Entrevistas

Recordemos a Entrevista a Armindo Vicente Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo

Armindo Vicente é formado em Teologia, pós-graduado em Direcção e Sustentabilidade de Organizações Sociais, concluiu o curso de Comandante Operacional da Protecção Civil, na Escola Nacional de Bombeiros e é actualmente Provedor da Santa Casa da Misericórdia de vila do bispo.

Litoralgarve – Armindo, fale-nos um pouco sobre a Instituição que preside?

Armindo Vicente- Antes de mais queria agradecer ao Paulo Silva, e ao litoralgarve, por esta oportunidade de falarmos da instituição. É sempre bom a comunicação social estar mais próxima das instituições, também estaremos sempre disponíveis para colaborar. A Santa Casa de Misericórdia de Vila do Bispo nasceu em 1954, foi inicialmente constituída para gerir o Hospital de Vila do Bispo durante alguns anos, depois do 25 de Abril foi essa sua actividade basicamente gerir o hospital e uma ou outra actividade. Rm 82 tomou posse aqui do centro, o que vinha a ser o  centro social de sagres,  formando o lar aqui de sagres, onde  estamos a fazer essa entrevista,  e a sua  atividade deixou de ser  no âmbito hospitalar , ou melhor na gestão do hospital,  começou  então   como as outras IPSS a  direcionar-se para  o lar, neste caso para os idosos, e também no caso do jardim de infância “Alvorada”  para a formação de crianças  em contexto de jardim de infância.  Actualmente, já estamos presentes em todo concelho, é e a maior instituição do concelho, dá apoio a cerca de 200 idosos, 94 em contexto do lar, mas também temos serviços domiciliário, domiciliário integrado, centros de convívio, e também temos loja  social, banco alimentar,  cantina social   e prestamos o máximo de apoio à população,  e certamente será numa perspectiva   de crescer.  Dizer também que a instituição,  nos últimos 2 anos, praticamente  passou para o dobro,  tem estado em crescimento.  É essa  perspectiva   não  crescer só por crescer,  mas crescer no sentido de ir ao encontro dos serviços que possam  beneficiar  a população.

L.A. – Como provedor quais as batalhas que tem encontrado nesta vida social?

A.V. – Eu como provedor, ao entrar, houve algumas metas que estabelecemos como prioridade, primeiro era abrir o lar e a creche em Budens, que eu apanhei em processo de abertura. Já temos todas as salas ocupadas a nível da creche, só falta um sala de berçário que basicamente já não vamos abrir, mas todas as outras quatro salas e o berçário preenchemos, até tínhamos a meta de preencher metade dessas salas com base no acordo, mas depois através de um protocolo com a Câmara Municipal,  nós  conseguimos abrir todas as salas. Também conseguimos preencher o lar de Budens, que não foi difícil devido a carência de lugares de Budens, mas basicamente foi meter aquela máquina a funcionar, e ela esta praticamente na sua capacidade máxima de serviços à população. Depois  tínhamos também como metas,  fazer uma subida a nível dos técnicos da instituição, havia dificuldade, não havia na instituição animador , não havia enfermeiros a tempo inteiro, a nível de médicos também houve uma situação que foi regularizada, então houve aqui uma tentativa de acertar a nível técnico as necessidades desta instituição. Também neste caso estamos a tratar da legalização do centro social de Sagres, que pertence ao Instituto de Segurança Social, mas que a Misericórdia teria investido valores muito altos na sua conservação, no seu melhoramento e na adequação  de serviços da actualidade, e então nós estamos num processo  a tentar que a propriedade deste edifício passe para a Santa Casa da Misericórdia e depois também aquele principio que  todos  nos comprometemos  a tornar a Misericórdia forte, uma instituição de peso aqui no concelho da vila do bispo, instituição que seja um pilar da Acão Social  a par da câmara  deste município, e penso que estamos a conseguir.

 L.A. – Realizou vários trabalhos com crianças e jovens, quer – nos falar sobre isso?

A.V. – Bom, nós temos a creche, mas continuo a trabalhar com jovens, e devido à minha formação, e pronto, andei a estudar  teologia, andei a estudar num seminário e como professor aqui na escola E-B- 2,3 de Vila do Bispo, acharam que  tinha o perfil para trabalhar com crianças , sinto que  tenho adequação para trabalhar com crianças, e não só isso,

Começámos a ter tempos livres em Sagres, fui eu a ajudar a Junta de Freguesia da Vila do Bispo, depois já aqui em Sagres conjuntamente com a Junta de Freguesia e a Santa Casa da Misericórdia a fazer os primeiros programas de tempos livres. Depois na escola estive sempre muito ligado às actividades como professor, de forma concreta, tentando sempre ter uma   atividade  permanente nesta área da juventude. Fui  professor de animação musical  no jardim de infância “Alvorada”,  onde também era uma alegria imensa participar. Acho que tenho vocação para essa faixa etária, gosto muito de ensinar e hoje em dia, é um prazer ter essa oportunidade de, por exemplo, estar a contratar pessoas, neste caso ex-alunos  que agora são meus técnicos e que me ajudam nesta função,  nesta instituição, acho que  é o completar de um ciclo. É muito gratificante ajudá-los a crescer  agora já  numa função de responsabilidade já   numa perspetiva profissional, acho que é um completar de um ciclo muito interessante .

 L.A.- Licenciou-se em Teologia. Em que consiste essa formação?

A.R.- Para toda gente perceber de uma forma mais simples, a teologia é baseada em uma perspectiva, por exemplo qualquer padre tem essa formação, que é uma formação bíblica, uma formação neste caso cristã  e  católica, é uma formação que é dentro do religioso mais religioso,  mas é uma ciência, e a teologia tem grandes princípios de filosofia, mas é multifacetada, a nível da ética, da moral, também de formação pessoal.  E eu acho que é uma formação interessante. Não e aquela que muita gente procura hoje em dia, contabilidade e gestão de empresas,  mas também aqui eu sinto que esta formação humanista é um pouco completa e ajuda-me um pouco também nestas minhas funções .

 L.A. – Durante anos colaborou em vários órgão de comunicação social, reformou-se da actividade ou tem projectos para o futuro?

A.V. – Não,  projetos não há, agora obviamente que eu apenas não estou a fazer porque não tenho tempo  porque noutra perspectiva, se tivesse tempo, eu sempre o fiz, muitos deles  a nível gratuito, não remunerado, para ajudar, porque isso me dava prazer. Por exemplo, partidas de futebol que fazia  para a  Rádio Foia  e outras rádios  , ou era gratuita ou pagavam o combustível, os gastos para eu la chegar ou às vezes  nem isso, mas o prazer de acompanhar, de ver as nossas equipas, depois podermos transmitir às pessoas o que estamos a ver a nível informativo era gratificante. Muitas vezes na Rádio Fóia havia muita gente que conhecia a minha voz mas não me conhecia, e que depois me encontravam, ah, é o Armindo  Vicente que fazia o aljezurense o  esperança de lagos  e outros.

 L.A. –Tendo concluído o Curso de Comandante Operacional da Protecção Civil, projectou nos seus horizontes alguma vez ocupar o cargo?

A.V. – Eu fiz a formação por uma situação simples, foi assim, eu fui adjunto do presidente da Câmara, Adelino Soares, e como adjunto por indicação do presidente  foi-me pedido para acompanhar mais a proteção civil. Como eu acho que quando temos as nossas funções ou estamos a dar apoio a estas funções, nós devemos ter alguma formação para fazer bem as coisas e para saber o que estamos a fazer, para ajudar as pessoas que têm essas responsabilidades. Pedi ao presidente se era possível tirar o curso de proteção civil, de comandante da proteção civil, o chamado COM , e o presidente acedeu e fui a Coimbra para tirar a primeira parte do curso que é técnica, e depois mais na componente prática na escola nacional de bombeiros em Sintra. Foi uma experiência muito gratificante,  penso que foram 8 meses de formação, fiquei sabendo muito mais, e certamente com outras capacidades para ajudar na função  que me foi incumbida pelo presidente. Mas em todas elas, até hoje na minha vida, procuro, sempre que tenho  uma responsabilidade, como agora, tirei uma pós-graduação  que é direção  e organizações   sociais,  e então essa formação dá-me  um patamar diferente,  uma capacidade diferente,  por exemplo,  para desempenhar a função que hoje aqui estou. E também  há cerca de um mês tirei um outro mini curso de recursos humanos, e penso que estes são  conhecimentos que depois vêm dar sustentabilidade  às funções que estamos a desempenhar. Penso que ninguém nasce ensinado,  e nós quando chegamos às direções temos que ter a humildade, que cada vez mais nos é pedida mais formação, mais responsabilidade e mais capacitação para estes cargos .

 L.A. – A sua ligação à Misericórdia de Vila do Bispo, já vem de longe ou é um projecto recente?

A.V.- Não, eu penso que já estou há mais de uma década ligado às varias  direcções, primeiro não como membro efectivo, mas pertenci a duas direcções, (mesa administrativa), depois fui dois mandados presidente  da assembleia, estamos a falar aqui de quatro mandados,  e agora como provedor,  então quer dizer que não  é algo como uma fezada recente,  é um trabalho  de conhecimento da instituição,   um trabalho há mais de um década integrado na instituição,   sabendo como ela funciona, sabendo quais são as suas pessoas, formando-me para isso, de tal forma, como presidente da assembleia também  eu passei por um processo de acompanhamento da comissão administrativa e foi inclusivamente a anterior provedora, dona Maria do Carmo,  que me pediu para eu assumir a responsabilidade de provedor, porque era a pessoa indicada e com capacidade para desempenhar esse cargo.

 L.A. – Voltando à instituição, financeiramente como vive e sobrevive a instituição?

A.V. – A Santa Casa de Misericórdia vive em larga medida ou quase na sua totalidade do pagamento das comparticipações de familiares, do apoio do instituto da segurança social, através dos acordos de cooperação e tem pequenas bolsas de pagamentos devido a exploração de seu património, que são muito poucos e uns pequenos apoios da câmara municipal. Basicamente, grande parte dos apoios que a Santa Casa de Misericórdia são os acordos e cooperações com o estado português e as comparticipações das famílias, A sustentabilidade desta instituição, penso que está segura e sólida.

 L.A. – Recentemente foi eleito para o secretariado regional das Misericórdias, que projectos têm este novo secretariado recentemente eleito? 

A.V.- Para já, o secretariado tem uma direção que é constituída pelo doutor Eduardo Andrade da Santa Casa da Misericórdia de Lagos, a provedora Patrícia Seromenho da Santa Casa de Misericórdia de Albufeira, Rui Ginjeira Santa Casa de Misericórdia de Monchique. Como o provedor de Lagos não continuou no cargo porque foi eleito um outro provedor,  havia aqui a falta de um membro, entretanto, e entre diversas conversas  entre provedores e também com a  MP achou-se por bem que eu ocupasse esse lugar.  Nós tivemos a eleição e fomos eleitos por larguíssima maioria, houve apenas um voto de abstenção e um voto em branco, não é tanto significativo, porque todas as misericórdias votaram,  uma larga  maioria votou nessa lista para assumir a secretariado.

O secretariado é um membro representativo das Santa Casas de Misericórdias, que têm um largo peso nesta sociedade. Por exemplo, aqui no concelho de Vila do Bispo é praticamente a única instituição, já temos um centro social na Figueira que tem trabalho a nível de serviço  domiciliar, mas em uma pequena escala comparada com a nossa nós temos Misericórdias como a de Lagos, de Portimão, Albufeira, Faro, a de Loulé que são  Misericórdias muito grandes com orçamentos na volta dos cinco a seis milhões ou mais, que têm muitos serviços e que dão apoio a muita gente,  e por isso o secretariado terá que ter uma dinâmica que acompanhe também a importância que estas instituições têm.

O secretariado primeiramente tem que estar presente e é este o trabalho que nós temos que fazer, um trabalho com proximidade de apoio às misericórdias e depois também de ter alguma originalidade para propor coisas novas, de trabalho de cooperação a essas instituições, e também ser um membro eficaz perante  o instituto da segurança social, ou vários problemas nas misericórdias, mas também ser um meio de situações novas  que possa valorizar a nossa imagem e valorizar as instituições e também as misericórdias.

 L.A. – Recentemente veio a público a nomeação para provedor municipal, esta nomeação fez estalar o verniz dentro do PS de Vila do Bispo, como comenta as acusações feitas pelo presidente da Assembleia Municipal Nuno Amado à sua nomeação ao cargo?

A.V.- Bom, vamos aqui por partes, primeiro esta nomeação já tem tempo e não entendo o primeiro ponto porque foi apenas disputada isso, depois também não entendo qual é contestação por parte do partido socialista porque se nós analisarmos aqui no dia-a-dia essas contestação ou estar dissimulada ou eu não me apercebo dela, mas o que eu tenho a dizer é esta e a minha posição final quanto a nomeação do cargo é da responsabilidade do presidente  que achou que eu era a pessoa com a capacidade para desempenhar  e eu achando que também tinha essa capacidade  aceitei  esse cargo ponto numero um.

Ponto numero dois eu combinei com o presidente, o presidente também achou que devia ser assim, e não tem qualquer pagamento, relativamente a isso, mas, não há mesmo dinheiro nenhum, é um cargo totalmente não remunerado, não tenho vencimentos, não tenho ajudas de custos, nem ajuda de representação, e nem ajudas de qualquer espécie, nem combustível nada, zero cêntimos, quer dizer não recebo nada desta atividade, e quanto a legitimidade do presidente ter-me nomeado ou não, não me cabe a mim analisar se o presidente achou que sim e que me deu esta nomeação, eu apenas tive que aceitá-la, sinto-me honrado e vou procurar ajudar,  fazer o meu melhor no desempenho desta função, apenas isto.

 L.A.-Vê estas queixas como uma questão política ou pessoal?

A.V. – Mas está claro que é uma questão politica, quanto ao fato de dizer que é um cargo altamente renumerado, penso bem que eu já não tenho aqui em mente qual foi o termo utilizado, mas que era um salário muito grande, simplesmente não ganho nada, e eu até lanço um repto, será que os membros da assembleia e tudo mais têm o mesmo procedimento para um cargo público, se calhar podem não ter .

 L.A. – Afinal qual é a função de Provedor municipal?

A.V. – O cargo do provedor municipal tem uma função de acolher quais são as dúvidas dos munícipes,  tentar levá-las aos órgãos da camara municipal e serem resolvidas, é um cargo de um mediador , agora se me vem dizer que isso poderia ser desempenhado em uma outra função com funcionários, com outra situação,  sim até pode, mas estabeleceu-se nas autarquias esta imagem do provedor, tal como tem o provedor da  RTP , o provedor das  empresas , o presidente achou por bem o que seria mais correto  tudo bem, agora  se querem aproveitar, eu acho que não vai levar a lado nenhum.

L.A.-Nem a queixa do ministério publico feita por nuno amado ou sua equipa?.

A.V.- A queixa no meu caso, penso que não sendo remunerada não há muito fundamento, mas pronto, quanto a legitimidade, eu acho que está estabelecido, o presidente pode nomear e não vejo a razão  dos ânimos exaltados,  não estou a ver, mas pronto, ,isso cabe a cada um responder, agora afirmações que não sejam corretas, que não sejam verdadeiras, obviamente que há a sua sede para as contestar .

 

L.A. – Por último, que projectos têm para o futuro se os tem ou no seu vasto curriculum sociocultural se ainda há algo por fazer?

A.V. – Uma pessoa tem sempre projetos, agora nas funções que eu estou a desempenhar, a realização passa pelo comprimento do dia-a-dia, quer dizer Paulo, e sabe muito bem,  até acompanhando,  sabe como é que me sinto realizado, é os nossos utentes terem conforto, a instituição a funcionar, estar organizada, as pessoa não terem queixa de nenhuma ordem, quer funcionários quer utentes, quer familiares, e essa é a nossa regularização  e as coisas correrem bem, primeiro ponto, O segundo ponto, são os anseios individuais e eu aí, presentemente estou tão empenhado  e gosto do que estou a fazer, e que se eu conseguir desempenhar bem estas funções que  me propus a fazer, sinto-me realizado. Agora eu digo-lhe uma coisa, para mim situações como abrir o lar de Budens, a creche e fundamentalmente porque o concelho andou trinta anos a tentar abrir a creche. Eu fui uma das pessoas responsáveis em larga medida para conseguir abrir a creche através das acções, através do trabalho que fizemos para que isso fosse possível, obviamente que me realiza e sou um pessoa realizada,  porque são desafios que não são pessoais, mas  que são desafios da comunidade. Porque sinto alegria em cinquenta e quatro pais que lá agora temos crianças, sinto alegria que temos trinta e nove  idosos, sinto alegria em Budens pelos trinta e quatro novos postos de trabalho  e isso é muito importante para a comunidade, para os idosos e essa realização  é minha e também sei que é da comunidade. Para o futuro, para já não tenho projetos,  anseios de entrar para o secretariado e porque também as pessoas do secretariado vieram-me pedir, porque acham que eu tenho capacidade e qualidade para as desempenhar , não tem nenhum objetivo em ser presidente da câmara ou presidente do que quer  que seja, e apenas o presidente de câmara,  Adelino Soares  que é meu amigo e eu sou amigo  dele e  procuro  ajudar  e não tenho nada adjacente  a isso, e a nível da Santa Casa de Misericórdia  é um cargo que eu gosto de desempenhar, me sinto realizado e se eu fizer bem  e entregar a instituição com mais irmãos, com mais serviços, com uma situação sustentável  e com mais funcionários, é porque eu desempenhei bem o meu lugar, apenas isso.

 

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