ESTUDO-PILOTO NO CONCELHO DE LOULÉ EM PROFISSÕES DE ALTO RISCO REVELA QUE PASSAM DESPERCEBIDOS MUITOS CASOS DE COVID-19

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, quer estes testes noutras zonas do Algarve e do país, “e fazer disto uma referência no mundo”. E diz que todo o processo tem de ser devidamente regulamentado.” Das  1.235 pessoas testadas, sem sintomas, a mostra apontou anticorpos para a doença em 34 delas.

Em apenas três dias, com início a 25 de Abril, 1.235 profissionais de vários sectores do concelho de Loulé, entre trabalhadores da câmara, de empresas municipais, funcionários da EDP, médicos e enfermeiros de centros de saúde, bombeiros, agentes das forças de segurança, elementos da Proteção Civil e jornalistas, sem sintomas de Covid-19, ou que até não os valorizaram e que por isso não tinham sido testados, foram submetidos a análises com o objetivo de tentar perceber se estiveram em contacto com o vírus, numa fase de diagnóstico da doença.

Este estudo serológico, pioneiro em Portugal e promovido pela Fundação Champalimaud em parceria com a Algarve Biomedical Central (ABC), permitiu concluir que das 1.235 pessoas testadas, 2,8 por cento já tinham tido a infeção – 14 vezes mais do que o que foi diagnosticado. Ou seja, revelaram anticorpos para a doença um total de 34 pessoas e uma delas estava na fase ativa da infeção. Loulé, que é o concelho algarvio com maior número de casos de infeção (mais de 70 até ao dia 08 de Maio), fica, assim, com um retrato da Covid-19 na comunidade.

“É apenas a ponta do ‘icebergue’ do número de casos que já tiveram contacto com este vírus e que passaram por esta infeção com muita pouca ou nenhuma sintomalogia” – diz Nuno Marques, responsável do Algarve Biomedical Center

“Fizemos 1.235 testes e demonstramos que nós temos na realidade, e nestas populações de risco em que este estudo foi feito, uma taxa de população muito acima daquela que são os casos conhecidos, que é apenas a ponta do ‘icebergue’ do número de casos que já tiveram contacto com este vírus e que passaram por esta infeção com muito pouca ou com nenhuma sintomalogia mesmo”, explicou o médico Nuno Marques, presidente do Conselho Executivo do Centro Académico Clínico ABC, com sede  na Universidade do Algarve, em Faro. O especialista participou na apresentação daquele estudo na sala de imprensa do Estádio Algarve, situado no Parque das Cidades, em Almancil (Loulé), na quarta-feira, dia 06 de Maio, com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e da secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira.

“O números absolutos do nosso estudo são 2.8 por cento. Estamos muito longe, ainda, daquilo que possa ser considerado para dar imunidade de grupo.”

“Podemos obter dados que nos levam a que os doentes infetados na realidade são muito maior número de pessoas expostas, cerca de, segundo este estudo, 14 vezes mais da população”, afirmou Nuno Marques. No entanto, prosseguiu, “usando dados de outros (estudos) e usando aqui intervalos de confiança, diria que algo entre cinco e vinte vezes talvez fosse algo expectável em termos nacionais e noutras zonas do país. Temos de ter sempre em atenção a quem estamos a fazer o teste: se estamos a fazer em populações expostas como estas aqui (no concelho de Loulé), que se mantiveram a trabalhar e não foram escolhidas por acaso, ou se estamos a falar de pessoas que, basicamente, estiveram confinadas nas suas casas. A grande importância disto não é apenas o retrato que estamos a fazer hoje; é a possibilidade de acompanhamento da situação ao longo do tempo e que nos pode levar a identificar a taxa de exposição da população numa determinada zona, de uma forma relativamente rápida, com segurança e uma grande sensibilidade, usando algo em termos de testes que é muito rápido e muito eficiente de pôr em prática.”

E acrescentou: “Hoje em dia, para termos infeção e para termos a doença, temos de ter duas coisas: a sintomalogia e, associado a isto, a infeção viral. O que podemos dizer é o número de pessoas que tiveram contacto com este vírus e que terão tido, se quisermos chamar assim, uma chamada infeção sintomática, ou seja contacto com aquele vírus com muito pouca sintomalogia em várias vezes acima. E isso acontece quer neste nosso estudo, quer noutros estudos em termos internacionais.”

Em declarações aos jornalistas, e ao ser questionado sobre o facto de o estudo revelar que estamos longe da imunidade de grupo, Nuno Marques esclareceu: “os números absolutos do nosso estudo são 2.8 por cento. Estamos muito longe, ainda, daquilo que possa ser considerado para dar imunidade de grupo.” “Mas a imunidade de grupo, hoje em dia, pode não ser a mesma daqui a um ano”, observou, interrogando-se: “Por quanto tempo é que vão estar as pessoas imunes?”

“Estamos a dar muita segurança à população e, nomeadamente, àquelas profissões de risco”

ABC › Empresa

Os testes realizados através deste estudo-piloto no concelho de Loulé, não substituem os de diagnóstico. Mas será que podem dar pistas e, pelo menos, tornar com custos mais reduzidos o rastreio e o esforço de perceber quem teve ou não teve a doença? Nuno Marques respondeu: “Isso pode ser feito e estes testes dão-nos mais um fator que nós adicionamos a outros fatores de risco, que vão levar a que seja feito o teste diagnóstico a mais algumas pessoas da população. E vamos aumentar com isso a segurança e a eficiência da utilização destes testes diagnósticos, que são tão morosos e bastante mais dispendiosos, de forma a termos na mesma, sem pormos em causa o risco da população. É isso que esta estratégia combinada mostra. Ou seja, dá-nos mais um dado adicional e vamos estar a rastrear uma taxa maior de casos na população, a fazer diagnósticos e a testar uma maior faixa da população. Mas é aquela que em termos de risco onde ainda podermos ter algumas pessoas infetadas e que possam estar a contaminar outras. Desta forma, estamos a dar muita segurança à população e, nomeadamente, àquelas profissões de risco.”

E numa altura em que nas escolas se prepara o regresso às aulas presenciais, a partir do dia 18 de Maio, Nuno Marques sublinhou: “Imaginemos isto aplicado, por exemplo, a alguém numa escola que vai começar a dar aulas. Estou a dar a segurança aos pais das crianças, se aumentar a sensibilidade daquilo que estamos a fazer. É isso que aqui conseguimos, combinando dados, combinando testes, usando-os da forma correta, sabendo que um é essencialmente um teste que vai ser, basicamente, de rastreio, que nos dá mais um dado para aplicarmos os testes diagnóstico.”

“Lidamos com uma doença em que sensivelmente quatro em cinco pessoas infetadas não têm sintomas”, diz o imunologista Henrique Fernandes, da Fundação Champallimaud

Já o imunologista Henrique Vieira Fernandes, da Fundação Champallimaud, mostrou-se cauteloso ao ser questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de extrapolar este estudo para outras regiões do país. “É difícil extrapolar em termos quantitativos”, disse. “Algo que se torna absolutamente claro neste estudo é que o número de pessoas infetadas é muitíssimo superior ao número de pessoas que foram identificadas. Isto é de muito fácil compreensão”, frisou aquele especialista, lembrando: “Lidamos com uma doença em que sensivelmente quatro em cinco pessoas infetadas não têm sintomas – e portanto não são referenciadas para um teste de diagnóstico.” “É normal que a verdadeira dimensão da epidemia seja distinta dos números que conseguimos aferir apenas com teste de diagnóstico”, admitiu. 

Diariamente, das 07h00 às 02h00, trabalham no Algarve Biomedical Center, de “70 a 80 técnicos” só junto ao Estádio Algarve, para fazer colheitas em lares e noutros estabelecimentos, “sem fins-de-semana, nem feriados”, revela ao Litoralgarve o médico e presidente do Conselho Executivo da instituição, Nuno Marques

Trabalham, diariamente, no Algarve Biomedical Center  “70  a 80 técnicos só junto ao Estádio Algarve”, no Parque das Cidades, contou ao ‘Litoralgarve’ o médico e presidente do Conselho Executivo do Centro Académico desta instituição, Nuno Marques. “Mas quer nas equipas dos lares de idosos, quer nas do ‘Drive Thrugh’, além de pessoas no laboratório, pessoas do ‘call center’ do SM24, do ‘call center’ do SM24 em Braga, e alunos do ‘Qclinic’, trabalham 180 pessoas”, acrescentou. “Há uns tempos atrás, o nosso Centro Académico estava no seu período de maturação e a crescer com cerca de dez funcionários e agora temos a trabalhar connosco centenas”, observou, acrescentando que “o nosso número global atual de pessoas a trabalhar neste combate ao Covid, ultrapassa 600 pessoas.”

No Parque das Cidades, “começam a trabalhar, no estádio, à volta das 07h00 da manhã para saírem as equipas com o objetivo de irem fazer colheitas a lares ou a creches, hoje em dia. E acabam o trabalho aqui por cerca das 02h00 da madrugada. Ou seja, trabalham continuamente, sem fins-de-semana, nem feriados. É uma equipa fantástica que temos aqui no Algarve”, afirmou.

Em Abril passaram 90 pessoas em média por dia, no ‘Drive Throug’, junto ao Estádio Algarve, para realizar testes, com resultados em 24 horas, tendo-se registado mais de 11.000 amostras na região

“Há pessoas que vêm aqui fazer testes. O ‘Drive Thru’ tem estado continuamente a funcionar. As pessoas que vêm indicadas aqui, vêm com a sua requisição dos clínicos, nós temos um ‘email’ específico para isso, marcamos as pessoas. Portanto, recebem a marcação específica, chegam nos seus carros, entram na sua hora, há as colheitas e em três minutos estão livres para irem novamente para as suas casas. Recebem o resultado cerca de 24 horas depois, no máximo. Mas aí, estamos a falar de algo que a saúde pública é que faz o acompanhamento a seguir destes testes feitos aqui”, explicou Nuno Marques.

 O que leva a efeito o Centro Académico ABC no seu laboratório é essencialmente a pessoas de lares – idosos e funcionários – e de outros estabelecimentos, sendo posteriormente as pessoas e as próprias entidades informadas em cerca de 24 horas.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé, fato, casamento e ar livre

Ao longo do mês de Abril, junto ao Estádio Algarve, em termos de colheitas, passaram, em média, 90 pessoas por dia. “Nos últimos tempos, 60 pessoas por dia têm vindo fazer testes e colheitas aqui. Por exemplo, nos dias em que fizemos este estudo (no concelho de Loulé), vieram 1.200 pessoas em três dias fazer colheitas e testes. O ABC está, neste momento, a colher cerca de quatrocentas amostras a pessoas por dia, quer seja em lares, quer seja noutras instituições. Portanto, ao todo esta equipa de colheitas, que está aqui, já colheu até à data (06 de Maio) mais de 11.000 amostras no Algarve”, descreveu ao ‘Litoralgarve’ Nuno Marques. “E vamos continuar a trabalhar até que seja necessário nos próximos meses, de certeza absoluta”, acrescentou.

“A utilização de testes nos aeroportos, não defendo”

Numa altura em que autarcas algarvios defendem a realização de testes à Covid, nos aeroportos, antes de os passageiros viajarem para Portugal, aquele especialista tem opinião diferente.  “A utilização de testes nos aeroportos, no aeroporto em si, não defendo. Caso seja feito um plano para o turismo, na minha opinião pode não ser o melhor local”, considerou Nuno Marques, para quem “esse plano vai ter de ser muito bem definido, ouvindo as entidades da saúde.”

Afinal, o que defende em concreto? O turista deve ser controlado, ou não, antes de chegar a Portugal, ao Algarve, para se perceber em que estado se encontra ao nível da Covid? O médico e presidente do Conselho do Conselho Executivo do Algarve Biomedical Center pede, acima de tudo, prudência ao nível da época turística: “Isto vai ter de ser tudo muito bem pensado. Depende do tipo de turista que vem, para que é que vem. E outra das questões é que tipo de reabertura é que nós vamos ter ao turismo neste ano. O que é que queremos ter em termos de reabertura, sendo que estamos a falar de um ano, em que o Verão já está aí à porta e estamos, ainda, em situação pandémica em termos mundiais. Portanto, a reabertura tem de ser feita de forma muito pensada, ponderada, com todas as regras, algumas já saíram em termos da Direção-Geral da Saúde e outras irão sair muito específicas para esta área do turismo. Sei que há planos a serem trabalhados e se vão aplicar a todo o país.”

“O número de turistas que podem, ou não podem vir, tem de ser definido pelas instituições de antemão. A instituição do país que terá de fazer isso vai ser certamente a Direção-Geral da Saúde”

Em recente entrevista ao ‘Litoralgarve’, o presidente da Câmara Municipal de Lagos, Hugo Pereira, manifestou o seu receio sobretudo relativamente aos turistas ingleses, após a reabertura das fronteiras, e a perspetiva de ocorrer, digamos, uma ‘invasão’ do Algarve, com a situação a poder ficar fora de controlo.

“Nós não temos de ter, digamos assim, receio de ninguém em particular. Temos de saber como é que vamos acolher da melhor forma as pessoas e o número de pessoas que for considerado adequado. Não é uma questão de termos, ou não, receio. É uma questão de nos prepararmos adequadamente e de definirmos planos que devemos aplicar no Algarve, tal como noutras zonas do país”, defendeu aquele responsável do ABC.

O turista deve ser controlado antes de chegar a Portugal, como defendem autarcas? Nuno Marques tem outro ponto de vista, mas deixa para a Direção-Geral da Saúde a tomada de decisões. “O número de turistas que podem, ou não podem vir, tem de ser definido pelas instituições de antemão. A instituição do país que terá de fazer isso vai ser certamente a Direção-Geral da Saúde, que irá emitir normas também para a área do turismo e vai definir exatamente o que nós podemos, ou não podemos ter”, notou.

“(…) avançar com este estudo para outras zonas no Algarve e em Portugal, e fazer disto também uma referência no mundo”, defende Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

No final da apresentação do estudo-piloto com vista a um retrato da Covid na comunidade no concelho de Loulé, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, após enaltecer este trabalho levado a efeito pela Fundação Champalimaud e pelo Algarve Biomedical Center, reconheceu que  “vai ser preciso muito tempo e enquanto não há uma vacina, ou um tratamento efetivo, temos de testar, testar, testar.” “E o trabalho que foi apresentado, é uma sinergia entre o rastreio serológico e os testes virais que, entretanto, foram utilizados no Algarve e que nos mostram o percurso e a evolução que esta pandemia está a ter. É um estudo experimental particularmente importante numa fase de grande incremento. Não sabemos como vamos estar dentro de um mês ou dois meses, ou um ano”, observou o governante, em declarações aos jornalistas no final da sessão no Estádio Algarve.

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas em pé e ar livre

 “O estudo feito em Loulé é muito importante para dar confiança às pessoas e também revelam uma eficiência, quer em termos científicos, quer uma eficácia económica. Combinando estas duas tipologias, a do rastreio serológico e a dos testes virais, é possível alargar essa confiança a todos aqueles profissionais que estão em grande exposição com doentes, ou com o público, em geral”, sublinhou Manuel Heitor. O custo destes testes pode variar entre 15 a 25 euros. Já num laboratório normal, no mercado, ascenderá a 30/40 euros.

Depois de salientar o facto de aquela experiência ter sido realizada junto de um público “muito bem definido”, o ministro mostrou a sua convicção na “capacidade, quer humana, quer científica, para poder avançar com este estudo para outras zonas no Algarve e em Portugal, e fazer disto também uma referência no mundo.” “Não nos podemos esquecer que esta experiência é particularmente nova e inovadora em qualquer parte do mundo”, observou.

“Todo este processo tem de ser devidamente regulamentado”

E para aplicar estes testes, o que vai ser feito em termos de legislação? – perguntaram os jornalistas. “Todo este processo tem de ser devidamente regulamentado”, sintetizou o ministro Manuel Heitor, apontando para a necessidade de “seguir em diferentes contextos.”  Como tal, “trabalharemos no sentido de perceber como é que este tipo de práticas pode ser adotado com o evoluir da pandemia, seguindo, como não podia deixar de ser, as regras a coordenar pelas autoridades da saúde. É um estudo científico, feito por cientistas, em colaboração com médicos e certamente em articulação com as autoridades locais e regionais da saúde. Mas também tem de ser articulado num contexto nacional”, referiu.

“Temos comunicado bem com os portugueses, temos obrigação também de comunicar bem com os estrangeiros que nos querem visitar” perante novas regras impostas pela Covid, diz Jamila Madeira, secretária de Estado Adjunta e da Saúde

Por seu turno, a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, questionada pelos jornalistas sobre o plano para o Verão no Algarve, limitou-se a dizer: “Recursos humanos, reforço de equipamentos, apoio nas zonas balneares, toda essa dinâmica é avaliada na preparação da época balnear. Agora também está a ser avaliada com o suplemento Covid-19.” O plano “vai ser apresentado a breve trecho, independentemente da operação pandemia. Nesse sentido, as autoridades da saúde estão a avaliar em conjunto com as autoridades que têm competência nessa matéria aquilo que são as condições que necessitamos de acomodar para dar resposta”, acrescentou.

Já em relação à possibilidade de serem efetuados testes rápidos aos turistas à chegada a Portugal, Jamila Madeira prefere apostar, acima de tudo, na comunicação junto dos visitantes sobre as novas regras no nosso país. “O que podemos fazer é preparar a operação época alta, como temos estado a fazer. Temos comunicado bem com os portugueses, temos obrigação também de comunicar bem com os estrangeiros que nos querem visitar e que como sempre acolhemos e tratamos com a máxima estima. E, portanto, nesse sentido temos de encontrar maneiras eficazes de explicar que há uma nova abordagem a realizar, há uma nova capacidade de os estabelecimentos acolherem desta ou daquela forma consoante seja definido nos planos que vão permitir a planificação de toda a atividade turística na região e, de resto, no país. Temos de conciliar, a bem da retoma da atividade normal, dentro daquilo que é o contexto e a capacidade de acolher essas pessoas que vêm de fora”, sublinhou.

“Houve sempre abastecimento” de material nos hospitais, apesar de “momentos de muito aperto, em que os stocks foram muito baixos em todo o país”

Confrontada por uma jornalista com informações sobre a falta de material nos hospitais do Algarve, a secretária de Estado Adjunta e da Saúde negou tal cenário. Contudo, reconheceu: “Houve momento de escassez e, portanto, iminências de ruturas, mas houve sempre abastecimento. Houve momentos de muito aperto, em que os stocks foram muito baixos em todo o país. Se calhar, o Algarve não foi nesse caso, o caso mais crítico.” “Trabalhámos prontamente em todas as situações para acudir, com a reserva estratégica nacional que foi criada para esse efeito”, garantiu Jamila Madeira.

“Neste momento, estamos numa situação mais folgada. Em nenhum momento podemos dizer que estamos tranquilos porque, como é fácil de perceber, os equipamentos de proteção individual são equipamentos de muito desgaste rápido. Ou seja, são de utilizar e deitar fora. E, portanto, temos de estar prontamente a repor. O mercado continua a ter muitas solicitações. O abastecimento continua a ser uma responsabilidade muito pesada, sendo que, hoje, não tão com os stocks tão baixos, mas sim um pouco mais folgados”, conclui aquela responsável governamental.

Reportagem de José Manuel Oliveira

PUBLICIDADE