COVID-19 – “HOSPITAL DE CAMPANHA DE PORTIMÃO É PREPARAR-NOS PARA O PIOR, ESPERANDO QUE ACONTEÇA O MELHOR”, DIZ A AUTARCA ISILDA GOMES

Instalado no pavilhão multiusos Portimão Arena, possui 100 camas, três enfermarias com quartos individuais e oito duplos, além de uma área destinada a doentes críticas, entre outros serviços. A unidade poderá acolher vítimas da Covid-19 até final do Verão.

“É preparar-nos para o pior, esperando que aconteça o melhor.” Foi desta forma que a presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, apresentou o Hospital de Campanha instalado no pavilhão multiusos Portimão Arena, situado no Parque de Feiras e Exposições, nesta cidade, onde se encontra preparado para a eventual necessidade de acolher doentes com o novo coronavírus, pelo menos até final do próximo Verão.

Esta nova estrutura, que tem de prevenção duas ambulâncias dos Bombeiros Voluntários de Portimão, com a identificação COVID, e quatro operacionais “durante 24 horas por dia, não dormem no quartel”, como destacou o comandante Richard Marques, foi visitada no domingo, dia 10 de Maio, pelo secretário de Estado José Apolinário, coordenador na Região do Algarve para a execução da Declaração da Situação de Calamidade. 

Preparado para receber 25 utentes por 1.000 metros quadrados e poderá ser aumentado consoante as necessidades 

Hospital de Campanha de Portimão estará operacional até final do verão

Com uma área total de cerca de 4.500 metros quadrados, o Hospital de Campanha de Portimão, que segue as recomendações da Organização Mundial de Saúde, está preparado para receber 25 utentes por cada 1.000 m2, podendo ser aumentado consoante as necessidades. Conta com 100 camas, 22 das quais articuladas, três enfermarias dispondo de quartos individuais (30 camas) e mais oito dotadas de quartos duplos (64 camas), a que se junta uma zona destinada a seis doentes em estado crítico.

“Foi uma estrutura montada logo a pensar que poderá ser adaptada  conforme as utilidades e o nível da pandemia, com diferentes tipos de suporte para os doentes. É uma estrutura dinâmica, com um ponto central onde se encontra toda a estrutura médica e de enfermagem de apoio. E está preparada para doentes Covid e não Covid.”, afirmou o médico Ricardo Louro.

A unidade dispõe de espaços de circulação para profissionais e admissão de doentes e familiares, áreas de decisão clínica, de reuniões sectoriais, apoio médico e psicossocial,  aprovisionamento, equipamento clínico de monitorização, diagnóstico e tratamento de doentes críticos e oxigenoterapia, além de um espaço destinado à morgue. Noutra zona do pavilhão, existem condições para a confeção de refeições e um refeitório com capacidade para 64 lugares sentados.

“Temos 25 camas por cada 1.000 metros quadrados. Este espaço tem aproximadamente 4.500 metros quadrados. No que respeita aos acessos, foram pensados três corredores de situação essenciais: um tem a ver com os técnicos, outro só para doentes e o outro para familiares e todo o apoio que vierem a necessitar. O hospital tem a capacidade para suporte básico de vida, 30 camas de isolamento, 74 camas que permitem a cada quarto ter oito camas. Todos os quartos possuem a capacidade de ter oxigeno-terapia” – explicou o médico Ricardo Louro.

Foi, também, criado um conjunto de sinalética, o qual permite saber para onde pode ir e não pode ir, e o que existe nesses locais. “Mais importantes do que os espaços são os circuitos”, observou o clínico.

A estrutura poderá ser montada em qualquer parte do país e prestar apoio a vítimas de sismos, incêndios e acidentes graves

Esta estrutura pode ficar desmontada num só dia, arrumada e levada num contentor para ser montada em qualquer parte do país, de forma a prestar apoio a situações de catástrofe, nomeadamente sismos, incêndios e acidentes graves. “Há vida para além do Covid. Vamos estar noutras situações nesta região, que podem inundar o Serviço Nacional de Saúde. E assim, temos a capacidade de dar uma resposta cabal a qualquer circunstância” – sublinhou o enfermeiro Paulo Silva.

O Hospital de Campanha de Portimão, da responsabilidade da Câmara Municipal, foi montado em Abril e contou com o apoio científico, técnico e operacional do ‘Algarve Biomedical Center’, sedeado em Faro, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portimão, da Cruz Vermelha Portuguesa e do Hospital Particular do Algarve.

“A fábrica estava fechada e quando fizemos a encomenda abriu só para nós”

“Temos aqui uma capacidade de resposta extraordinária. Temos de estar preparados e estar preparados é montarmos as infraestruturas de que precisamos para em cada momento darmos a resposta. Sabermos que temos capacidade de resposta em qualquer momento em que surgir um tipo de pandemia, dá-nos, de facto, uma segurança muito grande. Não regateei um cêntimo ao investimento”, disse Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal, sem indicar o montante, acrescentando que a autarquia recebeu de uma empresa a indicação da existência das camas e o ‘email’ foi reencaminhado para o comandante dos Bombeiros Voluntários de Portimão. “A fábrica estava fechada e quando fizemos a encomenda abriu só para nós”, observou.

“Apelo aos portugueses e às portuguesas que venham fazer férias ao Algarve. Temos aqui condições de segurança ímpares”

“Os cidadãos precisam de confiança e segurança para retomarem a sua vida” – prosseguiu Isilda Gomes – “e aos termos esta capacidade instalada no Algarve, em articulação com a senhora Delegada de Saúde, a autarquia e todas as forças que fazem parte da Comissão Municipal da Proteção Civil e mais especificamente da subcomissão, isto dá confiança às pessoas para poderem vir para o Algarve passar as suas férias em segurança. É isso que queremos. A economia tem de retomar, o turismo tem de crescer. E só com medidas de segurança e de proteção como estas que temos implementadas, poderemos transmitir essa confiança e essa segurança. Apelo aos portugueses e às portuguesas que venham fazer férias ao Algarve. Temos aqui condições de segurança ímpares e garantimos que faremos tudo para que estas férias sejam o retorno de que precisam depois de uma época tão difícil como aquela que temos passado. Temos capacidade para os receber e temos capacidade de prevenção. E isso é importantíssimo. Obviamente que temos todos de cumprir aquilo que são as regras de segurança que nos é imposto de Norte a Sul e em toda a Europa. Cumprindo as regras da Direção-Geral da Saúde, todos chegaremos ao final do Verão, com o Verão que será possível. Porque não é o Verão que nós gostaríamos de ter. Este futuro Hospital de Campanha é preparar-nos para o pior, esperando que aconteça o melhor.”

Quinhentos testes à Covid no passado fim-de-semana em Portimão a trabalhadores das creches do barlavento algarvio

Já o secretário de Estado José Apolinário, coordenador  no Algarve execução da Declaração da Situação de Calamidade, destacou a existência de “56 por cento dos casos já recuperados” de doentes com o novo coronavírus nesta região. No passado fim-de-semana, acrescentou José Apolinário, foram levados a efeito “500 testes” à COVID-19 aos trabalhadores das creches do barlavento algarvio, no ‘Drive Through’ do Algarve Biomedical Center, instalado junto ao pavilhão Arena Portimão. No local, estiveram dois técnicos daquele laboratório, que realizaram as colheitas para os testes aos funcionários das creches que ali passavam nas suas viaturas. Aqueles estabelecimentos, recorde-se, deverão reabertura no dia 18 de Maio.

José Manuel Oliveira

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