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PRESIDENTE DA JUNTA DA FREGUESIA DA LUZ APELA À COMUNIDADE ESTRANGEIRA PARA PRESSIONAR OS CONSULADOS DOS SEUS PAÍSES NO ALGARVE COM VISTA A IMPEDIR O ENCERRAMENTO DO POSTO DOS CORREIOS

O presidente da Junta de Freguesia da Luz, João Reis, apela à comunidade estrangeira radicada nesta zona do concelho de Lagos para pedir apoio aos responsáveis dos consulados dos seus países no Algarve, a fim de evitar o encerramento do posto dos correios existente há anos nesta localidade turística.

“As pessoas devem envolver-se e não olhar a questões políticas ou religiosas e outras. É preciso unir forças e populações. E é de avançar com a hipótese de os estrangeiros residentes nesta zona pedirem apoio aos consulados dos seus países existentes no Algarve, para pressionarem a empresa dos CTT e o Governo português, tendo em vista impedir o fecho do posto do correios. Dessa forma, criará mais força e ganhará mais peso na nossa proposta de não encerramento”, defende, em entrevista ao ‘Litoralgarve’, o autarca João Reis.

É PRECISO HAVER “UNIDADE” NO ALGARVE COMO NA LUTA CONTRA A EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO EM ALJEZUR

Depois de Joaquina Matos, presidente da Câmara Municipal de Lagos e do Conselho Directivo da Associação Terras do Infante (que inclui, além deste concelho, os de Vila do Bispo e Aljezur), também, em declarações, ao ‘Litoralgarve’, ter rejeitado, para já, interpor uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Loulé  –  ao contrário da estratégia seguida na região algarvia contra a exploração de petróleo na costa vicentina, ao largo de Aljezur  –  o autarca da Freguesia da Luz mostra-se, sobretudo, cauteloso a esse nível. “Vamos ponderar as hipóteses todas e acompanhar o desenvolvimento dessas situações”, observa, de forma lacónica.

Se houver “unidade” no Algarve contra o encerramento dos postos dos CTT, como sucedeu em relação ao furo em Aljezur para prospecção de petróleo, João Reis admite que tal “poderá permitir o redimensionamento dessa situação.” “Sim, porquê não?”

“A QUESTÃO QUE OS CTT ALEGAM SEMPRE É A FINANCEIRA OU ECONÓMICA, COMO QUEIRAMOS, E O ENCERRAMENTO ESTÁ IMINENTE

O autarca garante que “estava longe” de pensar num problema como este que irá afectar a freguesia da Luz, a qual conta com cerca de cinco mil residentes, entre portugueses e estrangeiros (e que chega a triplicar no Verão). “Já tive alguns contactos com os CTT, mas eles também não avançam muito. A questão que alegam sempre é a financeira ou económica, como queiramos. O que nos falaram é que o encerramento é de imediato. Está iminente. O conhecimento que temos de outras situações é que chegam a encerrar balcões no prazo de uma semana, um mês, dois meses”, lamentou João Reis.

“HAVERÁ UMA REDUÇÃO DO SERVIÇO DE CTT” E “UMA ENCOMENDA QUE JÁ TENHA DETERMINADO PESO PODERÁ NÃO SER ACEITE”

Se os serviços dos correios passarem a funcionar no edifício da Junta de Freguesia da Luz, surgirão de imediato problemas, reconhece o autarca, embora sem referir a questão do pessoal a envolver por nada estar definido nessa matéria. “Haverá uma redução do serviço de CTT e uma diminuição de tudo aquilo que tem sido a proximidade na relação com as populações. Em determinadas situações, uma encomenda que já tenha determinado peso poderá não ser aceite”, revela João Reis, tendo de ser canalizada para uma estação dos correios e, por consequência, já na cidade de Lagos.

Em termos concretos, o encerramento dos CTT na localidade da Luz poderá ocorrer durante o primeiro trimestre do ano de 2019. Isto, “se houver algum parceiro que aceite a parceria com os CTT”, diz o presidente da Junta. Uma parceria deste tipo “é com empresários, com associações, com juntas de freguesia ou outras entidades”, nota.

“SE NINGUÉM ACEITAR UMA PARCERIA, A EMPRESA DOS CTT SERÁ ORIGADA A CONTINUAR A GARANTIR O SERVIÇO”

“Se ninguém aceitar uma parceria, penso que a empresa dos CTT será obrigada a continuar a garantir o serviço. Como tal, o melhor é não haver parceria, o que será uma forma de forçar os CTT a manter o actual posto em funcionamento”, apela, nesta entrevista ao ‘Litoralgarve’, o principal responsável pela Junta de Freguesia da Luz. “Com a parceria necessária, os CTT terão o caminho facilitado. Como é do conhecimento geral, as juntas de freguesia seriam os parceiros mais indicados. Neste momento, achamos que não o devem ser. Não vamos aceitar essa situação”, conclui João Reis.

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