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Encerrar praias por causa da Covid-19 “será sempre muito excecional” e “o último recurso para salvaguardar a saúde pública”, alerta a Delegada de Saúde Regional do Algarve

“As praias vão contar muito com a auto-responsabilização dos cidadãos. Medidas de fiscalização e de autoridade deverão ser evitadas”, defendeu Ana Cristina Guerreiro em declarações ao Litoralgarve. Numa conferência de imprensa, em Loulé, o presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, Paulo Morgado, deixou um aviso: “o risco de termos novas vagas existe.”

Nove internados, três deles em Unidade de Cuidados Intensivos, 96 casos positivos no domicílio, 170 contactos em vigilância ativa, 356 casos confirmados (cumulativo) 21.710 infirmados (cumulativo), ou seja não se confirmaram, e 15 óbitos (cumulativo), além de 236 recuperados, o que a este nível representa 66,3 por cento. É esta a situação epidemiológica  do Algarve, apresentada no dia 18 de Maio de 2020 pela Delegada de Saúde Regional, Ana Cristina Guerreiro, a abrir a habitual conferência de imprensa que passou a ser quinzenal, na sede do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil, em Loulé, sobre a evolução da Covid-19 nesta região do Sul do país, onde não existem novos casos desde o passado sábado.

“Estamos na fase mais tranquila”

  “Desde que começou a pandemia, para nós esta é a fase mais tranquila”, garantiu ao Litoralgarve aquela responsável da saúde no Algarve, reforçando mesmo a ideia de que “estamos na fase mais tranquila.” Isto, numa altura em que já foram realizados “mais de 20.000 testes” nesta região, entre os quais a utentes e a funcionários de lares de idosos e a trabalhadores das creches que começaram a reabrir no dia 18 de Maio nos 16 concelhos algarvios. “Em tempo recorde, o ABC (Algarve Biomedical Center), efetuou os testes aos funcionários das creches”, sublinhou a Delegada de Saúde Regional.

No período compreendido entre 04 e17 de Maio, foram feitos 1.419 testes aos funcionários de 106 creches do Algarve. Por outro lado, de 30 de Março até 13 de Maio, houve 7.892 testes e 260 re-testes a utentes e funcionários de 105 lares de idosos e instituições similares nos 16 municípios do Algarve.

“Temos sempre pessoas na comunidade com excesso de confiança e pensam que não podem correr riscos”

Os dois óbitos registados no espaço de cinco dias, a 10 e 15 de Maio, nesta região, como recordou Ana Cristina Guerreiro, eram utentes do lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia, em Boliqueime, no concelho de Loulé. Na sequência dos “últimos testes efetuados, quatro foram inconclusivos, um está em estudo e há um internado”, revelou, apontando para uma “fase de estabilização.” Já em relação à situação com migrantes no Algarve, considerou que tal indica uma “redução” de casos, “é a tendência.”

Questionada pelos jornalistas sobre o recente caso ocorrido em São Brás Alportel, que passou a constar das estatísticas divulgadas pela Direção-Geral da Saúde, com três infetados, Ana Cristina Guerreiro referiu terem resultado de “alguns contactos sociais.” “Temos sempre pessoas na comunidade com excesso de confiança, a própria auto-estima, e pensam que não podem correr riscos. Mas acabam por correr riscos”, observou.

“Vamos ter de conviver com esta doença durante muitos meses”, avisa o presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Algarve, Paulo Morgado

Por sua vez, o presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, Paulo Morgado, citando a Organização Mundial da Saúde sobre a Covid-19, disse que “esta doença vai ficar na comunidade e todos os anos a teremos até que que tenhamos uma vacina, questão muito relevante pelos custos e ainda estamos longe.” Por isso, alertou, “vamos ter de conviver com esta doença com certeza durante muitos meses.”

Já em relação à imunidade, Paulo Morgado desvalorizou “alguns estudos que estão a ser feitos aqui e acolá.” “Alguns testes são duvidosos porque a metodologia não é a mais adequada, não dão uma amostra mais adequada, os testes não têm a mobilidade que deviam ter”, criticou. “Portanto, ainda há muita ciência a ser feita para se poderem tirar algumas conclusões que às vezes se tiram de uma forma apressada. Ainda estamos muito longe de termos imunidade de grupo”, avisou o presidente da ARS/Algarve, reforçando a ideia de que “o risco de termos novas vagas existe.” “Se temos uma, duas, teremos as que tivermos até à imunidade de grupo”, acrescentou.

Paulo Morgado reconheceu que, numa altura de mobilidade das pessoas na Europa, “os riscos são muito grandes” de contágio do novo coronavírus, mas, assinalou, “a economia tem de funcionar.” “O trabalho dos serviços de saúde é garantir nesta fase em que estamos agora detetar precocemente os casos. É muito importante continuarmos a testar as pessoas e detetar o mais precocemente os casos. E garantir o distanciamento”, frisou aquele responsável da saúde no Algarve. 

“Imaginem que numa praia há dois, três casos de um dia para o outro” do novo coronavírus, “é como num estabelecimento”. Encerrar o local “é sempre uma medida drástica” e “o último recurso para salvaguardar a saúde pública”, diz a Delegada de Saúde Regional do Algarve, Ana Cristina Guerreiro

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pelos jornalistas sobre a época balnear que se aproxima, neste ano com início previsto para o dia 06 de Junho, e a afluência às praias, de que poderão resultar situações de aglomeração de pessoas, a Delegada de Saúde Regional do Algarve começou por lembrar que o documento contendo as regras para o sector “não refere encerramento e não tinha de o referir.”  “A Autoridade de Saúde não pode determinar o encerramento de uma praia”, disse Ana Cristina Guerreiro. Contudo, “imaginem que numa praia há dois, três casos de um dia para o outro”, observou, “é como num estabelecimento”, deixando no ar a ideia de poderem vir a ser tomadas medidas como o encerramento de praias em caso de necessidade. “É sempre uma medida drástica quando se tem de a tomar”, sublinhou, considerando tal como “o último recurso para salvaguardar a saúde pública.” “Esperamos que não haja necessidade de tal medida”, acrescentou, em jeito de recado.

“As praias vão contar muito com a auto-responsabilização dos cidadãos. Medidas de fiscalização e de autoridade deverão ser evitadas.”

Depois de voltar a apelar ao “distanciamento” físico nas praias, tal como noutros locais, como “barreiras”, a Delegada de Saúde Regional do Algarve insistiu: “não pode haver um grupo grande de pessoas no mesmo espaço. Contamos que sejam cumpridas as regras básicas, tornando os espaços limpos e seguros.”

“As praias vão contar muito com a auto-responsabilização dos cidadãos. Medidas de fiscalização e de autoridade deverão ser evitadas”, defendeu Ana Cristina Guerreiro, ao ser questionada pelo Litoralgarve sobre o assunto. “As próprias pessoas têm de ter consciência de que não nos podemos aproximar uns dos outros. Têm de ter esses cuidados”, apelou.

E se tal não acontecer, poderão ser encerradas praias? – perguntámos. “Aí, temos a mesma questão na praia, como noutro local qualquer”, respondeu, admitindo que se uma investigação concluir a existência de problemas relacionados com Covid-19 “num determinado local que várias pessoas frequentaram, pode ter-se de tomar uma medida mais gravosa. Mas isso será sempre muito excecional.”

Instalar semáforos nas praias “é uma ajuda à decisão” as pessoas, “como existe uma orientação para o trânsito nas grandes cidades”

Já em relação à colocação de semáforos nas praias para indicarem a afluência, a Delegada Regional de Saúde do Algarve concorda com a medida: “Sim, é uma orientação para as pessoas. Como houve nos tempos em que havia filas nas bombas de gasolina e como existe uma orientação para o trânsito nas grandes cidades.” “As pessoas gostam dessas orientações”, sublinhou aquela responsável, para quem instalar semáforos no acesso ao areal “é uma ajuda à decisão” sobre as praias a frequentar.

“Estamos agora na segunda fase do período de desconfinamento e os riscos são maiores”, admite António Pina, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil do Algarve, que promete “uma avaliação daqui a 15 dias”

Por outro lado, o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, António Pina, afirmou aos jornalistas que “não se verificaram” os problemas de contágio após o período da quarentena e o início da fase de desconfinamento. “Estamos agora na segunda fase do período de desconfinamento e os riscos são maiores. Com as escolas no 11º. e 12º. ano a entrarem na normalidade e a retoma do ano escolar, vamos fazer uma avaliação daqui a 15 dias”, adiantou.

Sobre o início da época balnear, António Pina garantiu: “estamos preparados para a reabertura das praias.” Na sequência de encontros envolvendo autarquias, a Agência Portuguesa do Ambiente e os concessionários e assistentes das praias, a aposta passa por “informação e sensibilização” dos frequentadores do areal e banhistas para os cuidados a ter para garantir o distanciamento, evitando assim a aglomeração de pessoas como forma de prevenção do risco de contágios da pandemia que abala o mundo.

Autor: José Manuel Oliveira

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