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Quando olhamos para os números de mortalidade ficamos muito satisfeitos quando vemos as doenças do aparelho circulatório (DAC) nos últimos anos a diminuir. A diminuir estão também as doenças mais frequentes neste grupo, nomeadamente as Doenças Cerebrovasculares (DCV) e a Doença Isquémica do Coração (DIC).

Portugal está a envelhecer. A Proporção de indivíduos com 65 e mais anos é desde 2001 superior à proporção de indivíduos com menos de 15 anos de idade. Também ficamos orgulhosos por saber que a esperança de vida dos portugueses tem vindo a aumentar. Os homens, à nascença, esperam viver em média até aos 77,8 anos e as mulheres até aos 83,4 anos.

Estes números refletem um esforço de todos os que para ele contribuem. Os médicos que os recebem nas urgências hospitalares e os mantêm vivos a todo o custo. A Medicina Familiar que os acompanha nas Unidades de Saúde e Centros de Saúde, os Enfermeiros os Técnicos na área da saúde. Até os próprios assistentes operacionais e assistentes técnicos que, com a sua dedicação, ajuda e acompanhamento, deixam a mensagem de que os doentes não estão sós e que vale a pena continuar e lutar pela vida. Reconheça-se também que os próprios doentes têm dado ouvidos ao que a Fundação Portuguesa de Cardiologia tem divulgado e tem promovido. Mas será que são todos? Será que o coração dos portugueses tem estado a melhorar de uma maneira dão boa? Parece que não. Quando, nas taxas de mortalidade, desagregamos por grupos etários verificamos que a DCV, a DIC e a DCV têm vindo a diminuir graças aos que têm mais de 65 anos. São eles que têm vindo de uma forma sustentada a diminuir as taxas de mortalidade. A mortalidade por DAC e DIC, na geração dos que têm menos de 65 anos, tem vindo a aumentar. A Doença Cerebrovascular (a trombose) apresenta na população com menos de 65 anos uma discreta descida nos últimos anos. O enfarte agudo do miocárdio, ou o que popularmente se designa por ataque cardíaco, tem vindo a aumentar em Portugal.

Ao longo dos seus 40 anos de existência, a missão da Fundação Portuguesa de Cardiologia tem sido a de sensibilizar a população para as várias doenças que afetam o coração e contribuir para reduzir a prevalência destas mesmas doenças. Acreditamos que o nosso papel tem sido fundamental para aumentar a literacia na área da saúde e que todas as iniciativas educacionais que temos vindo a promover ao longo destas quatro décadas tem contribuído para melhorar a qualidade de vida dos portugueses. Simultaneamente, o trabalho desenvolvido ao nível da formação científica, junto de profissionais de saúde, tem permitido colocar Portugal na vanguarda do tratamento das doenças cardiovasculares.

Autor: Dr Luis Negrão

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