Entrevistas

PRAIA DA ROCHA PREPARA TOLDOS E CHAPÉUS DE SOL SEPARADOS POR CINCO METROS NAS CONCESSÕES DE APOIO BALNEAR POR CAUSA DA COVID-19

Numa altura em que o governo prepara restrições no acesso às praias, a partir de Maio, após o fim do estado de emergência, o presidente da Direção da Associação dos Nadadores-Salvadores do Barlavento Algarvio, José Viegas, em declarações ao ‘Litoralgarve’, questiona: “As pessoas irão para a praia à vez? É que ir à praia não é uma situação para demorar 10 ou 20 minutos, como num supermercado ou noutros estabelecimentos.”

A Praia da Rocha, em Portimão, vai passar a ter nas concessões de  apoio balnear toldos, camas e chapéus de sol separados por cinco metros, duplicando assim as normas há anos existentes, de forma de controlar o distanciamento entre as pessoas, devido à pandemia do novo coronavírus, Covid-19, revela ao ‘Litoralgarve’ José Viegas, presidente da Direção da Associação dos Nadadores-Salvadores do Barlavento Algarvio, desde 2001.

“Até agora, a distância normal entre toldos/chapéus de sol era dois metros, 2,5 metros. Perante esta situação provocada pelo novo coronavírus, já estamos preparados para duplicar as distâncias e por isso vai haver menos material, seja toldos ou chapéus de sol por cada concessão, de modo a podermos permitir mais distanciamento entre as pessoas que estão no areal”, diz aquele responsável, nadador-salvador desde 1978, na Praia da Rocha, onde possui uma concessão de apoio balnear.

Numa altura em que o governo começa a planear o fim do estado de emergência – decretado em Portugal até ao dia 02 de Maio – com a progressiva entrada em funcionamento de estabelecimentos, embora de forma condicionada, e o regresso ao trabalho de muita gente, as praias estarão sujeitas a restrições na hora da reabertura.

“(…) Quantas pessoas é que podem estar na água? Podem circular à-vontade no areal? Quem controla? É difícil imaginar tudo isto e mais ainda passar à prática.”

Para já, José Viegas prefere esperar para ver. Mas mostra-se apreensivo e deixa vários alertas: “É possível controlar praias, através dos acessos. Há umas mais difíceis de controlar do que outras. Agora, como vai ser? As pessoas irão para a praia à vez? É que ir à praia não é uma situação para demorar 10 ou 20 minutos, como num supermercado ou noutros estabelecimentos. E depois, outras pessoas ficarão à entrada da praia, à espera de autorização, durante 4/5 horas, por exemplo? Tiram uma senha e ficam numa fila? Na praia, quantas pessoas é que podem estar na água? Podem circular à-vontade no areal? Quem controla? É difícil imaginar tudo isto e mais ainda passar à prática. Vamos aguardar.”

 “Nas praias pequenas, só com um acesso, vai ser mais difícil às autoridades controlarem o acesso das pessoas ao areal”

De qualquer modo, os nadadores-salvadores na Praia da Rocha estão preparados para cooperar, nomeadamente com os agentes da Polícia Marítima, pessoal das câmaras municipais, bombeiros e elementos da Proteção Civil, no acompanhamento e na sensibilização dos banhistas e utentes do areal, para aquilo que se poderá ou não fazer perante a nova realidade provocada pela Covid-19.

“Vou fazer o papel de polícia…” – ironiza, José Viegas, de 60 anos, reconhecendo ser “muito complicado”.  Apesar de tudo, só espera que restrições nas praias “não provoquem conflitos.” “Nas praias pequenas, só com um acesso, vai ser mais difícil às autoridades controlarem o acesso das pessoas ao areal. Tal poderá obrigar, inclusive, a ter mais policiamento e até elementos de empresas de segurança privada. Será uma situação nova e muita estranha. Contudo, penso que não haverá conflitos”, admite o presidente da Direção da Associação de Nadadores-Salvadores do Barlavento Algarvio.

E acrescenta: “É que, com esta fase de quarentena, as pessoas já começaram a ter noção e experiência sobre os cuidados necessários como forma de prevenção perante o novo coronavírus e, penso, irão manter-se cautelosas, mesmo nas praias, pelo menos enquanto não houver uma vacina, um medicamento para o combater. Até essa altura, todos estamos em risco.” Por outro lado, “os portugueses também têm muito a tendência de esquecer os problemas rapidamente, com aquela mentalidade «depois logo se vê»”, antevê José Viegas, de 60 anos, e que está preparado para usar viseiras de proteção e luvas no areal, apesar de ser “esquisito.”

Reconhecimento em nadador-salvador coordenador

“Numa situação de emergência, dentro de água, esse material irá fora, não será utilizado, pois o que interessa é salvar quem está em risco e não haverá tempo a perder”, garante aquele nadador salvador na Praia da Rocha.

Perspetiva de menos turistas no Algarve

Relativamente ao próximo Verão, José Viegas espera menos turistas no Algarve. “Nos meses de Julho e Agosto, serão sobretudo portugueses, muitos deles com segunda habitação nesta região. O que mais me preocupa são as pessoas do Norte do país, onde têm surgido mais casos de infeção e elevado número de mortes, e que agora devido ao encerramento de fábricas, às situações provocadas pela ‘lay-off’ e ao desemprego, acabem por passar férias onde vivem” – nota.

Por outro lado, sublinha, “tradicionalmente Agosto era o mês de férias de muita gente e agora, por exemplo, não sei o que acontecerá aos funcionários públicos que nessa altura vinham para o Algarve. Já os turistas de outras nacionalidades, sobretudo ingleses e alemães, costumavam vir em Maio e depois regressavam cá em Setembro. Agora, ninguém sabe o que irá acontecer.”

“Certificados de nadadores-salvadores que caducavam neste ano ficarão automaticamente validados até final desta época balnear”

O protocolo Portugal / Brasil permitiu ao nosso país ter jovens nadadores-salvadores daquele país durante a época balnear. “Muitos deles regressaram ao Brasil por causa da pandemia e agora, sem voos, também não têm como vir para Portugal”, observa José Viegas. Para resolver a falta desses profissionais e uma vez que, neste ano, devido à Covid-19 “não se perspetiva a realização de mais cursos de nadadores-salvadores, os detentores dos certificados que caducavam neste ano ficarão automaticamente validados até final desta época balnear”, conclui o presidente da Direção da Associação dos Nadadores-Salvadores do Barlavento Algarvio.

Autor: José Manuel Oliveira

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