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OBRAS NA UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS PARA DOENTES COVID-19 NO HOSPITAL DE PORTIMÃO GERAM POLÉMICA

Os trabalhos devem-se à necessidade “urgente” para resolver “um erro de construção”, alega a presidente do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, Ana Paula Gonçalves. Os deputados algarvios do PSD vão questionar o Ministério da Saúde “sobre o sentido de oportunidade do encerramento durante dois meses” da Unidade de Cuidados Intensivos daquele hospital para doentes infetados com Covid-19. Secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira disse, aos jornalistas, que as obras demoram menos tempo e são necessárias.

Começam na próxima segunda-feira, dia 18 de Maio, como confirmou o ‘Litoralgarve’, e têm uma duração prevista de cerca de dois meses, ou seja até Julho, as obras no Hospital de Portimão  para substituir o pavimento num corredor de acesso à Unidade de Cuidados Intensivos destinada a doentes infetados com o novo coronavírus,  Covid-19. Os trabalhos, que custam 23 mil euros, obrigaram a transferir os doentes com a pandemia para a Unidade de Cuidados Intensivos reservada para o efeito no Hospital de Faro.

“Era razoável fazer o trabalho agora” porque “estamos em fase descendente da Covid-19”, sublinha a presidente do Centro Hospital Universitário do Algarve, Ana  Paula Gonçalves

“Uma vez que estamos em fase descendente da Covid-19 e perspetivamos que, podendo haver uma segunda onda, não será tão cedo, achámos que era razoável fazer o trabalho agora”, afirmou a presidente do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), Ana Paula Gonçalves. As obras são justificadas pela necessidade “urgente” para resolver “um erro de construção” no piso do corredor de acesso à área da Unidade de Cuidados Intensivos destinada a doentes Covid-19, com seis camas, e foram adjudicadas, segundo aquela responsável, “ao fim de quatro concursos públicos”, o primeiro dos quais lançado há um ano.

Já a Unidade de Cuidados Intensivos para doentes não Covid-19 continua a funcionar normalmente, mantendo-se no Hospital de Portimão uma área destinada a  internados com o novo coronavírus, mas que não necessitam da prestação de cuidados intensivos.

PSD de Portimão manifesta “surpresa” e lança críticas

Depois de manifestar a sua “surpresa” ao ter tomado conhecimento de que “o Hospital de Portimão iria encerrar a sua Unidade de Cuidados Intensivos, área dedicada aos doentes COVID-19, devido à necessidade de fazer obras num dos acessos do corredor dessa unidade”, a Comissão Política de Secção do PSD/Portimão, presidida pelo deputado municipal Carlos Gouveia Martins, que soube da  empreitada “via utentes e profissionais de saúde”, reconhece que “não está em causa a extrema necessidade de realização desta obra que já peca por tardia.”

Para o presidente do PSD daquela cidade algarvia, “a obra é necessária, é uma evidência com mais de dois anos, mas o que é totalmente inusitado é o facto de se decidir há duas semanas, em pleno Estado de Emergência nacional, fechar a Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Portimão quando nem a comunidade cientifica sabe como viveremos epidemiologicamente, agora que os portugueses começam gradualmente a sair e a economia abrirá em três fases”. E acrescenta  aquele social-democrata em comunicado: “O PSD é solidário com todas as entidades de saúde, temos sido em Portimão mesmo com siglas partidárias distintas, mas há limites e não validar que a decisão do Conselho de Administração do CHUA (Centro Hospitalar Universitário do Algarve” é um erro é estar a silenciar a voz da esmagadora maioria de portimonenses e algarvios que pensa desta forma”.

Já os deputados algarvios do PSD, Cristóvão Norte, Rui Cristina e Ofélia Ramos, anunciaram que vão questionar o Ministério da Saúde sobre o “sentido de oportunidade do encerramento durante meses” da Unidade de Cuidados Intensivos para doentes Covid-19 no Hospital de Portimão.

“Obras em hospitais são sempre penosas para profissionais e para utentes em qualquer condição, mas nunca devemos em nenhuma altura adiá-las em excesso porque serão sempre motivo de constrangimentos”, diz Jamila Madeira, secretária de Estado Adjunta e da Saúde

Questionada por jornalistas, após a apresentação, no Estádio Algarve, de um estudo-piloto sobre a Covid-19 e os casos que passam despercebidos no concelho de Loulé – acerca daquelas obras no Hospital de Portimão, a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, observou: “Nunca conseguimos parar um hospital para fazer uma obra. Não é possível.”

“As obras de intervenção nas diferentes unidades, como em todas as unidades, esperamos que aconteçam sempre e tão prontamente quanto possível. Obras em hospitais são sempre penosas para profissionais e para utentes em qualquer condição, mas não devemos em nenhuma altura adiá-las em excesso porque serão sempre motivo de constrangimentos. Não há forma na saúde de fazer uma intervenção como uma obra perante a atividade. A atividade tem de acontecer sempre. E essa obra, tanto quanto tenho sinalizada, é muito importante para impor uma qualidade de serviço e foi nesse sentido que foi acionada”, disse aquela responsável governamental.

“A administração e as unidades é que fazem essa gestão com os empreiteiros”

Porquê agora esta obra? – perguntou uma jornalista. “A administração e as unidades é que fazem essa gestão com os próprios empreiteiros e com as entidades, presidentes de concursais e toda essa dinâmica. Mas, naturalmente, não houve nenhuma instrução nem para parar, nem para avançar. Houve, sim, uma atividade normal das entidades hospitalares para manterem a atividade e sobretudo a melhoria das condições para prosseguir uma atividade que preste o melhor cuidado possível aos utentes. Essa é a nossa maior preocupação”, respondeu Jamila Madeira. “Isso por vezes – sublinhou – implica um incómodo de intervenção de obras e essas são inultrapassáveis porque a atividade continua.” “Nunca conseguimos parar um hospital para fazer uma obra. Não é possível”, reforçou, a concluir, a secretária de Estado Ajunta e da Saúde, garantindo que os trabalhos na Unidade de Cuidados Intensivos destinada a doentes Covid-19 no Hospital de Portimão vão demorar “menos” de dois meses, “é o que tenho sinalizado.”

Autor: José Manuel Oliveira

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