Entrevistas

LUÍS PAIXÃO NÃO EXCLUI CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE VILA DO BISPO EM 2021

ENTREVISTA EXCLUSIVA DE LUÍS PAIXÃO, PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE SAGRES, DO CONCELHO DE VILA DO BISPO

“AINDA FALTAM TRÊS ANOS E A VIDA DÁ MUITAS VOLTAS”

“O PRÓXIMO PRESIDENTE DA CÂMARA VAI TER QUE EFECTUAR A ALTERAÇÃO AO PL ANO DIRECTOR MUNICIPAL, FUNDAMENTAL PARA O DENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO, E EFECTUAR TODAS AS OBRAS NECESSÁRIAS EM SAGRES, PORQUE ACREDITO QUE ATÉ AO FINAL DESTE MANDATO A ‘ALERGIA’ À OBRA IRÁ CONTINUAR.” 

“ESTRADA NACIONAL 268 –  A CÂMARA MUNICIPAL LEVOU OS ÚLTIMOS NOVE ANOS EM REUNIÕES PARA DECIDIR NÃO SEI O QUÊ.”

“QUANDO, EM 2017, INICIÁMOS ESTE MANDATO, A EXTENSÃO DE SAÚDE DE SAGRES TINHA UM DEFICIENTE ATENDIMENTO MÉDICO  (. . .)  OS UTENTES TINHAM DE IR PARA A PORTA ÀS SEIS DA MANHÃ PARA CONSEGUIR UMAS DAS SEIS CONSULTAS DO DIA  (. . .)  HOJE, SAGRES TEM MÉDICO TRÊS VEZES POR SEMANA. AINDA NÃO É O QUE PRETENDEMOS, MAS ESTÁ BASTANTE MELHOR.”

 “A FORTALEZA DE SAGRES, NOS ÚLTIMOS ANOS, NÃO TEM SABIDO DAR A CONHECER A HISTÓRIA DE PORTUGAL. POR VEZES TIVE A SENSAÇÃO QUE O MINISTÉRIO DA CULTURA ATÉ TINHA VERGONHA DA SUA HISTÓRIA E DO INFANTE D. HENRIQUE. QUEM VISITA A FORTALEZA DE SAGRES SAI DE LÁ COM O MESMO CONHECIMENTO HISTÓRICO COM QUE ALI ENTROU.”——

“SAGRES RECEBE  ANUALMENTE MAIS DE UM MILHÃO DE VISITANTES QUE VISITAM O CABO DE SÃO VICENTE E A FORTALEZA, MAS SÓ CERCA DE TRÊS POR CENTO ENTRAM EM SAGRES. O PORTO DA BALEEIRA, DEVIDO À SUA LOCALIZAÇÃO, SE ESTIVER PREPARADO PARA RECEBER TURISTAS PODERÁ ALTERAR ESTA REALIDADE.”

“AINDA TENHO O CARTÃO DE MILITANTE DO PSD E O NÚMERO É 16049. TENHO AS QUOTAS EM DIA.” 

RUI RIO – “PENSO QUE AGORA LHE ESTÁ A FALTAR A CORAGEM POLÍTICA QUE TEVE NO PASSADO.”

Um ano após ter sido eleito presidente da Junta de Freguesia de Sagres, Luís Miguel Paixão confessa nesta entrevista ao «Litoralgarve» o que lhe vai na alma. Apesar de líder do movimento de cidadãos de independentes ‘Paixão por Sagres’, revela que ainda é militante do PSD e com as quotas em dia e conta qual o motivo. Diz o que está mal e bem em Sagres, o que tem de ser levado a efeito em 2019 e até final deste mandato, aponta as falhas do executivo camarário socialista de Vila do Bispo e alerta para os riscos da taxa turística recentemente aprovada no Algarve e da prospecção de petróleo na costa vicentina. E “como a vida dá mutas voltas’, em 2021 até não exclui uma eventual candidatura a presidente da Câmara Municipal.

 

Litoralgarve – Afinal, o que está mesmo em causa no processo, há anos adiado, de requalificação da Estrada Nacional nº. 268, entre Sagres e o sítio das ‘Quatro das Estradas, por onde circulam milhares de viaturas e existem tantos riscos de acidentes?

Luís Paixão – O que está em causa é falta de vontade em resolver um problema que se arrasta há tempo demais. Cada entidade (Câmara Municipal de Vila do Bispo, Infraestruturas de Portugal e Rotas do Algarve Litoral) “empurra” a responsabilidade para cima da outra. Farta deste jogo do empurra, a Junta de Freguesia de Sagres organizou uma marcha de protesto no dia 22 de Julho, que juntou mais de 300 pessoas e que originou o corte da estrada durante uma hora e meia, para demonstrar o descontentamento pela falta de manutenção daquela via.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, multidão e ar livreLA – E o que já foi conseguido?

L.P. – Da manifestação resultou uma reunião no dia 13 de agosto na Junta de Freguesia de Sagres em que estiveram presentes os membros da Assembleia de Freguesia, o executivo da Junta de Freguesia, o presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Adelino Soares, e dois representantes da empresa Infraestruturas de Portugal (I.P.), Eng. Luís Pinela e Eng. Carlos Afonso. No final da reunião levei os dois responsaveis da I.P a fazer a pé o trajeto que se encontra em pior estado para a circulação de peões, para verem no terreno o perigo que os peões correm diariamente. Mostraram-se sensibilizados e disseram que aquela via era uma prioridade para ser resolvida. Continuamos atentos e a pressionar para que tenha uma resolução rápida.

LA – O que acha do papel da Câmara Municipal de Vila do Bispo neste processo?

L.P. – Aquela via está na posse da Infraestruturas de Portugal, mas a Câmara Municipal, tal como a Junta de Freguesia de Sagres, tem a obrigação de exigir que se façam obras. Contudo, a Câmara Municipal levou os últimos 9 anos em reuniões para decidir não sei o quê.

Em minha opinião, o presidente da Câmara tem responsabilidades políticas por dois motivos: primeiro, como presidente de câmara e segundo como presidente do Partido Socialista de Vila do Bispo. Os cargos que ocupa dão-lhe a possibilidade de estar mais próximo dos órgãos decisórios, tem a obrigação de lutar pelos interesses do seu concelho em cada reunião que vai ou em cada encontro que tem com um membro do governo. Por exemplo, em janeiro de 2017 esteve na Câmara Municipal de Vila do Bispo o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, e na sua intervenção o presidente da Câmara nem uma palavra disse acerca da entrada de Sagres. Sei que a vinda do ministro era por um motivo concreto, mas podia muito bem encaixar na sua intervenção umas palavras sobre o assunto.

LA – Pensa que se o problema fosse no norte do país, já estaria resolvido?

L.P. – Não quero acreditar que haja diferenças de tratamento entre o norte e o sul.

LA – E até final de 2018 espera uma solução?

L.P – O que espero é uma resposta concreta por parte da Infraestruturas de Portugal.

 

“AS MANIFESTAÇÕES NÃO RESOLVEM OS PROBLEMAS, MAS AJUDAM A RESOLVER”

 

A imagem pode conter: 3 pessoas, céu e ar livreLA – Admite levar a efeito outra manifestação e parar o trânsito?

L.P. – Entendo que os problemas devem resolver-se através do diálogo. Quando não se consegue temos que recorrer a um direito que nos assiste, que é o direito à manifestação. As manifestações não resolvem os problemas, mas ajudam a resolver.

LA – O que lhe dizem os residentes e os turistas?

L.P. – Dizem o que qualquer pessoa de bom senso diz, que a estrada não oferece nenhuma segurança a quem lá transita e é um péssimo cartão de visita para uma localidade que recebe mais de um milhão de vistantes por ano. A melhor prova de que a população quer uma intervenção urgente naquela via, foi a adesão à manifestação realizada num domingo de manhã em pleno verão.

LA – Tem havido acidentes? Que precauções especiais chegam a ser tomadas devido ao mau estado da Estrada Nacional 268?

L.P. – Felizmente não têm acontecido acidentes considerados graves, apenas algumas quedas, principalmente por parte de idosos, mas o perigo espreita a todos e todos os dias. Não vamos tomar medidas só depois de acontecer alguma desgraça.

LA – Quanto poderão custar as obras, que tipo de intervenção é necessária e durante quanto tempo?

L.P. – Aquela é uma via urbana e como tal necessita de todas as infraestruturas que uma via urbana necessita, ou seja, rede de águas pluviais,  de esgotos, iluminação, comunicações. Estimo que aquela obra tenha um custo entre os 3 e os 4 milhões de euros.

 

“NO FUTURO DEVERIA SER A CÂMARA MUNICIPAL DE VILA DO BISPO A GERIR A EN 268, MAS TEM DE SER MUITO BEM NEGOCIADA A TRANSFERÊNCIA DA POSSE DAQUELA VIA”

 

LA – Quem deveria ficar, no futuro, a gerir a EN 268 e porquê?

L.P. – No futuro deveria ser a Câmara Municipal de Vila do Bispo a gerir a estrada, porque é uma via urbana e devem ser os municípios a gerir as vias urbanas. Mas, atenção, tem de ser muito bem negociada a transferencia da posse daquela via. A Câmara Municipal não deve tomar posse da estrada tal com está atualmente e sem as devidas contrapartidas financeiras.

 

“A FALTA DE PLACAS TOPONÍMICAS NAS RUAS DE SAGRES PROVOCA GRANDES PROBLEMAS NA DISTRIBUIÇÃO DO CORREIO, ENTREGA DE ENCOMENDAS E NA LOCALIZAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS”

 

LA – O que já conseguiu fazer em concreto desde o início deste seu mandato como Presidente da Junta de Freguesia de Sagres e quanto gastou?

L.P. – Uma Junta de freguesia, como a de Sagres, é muito limitada financeiramente, não temos dinheiro nem meios para grandes obras, mas nestes 11 meses de mandato fizémos um investimento de 12 mil euros no cemitério, com a aquisição de 24 ossários e a construção de um telheiro para os proteger. Por outro lado, em parceria com a Fundação PT inaugurámos uma cabine de leitura, que é uma cabine telefónica antiga convertida em minibiblioteca aberta 24 horas por dia e que tem como mote levar, doar, ler e devolver. Conta com livros em várias linguas e tem tido muito sucesso, pricipalmente entre os turistas.

Temos cumprido com os compromissos assumidos no nosso caderno eleitoral, entre outros, incentivámos os pescadores a assumirem, com o apoio da Junta de Freguesia, a realização das festas de Sagres, o que não acontecia há vários anos; promovemos uma manifestação, como já foi destacado, para realizar obras de manutenção e conservação na estrada da entrada de Sagres (a EN 268); entregámos uma carta escrita em conjunto pela Junta de Freguesia e pela Associação dos Armadores de Pesca de Sagres, no sentido de manifestarmos a nossa preocupação pela falta de segurança e ordenamento do Porto da Baleeira; e assinámos um protocolo tripartido com a Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo e o Clube Recreativo Infante de Sagres para prestar à população residente na freguesia e aos atletas do Clube, fisioterapia de manutenção, prevenção e pequena recuperação gratuitamente.

Quando, em 2017, iniciámos este mandato, a Extensão de Saúde de Sagres tinha um deficiente atendimento médico. O serviço era prestado por uma empresa, cujo médico dava consulta apenas duas vezes por semana, na segunda e na sexta feira das 09:30 às 14:30. Isto, quando não faltava. Os utentes tinham de ir para a porta do edifício da Extensão de Saúde às seis da manhã para conseguir umas das seis consultas do dia. Apresentámos uma moção na Assembleia Municipal de Vila do Bispo a denunciar a situação e consequentemente tivémos uma reunião com o Dr. Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, em que manifestámos a nossa preocupação e revolta pela falta médico. Como resultado, hoje Sagres tem médico três vezes por semana – segunda, quarta e sexta feira de manhã e de tarde. Não é ainda o que pretendemos, mas está bastante melhor. Temos feito obra e procuramos denunciar algumas lacunas da freguesia para quem de direito possa resolver.

LA – E o que espera concluir até final deste ano?

L.P. – Até ao final do ano espero que tenhamos concluida a atribuição do nome para todas as ruas de Sagres, de modo a sugerirmos à Câmara Municipal a sua aprovação.

Resultado de imagem para vila de sagresLA – Qual a importância desse trabalho? Quantas ruas estão por designar, há quantos anos e porquê? Que problemas têm surgido devido a essa lacuna? Pode destacar alguns nomes que irão figurar nas placas toponímicas?

L.P- A colocação do nome em todas as ruas, assim como os números de policia, são muito importantes como elementos de identificação, orientação e localização de imovéis urbanos. A falta destes elementos provoca grande dificuldade na distribuição do correio, na entrega de encomendas e na localização de empreendimentos turisticos e outros, através do GPS, por exemplo. Não posso destacar nomes, sem terem sido discutidos e aprovados pela assembleia de freguesia.

LA – Em 2019, o que irá levar a efeito?

L.P. – Como referi, uma grande necessidade que Sagres tem é a definição do nome de algumas ruas. Quando a Câmara Municipal aprovar os nomes, iremos colocar as placas de toponímica nas ruas de Sagres. E em simultâneo, a Câmara deverá concluir o processo dos números de polícia.

Por outro lado, vamos ouvir a Assembleia de Freguesia, o conselho consultivo da freguesia e a população no sentido de decidirmos qual ou quais as obras que podemos efectuar com os vinte cinco mil euros, transferidos pela Câmara Municipal de Vila do Bispo, resultante do protocolo assinado. Em 2019 continuaremos a alertar e a exigir que sejam feitas intervenções em Sagres de modo a melhorar a qualidade de vida da população e a dar dignidade a uma das localidades mais visitadas do país.

 

“SAGRES PRECISA URGENTEMENTE DE UM NOVO CEMITÉRIO, DE OBRAS NO MERCADO MUNICIPAL E DE UMA NOVA CONDUTA DE ÁGUA”

 

LA – Quais são as principais carências desta freguesia?

L.P. – Sagres precisa urgentemente de um novo cemitério, uma vez que o atual dentro de poucos anos esgota a sua capacidade, e são necessárias obras urgentes no Mercado Municipal. A conduta de água que abastece Sagres tem de ser substituída. É que a actual sofre roturas quase todas as semanas.

 

“A CÂMARA MUNICIPAL DE VILA DO BISPO, NA MAIORIA DAS VEZES, OPTOU PELO ESPECTÁCULO”

 

LA – Como é a sua relação com o presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, o socialista Adelino Soares, e com os vereadores?

L.P. – A minha relação com o executivo da Câmara Municipal é uma relação normal entre dois órgãos autárquicos que têm como objectivo o melhor para as suas populações. Podemos é discordar do conceito de melhor.

Para mim, o melhor para a população era investir parte dos quase 91 milhões de euros que o executivo da Câmara Municipal geriu nos ultimos 8 anos, por exemplo, no arranjo do Mercado de Sagres, na pintura das passadeiras e restantes marcas rodoviárias, na substuição da conduta de água da Avenida Infante D. Henrique, que tem roturas quase todas as semanas, na construção de um novo cemitério ou na pavimentação das ruas que ainda se encontram em terra batida.

Para a Câmara Municipal de Vila do Bispo, o melhor para a população foi investir parte desse dinheiro no apoio e na organização de eventos culturais e desportivos.

Não quero dizer que o concelho não tenha de ter atividades de índole cultural e desportivo. Penso é que não pode ter apenas isso. Por vezes um executivo tem que tomar opções em função da verba de que dispõe, ou executa uma obra ou realiza um espetáculo. A Câmara Municipal, na maioria das vezes, optou pelo espetáculo, foi a política que adoptou, não concordo, mas aceito. Aceito porque essa foi a politica que a população escolheu, com larga maioria, no último ato eleitoral.

LA – Qual é o orçamento em 2018 e quanto espera receber em 2019? O que vai pedir à Câmara Municipal de Vila do Bispo?

L.P. – O orçamento da Junta de Freguesia de Sagres é de quase 85 mil euros. Em 2019 espero receber sensivelmente o mesmo. Vou pedir à Câmara Municipal o que sempre tenho pedido, ou seja, que faça a manutenção das infraestruturas que já referi, que requalifique as ruas que ainda se encontram em terra batida, que substitua a conduta de água que abastece Sagres.

 

“O PORTO DA BALEEIRA É UM EQUIPAMENTO TOTALMENTE DEGRADADO E DESORDENADO, QUE ALÉM DE PÔR EM CAUSA A SEGURANÇA DAS PESSOAS, TRANSMITE AOS VISITANTES UMA IMAGEM DEGRADANTE DE UM PAÍS DA UNIÃO EUROPEIA QUE TEM COMO PRINCIPAL SECTOR DA ECONOMIA O TURISMO”

 

Resultado de imagem para porto da baleeiraLA – Como estão o Porto da Baleeira, em Sagres, o edifício da Docapesca e os acessos? De que se queixam os utilizadores?

L.P. – Aquando da cerimónia de abertura do XXXI Campeonato do Mundo de Caça Submarina entreguei à Senhora Ministra do Mar, Engª. Ana Paula Vitorino, uma carta escrita em conjunto pela Junta de Freguesia e Associação dos Armadores de Pesca de Sagres a denunciar a falta de segurança e de ordenamento do Porto da Baleeira.

O Porto da Baleeira precisa que seja elaborado um projecto com visão de futuro e não de intervenções pontuais avulsas, como tem acontecido e se prevê que venha a acontecer.

A realidade actual do Porto da Baleeira é de um equipamento totalmente degradado e desordenado que além de pôr em causa a segurança das pessoas, transmite aos visitantes uma imagem degradante de um país da União Europeia que tem como principal sector da economia o turismo.

LA – Quais as verbas envolvidas na venda do pescado?

L.P- Quanto às verbas que a DOCAPESCA movimenta desconheço o seu valor, mas sei que neste momento é das lotas que mais vendeu no Algarve.

 LA – Acha que a Fortaleza de Sagres tem sido devidamente aproveitada em termos culturais e turísticos?

L.P. – Em minha opinião, a Fortaleza de Sagres, nos últimos anos, não tem sabido dar a conhecer a História de Portugal. Por vezes tive a sensação que o Ministério da Cultura até tinha vergonha da sua história e do Infante D. Henrique. Quem visita a Fortaleza de Sagres sai de lá com o mesmo conhecimento histórico com que ali entrou.

 

“O EXTERIOR DA FORTALEZA TAMBÉM ME PREOCUPA. PREOCUPA-ME O ESTADO DE DEGRADAÇÃO DOS CANDEEIROS QUE SE ENCONTRAM NA SUA ENVOLVENTE, TRANSMITINDO UMA IMAGEM DE DESLEIXO”

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LA – O que falta?

L.P. – Espero que o novo Centro Expositivo Multimédia dos Descobrimentos, o qual se prevê entrar em funcionamento em 2019, venha alterar a presente situação. Espero que a partir de 2019 quem visite a Fortaleza saia de lá a conhecer a importancia de Portugal, de Sagres e do Infante D.Henrique na descoberta de novos mundos.

O exterior da Fortaleza também me preocupa. Preocupa-me o estado de degradação dos candeeiros que se encontram na sua envolvente, transmitindo uma imagem de desleixo de um promontório que chamam de sagrado e que é visitado por centenas de milhares de visitantes durante o ano. É altura de a Câmara Municipal de Vila do Bispo e do Ministério da Cultura se entenderem para resolver a situação de uma vez por todas.

LA – Esteve presente num recente encontro entre o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, na Fortaleza de Sagres?

L.P. – Não estive presente porque não fui convidado.

LA – O que gostaria de lhes dizer pessoalmente?

L.P. – Nessa manhã, quando tive conhecimento que o Senhor Presidente da República vinha a Sagres, enviei-lhe um ‘email’ a pedir para olhar com atenção para a segurança e imagem da entrada de Sagres, para olhar com atenção para os candeeiros que estão na zona envolvente à Fortaleza e que se tivesse tempo fosse visitar o Porto da Baleeira para verificar o estado de degradação em que se encontram os passadiços.

LA – Qual é a grande obra que gostaria de ver em Sagres e porquê?

L.P. – Gostava de ver o Porto da Baleeira requalificado, de modo a ser rentabilizado economicamente todo seu potencial. Devia estar equipado com um porto de recreio. Não se compreende porque é que Sagres, devido à sua localização geográfica, não tem um porto de recreio para abrigar as milhares de embarcações que anualmente navegam entre o norte da Europa e o Mediterrâneo e vice versa. Estou certo de que este equipamento tornar-se-ia no principal ponto de paragem de quem navega ao longo da costa portuguesa, quer pela sua localização geográfica, quer pelo simbolismo de visitar a “Vila do Infante”. Esta infraestrutura iria proporcionar a criação de emprego directo e indirecto através da criação de inúmeros serviços.

Outro potencial económico que o Porto da Baleeira deve aproveitar é a vertente turística. O turismo é o principal sector económico do país, com um peso importantíssimo na criação de investimento e emprego, e entendo que todas as instituições públicas devem ter em consideração que as suas infraestruturas, além de estarem preparadas para desempenhar as suas funções principais, devem sempre que possivel estar preparadas para receber turistas.

Sagres recebe anualmente mais de um milhão de visitantes que visitam o Cabo de São Vicente e a Fortaleza, mas só cerca de 3% entram em Sagres.  O Porto da Baleeira, devido à sua localização, se estiver preparado para receber turistas poderá alterar esta realidade. O edifício da lota devia estar preparado para receber visitantes, de modo a que sem interferirem no trabalho dos profissionais, lhes permitisse ver a transação do “melhor peixe do mundo”. E no edifício da antiga lota, que sofreu obras de requalificação, devia ser criado um museu do mar.

LA – Porquê falhou a concretização do projecto do Centro Oceanográfico de Sagres, de que durante tantos anos se falou?

L.P. – Não sei, talvez os interesses políticos se tenham sobreposto ao interesse público. Sei que havia fundos comunitários aprovados e sei também que era um equipamento importante para Sagres e para o Algarve.

LA – Os pescadores lúdicos continuam a correr riscos nas falésias ou já nota mais precaução?

L.P. –  Felizmente nos últimos anos não têm acontecido quedas mortais das falésias. É necessário que cada um tenha a consciência dos riscos que corre e que um peixe não vale uma vida.

 

“Em SAGRES A DESCENTRALIZAÇÃO NÃO VAI TER QUALQUER EXPRESSÃO”

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LA – Reforma administrativa. O que espera e para quando da descentralização de competências do Estado para os municípios e neste caso para as freguesias?

L.P. – É positivo o País dar passos no sentido da descentralização, mas tem que ser uma descentralização feita com seriedade, acompanhada de meios financeiros justos. A descentralização tem de garantir que aproxima o poder político das pessoas e não pode ser visto pelo Estado como uma alienação das suas responsabilidades ou como um bom negócio.

LA – E o que poderá Sagres ganhar a esse nível? Que tipo de competências sente condições para assumir?

L.P. – Penso que em freguesias com 1.500 eleitores, como é o caso de Sagres, só com um funcionário administrativo, a descentralização não vai ter qualquer expressão.

LA – Gostaria de desempenhar o cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Sagres a tempo inteiro?

L.P. – A lei não permite que uma Junta com 1.550 eleitores, o seu presidente exerça funções a tempo inteiro. O mínimo está reservado para 10.000 eleitores.

 

“PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO NA COSTA VICENTINA – “ESPANTA-ME O MINISTÉRIO DO MAR SER O DEFENSOR MAIS ACÉRRIMO E O SILÊNCIO DO PARQUE NATURAL”

 

LA – Que riscos corre a zona de Sagres com a possível prospecção de petróleo na costa vicentina, no já célebre furo de Aljezur?

L.P. – Sagres e o Algarve correm vários riscos. Em primeiro lugar, não estamos livres que ocorram acidentes com graves repercussões ambientais, sociais e económicas para a região, através de derrames e não sabemos até que ponto, as perfurações não agravam o risco sismico já existente na região. Por outro lado, numa altura em que o Algarve está a apostar no turismo de natureza, para combater a sazonalidade, o governo em vez de ser solidário e apostar em energias renovaveis, limpas e amigas do ambiente, como por exemplo a energias fotovoltaica, eólica ou das marés, quer descobrir petróleo. Isto, quando em todo o mundo se intensificam as políticas para que as chamadas energias limpas venham a ser a principal fonte de energia. No meio disto tudo, espanta-me o Ministério do Mar ser o defensor mais acérrimo e o silêncio do Parque Natural.

 

“OS EFEITOS NEGATIVOS DA TAXA TURÍSTICA NO ALGARVE A PARTIR DE MARÇO DE 2019”

 

LA – Quais as repercussões para Sagres da taxa turística a criar no Algarve a partir de Março de 2019, recentemente aprovada pela Associação dos Municípios da região?

L.P. – O que sei sobre o assunto é o que tenho lido na comunicação social. Tenho dúvidas de que esta taxa seja positiva para Sagres, para o concelho de Vila do Bispo e para o Algarve, porque surge numa altura em que os destinos turísticos que originaram o aumento do turismo em Portugal e no Algarve nos últimos anos estão a recuperar. Por outro lado, não está definido onde e como vai ser aplicada a receita gerada. Se esta taxa for para a frente, penso que tem que ser aprovada pelas assembleias municipais. E tem que se ter muito cuidado com a imagem transmitida a quem paga a taxa. Era inadmissivel os turistas estarem a pagar uma taxa para aqui verem caixotes do lixo cheios de lixo à volta, ecopontos a transbordar, a Estrada Nacional 125 constantemente congestinada, pagarem portagem para circular, transitarem numa linha férrea obsoleta e terem deficientes cuidados de saúde. Quando se aplica uma taxa não se pode ver apenas a receita, tem que se ver as consequências da mesma e o seu impacto. Nos outros paises o que vão dizer é que no Algarve os turistas pagam um imposto para lá irem.

 

“AINDA TENHO O CARTÃO DE MILITANTE DO PSD E AS QUOTAS EM DIA”

 

LA – Ainda tem o cartão de militante do PSD? Qual é o número?

L.P. – Ainda tenho o cartão de militante do PSD e o número é 16049.

LA – Pensa entregá-lo ao partido ou prefere guardar como recordação?

L.P. – Tenho as quotas em dia.

LA –  E voltar ao activo ao PSD, é possível?

L.P. – A minha ideologia política é social democrata, defendo os principios e os valores do PSD. Neste momento, o PSD Algarve tem algumas pessoas, que em minha opinião, nas ultimas eleições autárquicas demonstraram principios e valores diferentes dos meus.

LA – O que lhe disse o presidente da Comissão Política Distrital de Faro do PSD, David Santos, depois de o senhor se apresentar como candidato independente à Junta de Freguesia de Sagres. E depois da sua eleição?

L.P. – Falámos várias vezes, uns meses antes das eleições, sobre o processo eleitoral, em que eu lhe disse que não concordava com a estratégia que ele tinha traçado para Vila do Bispo e que não era candidato pela coligação. Depois disso nunca mais falámos.

 

CRÍTICAS A RUI RIO

 

LA – Alguma vez falou com o presidente do PSD, Rui Rio? O que pensa dele?

L.P. – Nunca falei com ele. Penso que foi um bom presidente da Câmara Municipal do Porto, deixou obra feita e foi corajoso para defender as suas convicções, por exemplo a “guerra” com o Futebol Clube do Porto na pessoa do seu presidente, Pinto da Costa. Não é qualquer um que cria uma “guerra” com o maior Clube de Futebol da sua cidade e da região.

Penso que agora lhe está a faltar a coragem política que teve no passado, parece-me um pouco apático e até fiquei bastante desiludido quando lhe perguntaram se Mário Centeno daria um bom ministro das Finanças para o PSD e ele disse que era uma pergunta difícil de responder.

Ora, o PSD tem é que se assumir como a alternativa mais credível de governação. Não nos podemos esquecer que foi o PSD que venceu as últimas legislativas, apesar de ter governado em tempo de crise, aplicando medidas pouco populares. O PSD se quer ser poder tem que combater o Governo, desmontar as suas mentiras e falhas e tem que liderar a agenda política em Portugal.

 

“O NOVO PARTIDO DE SANTANA LOPES NÃO VAI ACRESCENTAR NADA DE NOVO”

 

LA – Que efeito poderá ter na vida política portuguesa o novo partido, «Aliança», agora criado pelo ex-militante do PSD Pedro Santana Lopes?

L.P. – Os partidos políticos são importantes para a democracia, quantos mais partidos houver mais debate de ideias haverá. Em minha opinião, este novo partido não vai acrescentar nada de novo, porque as ideias de Pedro Santana Lopes já são conhecidas há muito tempo. Penso que a criação deste novo partido seja mais uma estratégia pessoal de poder. Imaginemos que nas próximas legislativas, em 2019, um partido está a 3 ou 4 deputados da maioria absoluta e Pedro Santana Lopes tem esse número de deputados, consegue um protagonismo e um poder que jamais conseguiria noutra conjuntura política.

 

“SEM ALTERAÇÃO DO PDM, COMO VILA DO BISPO, UM MUNICÍPIO É COMO UM MARINHEIRO NAVEGAR SEM INSTRUMENTOS DE NAVEGAÇÃO, VAI À DERIVA”

 

LA – Este é o último mandato do socialista Adelino Soares como presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo. O que já mudou com ele no concelho e o que ainda falta?

L.P. – O que mudou? Vou só destacar o que considero positivo nos seus mandatos. Considero positivo ter iniciado a sede do Clube Recreativo Infante de Sagres, que é uma obra importante para Sagres. E considero positivo ter apostado na promoção do concelho de Vila do Bispo através das suas potencialidades naturais, culturais e paisagísticas, o que faz com que o turismo no concelho seja menos sazonal.

O que falta fazer? Além de não ter efetuado as obras de manutenção e requalificação que já mencionei nesta entrevista, faltou-lhe defenir uma estratégia de desenvolvimento para o concelho e para isso era imprescindivel ter feito a alteração ao Plano Diretor Municipal (PDM). Trata-se do instrumento fundamental na gestão do território municipal, pois é o que define a estratégia de desenvolvimento do municipio e é o instrumento de referência para a elaboração dos demais planos municipais. Sem ele, a gestão de um municipio é como um marinheiro navegar sem instrumentos de navegação, vai à deriva.

LA – Quem acha que poderá suceder a Adelino Soares?Qual é o elemento da actual equipa do PS (Rute Silva, Fernando Santana e Armindo Vicente), que, na sua opinião, reúne melhores condições nesse sentido?

L.P. – É um assunto que não faz parte das minhas preocupações, não tenho opinião. É uma situação que o PS tem que resolver.

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LA – E o senhor, no próximo mandato, em 2021, admitiria vir a candidatar-se como independente à presidência da Câmara Municipal de Vila do Bispo?

L.P. – Neste momento, a minha preocupação e da minha equipa é fazermos o melhor por Sagres.  Ainda faltam 3 anos para esse cenário e a vida dá muitas voltas. Se as eleições fossem para o mês que vem dizia-lhe já que não era candidato à Câmara Municipal de Vila do Bispo.

LA – O que mudaria consigo no concelho?

L.P. – O próximo presidente de câmara vai ter que efectuar a alteração ao PDM, fundamental para o desenvolvimento do município, e terá de efectuar todas as obras em Sagres que já referi e por todo o concelho, porque acredito que até ao final deste mandato a “alergia” à obra irá continuar.

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