43 anos e que as Autoridades Alemães (BKA) e Inglesas (Metropolitan Police) apontam como sendo o novo suspeito de ter raptado a criança inglesa, então com três anos de idade. A outra moradia, que pertencia ao alemão, situa-se na zona da Boavista, em Lagos.

Depois da habitual reunião, de manhã, na Praia da Luz, com a GNR, então instalada junto ao resort ‘Ocean Club’ (donde desapareceu, na noite de 03 de Maio de 2007 Madeleine McCann do quarto onde dormia com os dois irmãos gémeos, enquanto os pais jantavam com amigos no restaurante do aldeamento –  a cerca de 30 metros de distância) e de receberem o plano de atuação com as ordens para o dia, os bombeiros de Lagos avançavam para o terreno para apoio nas buscas.

O comunicado  da  Polícia  Judiciária  que  confirma  as  suspeitas de rapto de Maddie e o envolvimento de  um  cidadão  alemão 

Num comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, a Polícia Judiciária confirma que, “no âmbito da investigação ao desaparecimento de uma criança inglesa, ocorrido no Algarve em 2007, continuam a ser desenvolvidas diligências, para o cabal esclarecimento da situação.” “Em estreita articulação com as Autoridades Alemãs (BKA) e Inglesas (Metropolitan Police), na partilha de informação, na realização de atos formais de investigação e de perícias, em Portugal e no estrangeiro, foram recolhidos elementos que indiciam a eventual intervenção, no desaparecimento da criança, de um cidadão alemão”, sublinha comunicado da PJ. E acrescenta: “O suspeito em questão, de 43 anos de idade, com antecedentes criminais, residiu em Portugal entre 1996 e 2007 e está atualmente a cumprir pena de prisão na Alemanha. A família da criança desaparecida foi informada destes desenvolvimentos investigatórios, pelas Autoridades Inglesas. A investigação prossegue.”

Zona tranquila, moradia fechada, dois ingleses, um cão e um carro perto da porta

Situada à beira da estrada, entre Portelas e Barão de São João, a moradia ‘Escola Velha’ foi comprada em 2011 a uma mulher alemã. Nesta quinta-feira, dia 04 de Junho de 2020, no interior estavam dois homens ingleses que não quiseram falar aos jornalistas, portugueses e estrangeiros, que se concentraram no local. De vez em quando, como constatou o Litoralgarve, ouvia-se um cão a ladrar. A poucos metros da porta, estava estacionado um carro, Opel, cinzento de matrícula portuguesa. Mais atrás, via-se um terreno, tipo quintal, com material de obras.

Curiosamente, as letras ‘Escola Velha’ estavam tapadas por um saco (?) branco. Desconhece-se como era a moradia na altura em que pertenceu ao suspeito de rapto da criança inglesa. Atualmente, pelo menos a fachada apresenta um aspeto bem tratado, toda de branco, com três janelas no rés-do-chão, duas das quais do lado em frente a estrada, pintadas de azul em volta, com armações em ferro a proteger os vidros e persianas em baixo. Numa das janelas podiam ver-se cinco vasos e noutra, quatro. A porta da casa está pintada de azul escuro. Há um pequeno candeeiro  e arvoredo junto a uma parede, além de um balde do lixo.

No primeiro andar da moradia, podia observar-se, de um lado, uma ampla janela, parte da qual aberta. A poucos metros de distância desta casa, situa-se uma outra moradia. Na zona reina a tranquilidade e pouco trânsito circula entre Portelas e Barão de São João.

A distância entre o local e o apartamento do resort ‘Ocean Clube’, na Praia da Luz, de onde desapareceu Maddie, é 21 quilómetros, como verificou o Litoralgarve, após a atravessar a localidade de Barão de São João (uma das zonas de passagem do alemão suspeito) em direção a Barão de São Miguel e entrada na Estrada Nacional 125.

“Só me lembro que ele vinha aqui dar comida aos animais”

“Só me lembro que ele vinha aqui dar comida aos animais”, contou um habitante aos jornalistas.

Já junto a casa ‘Escola Velha’, além de jornalistas das televisões portuguesas, com diretos para os seus canais, entre outros estiveram aqui nesta quinta-feira vários repórteres estrangeiros.“Vamos ver se fica tudo esclarecido, até para tranquilizar os pais”, observou, ao Litoralgarve, Rafael Marchante, repórter, em Lisboa, da Agência Reuters, que acompanhou, “em 2008/9”, os pais de Maddie, em Marrocos, numa conferência de imprensa, após suspeitas de a criança inglesa ter estado naquele país do Norte de África, e “em 2014 nas buscas com cães ingleses, na Praia da Luz.”

Violou uma norte-americana, de 73 anos, em Portugal, e está preso na Alemanha por mais um crime de abuso sexual

Reviravolta! Após 13 anos, polícia aponta novo suspeito no ...

O Jornal alemão Der Spiegel revelou que o novo suspeito do rapto de Madeleine McCann, chama-se Christian Brueckner, tem 1,80 metro de altura, pele clara e cabelo louro. O homem, de 43 anos, que trabalhou na restauração, entre outras atividades, chegou a estar preso após ter violado uma mulher norte-americana, de 73 anos, em Portugal. Com cadastro por vários crimes, entre os quais de pedofilia, atualmente cumpre pena de prisão na Alemanha, depois de ter sido condenado a sete anos de cadeia por crime de abuso sexual.

José Manuel Oliveira e Paulo Silva

PUBLICIDADE