PASTELARIA TAQUELIM GONÇALVES, EM LAGOS, “PERDEU MAIS DE 80.000 EUROS DE FATURAÇÃO” EM DOIS MESES DE ENCERRAMENTO DEVIDO À COVID-19

“Tivemos de investir cerca de 3.000 euros em equipamento, nomeadamente dispensadores, máscaras, viseiras, luvas e embalagens de desinfetantes”, diz, ao Litoralgarve, Paulo Rosário, gerente do estabelecimento situado no centro de Lagos e que, agora, conta com menos lugares tanto no interior como na esplanada, para garantir as regras de distanciamento social. E aguarda pela autarquia para expandir a área exterior e por indicações quanto à redução, ou isenção, de taxas municipais.

No interior havia espaço para 42 lugares sentados e seis em pé, ao balcão, enquanto a esplanada tinha mesas e cadeiras com capacidade para 60 pessoas. Agora, é diferente. Lá dentro só podem estar 20 clientes sentados e dois de pé ao balcão de atendimento e frente a um vidro de proteção, e na esplanada existe lotação para 28 lugares. A servir ao balcão no interior do estabelecimento e na esplanada estão os empregados com luvas, máscaras ou viseiras.

Entrar por uma porta e sair por outra para evitar cruzar-se com qualquer pessoa

É este o novo figurino da pastelaria da família Taquelim Gonçalves, situada na Rua da Porta de Portugal, nº.s 27/29/31, em pleno centro da cidade de Lagos e conhecida pelos famosos doces regionais de fabrico próprio, entre os quais o típico Dom Rodrigo, que os visitantes passam a encontrar a partir desta semana, na sequência das restrições nos estabelecimentos da restauração e similares, para impor o distanciamento social devido ao novo coronavírus, Covid-19.

Quem entrar na pastelaria Taquelim Gonçalves, terá de sair por outra porta, de forma a evitar cruzar-se com qualquer pessoa, como, de resto, indica a sinalética agora ali colocada. No estabelecimento, de acordo com as regras da Direção-Geral da Saúde, existe gel desinfetante à entrada e nas casas de banho, além de toalhetes.

“A partir de Junho, espero sobretudo turistas portugueses devido ao encerramento das fronteiras”

“São situações a que todos nos temos de habituar em defesa da saúde pública”, nota, ao ‘Litoralgarve’, Paulo Rosário, de 55 anos, gerente da pastelaria Taquelim Gonçalves, que nesta segunda fase de desconfinamento, no mês de Maio, em pleno estado de calamidade em Portugal, com o reatamento gradual da atividade económica, perspetiva “uma primeira semana um pouco fraca”. “A partir de Junho, espero sobretudo turistas portugueses devido ao problema das fronteiras. Muitos provavelmente até não irão passar férias a outros países, enquanto que os estrangeiros, nomeadamente os ingleses, para já, permanecem nos seus locais de residência devido à Covid-19. Quando as fronteiras reabrirem, mesmo que não viajem de avião para Portugal para evitar regras apertadas nos aeroportos, muitos virão de carro, na ânsia de passar férias, após o período de quarentena. De resto, os estrangeiros que têm cá casas, virão de qualquer maneira”, antevê Paulo Rosário, procurando fazer contas à vida depois dos avultados prejuízos causados pelo novo coronavírus.

“Temos 21 funcionários e não despedimos ninguém”

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É que durante o período de encerramento, desde o dia 16 de Março até 17 de Maio, a pastelaria Taquelim Gonçalves “perdeu mais 80.000 euros de faturação”, revela o empresário, lembrando “o período da Páscoa durante o qual normalmente em todos os anos faturávamos bastante.” Em face da nova situação, a empresa entrou em ‘lay-off’. “Temos 21 funcionários e não despedimos ninguém. Apesar das muitas ofertas que todos os dias recebemos, com currículos, nomeadamente de imigrantes brasileiros, que estão sem trabalho, ainda não contratámos quem quer que seja para o Verão. Nessa altura, contávamos normalmente com 40 elementos a trabalhar; neste ano, vamos esperar para ver”, conta Paulo Rosário.

“O Estado não nos deu qualquer apoio e os bancos ainda não concretizaram uma resposta válida  aos pedidos de financiamento”

Apesar das insistências junto das instituições oficiais e das entidades bancárias, exceto o lay-off, a empresa ainda não conseguiu concretizar qualquer ajuda.  “Foram dois meses complicados. O Estado não nos deu qualquer apoio e os bancos ainda não concretizaram uma resposta válida aos pedidos de financiamento. Isto, embora todos anunciem apoios às empresas. Por isso, só temos mais dívidas”, queixa-se Paulo Rosário.

Agora, com menos espaço no interior e na esplanada, a solução poderá passar por expandir a área exterior, como outras Câmaras Municipais têm feito a custo zero. “Já tentei falar com responsáveis da Câmara Municipal de Lagos para tentar perceber se alguma solução está em equação para o espaço destinado à esplanada e estou a aguardar” – observa o gerente da pastelaria Taquelim Gonçalves, que espera também indicações sobre a redução, ou isenção, de taxas municipais para o setor devido aos problemas provocados pela pandemia, conforme promessas que houve em reuniões ‘pré-covid19’, com empresários do sector.

“Cada caixa com máscaras custou-nos cerca de 40 euros, mais seis por cento de IVA”

 “Tivemos de investir cerca de 3.000 euros em equipamento, nomeadamente dispensadores, máscaras, viseiras, luvas e embalagens de desinfetantes para as pessoas e para limpar as mesas, as cadeiras, após utilização de cada cliente, e o chão. Já as casas de banho são desinfetadas durante três vezes por dia. No balcão tivemos de colocar vidros para garantir a separação entre clientes e funcionários. Cada caixa com máscaras custou-nos cerca de 40 euros, mais seis por cento de IVA”, descreve Paulo Rosário. E acrescenta: “Como Pequena Empresa que somos, para termos algum apoio na linha ‘Adaptar’, tínhamos que investir mais de 5.000 euros em equipamentos e material para, dessa forma, podermos garantir 50 por cento de subsidio.”

Apelar “à boa compreensão das pessoas para podermos rentabilizar o pouco espaço de que agora dispomos”

Com menos lugares para os clientes na pastelaria Taquelim Gonçalves, Paulo Rosário apela “à boa compreensão das pessoas para podermos rentabilizar o pouco espaço de que agora dispomos”. “Temos de pedir às pessoas, educadamente, com calma e sensibilizando-as para a nova situação, que depois de serem servidas e não tendo mais nada para fazer, cedam os seus lugares a outros clientes. São muitos os custos para manter este estabelecimento a funcionar perante as novas regras. As pessoas também têm de ter essa noção”, sublinha o empresário.

“Já apanhei muitos sustos, com veículos de transporte de mercadorias a circularem em zonas pedonais pedonais e em alta velocidade. Os condutores não têm noção do que fazem, colocando as pessoas em risco. O mesmo sucede com ciclistas que também circulam nestas zonas indevidamente.”

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Um dos problemas de que Paulo Rosário se queixa no centro da cidade de Lagos é a circulação matinal de viaturas em zonas pedonais e em excesso de velocidade. “Já apanhei muitos sustos, com veículos de transporte de mercadorias a circularem em zonas pedonais e em alta velocidade. Os condutores não têm noção do que fazem, colocando as pessoas em risco. O mesmo sucede com ciclistas que também circulam nestas zonas indevidamente” – denuncia.

“Indivíduos sujos, com mau aspeto, a incomodar sobretudo turistas, e outros a tentar vender aquilo que dizem ser droga”

Por outro lado, denuncia, “andam por aqui indivíduos, sujos, com mau aspeto, a incomodar sobretudo turistas, e outros a tentar vender aquilo que dizem ser droga. Muitas das vezes são os próprios clientes, que observando o que se passa enquanto estão nas esplanadas, nos chamam a atenção para esse problema, porque adoram a nossa cidade. Quando é alertada, a PSP vem, mas como não apanha quem quer que seja em flagrante delito, nada pode fazer e tudo continua na mesma. É uma péssima imagem para um destino turístico de referência como Lagos.”

Autor: José Manuel Oliveira

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