ALGARVE PODE PERDER MAIS DE OITO MIL MILHÕES DE EUROS COM O NOVO CORONAVÍRUS – COVID- 19

Ainda não é possível à Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) apresentar um primeiro balanço sobre o impacto económico provocado pelo novo coronavírus, Covid-19, na sequência das reservas já canceladas para a Páscoa e para Verão, numa altura em que, em Portugal, esta pandemania poderá atingir o seu pico durante o mês de Abril, de acordo com as autoridades da área da saúde.

“Não sei precisar, mas os hotéis e empreendimentos turísticos do Algarve classificados oficialmente faturam cerca de 1,2 mil milhões de euros por ano. O Algarve, contudo, produz anualmente 6 ,5 a 7 mil milhões de euros em bens transacionáveis. Como dizia o outro: é fazer as contas”, afirma, ao «Litoralgarve», o presidente da Direção da AHETA, Elidérico Viegas.

   “Uma crise sem precedentes e cujo fim não é previsível”

Quando surgiu esta pandemia resultante do Covid-19, e com os empresários hoteleiros e dos empreendimentos turísticos do Algarve a serem “confrontados com uma crise sem precedentes e cujo fim não é previsível”, a AHETA propôs ao governo um plano contendo oito medidas. São as seguintes:

·        “A suspensão do pagamento de contribuições e impostos deve ser estendida por um período de seis meses;

·        As contribuições sociais, taxas e impostos devem ser abolidos durante seis meses;

·        Suspensão do pagamento das despesas de água, luz e gás durante um período de seis meses;

·        O governo e o sistema financeiro devem aprovar/implementar de imediato uma moratória suspendendo a obrigatoriedade das empresas amortizarem dívidas e respectivos juros nos próximos seis meses;

·        Abolir a condicionante de 20% para acesso à linha de crédito de 900 milhões de euros, na medida em que, pelo menos no caso do Algarve, os dois primeiros meses do ano tiveram comportamentos melhores do que em 2019;

·        O montante da linha de crédito deve ser aumentado para valores mais elevados;

·        Estes créditos devem ser de médio prazo (6 anos), não devendo a taxa de juro exceder os 1% e ter uma carência de dois anos;

·        Os trabalhadores forçados a faltar ao trabalho para assistir familiares, devem beneficiar de baixa médica, conforme estipulado no Código do Trabalho, isentando as empresas de encargos salariais de trabalhadores que não exercem qualquer actividade;

·        Abolir a exigência da queda abrupta e acentuada de 40% da facturação homóloga das empresas nos últimos dois meses para efeitos de declaração de situação de crise empresarial, possibilitando às empresas o encerramento temporário;

·        O layoff simplificado deve ser clarificado, ser mais flexível e menos penalizador para as empresas, atendendo ao elevado número de estabelecimentos encerrados temporariamente, tendo em vista evitar o recurso à figura da extinção dos postos de trabalho.”

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Empresários hoteleiros e turísticos do Algarve estão “descapitalizados”

Ao apresentar esse conjunto de propostas ao Executivo do primeiro-ministro, António Costa, a AHETA aproveitou, na altura, para recordar que “os empreendimentos hoteleiros e turísticos do Algarve vêm enfrentando uma redução drástica na sua atividade e, por essa via, nas suas receitas desde o final do mês de Outubro, encontrando-se descapitalizados e fragilizados por vários meses de gestão deficitária, não dispondo de condições financeiras para suportar uma paragem total do sector e, simultaneamente, satisfazer os encargos com o pessoal e outros compromissos financeiros e fiscais.”

“O período que atravessamos constitui um verdadeiro pesadelo para os empresários hoteleiros e turísticos do Algarve, o que torna ainda mais urgente a aprovação destas e outras medidas, sem as quais o sector corre o risco de afundar rapidamente, provocando efeitos nefastos, incalculáveis e imprevisíveis na economia regional e nacional”, acrescentou aquela associação.

“O que hoje é verdade amanhã é mentira. As medidas do governo já são manifestamente insuficientes, face à dimensão do problema”

Neste domingo, dia 22 de Março, em declarações ao «Litoralgarve, o presidente da Direção da AHETA reforça o seu pessimismo perante a crise devastadora resultante do novo coronavírus, Covid-19.

As medidas propostas pela AHETA mereceram a aprovação do governo, mas tal como tínhamos previsto já se encontram ultrapassadas. O que hoje é verdade amanhã é mentira. As medidas do governo que pareciam ousadas numa primeira fase, por seu lado, já são manifestamente insuficientes, face à dimensão do problema”, lamenta aquele dirigente.

Por agora, ainda não é possível à AHETA apresentar uma primeira estimativa dos prejuízos.

Não sei precisar, mas os hotéis e empreendimentos turísticos do Algarve classificados oficialmente faturam cerca de 1,2 mil milhões de euros por ano”, nota Elidérico Viegas, E acrescenta: “O Algarve, contudo, produz anualmente 6,5 a 7 mil milhões de euros em bens transacionáveis. Como dizia o outro: é fazer as contas.”

“A maioria das unidades ou está encerrada ou vai encerrar nos próximos dias”

 Questionado sobre qual o número de unidades encerradas e quantos milhões de euros já tiveram de ser devolvidos aos operadores turísticos, o presidente da Direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, responde:

Faz mais sentido perguntar quantas unidades estão abertas ao público, tal é o número de encerramentos, uma vez que a maioria ou está encerrada ou vai encerrar nos próximos dias. Os operadores turísticos pagam, salvo algumas exceções, poucas, diga-se, após a prestação dos serviços, pelo que não há lugar à devolução de adiantamentos.”

“Turistas têm que se ajustar às medidas e/ou regressam a casa, situação que se está a verificar”

 Já em relação à forma como os turistas reagem perante o fecho da maioria dos estabelecimentos da restauração e do comércio, entre outras medidas, em face das restrições impostas pelo estado de emergência também decretado em Portugal, Elidérico Viegas admite: “Tal como nós, perante a dimensão da crise, contam pouco e têm que se ajustar às medidas e ações definidas e/ou regressam a casa, situação que aliás se está a verificar.” “Não existem exageros quando se trata de proteger vidas humanas”, defende.

 E será que o governo português reagiu tardiamente ao controlar fronteiras?

Penso que nesta matéria não fomos nem melhor nem piores do que os outros. Em alguns casos teremos até sido mais eficientes”, reconhece o presidente da Direção da AHETA.

“Desemprego vai aumentar neste e em outros sectores, e não vai ser pequeno”

 O desemprego será uma situação inevitável perante a crise provocada pelo coronavírus, Covid-19.

“Claro que vai haver desemprego neste e em outros sectores, e não vai ser pequeno.

A crise é cruel e não tem prazo nem fim anunciado. As unidades que estavam previstas abrir nesta altura da Páscoa após o encerramento durante a estação baixa, não reabriram e as outras que estavam abertas optam por encerrar face à queda brusca da procura, dispensando os trabalhadores”, alerta Elidérico Viegas. Porém, ressalva, “acresce que a situação só não é ainda mais grave porque muitos anteciparam as férias por acordo entre as entidades empregadoras e os trabalhadores, criando a ilusão que o desemprego não atinge números preocupantes.”

 Por outro lado, confrontado com o aumento do número de infetados com Covid-19 no Algarve, que nesta tarde de domingo, 22 de Março, já era 31, oficialmente, tendo um idoso, de 77 anos, falecido há dias no Hospital de Faro, e sobre a ação, no terreno, das autoridades de saúde nesta região, aquele dirigente da AHETA mostra-se resignado:

Atendendo à dimensão e mundialização da doença, as mortes surgem como uma fatalidade que o mundo se habitou a aceitar, qual indiferença!”

Faz “lembrar uma história aos quadradinhos ou um filme de ficção científica. Tudo parece tão irreal que quase não acreditamos que esteja a acontecer”

 “Estamos em guerra, uma verdadeira guerra civil universal: Homem versus Inimigo Invisível, (vírus invasor), fazendo lembrar uma história aos quadradinhos ou um filme de ficção científica. Tudo parece tão irreal que quase não acreditamos que esteja a acontecer”,  observa.

“O mundo mudou e já não voltará a ser o mesmo. A nova ordem económica mundial, em construção, acelerou para um novo patamar, consubstanciado numa sociedade nova, mais humanista, justa e solidária, mas também mais seletiva e competitiva. Estamos no limiar de uma nova era, quer queiramos quer não”, conclui, nesta curta entrevista ao «Litoralgarve», Elidérico Viegas.

José Manuel Oliveira

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